Elucidário.Islã · Sharia · laicidade

Verbete

Salat

Um homem em trajes tradicionais ajoelhado em oração num ambiente interno, com luzes de fio penduradas acima. Photo by Michael Burrows Salat · ṣalāt (صلاة)

A salat é a oração ritual islâmica, feita cinco vezes ao dia voltada para Meca, e é o segundo pilar do Islã na formulação sunita.

Horários, unidades e condições para a oração valer

Deslumbrante interior de uma grande mesquita, com pessoas orando sobre um tapete vermelho. Photo by Imam Efendi

Segundo a TDV İslâm Ansiklopedisi, o número de unidades (rak'at) obrigatórias muda conforme o horário: alvorecer (2), meio-dia (4), tarde (4), pôr do sol (3) e noite (4)1. A mesma fonte lista seis condições de validade: pureza ritual, corpo limpo, roupa que cubra as partes íntimas, orientação para a Qibla (Meca), horário certo e intenção (niyya, "propósito")1. A doutrina separa o obrigatório (farz) do supererrogatório (nâfile), com subdivisões como o vâcip (necessário, um grau abaixo do obrigatório pleno)1.

A oração de sexta-feira e suas condições

A oração de sexta-feira (jumu'a, "congregação") não é uma das cinco: é uma oração obrigatória à parte, que substitui a do meio-dia nesse dia e só vale feita em grupo1. Todas as escolas concordam com essa exigência6. Já as cinco orações diárias podem ser feitas sozinho1. Para a jumu'a, a doutrina separa dois tipos de condição: as de obrigatoriedade (vücûb şartları), que dizem a quem a oração é devida, e as de validade (sıhhat şartları), que dizem quando, uma vez feita, ela vale6. Sobre as primeiras, "não há divergência relevante entre as escolas", segundo a TDV6.

Entre as condições de obrigatoriedade estão ser homem, livre, residente (não considerado viajante para fins religiosos) e sem impedimento6. Na formulação clássica, a condição de "livre" excluía a pessoa escravizada. Nos países de maioria muçulmana, a abolição dessa instituição jurídica começou no fim do século XVIII e se completou, conforme o país, até meados do século XX7, então hoje a condição não exclui ninguém. Para a mulher, a regra não é de proibição: a jumu'a não é obrigatória para ela, mas, se ela for à mesquita e participar da oração, não precisa rezar também a oração do meio-dia. A participação dispensa a reposição; não é vedada6.

Como o xiismo duodecimano lê os horários

O grande aiatolá Ali al-Sistani é hoje o principal marja al-taqlid (referência de emulação jurídica) de Najaf. Segundo as "Islamic Laws" publicadas em seu site oficial, o horário da oração do meio-dia (dhuhr) e o da tarde ('asr) são compartilhados, assim como o do pôr do sol (maghrib) e o da noite ('isha), que se estende, para os dois, "até a meia-noite"2. É essa doutrina de horários compartilhados que permite, na prática, juntar as cinco orações em três momentos do dia. A leitura sunita majoritária é outra: trata os cinco horários como separados e só admite juntar orações em circunstâncias específicas (viagem, doença, chuva), com mais ou menos permissão conforme a escola. A hanafi é a mais restritiva: só admite juntar na peregrinação, em Arafat e Muzdalifa8. Não é "relaxamento". É jurisprudência própria, com outra leitura dos horários, e a diferença com o sunismo é de estrutura, não de disciplina.

Onde entra a coerção do Estado

No Afeganistão, a "Lei de Propagação da Virtude e Prevenção do Vício", ratificada por Hibatullah Akhundzada em 10 de julho de 2024 e publicada no Diário Oficial em 31 de julho de 2024, exige que os homens "orem no horário certo e na mesquita". Essa obrigação é descrita como fortemente policiada: desde 2021, antes mesmo da lei formal de 2024, há relatos de comércio fechado e de patrulhas durante os horários de oração em Cabul e na província de Takhar34. Na Arábia Saudita, o antigo Comitê para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício (a "mutawa") chegou a impor o fechamento do comércio nos horários de oração. Uma decisão do Conselho de Ministros de 2016 tirou dele os poderes de prender e patrulhar, e hoje ele só pode "aconselhar com gentileza", embora muitos comércios continuem fechando por hábito, sem imposição policial5. Nos dois casos, a coerção não é o que o pilar exige. É o que um Estado decidiu impor, e um deles depois decidiu deixar de impor.

Não confundir com: o nâfile, as orações supererrogatórias, fora da obrigação das cinco diárias; e o vâcip, categoria intermediária, um grau abaixo do obrigatório pleno1.

Leia mais: Os cinco pilares do Islã: o que cada um exige, e o que nenhum decide

Fontes

Fontes

  1. M. Kâmil Yaşaroğlu, "Namaz", TDV İslâm Ansiklopedisi, v. 32 (2006), pp. 350-357. https://islamansiklopedisi.org.tr/namaz (abre em nova aba) · 🟢 · artigo de enfoque predominantemente sunita/hanafi; não trata da combinação de orações xiita.

    ↩
  2. Ali al-Husseini al-Sistani, "Islamic Laws" — seções sobre os horários de maghrib e isha. Site oficial do escritório do Grande Aiatolá Sistani. https://www.sistani.org/english/book/48/2212/ (abre em nova aba) e https://www.sistani.org/english/book/48/5418/ (abre em nova aba) · 🟢 · fonte primária de doutrina jurídica ja'fari contemporânea; exposição da regra, não subscrição.

    ↩
  3. Afghanistan Analysts Network, "A year of Propagating Virtue and Preventing Vice: Enforcers and 'enforced' speak about the Emirate's morality law", 21 de agosto de 2025. https://www.afghanistan-analysts.org/en/reports/rights-freedom/a-year-of-propagating-virtue-and-preventing-vice-enforcers-and-enforced-speak-about-the-emirates-morality-law/ (abre em nova aba) · 🟢 · organização de pesquisa independente sobre o Afeganistão.

    ↩
  4. RFE/RL, "Afghans Fear For Their Rights As Taliban Resurrects Religious Policing", 6 de janeiro de 2022. https://www.rferl.org/a/afghanistan-taliban-religious-policing/31642688.html (abre em nova aba) · 🟢 · financiamento público dos Estados Unidos, comparável a BBC/DW.

    ↩
  5. France 24 / AFP, "Changing times for Saudi's once feared morality police", 14 de janeiro de 2022. https://www.france24.com/en/live-news/20220114-changing-times-for-saudi-s-once-feared-morality-police (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  6. Hayreddin Karaman, "Cuma", TDV İslâm Ansiklopedisi, Istambul, 1993. https://islamansiklopedisi.org.tr/cuma (abre em nova aba) · 🟢 · acesso em 8 de setembro de 2026; distingue vücûb şartları (condições de obrigatoriedade) de sıhhat şartları (condições de validade) e registra que, sobre as primeiras, "não há divergência relevante entre as escolas"; fonte da condição de gênero, liberdade e residência para a obrigatoriedade da jumu'a e da regra de dispensa da oração do meio-dia para a mulher que participa da oração de sexta.

    ↩
  7. Mehmet Âkif Aydın e Muhammed Hamîdullah, "Köle", TDV İslâm Ansiklopedisi. https://islamansiklopedisi.org.tr/kole (abre em nova aba) · 🟢 · seção Köleliğin Kaldırılması (a abolição da escravidão); sustenta que a abolição entra em curso a partir do fim do século XVIII e que, nos demais países islâmicos, a abolição completa se concluiu até meados do século XX.

    ↩
  8. Halit Ünal, "Cem‘", TDV İslâm Ansiklopedisi, 1993. https://islamansiklopedisi.org.tr/cem--namaz (abre em nova aba) · 🟢 — sustenta que cada uma das cinco orações tem de ser feita no seu próprio horário e que juntá-las só é admitido em casos especiais; que os hanafis só admitem juntar em Arafat e Muzdalifa, durante a peregrinação; que shafiis, malikis e hanbalis admitem por viagem e chuva, e malikis e hanbalis também por doença; e que os juristas ja'faris são os mais permissivos, porque tratam os horários como compartilhados. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

    ↩

← Todo o glossário