Verbete
Salat
Salat · ṣalāt (صلاة)
A salat é a oração ritual islâmica, realizada cinco vezes ao dia voltada para Meca, segundo pilar do Islã na formulação sunita.
Horários, unidades e condições de validade
Segundo a TDV İslâm Ansiklopedisi, o número de unidades (rak'at) obrigatórias varia por horário: alvorecer (2), meio-dia (4), tarde (4), pôr do sol (3) e noite (4)1. A mesma fonte lista seis condições de validade: pureza ritual, limpeza corporal, vestimenta que cubra as partes íntimas, orientação para a Qibla (Meca), horário correto e intenção (niyya, "propósito")1. A doutrina distingue o obrigatório (farz) do supererrogatório (nâfile), com subdivisões que incluem o vâcip (necessário, um grau abaixo do obrigatório pleno)1.
A oração de sexta-feira e suas condições
A oração de sexta-feira (jumu'a, "congregação") substitui a oração do meio-dia nesse dia e exige realização coletiva — é a única das cinco orações com essa exigência1. A doutrina separa, para a jumu'a, dois tipos de condição: as de obrigatoriedade (vücûb şartları), que determinam a quem a oração é devida, e as de validade (sıhhat şartları), que determinam quando, uma vez realizada, ela é válida6. Sobre as primeiras, "não há divergência relevante entre as escolas", segundo a TDV6.
Entre as condições de obrigatoriedade estão ser homem, livre, residente (não considerado viajante para efeito religioso) e sem impedimento6. A condição de "livre" excluía, na formulação clássica, a pessoa escravizada — pressuposto de uma instituição jurídica cuja abolição, nos países de maioria muçulmana, entrou em curso a partir do fim do século XVIII e se completou, conforme o país, até meados do século XX7; hoje, portanto, a condição não seleciona ninguém. Para a mulher, a regra não é de proibição: a jumu'a não lhe é obrigatória, mas, se ela for à mesquita e participar da oração, não precisa rezar também a oração do meio-dia — a participação dispensa a reposição, não é vedada6.
Como o xiismo duodecimano lê os horários
Segundo as "Islamic Laws" do grande aiatolá Ali al-Sistani, principal marja al-taqlid (referência de emulação jurídica) de Najaf hoje, publicadas em seu site oficial, o horário da oração do meio-dia (dhuhr) e o da tarde ('asr) são compartilhados, assim como o do pôr do sol (maghrib) e o da noite ('isha), que se estende, para os dois, "até a meia-noite"2. Essa doutrina de horários compartilhados é a base jurídica que permite, na prática, agrupar as cinco orações em três momentos do dia — posição distinta da leitura sunita majoritária, que trata os cinco horários como separados e só admite combinação em circunstâncias específicas (viagem, doença, chuva), com grau de permissividade que varia por escola (a hanafi é a mais restritiva)2. Não se trata de "relaxamento": é jurisprudência própria, de leitura distinta dos horários — a diferença com o sunismo é estrutural, não disciplinar.
Onde a coerção estatal entra
No Afeganistão, a "Lei de Propagação da Virtude e Prevenção do Vício", ratificada por Hibatullah Akhundzada em 10 de julho de 2024 e publicada no Diário Oficial em 31 de julho de 2024, exige que os homens "orem no horário certo e na mesquita" — obrigação descrita como fortemente policiada, com fechamento de comércio e patrulhamento durante os horários de oração relatados desde 2021 em Cabul e na província de Takhar, antes mesmo da lei formal de 202434. Na Arábia Saudita, o antigo Comitê para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício (a "mutawa") chegou a impor o fechamento de comércio nos horários de oração; teve os poderes de prisão e patrulha retirados por decisão do Conselho de Ministros de 2016, e hoje só pode "aconselhar com gentileza" — embora muitos comércios continuem fechando por hábito, sem imposição policial5. Em nenhum dos dois casos a coerção é o que o pilar exige: é o que um Estado específico decidiu impor — e, num dos dois casos, decidiu deixar de impor.
Não confundir com: o nâfile, as orações supererrogatórias fora da obrigação das cinco diárias, e o vâcip, categoria intermediária um grau abaixo do obrigatório pleno1.
Leia mais: Os cinco pilares do Islã: o que cada um exige, e o que nenhum decide
Fontes
Fontes
M. Kâmil Yaşaroğlu, "Namaz", TDV İslâm Ansiklopedisi, v. 32 (2006), pp. 350-357. https://islamansiklopedisi.org.tr/namaz (abre em nova aba) · 🟢 · artigo de enfoque predominantemente sunita/hanafi; não trata da combinação de orações xiita.
↩Ali al-Husseini al-Sistani, "Islamic Laws" — seções sobre os horários de maghrib e isha. Site oficial do escritório do Grande Aiatolá Sistani. https://www.sistani.org/english/book/48/2212/ (abre em nova aba) e https://www.sistani.org/english/book/48/5418/ (abre em nova aba) · 🟢 · fonte primária de doutrina jurídica ja'fari contemporânea; exposição da regra, não subscrição.
↩Afghanistan Analysts Network, "A year of Propagating Virtue and Preventing Vice: Enforcers and 'enforced' speak about the Emirate's morality law", 21 de agosto de 2025. https://www.afghanistan-analysts.org/en/reports/rights-freedom/a-year-of-propagating-virtue-and-preventing-vice-enforcers-and-enforced-speak-about-the-emirates-morality-law/ (abre em nova aba) · 🟢 · organização de pesquisa independente sobre o Afeganistão.
↩RFE/RL, "Afghans Fear For Their Rights As Taliban Resurrects Religious Policing", 6 de janeiro de 2022. https://www.rferl.org/a/afghanistan-taliban-religious-policing/31642688.html (abre em nova aba) · 🟢 · financiamento público dos Estados Unidos, comparável a BBC/DW.
↩France 24 / AFP, "Changing times for Saudi's once feared morality police", 14 de janeiro de 2022. https://www.france24.com/en/live-news/20220114-changing-times-for-saudi-s-once-feared-morality-police (abre em nova aba) · 🟢
↩Hayreddin Karaman, "Cuma", TDV İslâm Ansiklopedisi, Istambul, 1993. https://islamansiklopedisi.org.tr/cuma (abre em nova aba) · 🟢 · acesso em 8 de setembro de 2026; distingue vücûb şartları (condições de obrigatoriedade) de sıhhat şartları (condições de validade) e registra que, sobre as primeiras, "não há divergência relevante entre as escolas"; fonte da condição de gênero, liberdade e residência para a obrigatoriedade da jumu'a e da regra de dispensa da oração do meio-dia para a mulher que participa da oração de sexta.
↩Mehmet Âkif Aydın e Muhammed Hamîdullah, "Köle", TDV İslâm Ansiklopedisi. https://islamansiklopedisi.org.tr/kole (abre em nova aba) · 🟢 · seção Köleliğin Kaldırılması (a abolição da escravidão); sustenta que a abolição entra em curso a partir do fim do século XVIII e que, nos demais países islâmicos, a abolição completa se concluiu até meados do século XX.
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