Verbete
Eid
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Eid · ʿīd (عيد), "festa"
Eid é o nome genérico das duas maiores festas do calendário islâmico: o Eid al-Fitr, que fecha o mês de jejum do Ramadã, e o Eid al-Adha, a festa do sacrifício, celebrada durante o período do hajj1.
De onde vêm as duas datas
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As duas datas foram instituídas no mesmo ano, o segundo da Hégira. O jejum do Ramadã foi imposto pela primeira vez nesse ano, e quem o cumpriu passou a celebrar como festa os três primeiros dias do mês seguinte (shawwal). Daí o nome Eid al-Fitr, "festa da quebra do jejum"; a esmola obrigatória do fim do jejum (fitre, zakat al-fitr) é dada antes dela1. O Eid al-Adha começa no dia 10 do último mês do calendário islâmico (dhu al-hijja), dura quatro dias e leva o nome do sacrifício animal feito nesse período. O hajj só se tornou obrigatório no ano 9 da Hégira, mas o sacrifício e a oração do Eid al-Adha, assim como o jejum e o Eid al-Fitr, já tinham sido instituídos no ano 21.
A história por trás do Eid al-Adha
A tradição islâmica liga o Eid al-Adha à disposição de Abraão (Ibrahim) de sacrificar o próprio filho Ismael e ao consentimento do próprio Ismael, recompensados no fim, quando Deus troca o sacrifício humano por um animal em reconhecimento à fidelidade dos dois profetas; é à memória dessa provação que a tradição islâmica associa o sacrifício de animais nesses dias1. Essa é a tradição islâmica majoritária. A tradição judaico-cristã dá outro nome ao filho da provação: Isaque, e não Ismael5.
A oração
A oração do Eid tem duas unidades (rak'at), com takbirs extras (zevâid) cujo número e posição mudam conforme a escola: os hanafitas erguem as mãos e dizem o takbir três vezes depois do "Subhaneke" na primeira unidade e três vezes antes da inclinação (ruku) na segunda, e para essa escola esse takbir é obrigatório (vâcip); os shafiitas o dizem sete vezes depois da súplica de abertura na primeira unidade e cinco vezes ao se levantar para a segunda (recomendado, sunnah); os malikitas, seis e cinco vezes nos mesmos pontos (recomendado); os hanbalitas, também seis e cinco (recomendado)1. Diferente do que acontece na sexta-feira, o sermão (khutbah) vem depois da oração do Eid, e não antes; é prática recomendada1. O Profeta rezava o Eid ao ar livre, num terreno aberto (musalla), e não na mesquita. Por isso hanafitas e hanbalitas consideram recomendado rezar no musalla, e os malikitas o tratam como aconselhável; para hanbalitas e malikitas, a exceção é a Mesquita Sagrada de Meca1. Coleções de hadith (Bukhari, Muslim, Ibn Majah, Abu Dawud, Tirmidhi e Nasa'i) registram que, no tempo do Profeta, mulheres de todas as idades participavam das festas do Eid, inclusive as que não podiam rezar por estarem menstruadas, que ainda assim se juntavam aos takbirs coletivos1.
Costumes recomendados
É recomendado (mendup): preparar-se com antecedência; vestir roupas limpas e bonitas; fazer a purificação ritual (ghusl); escovar os dentes; usar perfume; cumprimentar as pessoas com um sorriso; comer algo doce, como tâmaras, antes da oração do Eid al-Fitr (no Eid al-Adha, a primeira comida do dia é a carne do próprio sacrifício); ir a pé para a oração quando der e voltar por outro caminho; dar esmola com generosidade; entregar a fitre (zakat al-fitr) antes da oração; e recitar o takbir a caminho da oração1.
O takbir at-tashriq
Depois das orações obrigatórias do Eid al-Adha, recitar o "takbir de tashriq" é obrigatório (vâcip) para os hanafitas, recomendado (sunnah) para hanbalitas e shafiitas e aconselhável (mendup) para os malikitas. Hanafitas e hanbalitas o recitam 23 vezes, da oração do amanhecer do Dia de Arafat até a oração da tarde do quarto dia da festa. Os malikitas o recitam 15 vezes, da oração do meio-dia do primeiro dia até a do amanhecer do quarto dia1.
Um caso no Egito: o sacrifício do Eid al-Adha em debate
A escritora egípcia Fatima Naoot foi condenada em janeiro de 2016 a três anos de prisão por uma publicação no Facebook em que criticava o sacrifício de animais no Eid al-Adha; em novembro do mesmo ano, a pena caiu para seis meses com sursis2. O caso mostra que o rito do sacrifício, mesmo sendo central na data, também é contestado em público dentro do próprio mundo muçulmano. O que se discutia era a prática, e não a existência da data.
A TDV İslâm Ansiklopedisi registra ainda que Bukhari, o compilador de hadiths, morreu "na noite do Eid al-Fitr de 256 H" (1º de setembro de 870 EC), perto de Samarcanda34. O dado prende a data a um ponto preciso da história islâmica, além do seu papel no ritual.
Não confundir com: o hajj, a peregrinação a Meca durante a qual acontece o Eid al-Adha (o hajj é o quinto pilar, uma obrigação à parte, cumprida só por quem peregrina; já o Eid al-Adha é celebrado por todos os muçulmanos); o ramada (Ramadã), o mês de jejum que o Eid al-Fitr encerra (o Ramadã é o mês inteiro, e o Eid é a festa de três dias que vem depois).
Leia mais: Os cinco pilares do Islã: o que cada um exige, e o que nenhum decide
Fontes
Fontes
İbrahim Bayraktar, "BAYRAM" (seção C) İslâmî dönem, 1. Dinî Hükümler), TDV İslâm Ansiklopedisi, vol. 5, Istambul, 1992. https://islamansiklopedisi.org.tr/bayram#2-dini-hukumler (abre em nova aba) · 🟢 · acesso em 16 de setembro de 2026, com User-Agent de navegador
↩Library of Congress; MadaMasr; Egyptian Streets; Daily News Egypt — Código Penal egípcio, art. 98(f) (1981), caso de Fatima Naoot, incluindo a redução de sua pena a seis meses com sursis em novembro de 2016. Acesso: 7 de setembro de 2026 · 🟢 · nota reaproveitada, sem alteração de conteúdo, de
↩content/artigos/apostasia-e-blasfemia.md(nota [^23] naquele artigo).TDV İslâm Ansiklopedisi, "BUHÂRÎ, Muhammed b. İsmâil", Muhammad Mustafa al-Azami, vol. 6, Istambul, 1992, pp. 368-372. https://islamansiklopedisi.org.tr/buhari-muhammed-b-ismail (abre em nova aba) · 🟢 · nota reaproveitada, sem alteração de conteúdo, de
↩content/artigos/hadith-e-sunna.md(nota [^7] naquele artigo).TDV İslâm Ansiklopedisi, "el-Câmiu's-sahîh" (Bukhari), M. Yaşar Kandemir, vol. 7, Istambul, 1993, pp. 114-123. https://islamansiklopedisi.org.tr/el-camius-sahih--buhari (abre em nova aba) · 🟢 · nota reaproveitada, sem alteração de conteúdo, de
↩content/artigos/hadith-e-sunna.md(nota [^8] naquele artigo).Bíblia Sagrada, tradução Almeida Corrigida Fiel (ACF), Gênesis 22:2. https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/22 (abre em nova aba) · 🟢 — "Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto"; o mesmo nome aparece na King James ("thine only son Isaac", https://www.biblegateway.com/passage/?search=Genesis%2022%3A2&version=KJV (abre em nova aba)). Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
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