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Islamismo político e radicalismoRevisado em 7 de setembro de 2026

A Irmandade Muçulmana: cem anos entre a via eleitoral e a via armada

A Irmandade Muçulmana, fundada em 1928 no Egito, é a organização mais citada como ponto de partida do islamismo político moderno. Perguntar se ela é "moderada ou radical" não ajuda a entender a sua história. Ao longo de um século, ela teve um aparelho armado clandestino, uma divisão interna sobre o uso do takfir e um ano no poder que terminou em golpe e massacre. Hoje é uma federação de ramos que divergem entre si e na relação com os Estados que os reprimem ou toleram. A resposta que se sustenta separa por período, por ramo e por Estado, em vez de aplicar um rótulo.

Grande congregação reunida para oração em mesquita de arquitetura elaborada, Acra Photo by Eons A Irmandade Muçulmana (al-Ikhwān al-Muslimūn, "os Irmãos Muçulmanos") é o movimento islamista fundado em 1928 em Ismailia, no Egito, por Hassan al-Banna e seis companheiros, funcionários da Companhia do Canal de Suez. É a organização que a literatura mais cita como ponto de partida do islamismo político moderno15. Você provavelmente já viu a pergunta: ela é moderada ou radical? A pergunta supõe uma resposta única para quase um século de história, e essa resposta não existe. A Irmandade teve um aparelho armado clandestino nos anos 1940. Teve uma divisão interna entre uma linha que rejeitou formalmente o takfir generalizado e outra cujo legado intelectual alimentou o jihadismo transnacional. Passou décadas sob repressão do Estado, intercaladas com décadas de participação eleitoral. Ficou um ano no poder no Egito, até um golpe militar e um massacre. Hoje é uma federação fragmentada de ramos nacionais, que divergem entre si e também na relação com o Estado que os reprime ou tolera. A pergunta que a história responde é outra: qual Irmandade, em qual período, sob qual Estado.

Ismailia, 1928: por que a organização durou tanto

Fiéis orando dentro da Mesquita Shah Alam, com arcos e decoração elaborada Photo by Afhamhmsyri

Hassan al-Banna fundou a Irmandade Muçulmana num Egito sob influência colonial britânica. Desde o início, a organização juntava na mesma estrutura assistência social, escola, clínica e ativismo político15. A literatura acadêmica aponta esse modelo híbrido como a principal explicação para a longevidade da organização: além de uma tese doutrinária, havia uma rede de serviços que, em bairros pobres, ocupava o lugar de um Estado ausente. Um partido depende só do ciclo eleitoral; a Irmandade construiu bases sociais que sobreviveram a décadas de proibição.

Com adaptações locais, esse modelo de organização de massas se repetiu nos ramos que a Irmandade inspirou fora do Egito ao longo do século XX. Voltamos a eles mais adiante, sem repetir o que já está em Islã, islamismo e jihadismo: por que não são graus de uma mesma escala.

O Aparelho Secreto e os assassinatos políticos

Grupo de pessoas orando dentro de mesquita ricamente decorada com azulejos Photo by Ahad Hasan

Há fontes que descrevem a formação, entre o fim dos anos 1930 e o início dos anos 1940, de um aparato armado clandestino dentro da Irmandade. Mais tarde ele foi chamado de al-Nizam al-Khass ("o aparato especial") ou al-Jihaz al-Sirri ("o aparato secreto"). Essas fontes atribuem ao aparato uma série de assassinatos políticos no fim dos anos 1940, entre eles o do juiz Ahmed al-Khazindar, em 1948, e o do primeiro-ministro egípcio Mahmoud al-Nuqrashi, em dezembro do mesmo ano, que acabara de banir a Irmandade como organização. Não encontramos, no material que reunimos, fonte admissível para esses pontos. A única referência disponível é uma página da Wikipédia, que a política editorial deste site não aceita como fonte citada (docs/FONTES.md §8). Registramos essas alegações porque elas circulam de forma consistente na literatura sobre o período e explicam o contexto em que a Irmandade foi banida antes do assassinato do próprio al-Banna (tratado a seguir, este sim com fonte admissível). Mas não as tratamos como fato fechado.

Isabelle Christine Somma de Castro (USP/Nupri) é historiadora e escreveu sobre a ascensão da Irmandade nos anos 1930 e 1940 com base em documentos desclassificados do Foreign Office britânico. Entre os episódios de violência política do período, ela registra o assassinato do primeiro-ministro egípcio Ahmed Maher, em 194516.

O próprio fundador não sobreviveu a esse ciclo de violência. Hassan al-Banna foi assassinado em 12 de fevereiro de 1949, aos 43 anos. A versão mais repetida atribui o crime, sem mais detalhes, à polícia secreta egípcia. Somma de Castro, com base em documentos de arquivo, relata uma versão mais complexa: al-Banna foi baleado ao sair de um táxi, sobreviveu ao primeiro ferimento e teria pedido socorro. Há também a leitura de que ele foi abandonado de propósito, sem assistência médica, e morreu dias depois, com suspeita de que lideranças do Partido Saadista, então no poder, tenham orquestrado o crime16. Com o material que reunimos, não conseguimos resolver essa divergência. Registramos as duas versões porque a fonte acadêmica que consultamos as apresenta lado a lado.

Nasser, a prisão de Qutb e a divisão interna

Vista de uma mesquita no Cairo com minaretes elegantes e cúpula Photo by Mahmoud Mahrous

Em 1954, segundo o relato mais difundido sobre o período, um suposto complô para assassinar o presidente Gamal Abdel Nasser (o chamado incidente de Manshia) foi atribuído a membros da Irmandade. Isso levou Nasser a dissolver a organização e abriu uma onda de prisões, tortura e execuções de membros, entre eles Sayyid Qutb. Não encontramos, nesta apuração, fonte admissível para esse relato que seja independente da Wikipédia. Ele entra aqui como pano de fundo necessário para o que vem depois (a prisão e a execução de Qutb), sem ser tratado como fato fechado.

Qutb, membro da Irmandade e um dos ideólogos mais influentes do islamismo do século XX, foi solto em maio de 1964, a pedido do então presidente iraquiano Abdul Salam Arif. Foi preso de novo em 9 de agosto de 1965 e executado por enforcamento em 29 de agosto de 1966. A acusação era de conspirar para derrubar o Estado egípcio e assassinar Nasser e outras autoridades. Segundo o material consultado, essas acusações foram tiradas do próprio livro de Qutb, que também registra que ele "não foi o instigador ou líder do complô real". Não encontramos fonte admissível para essas datas nem para a citação: a única referência disponível nesta apuração foi uma página da Wikipédia. Uma checagem independente confirmou o conteúdo, o que aumenta nossa confiança nele, mas não o torna citável. Por isso registramos a lacuna em vez de apresentá-lo como fato fechado com fonte. O pensamento de Qutb como ideólogo fica para o artigo dedicado aos ideólogos, ainda não publicado. Aqui registramos o fato organizacional: na prisão, ele escreveu Ma'alim fi al-Tariq ("Marcos", 1964), onde argumenta que as sociedades contemporâneas, inclusive as de maioria muçulmana, vivem em jahiliyya (a ignorância pré-islâmica) porque entregaram a homens a soberania que caberia só a Deus15.

É esse texto que separa, dentro da própria Irmandade, duas linhas que a organização carrega desde então. Hassan al-Hudaybi foi o segundo Guia Geral da Irmandade, de 1951 até morrer, em 11 de novembro de 1973, aos 81 anos, em prisão domiciliar no Cairo. Segundo o material que consultamos, ele foi escolhido pela "imagem pública limpa" e pela oposição à violência, num esforço para recuperar legitimidade depois do assassinato de al-Banna. Enfrentou oposição interna de membros ligados ao Aparelho Secreto. A ele se atribui o livro Du'ah la Qudah ("Pregadores, não juízes"), cujo argumento central refuta o takfir generalizado: cometer um pecado grave não faz do pecador um apóstata; basta professar a fé islâmica para ser considerado muçulmano; e julgar a fé interior de alguém cabe só a Deus.

A quem o livro se dirigia, e quando foi escrito, são questões em disputa que não resolvemos. Emmanuel Sivan e Gilles Kepel leem o texto como refutação direta da doutrina de Qutb. A historiadora Barbara Zollner, autora da obra de referência sobre al-Hudaybi (que não lemos diretamente nesta apuração), é mais cautelosa: o texto mirava "um grupo radical marginal da Irmandade", não necessariamente Qutb. Encontramos também uma leitura atribuída a Zollner, que não conseguimos conferir na obra dela, segundo a qual o alvo nomeado no texto seria o paquistanês Abul A'la Maududi, e não Qutb. Quanto à data: al-Hudaybi terminou o manuscrito na prisão, sem data exata sustentada para a redação, e o livro só foi publicado em 1977, depois da morte dele, em 1973. A data de 1969 também aparece associada ao livro em referências que circulam sobre ele, mas não encontramos, nesta apuração, nenhuma fonte que a sustente como data de redação ou de publicação; 1977 é a data mais bem sustentada pelo material que reunimos.

Não encontramos fonte citável para nada deste bloco sobre al-Hudaybi: o mandato, a biografia, o argumento de Du'ah la Qudah e a disputa entre Sivan e Kepel, de um lado, e Zollner, de outro, sobre o alvo e a data. A única fonte disponível nesta apuração foi uma página da Wikipédia, que a política editorial deste site não admite como fonte citada. Uma checagem independente confirmou boa parte do conteúdo, inclusive a data de 1977 e a falta de sustentação para 1969, o que aumenta nossa confiança nesses pontos. Confiança, porém, não é fonte admissível, e por isso registramos a lacuna em vez de apresentar o bloco como fato com fonte.

Essa divisão é o eixo que separa, até hoje, as duas leituras do legado da Irmandade. Aqui vale a distinção que este site faz sempre que o tema é doutrina. O que Qutb escreveu: que sociedades inteiras, inclusive as de maioria muçulmana, vivem em jahiliyya porque entregaram a homens a soberania de Deus15. A leitura institucional que prevaleceu na Irmandade: a de al-Hudaybi, que rejeita expressamente o takfir generalizado e que a organização como um todo nunca repudiou formalmente nem endossou por completo (vale aqui a mesma ressalva de fonte do parágrafo anterior). A leitura de grupos saídos do ambiente ideológico de Qutb, que romperam com a própria Irmandade por achá-la gradualista demais, aparece com todas as letras na revisão encomendada pelo governo britânico em 2015: "o pensamento de Qutb levou a um ressurgimento da ideologia takfiri e inspirou muitas organizações terroristas, incluindo os assassinos de Sadat, a Al-Qaeda e seus desdobramentos"1. O mesmo relatório é explícito sobre a posição da Irmandade como instituição: as visões de Qutb "nunca foram institucionalmente repudiadas" e seguem "explicitamente endossadas por muitas figuras seniores da Irmandade — incluindo líderes da Irmandade egípcia". Isso é diferente de dizer que a organização é qutbista1. O verbete takfir trata à parte da disputa acadêmica sobre se o próprio Qutb chegou a praticar takfir contra indivíduos. A leitura mais documentada diz que não: foram seus sucessores que transformaram a condenação de sociedades inteiras em declaração explícita de apostasia.

Da clandestinidade às eleições

Fachadas de prédios baixos com bandeira da foice e martelo em área suburbana de país comunista Photo by 龔 月強

Segundo a revisão britânica de 2015, a fonte mais sólida deste levantamento e que lemos na íntegra, "em troca de liberdade para se reorganizar politicamente e socialmente no Egito nos anos 1970, a Irmandade Muçulmana egípcia repudiou oficialmente a violência"1. Foi no governo de Anwar Sadat que a organização voltou a atuar abertamente, décadas depois de ser dissolvida por Nasser.

Fora do Egito, a Irmandade também criou estruturas internacionais: em 1989, fundou a Federação das Organizações Islâmicas na Europa (FIOE)1.

Sob Hosni Mubarak, as fontes consultadas descrevem décadas de participação da Irmandade no parlamento egípcio por meio de candidatos independentes, nunca como partido legalmente reconhecido. Era uma tolerância informal do regime, e não apuramos qual instrumento jurídico a permitia. O auge dessa participação veio nas eleições de 2005. Os candidatos da Irmandade, registrados como independentes, ganharam 88 cadeiras, cerca de 20% da Assembleia do Povo28. Essa fase de participação eleitoral informal é o pano de fundo da candidatura presidencial de Morsi em 2012.

2011–2013: do governo Morsi ao massacre de Rabaa

Neste trecho, a narrativa costuma se dividir entre "o islamismo mostrou sua face" e "a democracia foi derrubada por um golpe", e cada lado escolhe os fatos que lhe servem. Registramos os dois conjuntos de fatos, com números e fonte para cada um. Uma ressalva de método vale para toda a cronologia eleitoral dos dois parágrafos seguintes (eleição e posse de Morsi, declaração constitucional, referendo e Tamarod): a única fonte que encontramos nesta apuração foi uma página da Wikipédia, que a política editorial deste site não admite como fonte citada. Uma checagem independente confirmou o conteúdo ponto a ponto, o que aumenta a confiança nele, mas não substitui uma fonte primária ou de agência, que ainda não encontramos.

Mohamed Morsi venceu o segundo turno da eleição presidencial egípcia com 51,7% dos votos contra Ahmed Shafik, candidato ligado ao regime anterior, e tomou posse em 30 de junho de 2012. Foi a primeira eleição presidencial livre da história do país2.

Em 22 de novembro de 2012, Morsi editou uma declaração constitucional que lhe dava poderes amplos, entre eles blindar as próprias decisões contra revisão judicial até a eleição de um novo parlamento. A medida provocou protestos de massa, e a literatura sobre o período costuma descrevê-la como o principal erro político do seu governo2. Em dezembro de 2012, um referendo constitucional foi aprovado com 63,8% dos votos, mas com participação de só 32,9% do eleitorado. Os protestos do movimento Tamarod chegaram ao auge em manifestações de massa em 30 de junho de 2013.

Em 3 de julho de 2013, as Forças Armadas egípcias, sob o comando de Abdel Fattah al-Sisi, derrubaram Morsi. Em 14 de agosto de 2013, forças de segurança dispersaram os acampamentos de protesto pró-Morsi em Rabaa al-Adawiya e na praça Nahda, no Cairo.

O número de mortos na dispersão de Rabaa muda conforme a fonte, e o dado a registrar é o intervalo, sem escolher um dos números. A Human Rights Watch, em relatório de agosto de 2014 que lemos diretamente, documentou 817 mortes na dispersão de Rabaa, com evidência de mais 246 mortes possíveis levantadas por sobreviventes e pela sociedade civil. Ou seja, a HRW considera plausível que o total passe de 1.000 mortos só em Rabaa3. O governo egípcio divulgou, em momentos diferentes, contagens que não batem entre si: o Ministério da Saúde registrou 627 mortos em 14 de novembro de 2013; o Conselho Nacional de Direitos Humanos do Egito registrou 624 civis mortos em março de 2014; e o próprio primeiro-ministro egípcio tinha falado publicamente, em setembro de 2013, num número "próximo de 1.000"3. A HRW classifica a dispersão como possível crime contra a humanidade e diz que as contagens oficiais são subestimadas porque ignoram "evidência convincente de corpos adicionais não contados em necrotérios e hospitais por todo o Cairo"3. A divergência é de evidência, e não só de posição política: entre as contagens oficiais (624 e 627) e as da HRW (817 documentadas, até 1.063 com as mortes possíveis), a diferença vai de 190 a 439 mortos, e o governo diverge até de si mesmo.

Em 23 de setembro de 2013, uma decisão judicial já tinha dissolvido a Irmandade como organização não governamental e congelado seus bens17. Em 24 de dezembro de 2013, um atentado suicida contra a sede da polícia em Mansoura matou pelo menos 16 pessoas. Segundo o material que encontramos, e que ainda não lemos diretamente, o ataque foi reivindicado pelo Ansar Bait al-Maqdis, grupo ligado à Al-Qaeda no Sinai, e não pela Irmandade Muçulmana4. Mesmo assim, no mesmo dia, o primeiro-ministro egípcio atribuiu publicamente o ataque à Irmandade e o chamou de "a forma mais hedionda de terrorismo". No dia seguinte, 25 de dezembro de 2013, o governo formalizou a designação da Irmandade como organização terrorista417. Ainda não confirmamos essa sequência (atentado reivindicado por outro grupo e, no dia seguinte, designação da Irmandade) com uma fonte primária ou de agência da época (Reuters, AP, AFP ou BBC de dezembro de 2013). Ela fica registrada aqui com essa ressalva explícita. Se for confirmada, é o exemplo mais concreto que levantamos de como uma designação estatal pode nascer de atribuição política, e não de apuração. É por isso que este site nunca trata designação estatal como veredito de fato.

Vieram depois dois julgamentos em massa, que não devem ser confundidos. Em 24 de março de 2014, um tribunal em Minya condenou preliminarmente 529 pessoas à morte, num julgamento que a Human Rights Watch chamou de "simulacro"5. Em 28 de abril de 2014, o mesmo tribunal recomendou a pena de morte para 683 pessoas, entre elas o Guia Geral Mohammed Badie e o presidente do Partido Liberdade e Justiça, Saad el-Katatni, por um ataque a uma delegacia de polícia em agosto de 201367. Pela lei egípcia, o Grande Mufti precisa revisar toda sentença de morte antes da confirmação, e parte das sentenças foi comutada depois. A condenação foi amplamente repudiada: Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, ONU, HRW e Anistia Internacional se manifestaram contra ela6.

Os ramos fora do Egito

Fora do Egito, não existe uma Irmandade única. Existem ramos e afiliados nacionais que seguiram caminhos incompatíveis entre si, e a relação de cada um com a violência armada e com a via eleitoral muda de país para país. Aqui tratamos só do que os diferencia; cada um é desenvolvido em artigo próprio.

O Hamas, fundado em 1987 como braço palestino da Irmandade, é hoje uma organização distinta, com braço político e braço armado próprios. O tema, incluindo o texto da carta fundadora de 1988 e o documento de princípios de 2017, já está tratado em Islã, islamismo e jihadismo, e não o repetimos aqui.

A Ennahda, na Tunísia, foi um ramo legal. Liderou o governo de coalizão do fim de 2011 a janeiro de 2014 e depois participou de coalizões de governo até 25 de julho de 2021, quando o presidente Kais Saied deu um golpe e suspendeu o parlamento. Desde então, o partido sofre repressão29. Esse tema é do perfil próprio da Tunísia e fica fora deste artigo. No seu 10º Congresso, em maio de 2016, o partido anunciou formalmente a separação entre atividade religiosa e atividade política, e seu líder, Rachid Ghannouchi, declarou que a Ennahda é formada por "democratas muçulmanos", não islamistas. Análises da Carnegie Endowment e da Brookings Institution corroboram essa posição18. Segundo um resumo do argumento da cientista política Monica Marks (Brookings), que não lemos na íntegra, ler esse congresso como ruptura completa entre religião e política seria exagero da imprensa. A mudança refletiria um debate interno mais longo entre a base e a liderança da Ennahda, coerente com a trajetória do partido, e não uma virada tática8. Asef Bayat defende, com o conceito de pós-islamismo, que ramos como a Ennahda superaram de fato o islamismo, e não apenas por tática. Cihan Tuğal defende o oposto: seria uma "revolução passiva" no sentido de Gramsci, que absorve e neutraliza o desafio islamista sem superá-lo de verdade19. Não aprofundamos esse debate aqui; o verbete pós-islamismo e o artigo-irmão tratam dele com todas as referências.

O Partido da Justiça e Desenvolvimento (PJD), do Marrocos, tem origem islamista, mas atua sob uma monarquia que mantém poder de veto religioso efetivo: o rei tem o título de Amir al-Mu'minin ("Comendador dos Fiéis"). Líderes do partido passaram a considerar pouco realista, numa sociedade plural como a marroquina, exigir que um governo islamista aplique a Sharia por inteiro. O PJD participou do governo até perder as eleições de 202120.

Na Jordânia, o braço político da Irmandade é a Frente de Ação Islâmica (FAI/IAF), fundada em 8 de dezembro de 1992. Em 2024, o partido teve o melhor resultado eleitoral da sua história: 31 das 138 cadeiras do parlamento, com 33,69% dos votos. Em 26 de abril de 2026, teve aprovada a mudança de nome para "Partido Umma", para cumprir uma lei jordaniana de 2022 que proíbe nome de partido de base religiosa. Não encontramos fonte citável para esses três dados (fundação, resultado de 2024 e mudança de nome), apenas uma página da Wikipédia. Uma checagem independente confirmou o conteúdo, mas isso não substitui a fonte jornalística ou primária que ainda não encontramos. Em outra decisão, o governo jordaniano proibiu em 23 de abril de 2025 a organização "Irmandade Muçulmana" como tal (distinta do partido FAI/Umma), após a alegação de uma "trama violenta" contra alvos internos21.

Quem designa a Irmandade como terrorista

Dizer que um governo designou a Irmandade como organização terrorista não significa concordar com a designação. Significa relatar a decisão política de um Estado específico, tomada por razões e em datas diferentes das de outros Estados. Essa divergência entre os Estados é, ela mesma, o dado mais informativo deste levantamento.

O Egito designou a Irmandade como organização terrorista em 25 de dezembro de 2013, sob o regime interino de Hazem al-Beblawi, um dia depois do atentado de Mansoura (sequência descrita acima)17. A Arábia Saudita a proscreveu em 7 de março de 2014. Um comunicado do Ministério do Interior informou que o rei Abdullah aprovara as conclusões de um comitê encarregado de identificar os grupos extremistas citados num decreto real do mês anterior; quem aderisse a eles ou os apoiasse passava a responder a penas de cinco a trinta anos de prisão22. A ideia de ruptura veio da própria Irmandade, não do comunicado saudita: em nota, o grupo disse que a decisão era “um rompimento completo com a relação anterior com o grupo, desde o reinado do rei fundador até agora”22. Os Emirados Árabes Unidos incluíram a Irmandade numa lista de dezenas de organizações terroristas em 15 de novembro de 2014, por decreto do Conselho de Ministros23. O Bahrein se alinhou ao mesmo bloco em 2014, mas não confirmamos, nesta apuração, a data exata nem o instrumento legal específico9. A Jordânia proibiu a organização em abril de 2025, como registrado acima21.

A Rússia inclui a Irmandade em sua lista de organizações extremistas proibidas, por decisão atribuída ao Supremo Tribunal russo. Não conseguimos confirmar a data exata dessa decisão: as referências que encontramos variam entre 2003 e 2006, nenhuma delas é primária, e preferimos não escolher uma sem conferir a própria decisão judicial10.

Os Estados Unidos abriram, em 24 de novembro de 2025, com a Ordem Executiva 14362, o processo para designar os ramos libanês, egípcio e jordaniano da Irmandade (não a organização "como um todo") como Organizações Terroristas Estrangeiras e/ou Especialmente Designados Terroristas Globais. A designação foi concluída em 13 de janeiro de 2026, com base na seção 219 do Immigration and Nationality Act, no IEEPA e na Ordem Executiva 132242425. Foi a primeira vez que Washington designou formalmente ramos da Irmandade dessa forma, depois de mais de uma década evitando um veredito sobre a organização inteira26.

O contraste mais informativo deste levantamento vem do Reino Unido. Em 2014, o governo britânico encomendou uma revisão sobre a Irmandade para avaliar, na época, se deveria proscrever a organização. A revisão foi conduzida por Sir John Jenkins, então embaixador britânico em Riad, e por Charles Farr, na época diretor-geral do Office for Security and Counter Terrorism. Ficou pronta em julho de 2014 e foi publicada em dezembro de 2015. Lemos o relatório na íntegra, e ele não recomenda a proscrição. A conclusão central descreve "uma relação complexa e situacional" com a violência: "preferência por mudança gradual não violenta por conveniência", mas disposição a "contemplar violência — inclusive, ocasionalmente, terrorismo — onde o gradualismo é ineficaz"1. O relatório trata a filiação à Irmandade como um indício a avaliar caso a caso, e não como motivo automático de proscrição. Mas o texto do Main Findings, que lemos na íntegra, não usa a expressão "indicador de extremismo". Essa expressão circula associada ao episódio, talvez ligada à declaração do então primeiro-ministro David Cameron ao Parlamento no mesmo dia (um documento diferente do relatório), e não conseguimos confirmar sua origem exata nesta apuração. Por isso não a atribuímos ao relatório1. ⚠️ PRECISA DE PESQUISA: localizar a declaração de Cameron de 17 de dezembro de 2015 ao Parlamento (Hansard) para confirmar a origem exata da frase antes de citá-la entre aspas.

A União Europeia não lista a Irmandade Muçulmana como organização terrorista. Desde 22 de julho de 2013, lista apenas o "braço militar" do Hezbollah27. Catar e Turquia não proscrevem a Irmandade nem o Hamas, abrigam abertamente atividade política de ramos e afiliados do movimento e se opõem à sua criminalização26.

Veja as decisões lado a lado:

Governo/bloco Designa a Irmandade como terrorista? Desde quando
Egito Sim 25 dez. 2013
Arábia Saudita Sim 7 mar. 2014
Emirados Árabes Unidos Sim 15 nov. 2014
Bahrein Sim (data não confirmada nesta apuração) 2014
Jordânia Sim, a organização como tal (não o partido FAI/Umma) abr. 2025
Rússia Sim (data não confirmada nesta apuração) Indeterminada
Estados Unidos Ramos libanês, egípcio e jordaniano, não a organização inteira processo iniciado 24 nov. 2025; concluído 13 jan. 2026
Reino Unido Não — revisão não recomenda proscrição revisão concluída jul. 2014; publicada dez. 2015
União Europeia Não lista a Irmandade; lista o braço militar do Hezbollah —
Catar, Turquia Não; hospedam atividade política de afiliados —

Hoje: liderança dividida e exílio

Desde a prisão do Guia Geral Mohammed Badie, em 20 de agosto de 2013, a liderança da Irmandade egípcia passou por uma sucessão fragmentada, sinal direto de que a repressão iniciada em 2013 não deixou a organização intacta. A sucessão foi esta: Mahmoud Ezzat, guia interino até ser preso em 28 de agosto de 2020; Ibrahim Munir, até ser destituído pela Assembleia Consultiva da Irmandade em 13 de outubro de 2021; um comitê interino, formalizado em 17 de dezembro de 2021; e Mahmoud Hussein, guia interino desde 16 de novembro de 202211. Badie recebeu várias sentenças de morte (em abril de 2014, junho de 2014 e março de 2024) e pelo menos sete de prisão perpétua. Não encontramos fonte citável para essa cronologia de sucessão nem para as sentenças de Badie: a fonte disponível nesta apuração foi uma página da Wikipédia. Uma checagem independente confirmou o conteúdo, o que aumenta nossa confiança nele sem torná-lo citável. Registramos a lacuna.

Essa liderança fragmentada, junto com o exílio de parte da militância e a repressão contínua no Egito, é o pano de fundo de qualquer leitura sobre a Irmandade de hoje. É também por isso que tratar a organização como um bloco único hoje é tão impreciso quanto tratá-la assim em 1950 ou em 2012.

Brasil: uma alegação sem sustentação

Não encontramos nenhuma fonte que documente presença organizacional, filiação ou vínculo institucional da Irmandade Muçulmana no Brasil. Em 7 de setembro de 2026, verificamos diretamente o site institucional da Fambras (Federação das Associações Muçulmanas do Brasil). Ele não menciona a Irmandade Muçulmana em nenhuma das seções que acessamos e lista parcerias com al-Azhar, Awqaf e o "World Council of Muslim Communities". Não investigamos essa última organização nesta apuração e não presumimos nenhum vínculo dela com a Irmandade sem checagem própria12.

Uma alegação específica circula, e é melhor examiná-la do que omiti-la. O ARIJ (Arab Reporters for Investigative Journalism), um site árabe de jornalismo investigativo, afirma numa matéria sobre o financiamento da Irmandade que "a Irmandade estabeleceu diversas empresas de fachada e financeiras no Panamá, na Libéria e no Brasil, sob os nomes de indivíduos como Yusuf Nada, Nasreddin, Qaradawi e Himmat"13. Rastreamos a origem da frase: ela remete a um estudo do pesquisador Douglas Farah, ligado ao International Assessment and Strategy Center, um think tank de Washington. Mas a própria matéria do ARIJ não detalha a alegação sobre o Brasil: não traz nome de empresa, data, valor nem evidência documental própria do país13. O Counter Extremism Project, que mantém um perfil sobre extremismo no Brasil, só menciona a Irmandade de passagem, como organização de origem do Hamas, sem nenhuma alegação de presença ou de rede financeira no Brasil14.

No material que reunimos, a extensão dessa rede ao Brasil não tem nenhuma evidência própria. Há só uma frase solta, de segunda mão, sem lastro documental que possamos verificar. Para nenhum dos indivíduos que a matéria do ARIJ nomeia, inclusive Yusuf Nada, encontramos fonte admissível para os fatos biográficos ou judiciais que permitiriam avaliar a acusação com mais profundidade. A única referência disponível foi a Wikipédia, que a política editorial deste site não admite como fonte citada (docs/FONTES.md §8). Preferimos não desenvolver essas biografias sem fonte própria a apresentá-las com uma fonte que o site não aceita. Seguindo a linha editorial do site, não tratamos a alegação sobre o Brasil como fato. Registramos que ela circula, que rastreamos sua origem e que ela não se sustenta na apuração. Achamos isso melhor do que omiti-la e deixar o leitor encontrá-la em outro lugar sem esse contexto.

Então, moderada ou radical?

Voltando à pergunta do início: "moderada ou radical" não descreve nenhuma organização real que exista há um século, atue em duas dezenas de países e tenha passado por dissolução, clandestinidade, reabilitação, governo e nova repressão. A formulação mais detalhada que encontramos nesta apuração é a da revisão britânica publicada em 2015, que examinou o tema entre abril e julho de 2014 e mesmo assim não recomendou a proscrição. Ela descreve "uma relação complexa e situacional" com a violência: preferência declarada por mudança gradual, e disposição a contemplar violência onde o gradualismo pareça ineficaz1. É a descrição de um comportamento que varia com o contexto, e não um adjetivo fixo. A história que reconstruímos aqui, do Aparelho Secreto dos anos 1940 à Ennahda de 2016, aponta na mesma direção.

Leia antes

Leia depois

  • Perfil dos ideólogos: Hassan al-Banna e Sayyid Qutb como pensadores (pauta em produção).
  • Perfil do Hamas.
  • Perfil da Ennahda e da Tunísia.
  • Perfil do Egito.
  • Verbete Aparelho Secreto (al-Nizam al-Khass/al-Jihaz al-Sirri) — a ser criado.

Fontes

Fontes

  1. Reino Unido, HM Government. Muslim Brotherhood Review: Main Findings. HC 679. Ordenado para impressão em 17 de dezembro de 2015 (revisão comissionada em abril de 2014, concluída em julho de 2014, conduzida por Sir John Jenkins e Charles Farr). https://assets.publishing.service.gov.uk/media/5a8076bfe5274a2e8ab504ab/53163_Muslim_Brotherhood_Review_-_PRINT.pdf (abre em nova aba) · 🟢 documento oficial, lido na íntegra — a fonte mais sólida deste levantamento, sustenta citação literal. Lido verbatim, nos 39 parágrafos, em 07/09/2026. A passagem sobre o endosso a Qutb é: "they continue to be explicitly endorsed by many senior Muslim Brotherhood figures, including leaders of the Egyptian Muslim Brotherhood" (parágrafo 16) — "muitas figuras seniores da Irmandade, incluindo líderes da Irmandade egípcia", não "figuras seniores da Irmandade egípcia".

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  2. Eleição presidencial egípcia de 2012 (Morsi 51,7% no segundo turno, posse 30 de junho), dados confirmados de forma independente na mesma checagem mas ainda sem fonte citável; recomenda-se substituição por fonte de BBC, Reuters ou bibliografia acadêmica (Roy, Tibi, Somma de Castro) · ⚠️ FONTE A CONFIRMAR.

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  3. Human Rights Watch. "All According to Plan: The Rab'a Massacre and Mass Killings of Protesters in Egypt." 12 de agosto de 2014. https://www.hrw.org/report/2014/08/12/all-according-plan/raba-massacre-and-mass-killings-protesters-egypt (abre em nova aba) · 🟢 — lido diretamente.

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  4. Fonte não identificada com precisão nesta apuração — material sobre o atentado de Mansoura (24 de dezembro de 2013) e sua reivindicação pelo Ansar Bait al-Maqdis foi obtido por resumo de ferramenta, não por leitura direta de página específica · 🔍 verificação pendente — confirmado, ponto a ponto, na checagem factual de 07/09/2026 (via WebFetch), mas ainda a partir de fonte não citável; antes de publicar, localizar cobertura de Reuters, AP, AFP ou BBC do próprio dezembro de 2013.

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  5. Human Rights Watch. "Egypt: Shocking Death Sentences Follow Sham Trial." 24 de março de 2014. https://www.hrw.org/news/2014/03/24/egypt-shocking-death-sentences-follow-sham-trial (abre em nova aba) · 🟢 — lido diretamente (confirmado por WebFetch na re-checagem de 07/09/2026: título "Egypt: Shocking Death Sentences Follow Sham Trial", corpo reforça a caracterização — julgamento concluído em menos de uma hora, réus julgados à revelia, sem provas individualizadas). "Simulacro" é tradução fiel de "sham".

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  6. Human Rights Watch. "Egypt: Fresh Assault on Justice." 29 de abril de 2014. https://www.hrw.org/news/2014/04/29/egypt-fresh-assault-justice (abre em nova aba) · 🟢 · 🔍 verificação pendente.

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  7. Amnesty International UK. "Egypt: 683 new death sentences in Muslim Brotherhood trial shows 'complete contempt'." Abril de 2014. https://www.amnesty.org.uk/knowledge-hub/all-resources/egypt-683-new-death-sentences-muslim-brotherhood-trial-shows-complete-contempt/ (abre em nova aba) · 🟢 · 🔍 verificação pendente.

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  8. Monica Marks (Brookings), análise sobre o 10º Congresso da Ennahda (maio de 2016) · 🔍 verificação pendente — obtida via resumo de ferramenta, não leitura direta do texto original; localizar e ler o artigo original antes de publicar.

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  9. Fonte não localizada nesta apuração para a data e o instrumento exatos da adesão do Bahrein ao bloco de designação · ⚠️ SEM FONTE — não usar data específica sem checagem adicional.

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  10. Referências conflitantes a 2003 e a 2006 para a inclusão da Irmandade na lista russa de organizações extremistas, nenhuma primária · ⚠️ SEM FONTE — não usar nenhuma das duas datas sem checagem direta na decisão do Supremo Tribunal russo.

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  11. Sucessão de liderança pós-2013: Mahmoud Ezzat (até prisão em 28 de agosto de 2020), Ibrahim Munir (até destituição em 13 de outubro de 2021), comitê interino (formalizado em 17 de dezembro de 2021), Mahmoud Hussein (desde 16 de novembro de 2022); datas confirmadas de forma independente na checagem mas sem fonte citável · ⚠️ FONTE A CONFIRMAR.

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  12. FAMBRAS (Federação das Associações Muçulmanas do Brasil), site institucional, verificado diretamente em 7 de setembro de 2026. https://fambras.org.br/en (abre em nova aba) · 🟢 institucional (docs/FONTES.md §6) — não menciona a Irmandade Muçulmana; ausência confirmada diretamente.

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  13. Arab Reporters for Investigative Journalism (ARIJ). "The Muslim Brotherhood's Sources of Funding." https://en.arij.net/investigation/the-muslim-brotherhoods-sources-of-funding/ (abre em nova aba) · 🟡 rede de jornalismo investigativo árabe — financiamento não verificado nesta apuração; a alegação sobre o Brasil não é sustentada com nome de empresa, data ou evidência documental própria, e é citada aqui apenas como objeto (o que a matéria afirma), nunca como prova de vínculo.

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  14. Counter Extremism Project. "Brazil: Extremism and Terrorism." https://www.counterextremism.com/countries/brazil-extremism-and-terrorism (abre em nova aba) · 🟡 think tank americano, não está na lista de docs/FONTES.md — usado apenas para registrar que não corrobora a alegação de rede da Irmandade no Brasil.

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  15. Roy, Olivier. Globalized Islam: The Search for a New Ummah. Columbia University Press, 2004 · 🟢. Tibi, Bassam. Islamism and Islam. Yale University Press, 2012 · 🟢. Já sourciadas em content/verbetes/irmandade-muculmana.md e content/artigos/isla-islamismo-jihadismo.md.

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  16. Somma de Castro, Isabelle Christine. "Alinhamentos políticos e mobilização popular: as estratégias de ascensão da Irmandade Muçulmana no Egito (1936-1949)." Tempo, v. 29, n. 2, art. 46, 10 de julho de 2023. DOI: 10.1590/TEM-1980542X2023v290210. https://www.scielo.br/j/tem/a/Djxns95wPDrD4VzYtkNjPYz (abre em nova aba) · 🟢 periódico brasileiro revisado por pares, lido diretamente, baseado em documentos desclassificados do Foreign Office britânico.

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  17. Al Jazeera, "Egypt declares Brotherhood 'terrorist group'", 25 de dezembro de 2013 · 🟡; Human Rights Watch, "Egypt: Terrorist Tag Politically Driven", 28 de dezembro de 2013 · 🟢. Já sourciadas em content/verbetes/irmandade-muculmana.md.

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  18. "Ennahda leader Ghannouchi: We are Muslim democrats, not Islamists." Middle East Eye, 2016 · 🟡; "Ennahda's Uneasy Exit From Political Islam." Carnegie Endowment, 2019 · 🟢; "Ennahda from within: Islamists or Muslim Democrats?" Brookings Institution · 🟢. Já sourciadas em content/artigos/isla-islamismo-jihadismo.md.

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  19. Bayat, Asef. Making Islam Democratic: Social Movements and the Post-Islamist Turn. Stanford University Press, 2007 · 🟢; Tuğal, Cihan. Passive Revolution. Stanford University Press, 2009 · 🟢. Já sourciadas em content/artigos/isla-islamismo-jihadismo.md e no verbete pos-islamismo.

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  20. Hissouf, Abdellatif. "The Moroccan Monarchy and the Islam-oriented PJD." All Azimuth, janeiro de 2016 · 🟢. Já sourciada em content/artigos/isla-islamismo-jihadismo.md.

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  21. U.S. Department of the Treasury, comunicado de designação dos ramos libanês, egípcio e jordaniano da Irmandade, 13 de janeiro de 2026 (registra também a proibição jordaniana da organização em abril de 2025). https://home.treasury.gov/news/press-releases/sb0357 (abre em nova aba) · 🟢 documento oficial. Já sourciada em content/verbetes/irmandade-muculmana.md. O detalhe da "trama de mísseis e drones" vem de fonte única não confirmada nesta apuração, e por isso fica só nesta nota, fora do corpo do texto · 🔍.

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  22. Duas fontes, as duas lidas diretamente em 10 de setembro de 2026. (a) Despacho da Associated Press, republicado pelo Christian Science Monitor, "Saudi Arabia names Muslim Brotherhood terrorist group", 8 de março de 2014, Riade. https://www.csmonitor.com/World/Latest-News-Wires/2014/0308/Saudi-Arabia-names-Muslim-Brotherhood-terrorist-group (abre em nova aba) · 🟢 — sustenta o comunicado do Ministério do Interior, a aprovação real das conclusões do comitê, o decreto do mês anterior, as penas de cinco a trinta anos e a nota de reação da Irmandade, citada aqui em tradução nossa. (b) Al Arabiya English, "Saudi: Muslim Brotherhood a terrorist group", por Mustapha Ajbaili, 7 de março de 2014. https://english.alarabiya.net/News/middle-east/2014/03/07/Saudi-Arabia-declares-Muslim-Brotherhood-terrorist-group (abre em nova aba) · 🟡 veículo saudita, parte interessada no episódio — sustenta a lista dos quatro grupos proscritos no mesmo ato: Irmandade Muçulmana, o braço saudita do Hezbollah, o Estado Islâmico do Iraque e da Síria e a Frente al-Nusra. ⚠️ A leitura das duas fontes mostra que a caracterização de ruptura (“um rompimento completo com a relação anterior com o grupo, desde o reinado do rei fundador até agora”) partiu da Irmandade, não do Ministério do Interior saudita. Já sourciada em content/verbetes/irmandade-muculmana.md.

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  23. Al Jazeera, "UAE lists scores of groups as 'terrorists'", 15 de novembro de 2014. https://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/11/uae-lists-scores-groups-as-terrorists-2014111517644316294.html (abre em nova aba) · 🟡. Já sourciada em content/verbetes/irmandade-muculmana.md.

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  24. Executive Order 14362, "Designation of Certain Muslim Brotherhood Chapters as Foreign Terrorist Organizations and Specially Designated Global Terrorists", 24 de novembro de 2025. https://www.whitehouse.gov/presidential-actions/2025/11/designation-of-certain-muslim-brotherhood-chapters-as-foreign-terrorist-organizations-and-specially-designated-global-terrorists/ (abre em nova aba) · 🟢 documento oficial. Já sourciada em content/verbetes/irmandade-muculmana.md e content/artigos/isla-islamismo-jihadismo.md.

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  25. U.S. Department of the Treasury, comunicado de 13 de janeiro de 2026 (mesma referência de 21). Já sourciada em content/artigos/isla-islamismo-jihadismo.md.

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  26. FDD, "U.S. Issues Its First-Ever Designations of Muslim Brotherhood Branches as Terrorists", 15 de janeiro de 2026. https://www.fdd.org/analysis/2026/01/15/u-s-issues-its-first-ever-designations-of-muslim-brotherhood-branches-as-terrorists/ (abre em nova aba) · 🟡 think tank de linha dura anti-Irã/anti-islamismo, usar com atribuição. Já sourciada em content/artigos/isla-islamismo-jihadismo.md.

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  27. Jewish Telegraphic Agency, "EU designates Hezbollah's military wing as terrorist organization", 22 de julho de 2013 · 🟢; Council of the European Union, "Sanctions against terrorism — Council renews the EU Terrorist List", 29 de julho de 2025 · 🟢. Já sourciadas em content/verbetes/irmandade-muculmana.md e content/artigos/isla-islamismo-jihadismo.md.

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  28. Amr Hamzawy e Michele Dunne, "Brotherhood Enters Elections in a Weakened State", Carnegie Endowment for International Peace, 15 de novembro de 2010. https://carnegieendowment.org/europe/research/2010/11/brotherhood-enters-elections-in-a-weakened-state (abre em nova aba) · 🟢 — em 2005 a Irmandade ganhou 88 cadeiras (20% da assembleia), seu melhor resultado; todos os candidatos concorreram como independentes. Evan Hill, "The Muslim Brotherhood in flux", Al Jazeera, 21 de novembro de 2010. https://www.aljazeera.com/news/2010/11/21/the-muslim-brotherhood-in-flux (abre em nova aba) · 🟡 — os 88 eleitos da Irmandade concorreram oficialmente como independentes. As duas lidas diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  29. Hamza Meddeb, comentário sobre a prisão de Rached Ghannouchi, Carnegie Endowment for International Peace (Diwan), 18 de abril de 2023. https://carnegieendowment.org/middle-east/diwan/2023/04/rashed-ghannouchi-the-head-of-tunisias-islamist-ennahda-party-has-been-arrested (abre em nova aba) · 🟢 — Ghannouchi e a Ennahda lideraram a coalizão de governo pós-2011; Ghannouchi presidia o parlamento até o "golpe de fato" de Saied em 25 de julho de 2021. Human Rights Watch, "Tunisia: Free Arbitrarily Detained Ex-Prime Minister", 11 de abril de 2023. https://www.hrw.org/news/2023/04/11/tunisia-free-arbitrarily-detained-ex-prime-minister (abre em nova aba) · 🟢 — Ali Laarayedh, da Ennahda, foi ministro do Interior de dezembro de 2011 a fevereiro de 2013 e primeiro-ministro de março de 2013 a janeiro de 2014, numa coalizão com Ettakatol e o Congresso pela República; repressão aos opositores de Saied desde julho de 2021. Ameni Mehrez, "From Principle to Pragmatism: Ennahda's Decline", POMEPS, 2026. https://pomeps.org/from-principle-to-pragmatism-ennahdas-decline (abre em nova aba) · 🟢 — depois das eleições de 2014, a Nidaa Tounes escolheu governar com a Ennahda. As três lidas diretamente em 23 de setembro de 2026.

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