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Verbete

Pós-islamismo

Uma vista cativante do horizonte de Istambul ao pôr do sol, destacando os icônicos minaretes. Photo by enaerguvan . pós-islamismo · tradução do inglês post-Islamism, termo cunhado por Asef Bayat; sem grafia árabe fixa consagrada

Pós-islamismo é o conceito que o sociólogo iraniano-americano Asef Bayat formulou em 1996, no artigo "The Coming of a Post-Islamist Society", da revista Critique: Critical Middle Eastern Studies5, e desenvolveu no livro Making Islam Democratic: Social Movements and the Post-Islamist Turn (2007)1.

Bayat usa o termo em dois sentidos ao mesmo tempo. Como condição, é o momento em que o apelo e a legitimidade do islamismo se esgotam. Como projeto, é a tentativa consciente de pensar e articular a superação do islamismo nos planos social, político e intelectual1. Nos dois sentidos, o conceito não é contra o secular nem contra a religião: descreve a busca por conciliar valores islâmicos com democracia, liberdades individuais e direitos civis, sem rejeitar a fé nem sua presença na vida pública1.

O pós-islamismo não é uma evolução natural nem uma etapa inevitável do islamismo. É uma categoria analítica disputada, aplicada caso a caso e sem consenso. O exemplo mais visível dessa disputa é o AKP turco. Há quem leia o partido como caso de pós-islamismo, e há a leitura oposta, do sociólogo Cihan Tuğal: para ele, o AKP é uma volta ao conservadorismo turco com roupa nova, e não uma superação real do islamismo2. A questão continua aberta nos estudos mais recentes, inclusive diante do tom pan-islâmico e civilizacional cada vez mais forte da política externa turca sob Erdoğan3. Ao mesmo tempo, análises de 2024 apontam, na política interna, um recuo pragmático do discurso islamista do AKP diante do crescimento eleitoral de partidos ainda mais islamistas4.

O conceito nasceu para dar nome a casos concretos de movimentos ou partidos islamistas que mudam de rumo. Mas cada vez que o rótulo é aplicado a um caso específico, essa aplicação é objeto de debate acadêmico, e não uma constatação automática.

Não confundir com: secularização ou abandono da fé, porque Bayat descreve o pós-islamismo como tentativa de conciliar valores islâmicos com democracia e liberdades individuais, e não como rejeição da religião. Também não é sinônimo de "islamismo moderado": a categoria descreve a superação do próprio projeto islamista, não uma versão mais branda dele, e sua aplicação a um caso concreto pode ser contestada por outros autores, como mostra o debate sobre o AKP.

Leia mais: Islã, islamismo e jihadismo: por que não são graus de uma mesma escala

Fontes

Close-up de uma página de texto desfocada com os dizeres 'Republicans & Democrats', com foco em temas políticos. Photo by Brett Jordan

Fontes

  1. Bayat, Asef. Making Islam Democratic: Social Movements and the Post-Islamist Turn. Stanford University Press, 2007 (conceito cunhado em 1996, em "The Coming of a Post-Islamist Society"). https://www.jadaliyya.com/Details/29787 (abre em nova aba) · 🟢

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  2. Tuğal, Cihan. Passive Revolution: Absorbing the Islamic Challenge to Capitalism. Stanford University Press, 2009. https://www.sup.org/books/middle-east-studies/passive-revolution (abre em nova aba) · 🟢 — sustenta a leitura de que o AKP representa regressão ao conservadorismo turco, não superação genuína do islamismo. A mesma referência sustenta a atribuição a Tuğal em Islã, islamismo e jihadismo.

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  3. Yilmaz, Ihsan; Morieson, Nicholas. "The Impact of Civilizational Populism on Foreign and Transnational Policies: The Turkish Case." Populism & Politics, European Center for Populism Studies, 4 de maio de 2023. DOI: 10.55271/pp0022 — https://www.populismstudies.org/the-impact-of-civilizational-populism-on-foreign-and-transnational-policies-the-turkish-case/ (abre em nova aba) · periódico acadêmico — descreve a Turquia de Erdoğan como "herdeira" da civilização islâmica e o enquadramento de conflitos externos como disputa civilizacional; publicado às vésperas da reeleição de 28 de maio de 2023 que abriu o terceiro mandato · 🟢

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  4. Gül, Mustafa. "Rise and Fall of the AKP's Islamist Appeal in Türkiye." The Washington Institute, 22 de abril de 2024. https://www.washingtoninstitute.org/policy-analysis/rise-and-fall-akps-islamist-appeal-turkiye (abre em nova aba) · think tank — atribuição explícita; descreve o recuo do discurso islamista do AKP na política doméstica e a migração de eleitorado mais islamista para o YRP (Yeniden Refah) nas eleições municipais de março de 2024 · 🟡

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  5. Bayat, Asef. "The Coming of a Post-Islamist Society." Critique: Critical Middle Eastern Studies, v. 5, n. 9, 1996, pp. 43-52. https://doi.org/10.1080/10669929608720091 (abre em nova aba) · 🟢 — o artigo em que Bayat usa o termo pela primeira vez, sobre o Irã de meados da década de 1990. A página da editora (Taylor & Francis) recusou acesso automatizado (403); ano, revista e páginas conferidos no registro do repositório da Universidade de Leiden, na coleção de publicações de pesquisadores do ISIM (https://hdl.handle.net/1887/9768 (abre em nova aba)), e no texto do próprio Bayat na Jadaliyya citado na nota 1. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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