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O que é o Islã (fundamentos)Revisado em 8 de setembro de 2026

Salafismo, wahhabismo, deobandismo e Irmandade Muçulmana: as quatro correntes que a imprensa confunde

Salafismo, wahhabismo, deobandismo e Irmandade Muçulmana são movimentos de reforma que nasceram dentro do sunismo entre o século XVIII e o início do XX. Não são ramos do Islã. Sob o domínio colonial europeu, cada um respondeu de um jeito à mesma pergunta: por que os muçulmanos perderam poder, e como recuperá-lo. O que separa os quatro não é o grau de rigor religioso, e sim o diagnóstico e o remédio que cada um propôs.

Homem lê um livro em silêncio em mesquita, iluminado por luz natural Photo by Ninetysevenyears Salafismo, wahhabismo, deobandismo e Irmandade Muçulmana são movimentos de reforma, não ramos do Islã. O wahhabismo nasceu no século XVIII, na região do Nejd, na Arábia, em torno da pregação de Muhammad ibn Abd al-Wahhab1. O salafismo é mais antigo como método de ler as fontes, que vem de Ahmad ibn Hanbal, no século IX, e mais recente como movimento organizado, que só se consolida no século XX2. O deobandismo nasceu em 1866, numa pequena vila do norte da Índia colonial, como resposta à ameaça que o domínio britânico representava para o ensino religioso3. A Irmandade Muçulmana nasceu no Egito em 1928, fundada por Hassan al-Banna, segundo a revisão sobre a Irmandade Muçulmana encomendada pelo governo britânico e conduzida por Sir John Jenkins14. A cidade foi Ismaília, na zona do Canal de Suez17. Nenhuma das quatro se apresenta como denominação nova. Todas dizem restaurar um Islã original, e é justamente por reivindicarem a mesma coisa que divergem entre si, às vezes com hostilidade pública e com nomes citados.

Movimento não é ramo

Homem idoso e jovem mulher em sessão de leitura do Alcorão em mesquita Photo by Egamorganstanza

Sunismo e xiismo são ramos. Eles se definem por uma disputa de autoridade que vem do século VII, sobre quem tinha o direito de suceder Maomé, e têm quase catorze séculos de doutrina própria. A distinção completa está em Os ramos do Islã, e este artigo continua de onde aquele para. Salafismo, wahhabismo, deobandismo e Irmandade Muçulmana são outra coisa: movimentos modernos de reforma, cada um com fundador, data e programa identificáveis, e todos nascidos dentro do sunismo, não fora dele.

A diferença de categoria importa porque a confusão tem consequência prática. Chamar o wahhabismo de "ramo do Islã" sugere que ele é tão antigo quanto o sunismo ou o xiismo e tem uma base doutrinária tão ampla quanto a deles. Na verdade, é uma doutrina de reforma com fundador conhecido, morto em 1792, e um pacto político datado com uma família específica1. Chamar a Irmandade Muçulmana de "ramo radical do Islã" comete o erro oposto: apresenta como fato religioso o que, na origem, é um diagnóstico político sobre o avanço da secularização e da influência ocidental14. Esse tema está desenvolvido em Islã, islamismo e jihadismo, e não o repetimos aqui.

O século XIX e o poder perdido

Meninos lendo textos religiosos em escola durante horário de estudo Photo by Akoonie

As quatro correntes só se entendem com o mesmo pano de fundo histórico: o domínio colonial europeu sobre territórios de maioria muçulmana e o declínio do Império Otomano. Os dois levantaram, cada um a seu modo, a mesma pergunta: por que os muçulmanos perderam poder político, e o que fazer a respeito.

O deobandismo dá a resposta mais literal. Com a colonização britânica da Índia, o sistema islâmico de educação foi sendo trocado pelo sistema e pelos currículos ocidentais. Para preservar a identidade e a cultura islâmicas, um grupo de ulemás indianos decidiu fundar escolas onde só se ensinariam as ciências islâmicas3. A revolta dos Cipaios, em 1857, e a repressão britânica que veio depois radicalizaram essa decisão. Convencidos de que era preciso concentrar esforços em atividades voltadas para dentro da comunidade, os ulemás começaram a dar aula numa pequena mesquita3.

O salafismo, como o formularam reformistas do fim do século XIX como Muhammad Abduh e Rashid Rida, deu uma resposta quase oposta: voltar às fontes originais do Islã não para fechar a porta à modernidade, mas para justificar a adaptação a ela2. A enciclopédia turca de referência separa esse uso (o salafismo como método reformista, aberto à modernização) de um endurecimento posterior, já no século XX, que o transformou em movimento político fechado à inovação2. É essa a tese que adotamos aqui: o que separa as quatro correntes não é o grau de rigor religioso, e sim o diagnóstico que cada uma fez da causa da decadência muçulmana e o remédio que propôs a partir dele.

Wahhabismo: o pacto de Dir'iya e a doutrina de Estado

Grupo de estudantes indianas uniformizadas atentas em sala de aula Photo by Yogendra Singh

Muhammad ibn Abd al-Wahhab nasceu em 1703 (1115 AH) em Uyayna, no Nejd. Era filho de um juiz da escola hanbali1. Suas ideias tomaram forma em Meca e Medina. Depois da morte do pai, em 1740, ele começou um movimento contra práticas que classificava como shirk (associar outros poderes a Deus): a veneração de túmulos e a intercessão de santos1. O historiador David Commins registra que isso ia além da teoria: ainda em al-'Uyayna, nos anos 1740, Ibn Abd al-Wahhab mandou destruir a cúpula sobre o túmulo de Zayd ibn al-Khattab, companheiro de Maomé5.

Por causa da oposição que enfrentou, ele se mudou em 1745 (1158 AH) para Dir'iya, sob domínio da família Saud1. Ali o emir Muhammad ibn Saud, seu contemporâneo, teria feito um acordo com ele: apoio político para difundir a doutrina, em troca do respaldo religioso do xeque ao domínio saudita. O xeque ganhava o apoio de que precisava para propagar a causa, e Ibn Saud ganhava uma figura religiosa forte para ampliar seu poder1. Ibn Abd al-Wahhab morreu em 17921. Esse pacto de meados do século XVIII explica por que o wahhabismo é a única das quatro correntes que virou diretamente doutrina de Estado: é a religião oficial do Reino da Arábia Saudita desde a fundação, em 19321.

Uma ressalva de vocabulário, obrigatória na primeira ocorrência: "wahhabita" é, na maior parte dos usos, um exônimo (nome dado de fora). Segundo Commins, os próprios devotos do movimento dizem que "wahhabismo" é um nome errado (misnomer) para seus esforços de reviver a crença e a prática islâmicas corretas. Eles preferem salafi (quem segue o caminho dos primeiros muçulmanos, os salaf) ou muwahhid (quem professa a unicidade de Deus). Em nota, o autor registra que o rótulo foi criado por opositores muçulmanos do início do movimento para depreciá-lo, e que Ibn Abd al-Wahhab e seus seguidores o rejeitam. Acrescenta que o próprio termo salafi foi apropriado por vários movimentos revivalistas modernos, com agendas diferentes entre si (tradução nossa)5. A enciclopédia turca de referência confirma isso de forma independente. O movimento ganhou o nome por causa de Ibn Abd al-Wahhab, mas essa designação se espalhou nos meios religiosos, científicos e políticos de fora do movimento, e seus membros preferem ser chamados de muwahhidun, ahl al-hadith ("gente do hadith") ou salafistas, conforme o método que seguem1.

Em muitos países muçulmanos, segundo a mesma fonte, a imprensa internacional e círculos políticos passaram a chamar de "wahhabitas" grupos sem relação direta com o wahhabismo, inclusive movimentos independentistas e religioso-políticos contra o regime na Chechênia e na Ásia Central. O próprio verbete chama esse uso de designação equivocada1.

Em 24 de outubro de 2017, na conferência Future Investment Initiative, em Riade, o então príncipe herdeiro Mohammed bin Salman disse que a mudança seria "voltar ao que éramos: um Islã moderado, aberto a todas as religiões, ao mundo, a todas as tradições e pessoas", e situou a ruptura em 1979: "A Arábia Saudita não era assim antes de 79"6. É um governante falando da própria política, não uma constatação independente de que a política mudou de fato. Nesta apuração, não encontramos fonte que documente a mudança em si.

Salafismo: um método antigo, um movimento moderno

A palavra salafiyya vem de salaf, "os que vieram antes". O termo designa os companheiros de Maomé (ashab) e a geração seguinte (tabi'un). Segundo um hadith citado pela enciclopédia turca de referência, eles são tidos como os melhores muçulmanos, porque viveram mais perto da fonte2. Como método (buscar a prática dessas primeiras gerações), a salafiyya tem raiz clássica em Ahmad ibn Hanbal, no século IX. Foi sistematizada por Ibn Taymiyya nos séculos XIII e XIV e, no século XIX, retomada por reformistas contra o domínio ocidental e a estagnação religiosa2. Seus adeptos se chamam ahl al-sunna ("gente da tradição"), ahl al-hadith wa-l-sunna ("gente do hadith e da tradição") ou ahl al-haqq ("gente da verdade"). Historicamente, seus adversários os chamaram de athariyya, hashwiyya e, às vezes, mushabbiha, rótulos que a tradição sunita usa para descrever ênfases diferentes de leitura, não confissões diferentes2. A disputa por nome entre correntes que se dizem sunitas também não é coisa só do debate atual.

A mesma enciclopédia descreve o movimento que hoje mais se associa ao rótulo "wahhabita" como um salafismo que se apresenta antes de tudo como tal, numa linha baseada na leitura literal do hanbalismo e fechada à inovação2. Salafismo e wahhabismo não são sinônimos. O salafismo é a categoria mais ampla: um método reivindicado por correntes muito diferentes entre si, incluindo reformistas do século XIX que nada tinham de wahhabitas. O wahhabismo é um movimento histórico específico, com fundador, data e pacto político conhecidos.

O salafismo também não é simplesmente o oposto do sufismo, ao contrário do que o senso comum sugere. A mesma fonte registra a exceção, no próprio verbete que define o salafismo: "Existem também comunidades salafistas que não estabelecem relação com a modernidade, que não têm dimensão política, que seguem o caminho do salaf em sentido inteiramente tradicional, ou que subsistem no interior do sufismo. Por essa razão não é possível falar de uma orientação única, reduzindo o movimento salafista contemporâneo apenas ao radicalismo ou a uma concepção política" (tradução nossa do turco)2. O wahhabismo é o caso mais fechado a essa convivência. Como vimos acima, o movimento se define, desde a origem, pela hostilidade doutrinária a práticas como a veneração de túmulos, associadas ao sufismo.

Segundo a mesma fonte, a cultura de tolerância herdada dos selçúcidas e dos otomanos impediu historicamente que as leituras salafistas fechadas à convivência com o sufismo e à modernidade, do tipo descrito acima, se espalhassem na Anatólia e nos Bálcãs. Movimentos isolados na história otomana, como os Kadızâdeliler, não conseguiram adesão e perderam força em pouco tempo2.

Puristas, políticos e jihadistas

O texto acadêmico que criou a tipologia hoje usada para descrever o salafismo contemporâneo é de Quintan Wiktorowicz, publicado em 2006. Ele identifica três facções dentro do movimento: os puristas, os políticos e os jihadistas. Nas palavras do autor: "os puristas enfatizam métodos não violentos de propagação, purificação e educação, e veem a política como um desvio que estimula o desvio doutrinário. Os políticos, em contraste, enfatizam a aplicação do credo salafista à arena política, que consideram particularmente importante porque afeta diretamente a justiça social e o direito exclusivo de Deus de legislar. Os jihadistas assumem posição mais militante e argumentam que o contexto atual exige violência e revolução" (tradução nossa)4.

O ponto central da tipologia é que a divisão não é sobre crença, e adotamos essa tese aqui para as quatro correntes, não só para o salafismo: "as três facções compartilham um mesmo credo, mas oferecem explicações diferentes sobre o mundo contemporâneo e seus problemas concomitantes, e por isso propõem soluções diferentes. As divisões são sobre análise de contexto, não sobre crença" (tradução nossa)4. Um jihadista citado pelo próprio Wiktorowicz diz o mesmo de forma mais direta: "a divisão não é de pensamento; é de estratégia" (tradução nossa)4.

Wiktorowicz explica o mecanismo. Um clérigo que vê o momento atual como parecido com o período de Meca, quando os muçulmanos eram pequena minoria numa sociedade dominada por não crentes, tende a defender a propagação pacífica, porque foi nisso que o profeta Maomé se concentrou na primeira metade de sua missão. Um clérigo que vê o momento atual como mais próximo do período de Medina, depois da Hégira, tende a concluir por medidas mais militantes (tradução nossa)4.

A tipologia não traz uma proporção apurada entre as três facções: o artigo de Wiktorowicz descreve o que as separa e o que as une, mas não as conta. O que está documentado é mais útil para desfazer um erro frequente na imprensa: a corrente é dividida por dentro, e as três facções se hostilizam em público (tema de uma seção mais adiante). A tipologia também não é uma escala de radicalidade. Um purista pode ser mais rígido em teologia do que um salafista político com atuação eleitoral, sem ser mais violento. O que diferencia as três é o que fazer com o Estado, não o grau de literalismo de cada uma.

Deobandismo: a resposta pela escola

O Dârülulûm-i Diyûbend, conhecido em fontes de língua inglesa como Darul Uloom Deoband (forma que usamos daqui em diante), é o seminário que deu nome ao movimento. Muhammad Qasim Nanautavi e Rashid Ahmad Gangohi o fundaram em 30 de maio de 1866, numa pequena povoação chamada Deoband, no norte da Índia, e ele começou numa mesquita pequena, a Çatta Camii3. O currículo era o tradicional: hadith, exegese do Alcorão (tafsir) e fiqh da escola hanafi. Segundo a enciclopédia turca de referência, o Dârülulûm tentou unir e equilibrar três tradições diferentes de educação religiosa que existiam então na Índia: as de Délhi, Lucknow e Hyderabad3.

O que separa deobandi de wahhabita com mais precisão do que qualquer outro traço é a escola jurídica. Segundo Commins, embora os deobandi compartilhassem com os wahhabitas "a dedicação à correção ritual", sua "adesão escrupulosa à escola jurídica hanafi os distinguia claramente dos hanbalis árabes" (tradução nossa)5. Ou seja, a diferença não está no temperamento nem no grau de rigor: está numa escola jurídica com nome, que se pode verificar.

O modelo se espalhou. Em 1898, em Lucknow, foi fundada a Nadwat al-ulama, um dar al-ulum que combinava ciências religiosas e ciências modernas. Segundo a mesma fonte, foi uma resposta aos efeitos negativos de manter os dois currículos em sistemas totalmente separados3. Entre 1971 e 1987, seminários inspirados em Deoband abriram na África do Sul: em Newcastle, Azadville, Joanesburgo, Chatsworth, Pietersburg e Cidade do Cabo3. O movimento não ficou confinado ao subcontinente indiano nem parado no século XIX.

Deobandi não é Talibã

O erro mais repetido na imprensa sobre o tema é tratar "deobandi" e "Talibã" como sinônimos. A relação real é mais restrita e mais específica do que uma identidade, e mais ambígua do que uma rejeição clara.

O Darul Uloom Haqqania, em Akora Khattak, no Paquistão, é o seminário de filiação deobandi mais associado à formação de parte da liderança talibã. Mas ele foi fundado em 1947, já no Paquistão pós-Partição, e não é a instituição indiana original. Também recebeu dinheiro público documentado: US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 9,1 milhões, cotação média de 2018) do governo provincial do Khyber Pakhtunkhwa, registrados em 2018, e US$ 2,7 milhões (cerca de R$ 8,6 milhões, cotação média de 2017) atribuídos ao PTI (Pakistan Tehreek-e-Insaf) em 2017. A reportagem não especifica se essa segunda verba veio do governo provincial ou de outra instância, e não atribuímos a ela origem federal: o PTI só assumiu o governo federal do Paquistão em agosto de 20188.

O Darul Uloom Deoband indiano, a instituição-matriz, sem vínculo com o Estado, é outro caso. Segundo reportagem de outubro de 2025 que cita um porta-voz da instituição, ele se distancia em público de políticas específicas do Talibã, como a exigência de burca integral e a proibição de mulheres trabalharem em ambiente misto9. Mas esse distanciamento não vale para todos os pontos. Segundo uma reportagem de fevereiro de 2023, o Darul Uloom Deoband ficou em silêncio público diante da proibição talibã à educação de meninas, decretada em 2022, um silêncio que a mesma reportagem chama de conspícuo10.

Uma segunda publicação indiana registra a mesma alegação de silêncio, mas é ligada a uma linha editorial nacionalista hindu, com interesse político em retratar instituições muçulmanas de forma desfavorável. Não a usamos para corroborar. Registramos essa ligação porque o leitor tem direito de saber o peso de cada fonte.

Portanto, a ligação factual não é "o Deobandi produziu o Talibã". É que parte da liderança talibã se formou numa madrassa paquistanesa de filiação deobandi, nascida depois da Partição, financiada pelo Estado paquistanês e distinta da instituição-matriz indiana. E essa instituição-matriz mantém, com as políticas do Talibã, uma relação de distanciamento seletivo, não de ruptura total.

O racha com os barelvis

O deobandismo não se entende sem o movimento que o rejeitou desde o início: o barelvi. Ahmad Riza Khan Barelvi (1856-1921), no subcontinente indiano, escreveu cerca de duzentas fatwas contra o movimento deobandi e seus ulemás, afirmando que eles tinham caído na descrença7. Sua oposição não parou em Deoband. Ele também se opôs com veemência à Nadwat al-ulama e aos Ahl-i Hadith, e pôs no centro do debate questões sobre o próprio Maomé, o que acirrou as disputas7.

A enciclopédia turca de referência faz um juízo direto sobre o episódio, que reproduzimos porque é da fonte, não nosso: "por causa do movimento de takfir que iniciou, a reputação dos ulemás foi danificada e uma tensão séria emergiu na sociedade" (tradução nossa do turco)7. Declarar outro muçulmano infiel é o mecanismo que o artigo Takfir trata em profundidade. Aqui registramos só a origem, com nome e data, de um dos rachas mais antigos entre correntes sunitas modernas.

Em 1904, Ahmad Riza Khan Barelvi fundou o Dârülulûm-i Manzar al-Islam com o irmão Hasan Riza Khan, o filho Hamid Riza Khan e o discípulo Zafaruddin Bihari Rizvi, e depois muitas madrassas ligadas a ele7. Também montou uma estrutura editorial própria: a partir de 1900, o semanário Debdebe-i Sikenderî passou a expressar diretamente as ideias da escola barelvi, e em 1920 surgiu uma segunda revista, al-Riza7. O racha entre deobandi e barelvi tem, portanto, origem documentada. Não é um antagonismo genérico entre "conservadores" e "tradicionalistas", e sim um episódio concreto de takfir lançado por um lado contra o outro, com data, autor e consequência social registrada pela própria fonte.

Onde entra a Irmandade Muçulmana

A Irmandade Muçulmana nasceu em Ismaília, no Egito, em março de 1928, fundada por Hassan al-Banna1417. Nos anos 1940, tirar as tropas britânicas do Egito já era uma de suas causas: em 1940, a organização decidiu montar um braço armado secreto com esse objetivo e o de "libertar" a Palestina17. A história completa da fundação, dos ramos e das cisões está em A Irmandade Muçulmana, e não a repetimos aqui. Neste mapa comparativo, o que a separa das outras três é o método. A Irmandade não parte de um diagnóstico sobre a corrupção do credo. Parte de um diagnóstico político: segundo a revisão britânica, al-Banna e outros viam na secularização e na ocidentalização a raiz dos problemas das sociedades árabes e muçulmanas, e não achavam que o nacionalismo fosse a resposta14. O remédio proposto foi uma organização hierárquica, de células, que juntou aulas e sermões, escolas e postos de saúde e, a partir dos anos 1940, candidaturas ao Parlamento1417. Por isso, dizer que "a Irmandade Muçulmana é salafista" é um erro de categoria, não uma imprecisão de grau: as duas correntes respondem a perguntas diferentes.

A relação entre a Irmandade e o wahhabismo saudita mudou com o tempo, e a mudança em si é informativa. Segundo Wiktorowicz, o governo saudita acolheu os Irmãos Muçulmanos e os incorporou ao projeto de construção do Estado. Nos anos 1970, muitos assumiram postos de ensino e ganharam influência nos campi universitários sauditas, levando uma agenda mais política a um ambiente religioso até então majoritariamente purista4. Um islamista saudita citado por Wiktorowicz dá a medida dessa presença: "a maioria dos livros que se podia encontrar nas livrarias, nos anos 1970, era escrita por membros da Irmandade" (tradução nossa)4.

Essa acolhida não durou. Em 7 de março de 2014, a Arábia Saudita declarou formalmente a Irmandade Muçulmana organização terrorista. O mesmo decreto do Ministério do Interior classificou como terroristas a Frente Nusra e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (os dois, ao contrário da Irmandade, grupos armados) e proibiu o ramo saudita do Hezbollah11. Um mês antes, o rei Abdullah tinha decretado penas de até vinte anos de prisão para quem pertencesse a "grupos terroristas" ou combatesse no exterior, e a declaração de março deu aos sauditas que lutavam na Síria quinze dias para voltar11. A Anistia Internacional criticou a legislação, dizendo que ela poderia ser usada para reprimir dissidência política pacífica11. Registramos a crítica porque, sem ela, o relato soaria como endosso da classificação. O episódio, junto com as designações do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e da Jordânia, está tratado em detalhe em A Irmandade Muçulmana. Aqui interessa a sequência inteira: acolhida nos anos 1970, quando os Irmãos ocuparam cátedras e dominaram as livrarias sauditas4, depois ruptura e, em 2014, criminalização. Não se trata de uma hostilidade permanente entre duas correntes que nunca se toleraram, mas de uma mudança de aliança política com data precisa.

O que as correntes disputam entre si

As quatro correntes não formam um bloco. A hostilidade entre elas, e dentro de cada uma, está documentada com nomes, datas e apelidos específicos, e não como generalização.

Dentro do salafismo, Wiktorowicz registra que os políticos, frustrados com a recusa dos sábios puristas a entrar na política, criaram apelidos para ridicularizá-los: "sábios das trivialidades", "os sábios da menstruação" (referência a fatwas puristas sobre a permissibilidade de relações sexuais durante a menstruação) e "os sábios dos costumes do banheiro" (tradução nossa)4. Abd al-Rahman Abd al-Khaliq, líder do movimento Turath no Kuwait, chamou os sábios puristas seniores de "mumificados", "uma coleção de cegos que se atribuíram o papel de liderar a umma dando vereditos" e "os que vivem na Idade Média" (tradução nossa)4.

Os jihadistas, por sua vez, chamam os puristas de al-ulama al-sulta, "os sábios do poder". Wiktorowicz diz que o termo tem forte conotação negativa e sugere uma relação insidiosa com regimes e estruturas de autoridade. Essa facção também usa rótulos como "lacaios de palácio" e "os ulemás que bajulam [quem está no poder]" (tradução nossa)4.

No sentido oposto, o clérigo saudita purista Muhammad Rabi bin Hadi al-Madkhali, perguntado sobre a posição correta diante do movimento Turath, respondeu: "nossa posição em relação a eles é de nos separarmos deles até que retornem ao caminho correto. Não há meio-termo nisso. Porque se dissermos que vamos cooperar com eles — eles vão nos corromper, e nós não vamos reformá-los" (tradução nossa)4. Segundo Wiktorowicz, essa posição levou a uma proibição geral de publicações políticas e jihadistas entre os puristas, que orientam seus seguidores a não ler livros das facções rivais4.

A própria fonte faz uma ressalva. Esses apelidos entraram no vocabulário de políticos e jihadistas contra o clero saudita sênior, mas são usados sobretudo por críticos de fora da Arábia Saudita, o que, segundo Wiktorowicz, provavelmente reflete o poder e a influência que os puristas seniores mantêm dentro do reino4. Quando um jihadista aplica o takfir a um sábio purista, entra em cena o mecanismo tratado em Takfir, que não desenvolvemos aqui. Wiktorowicz registra que a maior parte dos jihadistas hoje só declara apóstatas indivíduos, e exige evidência para isso, ao contrário de Sayyid Qutb e boa parte de seus seguidores, que denunciaram populações inteiras como apóstatas (tradução nossa)4.

Entre deobandi e barelvi, a hostilidade tem origem conhecida: as cerca de duzentas fatwas de Ahmad Riza Khan Barelvi contra o movimento deobandi e seus ulemás, descritas acima, e o juízo da própria enciclopédia turca de referência sobre o dano social que esse takfir causou7. Entre wahhabismo e Irmandade Muçulmana, a hostilidade tem uma sequência com datas: acolhida saudita nos anos 1970, depois a designação como organização terrorista em 2014114. Não é uma essência atemporal.

Difusão e financiamento

As quatro correntes se espalharam pelo mundo por vias concretas: madrassas, bolsas de estudo, editoras, financiamento de mesquitas. Toda afirmação sobre dinheiro precisa de fonte com cifra, ano e método, e não de uma frase genérica sobre "petrodólares".

David D. Aufhauser, ex-conselheiro-geral do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, disse ao Senado americano, em depoimento de junho de 2004, que as estimativas do gasto saudita histórico com a difusão do wahhabismo e do salafismo no exterior passavam de US$ 75 bilhões (da ordem de R$ 235 bilhões, à cotação média de junho de 2004)12. É uma estimativa de terceiro, atribuída, com foro e data. Não é cifra oficial saudita nem número auditado. Além dela, por volta do ano 2000 o próprio governo saudita publicava, em site oficial do então rei Fahd, os números da infraestrutura religiosa construída fora do mundo de maioria muçulmana: 1.500 mesquitas, 210 centros islâmicos, 202 faculdades e 2.000 escolas. São números declarados pelo próprio Estado, sem auditoria de terceiros12.

Outra cifra, de US$ 70 a 100 bilhões, circula muito, atribuída a outros autores, mas não a sustentamos. Não a encontramos no texto dos próprios autores a quem costuma ser atribuída, e fontes que a repetem a descrevem como estimativa de "bola de sinuca", sem data precisa.

No deobandismo, a via de difusão documentada é institucional, e não financeira na escala saudita. O caso mais bem documentado de dinheiro público sustentando uma instituição de filiação deobandi é o financiamento estatal paquistanês ao Darul Uloom Haqqania, já descrito acima: US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 9,1 milhões, cotação média de 2018) do governo provincial do Khyber Pakhtunkhwa em 2018, e US$ 2,7 milhões (cerca de R$ 8,6 milhões, cotação média de 2017, R$ 3,1925/US$, Banco Central) atribuídos ao PTI em 2017, sem que a reportagem especifique o nível de governo8. O financiamento do islamismo e do jihadismo em geral terá artigo próprio, ainda não publicado. Aqui reunimos só o necessário para explicar como as quatro correntes se espalharam, sem substituir aquele texto.

Presença no Brasil

Não encontramos presença documentada, em estudo acadêmico ou em reportagem, de wahhabismo doutrinário, de salafismo organizado ou da rede de seminários deobandi no Brasil. A única pista é fraca: um diretório de mesquitas lista, em São Paulo, uma mesquita chamada Omar ibn al-Khattab Tablighi Markaz. O nome sugere vínculo com o Tablighi Jamaat, movimento de pregação leiga fundado em 1926 por um clérigo formado em Deoband1516, mas institucionalmente distinto da rede de seminários deobandi propriamente dita13. No material que reunimos, não há reportagem nem estudo acadêmico que descreva a atividade desse centro, a doutrina praticada ou o tamanho. Só essa listagem registra o centro; procuramos outras fontes e não achamos. E é uma fonte fraca: uma listagem, não uma apuração.

Seguimos aqui a mesma regra de A Irmandade Muçulmana, onde rastreamos uma alegação de presença da Irmandade no Brasil e não a sustentamos. Sobre a presença dessas quatro correntes no país, a resposta correta é "não localizamos", e não uma insinuação feita a partir de indícios fracos.

Por que isso importa

Confundir as quatro correntes leva a dois erros simétricos. O primeiro é tratar todo praticante conservador como jihadista em potencial: o fiel que segue com rigor a escola hanbali, o aluno de uma madrassa deobandi, o membro de uma mesquita de orientação salafista. A tipologia de Wiktorowicz mostra o contrário: o mesmo credo leva, de forma documentada, a posições políticas opostas, da propagação pacífica à revolução armada. O segundo erro é tratar um movimento político organizado, como a Irmandade Muçulmana ou a facção política do salafismo, como se fosse só uma devoção pessoal mais intensa. Isso apaga o diagnóstico institucional e o projeto de Estado que o separam de uma corrente de purificação doutrinária. Saber com precisão qual corrente, com que fundador, em que data e com que diagnóstico da decadência muçulmana desfaz os dois erros ao mesmo tempo.

Leia antes

  • Os ramos do Islã — a distinção entre ramo e movimento que pressupomos aqui desde a abertura.
  • Sharia vs. fiqh — a distinção entre lei revelada e direito humano, pressuposta ao falar de escola hanbali e escola hanafi.

Leia depois

  • A Irmandade Muçulmana — história completa, ramos, cisões, designações estatais e o debate sobre moderação.
  • Takfir — o mecanismo doutrinário por trás das acusações mútuas de infidelidade entre correntes.
  • Os ideólogos do islamismo — perfis de Hassan al-Banna, Sayyid Qutb e Abul A'la Maududi.
  • Islã, islamismo e jihadismo — a distinção entre religião, projeto político e via armada.
  • Financiamento do islamismo e do jihadismo (a escrever, Pilar 2) — reunimos aqui apenas o mínimo sobre difusão; não substituímos aquele.

Fontes

Fontes

  1. TDV İslâm Ansiklopedisi, "VEHHÂBÎLİK", Mehmet Ali Büyükkara, vol. 42 (2012), pp. 611-615. https://islamansiklopedisi.org.tr/vehhabilik (abre em nova aba) · 🟢 lido na íntegra.

    ↩
  2. TDV İslâm Ansiklopedisi, "SELEFİYYE", M. Sait Özervarlı, vol. 36 (2009), pp. 399-402. https://islamansiklopedisi.org.tr/selefiyye (abre em nova aba) · 🟢 lido na íntegra. Passagem citada entre aspas traduzida do turco por esta redação.

    ↩
  3. TDV İslâm Ansiklopedisi, "DÂRÜLULÛM", Azmi Özcan, vol. 8 (1993), pp. 553-555. https://islamansiklopedisi.org.tr/darululum (abre em nova aba) · 🟢 lido na íntegra.

    ↩
  4. Wiktorowicz, Quintan. "Anatomy of the Salafi Movement." Studies in Conflict & Terrorism, vol. 29, n.º 3, 2006, pp. 207-239. DOI: 10.1080/10576100500497004 · 🟢 lido na íntegra. Autor identificado no artigo apenas como "Washington, D.C., USA", sem filiação institucional — citado sem cargo. Todas as passagens entre aspas são tradução nossa do inglês.

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  5. Commins, David. The Wahhabi Mission and Saudi Arabia. Library of Modern Middle East Studies 50. Londres: I.B. Tauris, 2006. Texto integral via Internet Archive: https://archive.org/stream/WahhabiMissionSaudiArabiaByProfessorDavidCommins/Wahhabi%20Mission%20Saudi%20Arabia%20by%20Professor%20David%20Commins%20_djvu.txt (abre em nova aba) · 🟢 lido na íntegra (prefácio, p. vii, e nota 1). Passagens citadas entre aspas traduzidas do inglês por esta redação.

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  6. CNN, "Saudi crown prince promises 'a more moderate Islam'", 24 de outubro de 2017. https://edition.cnn.com/2017/10/24/middleeast/saudi-arabia-prince-more-moderate-islam/index.html (abre em nova aba) · 🟢 lido na íntegra. Declaração de Mohammed bin Salman na conferência Future Investment Initiative, em Riade; passagens citadas entre aspas traduzidas do inglês por esta redação.

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  7. TDV İslâm Ansiklopedisi, "RIZÂ HAN BİRELVÎ", Abdulhamit Birışık, 2008. https://islamansiklopedisi.org.tr/riza-han-birelvi (abre em nova aba) · 🟢 lido na íntegra. Passagem citada entre aspas traduzida do turco por esta redação.

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  8. Bezhan, Frud. "'University Of Jihad' Gets Public Funds Even As Pakistan Fights Extremism." Radio Free Europe/Radio Liberty, 11 de março de 2018. https://www.rferl.org/a/pakistan-jihad-university-haqqania-government-funding-haq-taliban-omar/29092748.html (abre em nova aba) · 🔍 radiodifusor público internacional, não relido em navegador nesta redação; conferido via WebFetch na checagem factual, que confirmou a cifra de US$ 2,7 milhões atribuída ao PTI em 2017 sem especificação de nível de governo e sem menção a Imran Khan.

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  9. ThePrint, "Taliban minister's Darul Uloom visit: Deoband's roots, a 'lost tradition' & backdrop of Af-Pak rift", 13 de outubro de 2025. https://theprint.in/india/taliban-ministers-darul-uloom-visit-deobands-roots-a-lost-tradition-backdrop-of-af-pak-rift/2762673/ (abre em nova aba) · 🔍 ⚠️ fonte única para as citações de porta-voz do Darul Uloom Deoband; não relida em navegador nesta redação.

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  10. Rai, Manish. "Darul Uloom Deoband Mum on the Taliban's Education Ban." International Policy Digest, 20 de fevereiro de 2023. https://intpolicydigest.org/the-platform/darul-uloom-deoband-mum-on-the-taliban-s-education-ban/ (abre em nova aba) · 🔍 ⚠️ fonte única para a caracterização de "silêncio conspícuo"; uma segunda publicação que repete a alegação (organiser.org) tem filiação a linha editorial nacionalista hindu e não foi usada para corroborar — apenas registramos que ela existe.

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  11. BBC News, "Saudi Arabia declares Muslim Brotherhood 'terrorist group'", 7 de março de 2014. https://www.bbc.com/news/world-middle-east-26487092 (abre em nova aba) · 🟢 lido na íntegra.

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  12. Ottaway, David B. "Saudi export of strict Islam raises suspicions" (republicado via NBC News, do Washington Post). 19 de agosto de 2004. https://www.nbcnews.com/id/wbna5751289 (abre em nova aba) · 🔍 imprensa padrão profissional, não relida em navegador nesta redação. Cita David D. Aufhauser, ex-conselheiro-geral do Departamento do Tesouro dos EUA, em depoimento ao Senado (junho de 2004): estimativa de mais de US$ 75 bilhões — atribuição de terceiro, não cifra oficial saudita, parafraseada sem aspas porque a fonte não foi relida nesta apuração. Os números de infraestrutura (1.500 mesquitas, 210 centros islâmicos, 202 faculdades, 2.000 escolas) vêm da mesma reportagem, atribuídos por ela ao site oficial do rei Fahd, sem auditoria externa mencionada — números autodeclarados pelo Estado saudita.

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  13. Instituto Islâmico Brasileiro, diretório de mesquitas de São Paulo. https://institutoislamico.org.br/mesquitas/pais/brasil/sp/sao-paulo (abre em nova aba) · 🔍 fonte de qualidade fraca: diretório comunitário, não jornalístico nem acadêmico. ⚠️ Fonte única: procuramos outras fontes para esta informação, mas só esta a registra. Ao contrário do resto do texto, ela não foi confirmada por fontes independentes.

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  14. Reino Unido, HM Government, Muslim Brotherhood Review: Main Findings (revisão sobre a Irmandade Muçulmana encomendada pelo governo britânico, conduzida por Sir John Jenkins). https://assets.publishing.service.gov.uk/media/5a8076bfe5274a2e8ab504ab/53163_Muslim_Brotherhood_Review_-_PRINT.pdf (abre em nova aba) · 🟢 lido na íntegra (parágrafo 8, "Foundational ideology and structures"). Documento de governo com posição própria sobre o objeto — citado aqui como a revisão que é, não como descrição neutra.

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  15. American Foreign Policy Council, World Almanac of Islamism, "Tablighi Jamaat", atualizado em 1º de setembro de 2021. https://almanac.afpc.org/almanac/movements/tablighi-jamaat (abre em nova aba) · 🟡 · centro de estudos de política externa dos EUA, sem autor individual na página · diz que Muhammad Ilyas al-Kandhlawi (1885-1944) se formou na madrassa central de Deoband em 1910 e fundou o movimento em 1926, entre os muçulmanos de Mewat, ao sul de Délhi. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  16. TDV İslâm Ansiklopedisi, "KANDEHLEVÎ, Muhammed İlyas", Ömer Mahir Alper, vol. 24 (2001). https://islamansiklopedisi.org.tr/kandehlevi-muhammed-ilyas (abre em nova aba) · 🟢 · Kandehlevi estudou em Deoband, nas aulas de Mahmud Hasan, e começou a pregação organizada que deu origem ao Tablighi Jamaat (Cemâat-i Teblîğ) por volta de 1925-1926. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  17. TDV İslâm Ansiklopedisi, "İHVÂN-ı MÜSLİMÎN", İbrâhim el-Beyyûmî Gānim, vol. 21 (2000). https://islamansiklopedisi.org.tr/ihvan-i-muslimin (abre em nova aba) · 🟢 · a primeira década (1928-1938) foi de difusão por aulas, conferências, sermões e cerimônias; em 1941 membros foram estimulados a disputar o Parlamento; depois da Segunda Guerra a organização abriu centenas de escolas e postos de saúde. Também registra a fundação em Ismaília, em março de 1928, e a decisão de 1940 de formar um exército secreto para expulsar os britânicos do Egito e "libertar" a Palestina. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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