Verbete
Hégira
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Hégira · hijra (هجرة), "migração"
A Hégira é a migração de Maomé e de seus seguidores de Meca para Yathrib (que passaria a se chamar Medina), tradicionalmente datada da partida em 1º de Rabi' al-Awwal do ano 1 AH e da chegada a Quba em 8 de Rabi' al-Awwal, 20 de setembro de 6222.
Um calendário que ninguém escolheu em 622
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Ao tomar a Hégira como ponto de partida, o calendário islâmico deixa de lado o nascimento de Maomé e a primeira revelação, em Meca, por volta de 610, e começa na fundação da comunidade política em Medina12. Quem oficializou essa escolha não foi Maomé, em 622, e sim o califa Umar, numa decisão institucional tomada dezesseis anos depois, em 638 (17 AH)2. A contagem a partir da Hégira já aparecia antes disso, em cartas e documentos, mas de forma desencontrada23. Segundo a Encyclopaedia Iranica, Umar reuniu um conselho para fixar a era oficial e um calendário para cobrar tributos e impostos. O motivo que as fontes registram é administrativo: pôr ordem nas datas dos negócios públicos3.
De pregador sem poder a chefe de Estado
Antes da Hégira, a comunidade liderada por Maomé em Meca pregava sem poder político: não legislava, não arbitrava disputas entre terceiros e não guerreava. A partir de 622, em Medina, a mesma pessoa passou a governar, legislar, tributar e guerrear à frente de uma comunidade organizada12. Essa mudança de papel, de pregador a chefe de Estado, na mesma pessoa e em pouco mais de vinte anos, é o que a exegese, o direito islâmico e o jihadismo contemporâneo ainda usam para decidir se um versículo vale como norma universal ou como resposta a uma circunstância do século VII.
Não confundir com: Islã, a fé cuja pregação começa por volta de 610 em Meca. A Hégira não marca o início da religião, e sim a fundação, doze anos depois, da comunidade política que passou a acompanhá-la.
Leia mais: A vida de Maomé: cronologia, fontes e por que ela decide leituras
Fontes
Fontes
TDV İslâm Ansiklopedisi, "MUHAMMED", Mustafa Fayda (seção biográfica) e outros autores (seções complementares), vol. 30 (2020), pp. 406-421 (atualizado em 01/09/2025). https://islamansiklopedisi.org.tr/muhammed (abre em nova aba) · 🟢
↩TDV İslâm Ansiklopedisi, "HİCRET", Ahmet Önkal / Ahmet Özel, vol. 17 (1998), pp. 458-466. https://islamansiklopedisi.org.tr/hicret (abre em nova aba) · 🟢
↩Reza Abdollahy, "CALENDARS ii. In the Islamic period", em Antonio Panaino, Reza Abdollahy e Daniel Balland, "CALENDARS", Encyclopaedia Iranica, vol. IV, fasc. 6-7, pp. 658-677, 15 de dezembro de 1990 (atualizado em 16 de dezembro de 2016). https://www.iranicaonline.org/articles/calendars/ (abre em nova aba) · 🟢 — sustenta que a contagem a partir da Hégira já era usada antes do califado de Umar (cartas de Khalid ibn al-Walid datadas do ano 12, segundo Tabari), que a confusão entre contar os meses desde Rabi' I e os anos desde Muharram levou Umar a reunir um conselho, e que esse conselho tratou da definição oficial da era e de um calendário para cobrar tributos e impostos, "para regularizar os negócios públicos". Lida diretamente em 23 de setembro de 2026, pela cópia do web.archive.org de 4 de julho de 2026 (o site da Iranica recusa leitura automatizada).
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