Verbete
Madrassa
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madrassa · madrasa (مدرسة), "escola"
Madrassa é a instituição de ensino religioso islâmico, do ensino corânico básico ao seminário superior, e a palavra árabe quer dizer, literalmente, só "escola".
O seminário que deu nome a um movimento
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O Dârülulûm-i Diyûbend (Darul Uloom Deoband) foi fundado por Muhammad Qasim Nanautavi e Rashid Ahmad Gangohi em 30 de maio de 1866, numa pequena povoação do norte da Índia colonial. É a madrassa que deu nome ao deobandismo, movimento de reforma sunita que nasceu como resposta ao ensino islâmico ameaçado pelo domínio britânico1. O modelo se espalhou por seminários que tomaram Deoband como referência, inclusive fora do subcontinente indiano1.
O caso que liga madrassa ao Talibã, e por que ele não é a regra
O Darul Uloom Haqqania, em Akora Khattak, no Paquistão, é a madrassa de filiação deobandi mais associada à formação de parte da liderança talibã2. Ela não é a instituição indiana original. Foi fundada em 1947, já no Paquistão pós-Partição, e recebeu dinheiro público documentado: US$ 2,5 milhões do governo provincial do Khyber Pakhtunkhwa em 2018 e US$ 2,7 milhões atribuídos ao PTI (Pakistan Tehreek-e-Insaf) em 20172.
O Darul Uloom Deoband indiano, a instituição-matriz, não tem vínculo com o Estado e é outro caso. Segundo um porta-voz citado numa reportagem de outubro de 2025, a instituição se distancia publicamente de políticas específicas do Talibã, entre elas a exigência de burca integral e a proibição de mulheres trabalharem em ambiente misto3. Esse distanciamento tem limites: segundo reportagem de fevereiro de 2023, a instituição ficou em silêncio público diante da proibição talibã à educação de meninas, decretada em 20224.
A ligação que os fatos sustentam, portanto, não é "a madrassa deobandi produziu o Talibã". É esta: parte da liderança talibã se formou numa madrassa paquistanesa específica, de filiação deobandi, nascida depois da Partição e financiada pelo Estado paquistanês. Essa madrassa é distinta da instituição-matriz indiana, que se distancia de forma seletiva do movimento que ajudou a formar, sem romper totalmente com ele234.
Madrassa não é fábrica de radicais
Associar madrassa a formação de extremistas por reflexo é pegar um caso específico e documentado, o de um seminário paquistanês de filiação deobandi, e estendê-lo a uma categoria de instituição muito mais ampla. Madrassas também formaram o movimento barelvi, rival histórico do deobandismo desde o início do século XX. Ahmad Riza Khan Barelvi, que redigiu cerca de duzentas fatwas contra os fundadores de Deoband, fundou em 1904 o Dârülulûm-i Manzar al-Islam e, depois dele, muitas outras madrassas ligadas à sua corrente5. O mesmo tipo de instituição serve a correntes que se acusam mutuamente de heresia. O que pesa é o currículo, a escola jurídica e o financiamento, e não o formato "madrassa" em si.
Não confundir com: madhhab, a escola jurídica que uma madrassa costuma ensinar. Uma é instituição de ensino, a outra é doutrina de direito, e escolas rivais mantêm madrassas próprias.
Fontes
Fontes
TDV İslâm Ansiklopedisi, "DÂRÜLULÛM", Azmi Özcan, vol. 8 (1993), pp. 553-555. https://islamansiklopedisi.org.tr/darululum (abre em nova aba) · 🟢 lido na íntegra.
↩Bezhan, Frud. "'University Of Jihad' Gets Public Funds Even As Pakistan Fights Extremism." Radio Free Europe/Radio Liberty, 11 de março de 2018. https://www.rferl.org/a/pakistan-jihad-university-haqqania-government-funding-haq-taliban-omar/29092748.html (abre em nova aba) · 🟡 radiodifusor público internacional financiado pelo governo dos EUA — sustenta a fundação do Darul Uloom Haqqania em 1947, a formação ali de líderes como o mulá Omar e Jalaluddin Haqqani, os US$ 2,5 milhões do governo do Khyber Pakhtunkhwa em fevereiro de 2018 e os US$ 2,7 milhões destinados pelo PTI em 2017. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩Neelam Pandey, "Taliban minister's Darul Uloom visit: Deoband's roots, a 'lost tradition' & backdrop of Af-Pak rift", ThePrint, 13 de outubro de 2025. https://theprint.in/india/taliban-ministers-darul-uloom-visit-deobands-roots-a-lost-tradition-backdrop-of-af-pak-rift/2762673/ (abre em nova aba) · 🟡 ⚠️ fonte única — sustenta a fala de Ashraf Usmani, porta-voz do Darul Uloom Deoband: na Índia, Deoband nunca proibiu mulheres de trabalhar em ambiente misto e recomenda o hijab, não a burca integral exigida pelo Talibã. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩Rai, Manish. "Darul Uloom Deoband Mum on the Taliban's Education Ban." International Policy Digest, 20 de fevereiro de 2023. https://intpolicydigest.org/the-platform/darul-uloom-deoband-mum-on-the-taliban-s-education-ban/ (abre em nova aba) · 🟡 ⚠️ fonte única, artigo de opinião — sustenta que a instituição não comentou a proibição talibã ao estudo de meninas e mulheres e não respondeu aos pedidos de posição do autor. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩TDV İslâm Ansiklopedisi, "RIZÂ HAN BİRELVÎ", Abdulhamit Birışık, vol. 35, 2008. https://islamansiklopedisi.org.tr/riza-han-birelvi (abre em nova aba) · 🟢 — sustenta as cerca de 200 fatwas de Ahmad Riza Khan contra o movimento de Deoband e seus ulemás, e a fundação, em 1904, do Dârülulûm-i Manzarü'l-İslâm, com o irmão, o filho e um discípulo. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
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