Islamismo político e radicalismoRevisado em 31 de agosto de 2026
O que os documentos provam sobre terrorismo no Brasil e na Tríplice Fronteira
Há documentos, desde os anos 1990, sobre financiamento e lavagem de dinheiro ligados ao Hezbollah na Tríplice Fronteira, com sanções e prisões. Mas nenhum relatório oficial, brasileiro ou americano, confirmou até hoje uma célula ou um plano operacional armado na região. Fora dela, a Operação Trapiche (2023–2024) documentou um plano de atentados ligado ao Hezbollah, que terminou em condenação na Justiça. Aqui separamos, com data e documento, o que está provado e o que é mito.
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O que os documentos provam sobre terrorismo no Brasil e na Tríplice Fronteira
Existem documentos, desde os anos 1990, sobre financiamento e lavagem de dinheiro ligados ao Hezbollah na Tríplice Fronteira, a região onde Brasil, Paraguai e Argentina se encontram, entre Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú. Eles incluem sanções, prisões e uma recompensa oferecida pelos Estados Unidos em 20253949. Já uma célula ou um plano operacional armado na própria região nunca foi confirmado por nenhum relatório oficial, brasileiro ou americano, em trinta anos de suspeita11141516.
Fora da Tríplice Fronteira, a história é outra. Em 5 de setembro de 2024, a Justiça Federal condenou Lucas Passos Lima, um brasileiro recrutado pelo Hezbollah, a 16 anos, 6 meses e 22 dias de reclusão. Ele foi condenado por integrar organização terrorista e por atos preparatórios de um plano de atentados contra alvos da comunidade judaica em Brasília. O caso é a Operação Trapiche, que a Polícia Federal deflagrou em Minas Gerais, São Paulo e no Distrito Federal333435. São dois fatos diferentes, apoiados em documentos diferentes. Há três décadas o debate público se alimenta da confusão entre eles, nos dois sentidos possíveis.
Quatro coisas que costumam virar uma só
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Quando se fala de terrorismo jihadista no Brasil, quatro coisas diferentes costumam ser tratadas como se fossem uma.
A primeira é o financiamento e a lavagem de dinheiro ligados ao Hezbollah na Tríplice Fronteira. É disso que trata a maior parte das investigações e sanções documentadas na região desde os anos 19903940. A segunda é uma célula ou um plano operacional armado na própria Tríplice Fronteira, coisa que nenhum relatório oficial confirmou em trinta anos11141516.
A terceira é um plano operacional jihadista em outras regiões do Brasil. Esse existe, está documentado e foi julgado: é o que a Operação Trapiche apurou333435. A quarta é a comunidade árabe-muçulmana de Foz do Iguaçu, grande, antiga e legítima. Ela não é acusação de nada e não deve ser tratada como sinônimo de nenhuma das outras três1244.
O assunto aqui é segurança e política, e não teologia: não há disputa entre escolas jurídicas islâmicas em jogo. Mas o cuidado é o mesmo. Toda menção ao Hezbollah como organização precisa separar, sempre, duas coisas: a arrecadação de fundos, documentada com nomes, datas e sanções, e a célula operacional armada, que não está documentada na Tríplice Fronteira e foi documentada uma vez fora dela.
De onde veio a suspeita, e como ela chegou à recompensa de 2025
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Como a suspeita começou? Pesquisadores como Fernando Rabossi (UFRJ), Silvia Montenegro e a pesquisa sobre a Tríplice Fronteira da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) reconstroem uma sequência precisa, com datas. Os atentados de 1992 e 1994 contra alvos judaicos em Buenos Aires levantaram a suspeita de que explosivos ou apoio logístico teriam saído da fronteira entre Brasil e Paraguai. Nenhuma prova pública foi apresentada na época27. O Departamento de Estado dos Estados Unidos pôs essa suspeita no seu relatório anual sobre terrorismo já na edição referente a 1996, publicada em abril de 199748.
Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a imprensa internacional reforçou essa história. Em 2001 e 2002, uma série de reportagens da CNN apresentou Foz do Iguaçu como possível base de treinamento terrorista. O procurador do município entrou com ação por difamação contra a emissora28.
Em 21 de novembro de 2002, o senador Olivir Gabardo (PSDB-PR) protestou no plenário do Senado Federal contra o que chamou de noticiário "alarmante e completamente infundado" da CNN. Ele contou que o Ministério Público do Paraná tinha enviado ofícios formais exigindo que a emissora dissesse onde ficavam os supostos campos de treinamento, fizesse reportagem no local e apresentasse evidência concreta. A rede não atendeu publicamente a essas exigências29.
Em 10 de fevereiro de 2004, o Departamento de Estado declarou em público que não tinha informação confiável sobre a presença estabelecida de uma célula da Al-Qaeda na região, nem sobre planejamento de operação terrorista em curso ali. Ao mesmo tempo, manteve a avaliação de que simpatizantes arrecadavam fundos para o Hezbollah e o Hamas47. Isso aconteceu cinco meses antes da publicação do relatório final da Comissão do 11 de Setembro dos Estados Unidos, em julho daquele ano, e não foi dito pela Comissão.
Você talvez já tenha ouvido que "a Comissão do 11 de Setembro isentou Foz". Essa versão popular apaga duas coisas: quem fez a declaração foi o Departamento de Estado, e não a Comissão, e a declaração nunca negou a arrecadação de fundos.
Em 6 de dezembro de 2006, o Departamento do Tesouro dos EUA designou nove indivíduos e duas entidades na Tríplice Fronteira por apoio financeiro e logístico ao Hezbollah. Entre elas estava a Galeria Page, um shopping em Ciudad del Este apontado como sede de arrecadação ligada à rede da família Barakat39. Assad Ahmad Barakat, que o Tesouro americano descreve como "tesoureiro" da arrecadação do Hezbollah na região desde os anos 1990, já tinha sido sancionado individualmente em 2004. Dois irmãos dele foram sancionados no pacote de 200637.
Barakat foi preso pela Polícia Federal em Foz do Iguaçu em 21 de setembro de 2018, por mandado da Justiça paraguaia. A acusação era de falsidade ideológica, e não de terrorismo. Ele foi extraditado para o Paraguai em 17 de julho de 2020, condenado lá em 8 de abril de 2021 a dois anos e seis meses e expulso de volta para o Brasil no dia seguinte à sentença3738.
Em 19 de maio de 2025, o Departamento de Estado ofereceu recompensa de até US$ 10 milhões (cerca de R$ 56,6 milhões pela cotação de venda do dia, R$ 5,6591) por informações especificamente sobre as redes financeiras do Hezbollah na Tríplice Fronteira4950. A novidade é citar a região pelo nome. O valor de até US$ 10 milhões já existia como oferta permanente do programa Rewards for Justice contra o financiamento do Hezbollah49.
O que dizem os relatórios do Departamento de Estado, ano a ano
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O documento mais citado por quem defende a tese de "base terrorista" é justamente o que diz com mais clareza que ela não está confirmada. O relatório anual Country Reports on Terrorism, do Departamento de Estado, ganhou um capítulo específico sobre "santuários terroristas" a partir da edição referente a 2005, publicada em abril de 2006. A lista formal de santuários com nome começou na edição referente a 200713.
Ano após ano, o texto sobre a Tríplice Fronteira se repete quase sem mudança. Ele fala da preocupação de que Hezbollah e Hamas arrecadem fundos "entre as extensas comunidades muçulmanas da região" (a expressão é do próprio relatório), num território pouco regulado em Ciudad del Este e Foz do Iguaçu. E, na mesma frase, registra que não há nenhuma confirmação de treinamento ou planejamento operacional121416.
O relatório referente a 2010, publicado em agosto de 2011, é explícito. No trecho citado literalmente pelo Government Accountability Office (GAO) dos EUA, ele diz: "nenhuma informação corroborada mostrou que o Hezbollah, o Hamas ou outros grupos extremistas islâmicos usaram a Área da Tríplice Fronteira para treinamento militar ou planejamento de operações terroristas"11.
Essa frase, ou variações muito próximas dela, aparece praticamente igual em todos os anos que localizamos entre 2006 e 201211121416. A edição referente a 2004, anterior ao capítulo sobre santuários, trata a Tríplice Fronteira com a mesma preocupação sobre arrecadação de fundos, mas sem a mesma estrutura formal15.
Por quase uma década seguida, o Departamento de Estado repetiu o mesmo veredito: não havia evidência de operação na região. Ao mesmo tempo, manteve a região na lista de santuários por causa da arrecadação de fundos. Esse é o argumento mais forte contra a ideia de uma célula ativa. A própria fonte que alimenta a suspeita nunca mudou sua conclusão sobre a ausência de operação.
O mesmo relatório do GAO, de 2011, traz outro dado que mostra a distância entre a atenção da imprensa e a avaliação técnica de risco. Nenhum dos treze especialistas em segurança consultados pelo próprio governo americano pôs a Tríplice Fronteira entre os cinco santuários terroristas de maior risco para os Estados Unidos11.
Operação Hashtag (2016): radicalização pela internet, sem ligação com a fronteira
O caso com mais condenados por terrorismo no Brasil antes de 2024 não tem relação nenhuma com a Tríplice Fronteira21. A Polícia Federal deflagrou a Operação Hashtag em 21 de julho de 2016, dez dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio. Em dez meses de investigação, foram cumpridos 74 mandados judiciais: 26 de busca e apreensão, 40 de prisão temporária ou preventiva e 8 de condução coercitiva. Eles foram cumpridos em nove estados: Paraná, Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul78.
O Ministério Público Federal denunciou oito pessoas por promover o Estado Islâmico nas redes sociais entre março e julho de 2016, num canal chamado "Defensores da Sharia". Em 4 de maio de 2017, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, condenou os oito réus. Foi o primeiro caso julgado com base na Lei 13.260/2016, sancionada quatro meses antes de a operação ser deflagrada910. As penas foram de 5 anos e 6 meses a 15 anos, 10 meses e 5 dias. A maior coube a Leonid El Kadre de Melo, identificado como líder e recrutador do grupo910.
Os quatro primeiros réus continuaram presos; os outros puderam recorrer em liberdade. O julgamento da apelação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) começou em 24 de abril de 2018, foi suspenso por pedido de vista e retomado em 8 de maio de 2018, ainda sem decisão final naquela data. A defesa alegava que a condenação se baseava em indícios e suposições25.
Em decisão de 30 de junho e 1º de julho de 2021, o TRF4 negou um recurso da Defensoria Pública da União e manteve El Kadre de Melo em regime fechado na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande. O tribunal considerou comprovados a periculosidade dele e o risco de que espalhasse ideologia extremista51. Essa decisão manteve a prisão em execução. Não encontramos confirmação de trânsito em julgado da apelação criminal em si (ou seja, de que não cabe mais recurso), e não podemos afirmar o que não temos fontes para confirmar.
É um caso de radicalização individual pela internet, sem estrutura organizada na Tríplice Fronteira e sem vínculo apurado com ela.
Operação Trapiche (2023–2024): o plano que existiu, fora da Tríplice Fronteira
Depois da Operação Trapiche, não dá mais para dizer, sem ressalva, que "nunca houve nenhum plano de atentado jihadista no Brasil". O que continua verdadeiro, e é a distinção central que fazemos aqui, é que nenhuma célula operacional foi confirmada especificamente na Tríplice Fronteira. O plano documentado e condenado aconteceu em outro lugar.
A Polícia Federal deflagrou a primeira fase da operação em 8 de novembro de 2023, com dois mandados de prisão temporária e onze de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e no Distrito Federal, expedidos pela Justiça Federal de Belo Horizonte. O objetivo era interromper atos preparatórios de terrorismo e reunir provas de recrutamento de brasileiros para atos extremistas3031. Dois suspeitos foram presos logo de início, um em São Paulo e outro no Aeroporto de Guarulhos, quando desembarcava de um voo vindo do Líbano. A suspeita era de que planejavam atentados contra sinagogas, sedes de associações culturais judaicas e lideranças religiosas judaicas no Distrito Federal e em Goiás31.
O gabinete do primeiro-ministro de Israel declarou em público que serviços de segurança brasileiros, "junto com o Mossad" e outras agências, frustraram um atentado planejado pelo Hezbollah e, segundo a declaração, "dirigido e financiado pelo Irã". Essa é uma avaliação israelense, e a atribuímos como tal. Não é uma conclusão brasileira independente31.
Em 5 de dezembro de 2023, a 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte soltou dois dos quatro investigados. O pedido partiu da própria Polícia Federal, que concluiu que os dois não representavam risco à sociedade. Os outros dois, Lucas Passos Lima e Jean Carlos de Souza, continuaram presos, acusados de monitorar locais ligados à comunidade judaica36.
Uma segunda fase, chamada "Trapiche-FT" e voltada ao financiamento, aconteceu em 8 de agosto de 2024, com um mandado de prisão preventiva e oito de busca e apreensão em Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, São Paulo e Brasília. O alvo era o uso de dados pessoais de imigrantes e refugiados vulneráveis para abrir contas e empresas usadas para movimentar dinheiro de origem ilícita32.
Em 5 de setembro de 2024, a juíza Raquel Vasconcelos Alves de Lima, da 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte, condenou Lucas Passos Lima a 16 anos, 6 meses e 22 dias de reclusão por integrar organização terrorista (o Hezbollah) e por atos preparatórios de terrorismo. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, Lima teria sido recrutado por Mohamad Khir Abdulmajid, sírio com passaporte brasileiro, apontado como o elo brasileiro do Hezbollah e foragido no Líbano333435.
O réu teria viajado duas vezes ao Líbano para treinamento, levantado dados sobre líderes religiosos judaicos e locais-alvo (sinagogas, cemitérios, a embaixada de Israel), recebido treinamento com armas de fogo e tentado recrutar um piloto. A juíza o chamou de "mercenário contemporâneo", porque a motivação identificada foi sobretudo financeira; a retórica antissemita veio depois333435. Essa é uma sentença de primeira instância. Não encontramos confirmação de trânsito em julgado, nem do desfecho do processo de Jean Carlos de Souza.
O que está documentado: financiamento e lavagem
Nada do que dizemos aqui nega o que está, de fato, documentado. A Tríplice Fronteira continua sob investigação e vigilância financeira ativa até hoje. Em setembro de 2024, a guerra entre Israel e o Hezbollah se agravou, e o líder do grupo, Hassan Nasrallah, foi morto num bombardeio israelense em Beirute em 27 de setembro5342. Três dias depois, em 30 de setembro, Brasil, Paraguai e Argentina fizeram reuniões fechadas de segurança, que reforçaram o monitoramento da região42.
Uma reportagem cita uma fonte não identificada do chamado "Comando Tripartite". Segundo essa fonte, operativos do Hezbollah na Tríplice Fronteira "raramente cometem atos de terrorismo ou crimes violentos" e atuam "tipicamente em lavagem de dinheiro e transferências mensais de fundos para a liderança no Oriente Médio". É uma fonte única e anônima, e deve ser lida com essa ressalva. Mesmo assim, ela resume com precisão a distinção que defendemos42.
A região também continua sob investigação por crime organizado sem relação com terrorismo. A Operação Lastro Oculto, com primeira fase em 2 de julho de 2026 e segunda em 4 de agosto de 2026, mirou uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro ligada à entrada irregular de mercadorias do Paraguai em Foz do Iguaçu. Foram bloqueados mais de R$ 35 milhões em ativos. Nenhuma fonte que localizamos liga essa operação a financiamento de terrorismo. O tema é outro, crime organizado e sonegação, mas o caso mostra que a fronteira segue sob vigilância financeira contínua, e não só em casos ligados ao Hezbollah41.
Há ainda uma controvérsia recente que não deve ser confundida com o tema deste artigo. Em maio e junho de 2025, o Itamaraty pediu que fossem retiradas menções à "convergência entre crime organizado transnacional e terrorismo" de um acordo de segurança tripartite para a Tríplice Fronteira. Essa disputa é sobre facções brasileiras do crime organizado, o PCC e o Comando Vermelho, num momento em que o governo americano pressionava para classificá-las como organizações terroristas. Não envolve o Hezbollah nem o jihadismo26.
A lei: o que diz a Lei 13.260/2016 e onde ela esbarra
A Lei 13.260, sancionada em 16 de março de 2016 (data confirmada na fonte primária20), é a lei federal que criminaliza o terrorismo no Brasil. Não conseguimos acessar o texto oficial no portal do Planalto. Por isso, citamos o artigo 2º a partir de compilações jurídicas que reproduzem o texto do mesmo jeito entre si. Esse artigo define terrorismo como a prática de atos por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, cometidos com o propósito de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública1819.
O parágrafo 2º do mesmo artigo deixa expressamente fora do crime a conduta de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de categoria profissional ou classista, voltados a defender direitos, garantias e liberdades constitucionais19. Essa cláusula serve de contrapeso legal à imprecisão que juristas apontam no resto do texto.
Entre a entrada em vigor da lei, em 2016, e março de 2021, foram abertos 63 inquéritos para investigar suspeita de terrorismo no Brasil, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo publicado em março de 202121. Os dados que a própria Polícia Federal entregou ao Metrópoles pela Lei de Acesso à Informação, em dezembro de 2024, formam outra série: 5 inquéritos em 2016, 1 em 2018, 10 em 2019, 12 em 2020, 7 em 2021, 10 em 2022, 51 em 2023 e 19 até novembro de 2024, num total de 117. A reportagem não dá o número de 2017, e os anos que ela lista somam 11523. As duas contagens não batem: pela série da PF, os anos de 2016 a 2021 somam 35 inquéritos, e não 63. O que as duas mostram é um volume baixo até 2022 e um salto em 2023, de mais de 500% sobre o ano anterior23.
Até 2021, onze réus tinham sido condenados em quatro sentenças, e uma delas foi anulada depois. Nove desses onze réus vêm da Operação Hashtag: os oito de Curitiba e um suspeito julgado à parte na Justiça Federal em Goiás. As outras duas condenações saíram da Justiça estadual21. A condenação de Lucas Passos Lima, em setembro de 2024, na Operação Trapiche, se soma a esse total. Não encontramos um levantamento agregado atualizado.
Há outros casos documentados. Dois adolescentes de 17 anos foram investigados depois do massacre de Suzano, em 2019. Um ficou internado por três anos em medida socioeducativa em Pontalina (GO). O outro, em Niterói (RJ), foi condenado e, nove meses depois, absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça por falta de comprovação da motivação ideológica que a lei exige. Um jovem de 18 anos foi solto em Campos dos Goytacazes por um juiz federal que considerou a prisão uma violação de direitos fundamentais21.
Juristas apontam "vagueza hermenêutica" no que conta como ato de terrorismo, sobretudo na definição de "atos preparatórios". Em tese, essa imprecisão permite que as autoridades interpretem a lei de forma elástica24. Em cinco anos, a lei gerou 36 projetos de lei para alterá-la, 31 na Câmara e 5 no Senado. Dos 31 da Câmara, 20 mirariam diretamente direitos de manifestação ligados a movimentos sociais e ocupações de terra, segundo levantamento acadêmico22. Renato Sérgio de Lima, diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, avalia que a lei é pouco eficiente tanto para conter riscos quanto para embasar investigações de atentados reais21.
Não localizamos nenhuma fonte que relate um caso em que a lei tenha sido usada de fato contra movimento social. Na prática, a cláusula de exclusão parece ter cumprido sua função de proteção, mas a crítica ao risco estrutural do texto continua válida.
A Lei 7.716/1989 completa o quadro legal. Ela criminaliza a discriminação por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, com pena de reclusão de um a três anos e multa (art. 20)52. É por causa dela que tratar "muçulmano" e "terrorista" como sinônimos, ou generalizar sobre a comunidade de Foz a partir de casos individuais com nome, tem custo jurídico concreto, e não só editorial.
A comunidade de Foz do Iguaçu
Descrever corretamente a comunidade árabe-muçulmana de Foz do Iguaçu faz parte da precisão que buscamos, e não é uma concessão. A imigração libanesa histórica para o Brasil, do fim do século XIX ao início do XX, foi majoritariamente cristã, maronita e ortodoxa. A comunidade de Foz vem de uma onda posterior e diferente. Ela começou nos anos 1950 e ganhou força nas décadas de 1980 e 1990, com a construção da usina de Itaipu e a guerra civil no Líbano (1975–1990). Essa leva mais recente é majoritariamente muçulmana, com sunitas, xiitas e drusos, além de uma minoria cristã maronita12.
O Censo Demográfico 2010 do IBGE registrou 35.167 muçulmanos em todo o Brasil, 0,02% da população do país, concentrados sobretudo no Sudeste (49%) e no Sul (37%)6. E quantos estão em Foz? Os números variam entre as fontes e, com uma exceção, não têm base censitária. O único dado de censo para a cidade é do IBGE: 5,6 mil muçulmanos em Foz do Iguaçu no Censo 2010. Encontramos esse dado numa única fonte direta, e ele deve ser lido com essa ressalva4.
O Censo 2022 já não permite isolar esse número, porque o IBGE passou a juntar o Islã na categoria "outras religiosidades". Essa categoria somou 6,9% da população de Foz em 2022, contra 51,7% de católicos e 29,4% de evangélicos4. Estimativas de jornalistas e pesquisadores, sem base censitária, falam em cerca de 12 mil pessoas de origem árabe na cidade, a maioria libanesa, com sírios e palestinos também presentes. Outra fonte fala em cerca de 20 mil libaneses e descendentes13. Nenhuma das duas diz como fez a contagem, e a diferença provavelmente vem de definições diferentes de quem conta como "comunidade".
A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab teve a pedra fundamental lançada em 1981 e as obras concluídas em 1987. É a maior mesquita do Brasil e a segunda maior da América Latina, atrás apenas do Centro Cultural Islâmico Rei Fahd, em Buenos Aires. A cúpula principal comporta cerca de 580 pessoas, e a administração é do Centro Cultural Beneficente Islâmico444546. Segundo um levantamento acadêmico, comerciantes libaneses concentrados na Avenida Brasil e na Vila Portes empregam mais de 80% da população local nos setores de comércio e serviços. O número vem de uma única fonte e deve ser lido como estimativa aproximada, não como cifra exata43.
Dizemos com todas as letras: essa comunidade não é alvo de nenhuma das suspeitas documentadas nas seções anteriores. As sanções e prisões miram pessoas e empresas com nome, como a rede Barakat e a Galeria Page, e nunca a comunidade árabe-muçulmana de Foz como um todo. Tratar uma coisa como sinônimo da outra é exatamente o erro que trinta anos de cobertura alarmista cometeram.
Por que o mito persiste, e a quem ele serve dos dois lados
Duas leituras diferentes disputam o sentido dos mesmos fatos, e nenhuma delas é neutra.
A leitura securitizadora, que trata o tema antes de tudo como ameaça à segurança, aparece na linguagem dos relatórios do Departamento de Estado, em think tanks de linha dura como a Foundation for Defense of Democracies e o Counter Extremism Project e em reportagens frequentes da imprensa internacional. Ela sustenta que a Tríplice Fronteira é um "santuário terrorista" ativo, com base na presença histórica do clã Barakat e na arrecadação contínua para o Hezbollah3740.
Muitas vezes, essa leitura reforça o argumento com o simples tamanho da comunidade muçulmana da região, como se uma população grande fosse, por si só, indício de risco. Não é. Nenhum dos documentos citados neste artigo trata o tamanho de uma comunidade religiosa como evidência de nada, e este site rejeita esse argumento (presença demográfica como ameaça) em qualquer contexto. Essa leitura também tende a não separar arrecadação de célula operacional. A linguagem oficial do Departamento de Estado evita esse erro, ao pé da letra, mas a cobertura jornalística sobre esses relatórios o comete com frequência.
A leitura cética, defendida pela academia brasileira e local e pela imprensa regional, diz que a ideia de "base terrorista" nasceu de uma sequência específica de fatos e se manteve por repetição institucional, sem evidência nova. O mesmo texto se repetiu ano a ano nos relatórios oficiais, sem que nenhum atentado acontecesse na região e sem que nenhum operativo fosse localizado ali272829. A posição oficial brasileira historicamente fica perto dessa leitura quanto à ausência de célula operacional, sem negar a arrecadação de fundos. Em 2006, o Itamaraty afirmou publicamente que não tinha recebido nenhuma comunicação oficial sobre atividade terrorista na região, apesar de um acordo de 2005 que previa notificação mútua entre Argentina, Brasil, Estados Unidos e Paraguai17.
Nenhuma das duas leituras, sozinha, dá conta do quadro inteiro. Quem aumenta a ameaça apaga a diferença entre arrecadação e operação e ignora que a própria fonte da suspeita, o Departamento de Estado, nunca confirmou planejamento na região. Quem nega o problema corre o risco oposto: tratar a Operação Trapiche, que aconteceu fora da Tríplice Fronteira mas é real, documentada e julgada, como se fosse parte do mesmo mito fácil de desmontar. A precisão que defendemos não absolve ninguém de antemão nem acusa ninguém por presunção. Ela descreve o que cada documento, cada sentença e cada relatório de fato diz, e nada além disso.
Leia antes
- Islã, islamismo e jihadismo: por que não são graus de uma mesma escala — estabelece a distinção entre religião, ideologia política e violência armada que aplicamos ao caso brasileiro.
- Perfil do Hezbollah (Pilar 6, ainda não publicado) — pressupomos que o leitor saiba o que é a organização, sem repetir o perfil completo.
Leia depois
- Foz do Iguaçu e a Tríplice Fronteira: comunidade libanesa, comércio, xiismo (Pilar 8, ainda não publicado) — aprofunda a dimensão comunitária e histórica.
- O programa Muslim Friendly de Foz do Iguaçu (Pilar 8, ainda não publicado).
- Perfil de país: Líbano (Pilar 5, ainda não publicado) — contextualiza a origem da imigração e do próprio Hezbollah.
Fontes
Fontes
"Um retrato da migração de falantes de árabe para Foz do Iguaçu: história e integração à sociedade local." Revista Territórios e Fronteiras. https://periodicoscientificos.ufmt.br/territoriosefronteiras/index.php/v03n02/article/view/1065 (abre em nova aba) · 🟢 periódico acadêmico
↩"Reordenação de identidade de imigrantes árabes em Foz do Iguaçu." Estudos Avançados (SciELO Brasil). https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132008000200006 (abre em nova aba) · 🟢 periódico acadêmico
↩"Aniversário: Foz do Iguaçu é a cidade com a segunda maior comunidade libanesa no mundo." Jornal do Líbano. https://www.jornaldolibano.com.br/aniversario-foz-do-iguacu-e-a-cidade-com-a-segunda-maior-comunidade-libanesa-no-mundo/ (abre em nova aba) · 🟡 imprensa de nicho da comunidade libanesa-brasileira — usar com atribuição
↩"Católicos continuam maioria em Foz do Iguaçu — Censo 2022." H2FOZ, 12 de junho de 2025. https://www.h2foz.com.br/geral/religioes-foz-do-iguacu-censo-2022/ (abre em nova aba) · 🟢 imprensa regional · dado de Foz de 2010 (5,6 mil) é fonte única direta nesta pesquisa
↩Castro, Cristina Maria de; Vilela, Elaine Meire. "Muçulmanos no Brasil: uma análise socioeconômica e demográfica a partir do Censo 2010." Religião & Sociedade, 2019. https://www.scielo.br/j/rs/a/SQqLMm6gR4hJkvYynMX7g4M/?lang=pt (abre em nova aba) · 🟢 periódico acadêmico revisado por pares
↩Ministério da Justiça e Segurança Pública / Polícia Federal. "Polícia Federal deflagra operação que investiga suspeitos de terrorismo", 21 de julho de 2016. https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/policia-federal-deflagra-operacao-que-investiga-suspeitos-de-terrorismo (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária oficial
↩Agência Brasil (EBC). "PF prende mais dois suspeitos de terrorismo na Operação Hashtag", agosto de 2016. https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-08/pf-prende-mais-dois-suspeitos-de-terrorismo-na-operacao-hashtag (abre em nova aba) · 🟢 CC
↩Agência Brasil (EBC). "Justiça condena oito réus da Operação Hashtag por organização terrorista", 4 de maio de 2017. https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-05/justica-condena-oito-reus-da-operacao-hashtag-por-organizacao-terrorista (abre em nova aba) · 🟢 CC
↩Consultor Jurídico (Conjur). "Presos na operação hashtag são condenados com Lei de Terrorismo", 4 de maio de 2017. https://www.conjur.com.br/2017-mai-04/presos-operacao-hashtag-sao-condenados-lei-terrorismo/ (abre em nova aba) · 🟢 · acesso direto retornou HTTP 403 nesta pesquisa; conteúdo confirmado por busca externa
↩U.S. Government Accountability Office. GAO-11-561, Combating Terrorism: U.S. Government Should Improve Its Reporting on Terrorist Safe Havens, 3 de junho de 2011. https://www.gao.gov/assets/a319141.html (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária federal, cita literalmente o Country Reports 2010
↩Refworld/ACNUR (mirror). "Country Reports on Terrorism 2007 - Tri-Border Area." https://www.refworld.org/reference/annualreport/usdos/2008/en/27873 (abre em nova aba) · 🟢 · acesso direto HTTP 403; conteúdo confirmado por síntese de busca — texto literal confirmado por busca externa (recheck 07-recheck-fatos.md): "the United States remained concerned that Hizballah and HAMAS raise funds among the sizable Muslim communities in the region"
↩Council on Foreign Relations. "The True Threat of Terrorist Safe Havens." https://www.cfr.org/blog/true-threat-terrorist-safe-havens (abre em nova aba) · 🟢
↩U.S. Department of State. Country Reports on Terrorism 2006, cap. 5. https://2009-2017.state.gov/j/ct/rls/crt/2006/ (abre em nova aba) · 🟢 · acesso direto falhou; conteúdo confirmado por síntese de busca sobre o documento
↩Refworld. "Country Reports on Terrorism 2004 - Triborder Area." https://www.refworld.org/reference/annualreport/usdos/2005/en/15679 (abre em nova aba) · 🟢 · refere-se à edição referente a 2004, anterior ao capítulo específico sobre santuários (criado na edição referente a 2005); mesmo padrão de acesso das demais edições
↩U.S. Department of State. Country Reports on Terrorism 2008, cap. 2. https://2009-2017.state.gov/j/ct/rls/crt/2008/122435.htm (abre em nova aba) · 🟢 · acesso direto falhou; conteúdo confirmado por síntese de busca
↩Gazeta do Povo. "Foz do Iguaçu questiona EUA sobre acusações de terrorismo", 18 de julho de 2006. https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/foz-do-iguacu-questiona-eua-sobre-acusacoes-de-terrorismo-a4kj9nsix5rhl3v7e8dtn9yry/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Conteúdo Jurídico, síntese de compilações legais sobre o art. 2º, caput, da Lei 13.260/2016. https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/50452/lei-antiterrorismo-lei-13-260-2016-analise-dos-principais-artigos (abre em nova aba) · 🟡 blog jurídico especializado, não é fonte primária — texto a conferir contra o Planalto (acesso direto falhou nesta pesquisa; ver 20)
↩Jusbrasil, compilação do art. 2º, §2º, da Lei 13.260/2016. https://www.jusbrasil.com.br/topicos/98658419/paragrafo-2-art-2-da-lei-n-13260-de-16-de-marco-de-2016 (abre em nova aba) · 🟡 mesma ressalva de 18
↩Presidência da República. Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13260.htm (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária · acesso direto falhou nesta pesquisa (erro de conexão); usada apenas para confirmar existência e data de sanção da lei — o texto do art. 2º vem de 18/19, a conferir contra o Planalto antes da publicação final
↩ISTOÉ Dinheiro (Estadão Conteúdo). "Em cinco anos, Lei Antiterrorismo condenou 11 réus", 28 de março de 2021. https://istoedinheiro.com.br/em-cinco-anos-lei-antiterrorismo-condenou-11-reus (abre em nova aba) · 🟢 conteúdo de agência, veículo de imprensa profissional — sustenta os 63 inquéritos abertos desde a entrada em vigor da lei, as quatro sentenças condenatórias (uma anulada depois) com onze réus, a Hashtag como primeira investigação sob a lei e o caso com mais condenados (oito, mais um suspeito julgado à parte em Goiás), as duas condenações na Justiça estadual e os casos de Pontalina, Niterói e Campos dos Goytacazes. Não traz série ano a ano. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩Brasil de Fato. "Criada há cinco anos, Lei Antiterrorismo gerou efeito cascata no Legislativo, com outros 36 PLs", 20 de dezembro de 2021. https://www.brasildefato.com.br/2021/12/20/criada-ha-cinco-anos-lei-antiterrorismo-gerou-efeito-cascata-no-legislativo-com-outros-36-pls/ (abre em nova aba) · 🟡 veículo alinhado a movimentos sociais/esquerda — usar com atribuição de linha editorial
↩Junio Silva, Metrópoles. "Investigações da PF sobre terrorismo no Brasil explodem em 2023", 1º de dezembro de 2024. https://www.metropoles.com/brasil/investigacoes-da-pf-sobre-terrorismo-no-brasil-explodem-em-2023 (abre em nova aba) · 🟢 — dados obtidos da Polícia Federal pela Lei de Acesso à Informação: 117 inquéritos entre 2016 e novembro de 2024; 5 em 2016, 1 em 2018, 10 em 2019, 12 em 2020, 7 em 2021, 10 em 2022, 51 em 2023 e 19 até novembro de 2024; 2017 não aparece na lista. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩Migalhas. "A lei antiterrorismo brasileira e os riscos para a democracia." https://www.migalhas.com.br/depeso/344670/a-lei-antiterrorismo-brasileira-e-os-riscos-para-a-democracia (abre em nova aba) · 🟡 blog jurídico
↩TRF4. "Operação Hashtag: processo tem pedido de vista no TRF4", 8 de maio de 2018. https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=noticia_visualizar&id_noticia=13629 (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária judicial
↩Jornal de Brasília. "Itamaraty atuou para não enquadrar facções como terroristas em acordo internacional de segurança", 5 de junho de 2025. https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/mundo/itamaraty-atuou-para-nao-enquadrar-faccoes-como-terroristas-em-acordo-internacional-de-seguranca/ (abre em nova aba) · 🟢 · tema tangencial (PCC/Comando Vermelho)
↩H2FOZ. "Sem provas, EUA reacendem suspeitas sobre Hezbollah na Tríplice Fronteira", 22 de maio de 2025. https://www.h2foz.com.br/reportagem-especial/sem-provas-eua-reacendem-suspeitas-sobre-hezbollah-na-triplice-fronteira/ (abre em nova aba) · 🟢 imprensa regional, reportagem com fontes acadêmicas (Unila)
↩Tribuna do Paraná. "Medo atinge muçulmanos em Foz do Iguaçu", 14 de março de 2007 (atualizado em 2013). https://www.tribunapr.com.br/noticias/parana/medo-atinge-muculmanos-em-foz-do-iguacu/ (abre em nova aba) · 🟢 imprensa regional · artigo datado; números de população nele contidos não usados como atuais; menciona a ação por difamação movida pelo procurador do município contra a CNN
↩Senado Federal. "Olivir protesta contra noticiário infundado da CNN sobre terrorismo em Foz do Iguaçu." Senado Notícias, 21 de novembro de 2002. https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2002/11/21/olivir-protesta-contra-noticiario-infundado-da-cnn-sobre-terrorismo-em-foz-do-iguacu (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária institucional · quem protesta é o senador Olivir Gabardo (PSDB-PR); a matéria não menciona prefeito
↩Diário de Pernambuco. "Polícia Federal prende terroristas ligados ao Hezbollah", novembro de 2023. https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/brasil/2023/11/policia-federal-prende-terroristas-ligados-ao-hezbollah.html (abre em nova aba) · 🟢
↩Correio da Manhã (Portugal). "Detidos dois homens ligados ao Hezbollah que preparavam ataques terroristas contra alvos judeus no Brasil", 8 de novembro de 2023. https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/detidos-dois-homens-ligados-ao-hezbollah-que-preparavam-ataques-terroristas-contra-alvos-judeus-no-brasil (abre em nova aba) · 🟢 imprensa portuguesa de referência
↩Agência Brasil (EBC). "PF deflagra 2ª fase de operação contra financiamento do terrorismo", agosto de 2024. https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-08/pf-deflagra-2a-fase-de-operacao-contra-financiamento-do-terrorismo (abre em nova aba) · 🟢 CC
↩Metrópoles (Grande Angular). "Homem acusado de planejar ato terrorista em Brasília é condenado." https://www.metropoles.com/colunas/grande-angular/homem-acusado-de-planejar-ato-terrorista-em-brasilia-e-condenado (abre em nova aba) · 🟢
↩SBT News. "Brasileiro é condenado a 16 anos de prisão por elo com Hezbollah e plano de ato terrorista." https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/brasileiro-e-condenado-a-16-anos-de-prisao-por-elo-com-hezbollah-e-plano-de-ato-terrorista (abre em nova aba) · 🟢
↩Jornal Correio (Correio24Horas). "Juíza vê 'mercenário contemporâneo' e condena a 16 anos brasileiro recrutado pelo Hezbollah." https://www.correio24horas.com.br/brasil/juiza-ve-mercenario-contemporaneo-e-condena-a-16-anos-brasileiro-recrutado-pelo-hezbollah-0924 (abre em nova aba) · 🟢
↩CNN Brasil. "Justiça determina soltura de dois suspeitos de envolvimento com o Hezbollah", 6–7 de dezembro de 2023. https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/justica-determina-soltura-de-dois-suspeitos-de-envolvimento-com-o-hezbollah/ (abre em nova aba) · 🟢
↩Counter Extremism Project. "Assad Ahmad Barakat." https://www.counterextremism.com/extremists/assad-ahmad-barakat (abre em nova aba) · 🟡 grupo de pesquisa privado com foco declarado em ameaça extremista — usar com atribuição
↩Swissinfo (agência). "Paraguay expulsa a Brasil a libanés que fue vinculado a grupo chií Hizbulá", 9 de abril de 2021. https://www.swissinfo.ch/spa/paraguay-justicia_paraguay-expulsa-a-brasil-a-liban%C3%A9s-que-fue-vinculado-a-grupo-chi%C3%AD-hizbul%C3%A1/46519470 (abre em nova aba) · 🟢 agência suíça de notícias
↩U.S. Department of the Treasury. Comunicado de imprensa (js1720), designação de nove indivíduos e duas entidades na TBA, 6 de dezembro de 2006. https://www.treasury.gov/press-center/press-releases/Pages/js1720.aspx (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária oficial · acesso direto instável nesta pesquisa; conteúdo confirmado por busca externa
↩The Amit Terrorism and Intelligence Research Institute. Sobre a rede Barakat e o congelamento de ativos pela Argentina em 11 de julho de 2018. https://www.terrorism-info.org.il/en/hezbollahs-tri-border-area-terror-finance-comes-fire-last-emanuele-ottolenghi/ (abre em nova aba) · 🟡 instituto de pesquisa israelense com foco declarado em terrorismo — usar com atribuição
↩Ponta Porã Informa (reprodução de nota da PF). "PF combate grupo criminoso envolvido em lavagem de dinheiro no Paraná", 2026. https://www.pontaporainforma.com.br/pf-combate-grupo-criminoso-envolvido-em-lavagem-de-dinheiro-no-parana/ (abre em nova aba) · 🟢 reprodução de nota oficial da PF · sem alegação de vínculo com Hezbollah/terrorismo
↩Juliet Manfrin, Gazeta do Povo. "Guerra no Líbano eleva alerta para presença de terroristas do Hezbollah na Tríplice Fronteira", 1º de outubro de 2024. https://www.gazetadopovo.com.br/republica/guerra-no-libano-eleva-alerta-para-presenca-de-terroristas-do-hezbollah-na-triplice-fronteira/ (abre em nova aba) · 🟢 · cita fonte anônima do "Comando Tripartite" — usar com essa ressalva. Sustenta também a morte de Nasrallah em 27 de setembro de 2024 e as reuniões reservadas de segurança de Brasil, Paraguai e Argentina em 30 de setembro. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩Portal Dspace Unila. "O papel dos libaneses na economia de Foz do Iguaçu - PR." https://dspace.unila.edu.br/items/02ab7f26-8537-446b-b1a3-a854f99feb7d (abre em nova aba) · 🟢 repositório acadêmico institucional · conteúdo confirmado apenas por síntese de busca
↩Secretaria Municipal de Turismo de Foz do Iguaçu. "Mesquita Omar Ibn Al-Khattab — Destino do Mundo." https://www.destino.foz.br/atrativo/mesquita/ (abre em nova aba) · 🟢 fonte institucional municipal
↩Gazeta de São Paulo. "Segunda maior mesquita da América Latina fica no Brasil e permite visitação." https://www.gazetasp.com.br/turismo/2o-maior-templo-religioso-da-america-latina-fica-no-brasil-e-permite/ (abre em nova aba) · 🟢 imprensa
↩CCBI — Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu, site institucional. https://www.mesquitafoz.com.br/br/sobre (abre em nova aba) · 🟢 fonte institucional primária
↩U.S. Department of State, declaração de 10 de fevereiro de 2004, divulgada pelo Washington File em 11 de fevereiro de 2004. https://www.globalsecurity.org/security/library/news/2004/02/sec-040211-usia02.htm (abre em nova aba) · 🟡 acesso direto retornou HTTP 403 nesta pesquisa; conteúdo confirmado por busca externa, com citação textual de "no credible information" — é do Departamento de Estado, não da Comissão do 11 de Setembro
↩U.S. Department of State, Patterns of Global Terrorism 1996, capítulo "Latin America Overview", publicado em abril de 1997. https://1997-2001.state.gov/global/terrorism/1996Report/latin.html (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária · acesso direto ao texto integral falhou nesta pesquisa; existência, data e conteúdo geral confirmados por busca externa
↩U.S. Department of State, "Rewards for Justice – Reward Offer for Information on Hizballah Financial Networks in the Tri-Border Area", comunicado oficial, 19 de maio de 2025. https://www.state.gov/releases/office-of-the-spokesperson/2025/05/rewards-for-justice-reward-offer-for-information-on-hizballah-financial-networks-in-the-tri-border-area (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária oficial · confirma tanto o direcionamento de 2025 à Tríplice Fronteira quanto o caráter de oferta permanente do programa Rewards for Justice contra o financiamento do Hezbollah
↩Banco Central do Brasil, sistema PTAX, cotação de venda para 19 de maio de 2025: R$ 5,6591. https://olinda.bcb.gov.br/olinda/servico/PTAX/versao/v1/odata/CotacaoDolarDia(dataCotacao=%2705-19-2025%27)?%24format=json (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária oficial
↩TRF4. Notícia institucional, manutenção da prisão de Leonid El Kadre de Melo, 30 de junho–1º de julho de 2021. https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=noticia_visualizar&id_noticia=15950 (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária judicial
↩Presidência da República. Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, art. 20. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária
↩VOA News. "Hezbollah confirms Israeli airstrike killed leader Hassan Nasrallah", 28 de setembro de 2024. https://www.voanews.com/a/israeli-airstrikes-rock-beirut-hezbollah-command-center-hit/7802738.html (abre em nova aba) · 🟢 serviço público internacional — sustenta o bombardeio de sexta-feira, 27 de setembro de 2024, em Beirute, a confirmação da morte de Nasrallah pelo Hezbollah e a escalada das semanas anteriores (ataque com pagers, morte de comandantes em Beirute). Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
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