Islã no OcidenteRevisado em 16 de setembro de 2026
O mito da Eurábia: quantos muçulmanos há de fato na Europa, nos EUA, no Canadá e na Austrália
"Eurábia" é uma teoria de conspiração lançada em 2005. Segundo ela, elites europeias e governos árabes planejariam a islamização do continente. Os dados do Pew Research Center, a fonte mais citada pelos dois lados do debate, mostram uma população muçulmana que cresce, mas continua minoritária em toda a Europa em qualquer cenário projetado até 2050. Reunimos os números de Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Brasil e explicamos a diferença entre países que contam religião no censo e países que dependem de pesquisa amostral.
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"Eurábia" é o nome de uma teoria de conspiração lançada pela escritora Bat Ye'or em 2005. Segundo ela, elites europeias e governos árabes conduziriam, desde os anos 1970, um plano deliberado para islamizar o continente1520. Os dados demográficos mais citados nesse debate, os do próprio Pew Research Center, mostram outra coisa: a população muçulmana cresce em toda a Europa, mas continua minoritária em qualquer um dos três cenários que o instituto projetou para 2050, inclusive no mais extremo1.
De onde vem a teoria
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Bat Ye'or (pseudônimo de Gisèle Littman) não inventou a palavra. Eurabia era o título de publicações de um comitê europeu de associações de amizade com o mundo árabe, editadas em Paris a partir de 1973 e 197528. Ela formulou a tese no início dos anos 2000, e o livro Eurabia: The Euro-Arab Axis (2005) a descreveu e popularizou152027. Segundo o verbete do European Center for Populism Studies (ECPS, Bruxelas), a tese afirma que elites europeias, sobretudo a União Europeia, planejam de propósito a islamização do continente, e põe a responsabilidade em "comunistas, fascistas, mídia, universidades, mesquitas e centros islâmicos, burocratas europeus e o diálogo euro-árabe"20. O livro foi bem recebido em publicações do mesmo campo político: a Middle East Quarterly, do think tank Middle East Forum, chamou-o de "uma ferramenta poderosa" numa resenha de 200516. Na academia, a leitura foi outra. Num capítulo de 2019 publicado pela Oxford University Press, o pesquisador norueguês Sindre Bangstad chama os livros dela de "quase acadêmicos" e descreve a tese como uma conspiração secreta que juntaria a União Europeia e países de maioria muçulmana para pôr a Europa sob controle muçulmano27.
A tese também confunde sistematicamente "muçulmano" com "árabe" e mistura islamofobia com euroceticismo20. Estudiosos compararam a estrutura do argumento à dos Protocolos dos Sábios de Sião, uma conspiração antissemita clássica, pela mesma lógica de uma elite oculta que manipula os acontecimentos20.
Por isso, o problema central da tese Eurábia vai além de números errados. Ela não tem método verificável e usa a demografia como profecia política, no lugar de projeção estatística.
O que o Pew projeta para a Europa
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O relatório "Europe's Growing Muslim Population", publicado pelo Pew Research Center em 29 de novembro de 2017, cobre 30 países (a UE-28 mais Noruega e Suíça) com dados de 20161. Ele projeta três cenários até 2050, e não um só.
No cenário de migração zero, em que toda migração para a Europa para de imediato e para sempre, a população muçulmana ainda assim subiria de 4,9% em 2016 para 7,4% em 20501. No cenário de migração média, chegaria a 11,2%12. No cenário de migração alta, em que os fluxos de refugiados de 2014–2016 seguem no mesmo ritmo pelas décadas seguintes, o próprio relatório descreve o resultado: "os muçulmanos poderiam chegar a 14% da população da Europa em 2050 — quase o triplo da proporção atual, mas ainda consideravelmente menor que as populações de cristãos e de pessoas sem religião na Europa"1. Publicações que divulgam só o número do cenário mais extremo, sem essa ressalva e sem os outros dois cenários, distorcem o que o Pew escreveu.
França, Reino Unido e Alemanha
O Pew também fez projeções por país. Na França, os muçulmanos eram 8,8% da população em 2016 e chegariam a 12,7% em 2050 no cenário de migração zero, passando de 5,7 milhões para 8,6 milhões de pessoas2. No Reino Unido, o cenário de migração média projeta 16,7% (mais de 13 milhões) em 20502. Na Alemanha, a base de 2016 era 6%, e os três cenários projetam 9% (zero), 11% (média) e 20% (alta) para 20501.
Circulam números de outros países fora dessas duas publicações do Pew, inclusive em gráficos nas redes sociais que atribuem percentuais para 2050 país a país. Eles não correspondem a nenhuma tabela do Pew Research Center que tenhamos localizado e conferido por leitura direta. Não os reproduzimos aqui.
A projeção de 2017 e o balanço de 2025
Desde novembro de 2017, o Pew não publicou nenhuma atualização das projeções por país e por cenário de migração12. O documento mais recente é um relatório de outro tipo: "How the Global Religious Landscape Changed From 2010 to 2020", de 9 de junho de 2025, com dados retrospectivos reais (e não projeções) até 202034.
Pelo relatório de 2017, a população muçulmana da Europa, nos 30 países que ele chama de "Europa" (UE-28, Noruega e Suíça), passou de 19,5 milhões (3,8%) em 2010 para 25,8 milhões (4,9%) em 20161. O relatório de 2025 usa uma definição mais ampla de "Europa", com mais países além desse recorte, e por esse critério mede alta de 0,7 ponto percentual entre 2010 e 2020, quando os muçulmanos chegaram a 6% da população34. Os dois conjuntos de números não formam uma série única. Partem de bases geográficas diferentes, e não dá para somar nem comparar diretamente o percentual de 2016 do primeiro relatório com o de 2020 do segundo. Na América do Norte, a população muçulmana chegou a 5,9 milhões em 2020, um crescimento de 52% na década, segundo o mesmo relatório de 20254.
Os dois relatórios se completam e não se contradizem: o de 2017 projeta cenários futuros a partir de uma base de 2016; o de 2025 registra o que de fato aconteceu até 2020, com recorte geográfico próprio. Um relatório ainda mais antigo, de abril de 2015, usava um modelo recalibrado com outros dados e projetava uma Europa 10% muçulmana em 2050, número que não deve ser somado nem comparado diretamente aos 11,2% do relatório de 2017, porque os modelos são diferentes6.
Estados Unidos: sem censo, só pesquisa amostral
O Census Bureau dos Estados Unidos não pergunta religião7. Por isso, toda estimativa da população muçulmana americana vem de pesquisa amostral do Pew Research Center, e não de contagem direta. A diferença está na natureza do dado, e não na margem de erro.
Em 2017, o Pew estimou 3,45 milhões de muçulmanos nos EUA (1,1% da população), contra 2,35 milhões em 2007 e 2,75 milhões em 2011, num crescimento de cerca de 100 mil pessoas por ano desde então7. O Religious Landscape Study de 2023–2024, com 36.908 adultos entrevistados entre julho de 2023 e março de 2024, encontrou cerca de 1% dos adultos americanos que se identificam como muçulmanos (outra publicação do Pew traz a mesma pesquisa com 1,2%, sem arredondar; não é outra cifra)89. Um relatório mais antigo, de 2015, projetava que 2,1% da população dos EUA seria muçulmana em 2050, com o mesmo modelo recalibrado citado na seção anterior6.
Canadá e Austrália: o censo pergunta
Canadá e Austrália, ao contrário dos Estados Unidos, perguntam religião diretamente no censo. O resultado é uma contagem, e não uma amostra.
No Canadá, os muçulmanos passaram de 579.640 pessoas (2,0%) em 2001 para 1.775.715 (4,9%) em 2021, mais que o dobro em vinte anos10. Por província, Ontário tem 942.990 (6,7% da população provincial), Quebec tem 421.710 (5,1%) e Alberta, 202.535 (4,8%)10. A idade mediana dos muçulmanos no Canadá é 30 anos, contra 41,2 anos na população geral do país; 29,5% nasceram no Canadá, 12,7% no Paquistão, 5,8% no Irã, 4,2% no Marrocos e 4,2% na Argélia10.
Na Austrália, a série completa do censo mostra crescimento constante: 281.600 pessoas (1,5%) em 2001, 340.400 (1,7%) em 2006, 476.300 (2,1%) em 2011, 604.200 (2,6%) em 2016 e 813.400 (3,2%) em 202111.
Brasil, para calibrar a escala
O Censo 2010 do IBGE registrou 35.167 muçulmanos no Brasil (0,02% da população), 29,1% a mais que os 27.239 registrados em 2000, num período em que a população total do país cresceu 12,3%121314. A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras) também divulga uma estimativa comunitária, sem base no censo, de 800 mil a 1,5 milhão de pessoas. Entre as fontes que reunimos, não encontramos o documento ou a metodologia que sustente esse número diretamente ⚠️ SEM FONTE. Registramos o intervalo porque ele circula como referência comunitária, mas não o tratamos como dado equivalente ao do censo.
Mesmo essa estimativa mais alta ficaria, em proporção, abaixo do percentual medido no Canadá em 2021 (4,9%) ou na Austrália no mesmo ano (3,2%)1011. A comparação ajuda a calibrar a escala, mas não serve de base para projetar que o Brasil vai seguir a trajetória de algum outro país: os processos migratórios, históricos e geográficos são diferentes. Na imprensa brasileira, não há registro de mobilização política relevante em torno de uma tese equivalente à Eurábia aplicada ao país25.
Por que "vão ter mais filhos para sempre" não se sustenta
Parte do argumento demográfico da tese Eurábia depende de tratar a fecundidade de imigrantes muçulmanos como fixa e sempre maior que a do país de acolhimento. O jornalista Doug Saunders, em The Myth of the Muslim Tide (2012), resume o consenso contrário, segundo resenhas do livro: a fecundidade de imigrantes converge para a do país de acolhimento dentro de uma geração19.
O levantamento "Trajectoires et Origines" (INED/INSEE, 2008), com mais de 20 mil entrevistados na França metropolitana e publicado em Demographic Research (v. 36, art. 45), mostra essa convergência entre filhas de imigrantes do Magrebe, da África subsaariana, da Turquia e do Sudeste Asiático, e ela é mais forte entre mulheres com ensino superior26. O resultado tem nuances: a convergência varia por grupo de origem, e a religiosidade tem efeito positivo específico sobre a fecundidade de filhos de imigrantes de países muçulmanos26. Ainda assim, "convergência real, mas desigual" é muito diferente de "sempre vão ter mais filhos".
A crítica acadêmica e a contracrítica
Justin Vaïsse, especialista em muçulmanos franceses, deu nome ao "gênero Eurábia" (que inclui, além de Bat Ye'or, autores como Bruce Bawer, Christopher Caldwell, Walter Laqueur, Mark Steyn e Melanie Phillips) em "Eurabian Follies" (Foreign Policy, 4 de janeiro de 2010)17. Ele aponta quatro falhas de método que se repetem nesse gênero: usar anedotas em vez de dados sistemáticos; deixar de fora fatores socioeconômicos, como discriminação e desemprego, como explicação alternativa para a tensão social; subestimar a queda da fecundidade muçulmana com a integração; e ignorar pesquisas que o próprio Vaïsse cita (dados da Gallup mostrando que a maioria dos muçulmanos europeus combina identidade nacional e religiosa sem conflito, e um artigo de 2009 de Ronald Inglehart e Pippa Norris, de Harvard, sobre a convergência dos valores culturais de imigrantes muçulmanos com os da sociedade que os recebe)17. Matt Carr, em "You are now entering Eurabia" (Race & Class, 2006), é citado por várias fontes secundárias como um dos primeiros a dissecar a teoria em trabalho acadêmico18.
Há também uma contracrítica que vem do mesmo campo político que produz a literatura Eurábia, e não da academia. Soeren Kern, do Middle East Forum (think tank fundado por Daniel Pipes, com linha editorial declaradamente crítica ao islamismo), argumenta que o Pew subcontou a população muçulmana europeia "em pelo menos cinco milhões", com base em números divulgados pela União de Comunidades Islâmicas da Espanha e pelo Fundo de Integração Austríaco, e alega também subcontagem de solicitantes de asilo na Alemanha entre 2015 e 201622. Aqui registramos apenas que Kern e o Middle East Forum fazem essa afirmação: não encontramos segunda fonte independente que confirme os números alternativos específicos, e a publicação tem linha editorial declarada22.
Uma teoria com consequência real
Tratar a tese Eurábia como exagero inofensivo é um erro. Segundo o ECPS, o manifesto de Anders Behring Breivik, autor do atentado de 2011 na Noruega, citou o conceito várias vezes20. Isso não torna extremista quem discute projeções demográficas com preocupação. A distinção é entre discutir números publicados por um instituto de pesquisa e afirmar, sem método verificável, que existe um plano deliberado de islamização. É essa segunda posição que tem histórico de radicalização associado.
Nenhum dos números reunidos aqui mede prática religiosa, intensidade de fé ou posição política. São autoidentificação em censo ou pesquisa amostral, e só isso13. Tratar o tamanho de uma população como indício de projeto político islamista é justamente o erro de estrutura da tese Eurábia.
Leia antes
- Islã, islamismo e jihadismo: por que não são graus de uma mesma escala — a distinção entre religião e projeto político que pressupomos aqui ao separar presença demográfica de ameaça política.
- Quantos muçulmanos há no Brasil: o que cada número realmente mede — detalha a metodologia do Censo brasileiro e as estimativas institucionais resumidas aqui na comparação de escala.
Leia depois
- Modelos de integração de muçulmanos na Europa — como os países europeus de fato absorvem essa população, tema que não desenvolvemos aqui.
- Casos reais de tensão social entre Islã e Europa — os episódios concretos às vezes citados, erroneamente, como prova da tese demográfica.
- Islamofobia real e discriminação no Ocidente — o outro lado do mesmo eixo editorial: a demografia não é ameaça, e a discriminação real também deve ser nomeada.
Fontes
Fontes
Pew Research Center. "Europe's Growing Muslim Population." 29 de novembro de 2017. https://www.pewresearch.org/religion/2017/11/29/europes-growing-muslim-population/ (abre em nova aba) · 🟢. Números por país da Alemanha (9%/11%/20% para 2050) confirmados por leitura direta da tabela do relatório em 16 de setembro de 2026.
↩Pew Research Center. "Europe's Muslim population will continue to grow, but how much depends on migration." 4 de dezembro de 2017. https://www.pewresearch.org/short-reads/2017/12/04/europes-muslim-population-will-continue-to-grow-but-how-much-depends-on-migration/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Pew Research Center. "How the Global Religious Landscape Changed From 2010 to 2020." 9 de junho de 2025. https://www.pewresearch.org/religion/2025/06/09/how-the-global-religious-landscape-changed-from-2010-to-2020/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Pew Research Center. "Countries with the most Muslims & global Muslim population change, 2010–2020." 9 de junho de 2025. https://www.pewresearch.org/religion/2025/06/09/muslim-population-change/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Pew Research Center. "The Future of World Religions: Population Growth Projections, 2010–2050." 2 de abril de 2015. https://www.pewresearch.org/religion/2015/04/02/religious-projections-2010-2050/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Pew Research Center. "New estimates show U.S. Muslim population continues to grow." 3 de janeiro de 2018. https://www.pewresearch.org/short-reads/2018/01/03/new-estimates-show-u-s-muslim-population-continues-to-grow/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Pew Research Center. "2023–24 Religious Landscape Study: Executive Summary." 26 de fevereiro de 2025. https://www.pewresearch.org/religion/2025/02/26/religious-landscape-study-executive-summary/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Pew Research Center. "How US Muslims compare with other Americans religiously and demographically." 18 de junho de 2025. https://www.pewresearch.org/short-reads/2025/06/18/how-us-muslims-compare-with-other-americans-religiously-and-demographically/ (abre em nova aba) · 🔍 verificação pendente — achado por busca, não lido diretamente; usado apenas para o número complementar não arredondado (1,2%) da mesma pesquisa do item 8.
↩Statistics Canada. "The Muslim population in Canada." 16 de dezembro de 2024. https://www150.statcan.gc.ca/n1/pub/11-627-m/11-627-m2024058-eng.htm (abre em nova aba) · 🟢
↩Australian Bureau of Statistics. "Religious affiliation in Australia." 4 de julho de 2022. https://www.abs.gov.au/articles/religious-affiliation-australia (abre em nova aba) · 🟢
↩IBGE. Censo Demográfico 2010, variável religião. Não lido diretamente na base do IBGE nesta pesquisa; número confirmado por reprodução convergente em 13 e 14 · 🔍 verificação pendente.
↩Rocha, Alexandre. "População muçulmana cresce 29% no Brasil." Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA), 3 de setembro de 2012, atualizado em 30 de março de 2018. https://anba.com.br/populacao-muculmana-cresce-29-no-brasil/ (abre em nova aba) · 🟢. Confirmado por releitura direta na checagem factual: contém apenas os números do Censo IBGE (27.239/2000, 35.167/2010, 29,1%/12,3%) — não contém a estimativa da Fambras (800 mil–1,5 milhão), que no corpo do texto está marcada ⚠️ SEM FONTE e não é atribuída a este item.
↩Castro, Cristina Maria de; Vilela, Elaine Meire. "Muçulmanos no Brasil: uma análise socioeconômica e demográfica a partir do Censo 2010." Religião & Sociedade, v. 39, n. 1, jan.–abr. 2019, UFMG. https://www.scielo.br/j/rs/a/SQqLMm6gR4hJkvYynMX7g4M/?lang=pt (abre em nova aba) · 🟢
↩Bat Ye'or. Eurabia: The Euro-Arab Axis. Fairleigh Dickinson University Press, janeiro de 2005, 384 p. https://archive.org/details/eurabiaeuroaraba00yeor (abre em nova aba) · 🔍 verificação pendente — ficha bibliográfica localizada; caracterização do conteúdo vem de resenhas de terceiros, não de leitura direta da obra.
↩Jansen, Johannes J.G. "Eurabia: The Euro-Arab Axis" (resenha). Middle East Quarterly, v. 12, n. 2, primavera de 2005. https://www.meforum.org/middle-east-quarterly/book-reviews/eurabia-the-euro-arab-axis (abre em nova aba) · 🔴 fonte de linha editorial declarada (Middle East Forum) — citada no corpo do texto apenas para registrar a recepção favorável em publicação do mesmo campo político, nunca como sustentação de fato demográfico.
↩Vaïsse, Justin. "Eurabian Follies." Foreign Policy, 4 de janeiro de 2010. https://foreignpolicy.com/2010/01/04/eurabian-follies/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Carr, Matt. "You are now entering Eurabia." Race & Class, v. 48, n. 1 (2006), SAGE/Institute of Race Relations. DOI: 10.1177/0306396806066636 · 🔍 verificação pendente — referência confirmada por múltiplas fontes secundárias convergentes; texto integral não lido (paywall).
↩Saunders, Doug. The Myth of the Muslim Tide: Do Immigrants Threaten the West? Knopf/Vintage, 2012 · 🔍 verificação pendente — caracterização do conteúdo vem de resenhas de terceiros, livro não lido integralmente.
↩European Center for Populism Studies (ECPS). Verbete "Eurabia." https://www.populismstudies.org/Vocabulary/eurabia/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Kern, Soeren. "How Many Muslims in Europe? Pew's Projections Fall Short." Middle East Forum, 14 de dezembro de 2017. https://www.meforum.org/islamist-watch/how-many-muslims-in-europe-pew-projections-fall (abre em nova aba) · 🔴 fonte de linha editorial declarada — usada exclusivamente para registrar o que Kern e o Middle East Forum afirmam, nunca como sustentação de fato.
↩Busca por cobertura de imprensa brasileira sobre a tese Eurábia não localizou material de peso; tentativa de acesso a Le Monde Diplomatique Brasil, "O mito da invasão árabe-muçulmana" (https://diplomatique.org.br/o-mito-da-invasao-arabe-mulcumana/ (abre em nova aba)), retornou HTTP 403 · 🔍 verificação pendente.
↩Levantamento "Trajectoires et Origines" (INED/INSEE, 2008), mais de 20 mil entrevistados na França metropolitana. Publicado em Demographic Research, v. 36, art. 45 · 🔍 verificação pendente — descrição do conteúdo vem do dossiê (§4), que não traz ficha bibliográfica própria com confirmação de leitura direta; fica como 🔍 até que a leitura direta do artigo seja documentada.
↩Bangstad, Sindre. "Bat Ye'or and Eurabia". Em: Mark Sedgwick (org.), Key Thinkers of the Radical Right: Behind the New Threat to Liberal Democracy. Oxford University Press, 2019. https://academic.oup.com/book/25370/chapter/192453545 (abre em nova aba) · 🟢 — o resumo do capítulo descreve Bat Ye'or como "a decana" da literatura Eurábia, a tese como "conspiração secreta" entre a UE e países de maioria muçulmana, e os livros dela como títulos "quase acadêmicos". Resumo lido diretamente em 23 de setembro de 2026 (cópia do Internet Archive de 10 de dezembro de 2025; o site devolve 403 à leitura automatizada); capítulo integral não lido (acesso pago). O mesmo resumo diz que Bat Ye'or não cunhou o termo "Eurabia", mas pode ser creditada por ter popularizado o conceito ("did not coin the term 'Eurabia'"; relido na mesma cópia em 23 de setembro de 2026).
↩Bibliothèque nationale de France, catálogo geral: Eurabia (Paris), publicação periódica impressa do Comité européen de coordination des associations d'amitié avec le monde arabe, 1975-, ISSN 0336-6987, https://catalogue.bnf.fr/ark:/12148/cb34375945j (abre em nova aba) ; e Eurabia. Note d'information (variante: Eurabia. Bulletin d'information), do mesmo comitê, 1973-1989, ISSN 0184-0800, https://catalogue.bnf.fr/ark:/12148/cb34356516p (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária (registro bibliográfico da biblioteca nacional francesa) — a palavra circulava como título de periódico em Paris décadas antes do livro de 2005. Registros lidos diretamente (API SRU do catálogo) em 23 de setembro de 2026.
↩