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IrãRevisado em 8 de setembro de 2026

A Revolução Iraniana de 1979

Em fevereiro de 1979, uma coalizão de clero khomeinista e não khomeinista, bazar, sindicatos, esquerda marxista e nacionalistas liberais derrubou a monarquia dos Pahlavi. Nos onze meses seguintes, a corrente liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini nomeou o governo antes de qualquer eleição, trocou a assembleia constituinte que havia prometido por outra dominada pelo clero e eliminou, uma a uma, as outras forças da coalizão. Aqui contamos esse processo mês a mês: o que cada corrente queria e o que fez, não só o que sofreu.

Azulejos geométricos islâmicos em tons vibrantes de azul, laranja e verde-azulado Photo by Olga Kovalski A Revolução Iraniana de 1979 derrubou a monarquia dos Pahlavi entre janeiro e fevereiro daquele ano. Quem a fez foi uma coalizão: o clero khomeinista, o clero não khomeinista ligado ao grande aiatolá Muhammad Kazem Shariatmadari, o bazar de Teerã, sindicatos do setor petroleiro, os nacionalistas liberais da Frente Nacional e do Movimento pela Liberdade de Mehdi Bazargan e duas organizações de esquerda armada, o Fedaiyan-e Khalq e o Mojahedin-e Khalq1. Nos onze meses seguintes, a corrente liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini ficou com o poder que essa coalizão havia conquistado junta. Nomeou o primeiro-ministro antes de qualquer eleição, invocando um princípio de autoridade que a Constituição consagraria depois39. Prometeu uma assembleia constituinte eleita e não cumpriu: no lugar dela veio uma Assembleia de Especialistas dominada pelo próprio clero23. E eliminou as outras forças da coalizão (por proibição, prisão domiciliar, execução ou expulsão) até consagrar, na Constituição de dezembro de 1979, um Estado regido pela doutrina do wilayat al-faqih (tutela do jurista)123. Neste artigo contamos como isso aconteceu, o que cada corrente queria e o que fez, e não só o que sofreu.

1º de fevereiro de 1979: a volta de Khomeini e o colapso em duas semanas

Rua tranquila de Teerã com a Torre Milad ao fundo Photo by Mehdi Khoshnejad

Khomeini voltou a Teerã na manhã de 1º de fevereiro de 1979, aos 76 anos, depois de quase quinze anos de exílio. Viajou desde a noite anterior num avião fretado da Air France, com Ebrahim Yazdi, Sadegh Qotbzadeh e Abolhassan Bani-Sadr39. Com o tempo, os três seriam empurrados para fora do processo que ajudaram a trazer: Bani-Sadr seria o primeiro presidente da República e depois destituído; Qotbzadeh seria fuzilado em Teerã em 15 de setembro de 1982, condenado por conspirar para matar Khomeini e derrubar o regime45. Segundo Algar, a palavra de ordem do dia foi "shah raft, emam amad" ("o xá foi, o imã veio")39. Do aeroporto, Khomeini foi ao cemitério de Behesht-e Zahra. Lá chamou o governo em exercício de Shapour Bakhtiar de "último suspiro débil" do regime Pahlavi e advertiu os comandantes das Forças Armadas a não resistir39. No quartel-general provisório montado na escola Rafah, o clérigo Sadegh Khalkhali, nomeado chefe de um tribunal revolucionário, começou na mesma hora julgamentos sumários de figuras do regime deposto, entre elas o ex-primeiro-ministro Amir-Abbas Hoveyda39.

Em 4 de fevereiro, Bazargan, consultado por Khomeini, aceitou "com alguma relutância", segundo Algar39. Em 5 de fevereiro, invocando em público o princípio da welayat, Khomeini nomeou Bazargan chefe do governo provisório. Encarregou-o, com o gabinete, de preparar um referendo sobre proclamar o Irã uma República Islâmica. Segundo o próprio anúncio, esse referendo "abriria caminho para a eleição de uma assembleia constituinte para elaborar uma nova constituição"39. Duas coisas nesse anúncio importam para o resto do artigo. Primeiro, Khomeini nomeou o chefe de governo antes de qualquer votação, invocando uma autoridade que a Constituição de dezembro poria na base do Estado (o tema está no artigo sobre o wilayat al-faqih, e não o repetimos aqui). Segundo, prometeu uma assembleia constituinte eleita que, como se verá adiante, nunca aconteceu.

Em 7 de fevereiro houve manifestações de massa em apoio ao governo provisório39. Em 10 de fevereiro, Bakhtiar decretou toque de recolher a partir das 16h. Khomeini mandou desobedecer e ameaçou emitir fatwa formal de jihad se elementos do Exército leais ao xá continuassem a matar manifestantes39. Em 11 de fevereiro, o Conselho Supremo Militar retirou o apoio a Bakhtiar. É essa a data que o próprio regime celebra como o dia da vitória da revolução ("22 Bahman")39. Algar põe o colapso completo de "todos os órgãos do regime, políticos, administrativos e militares" um dia depois, em 12 de fevereiro39. Não escolhemos entre as duas datas. O 11 de fevereiro é o dia que o regime adotou como feriado; o 12 de fevereiro é onde a fonte que lemos diretamente situa o colapso das instituições. Bakhtiar fugiu para Paris, depois tentou organizar golpes e foi assassinado em agosto de 1991391.

No fim de fevereiro de 1979, Khomeini mudou-se para Qom. Algar diz que a cidade virou, na prática, "a segunda capital do Irã", e não um centro só de orientação espiritual, como Bakhtiar chegara a esperar39. (Algar dá a data de "29 de fevereiro", que não existe: 1979 não foi ano bissexto. O erro é da própria fonte, provavelmente por confusão com o calendário iraniano.)

A coalizão: quem estava nas ruas e o que cada um queria

Coleção de tapetes persas tradicionais com desenhos intricados e cores vivas Photo by Soner Arkan

Quem fez a revolução foram organizações com nome, projeto e conduta próprios, não "os iranianos" em bloco.

O Partido Republicano Islâmico (PRI), fundado em fevereiro de 1979 e liderado por Mohammad Beheshti, organizou a base política de Khomeini. Queria implantar a wilayat al-faqih como estrutura de Estado (o percurso doutrinário está no artigo dedicado ao tema, e não o refazemos aqui).

O Partido Republicano Muçulmano do Povo (PRM), em persa Hezb-e jomhuri-e khalq-e mosalman, foi criado em março de 1979 sob a liderança espiritual do grande aiatolá Shariatmadari (uma das fontes que consultamos o chama de "Muslim People's Islamic Republic Party", MPIRP; é a mesma organização, não duas)3936. Shariatmadari defendia, como já registrado no artigo sobre o wilayat al-faqih, que os assuntos da comunidade eram responsabilidade conjunta de todos os juristas qualificados, e não de um só. Não repetimos aqui essa posição em detalhe.

O bazar financiou clérigos rebeldes e organizou parte do apoio logístico à revolução, segundo a cobertura da imprensa brasileira que consultamos13.

Os sindicatos do setor petroleiro derrubaram a produção iraniana em 4,8 milhões de barris por dia até janeiro de 1979, cerca de 7% da produção mundial da época. Fizeram isso por meio de comitês de greve autônomos (shoras) e paralisaram a receita do Estado2.

A Frente Nacional, herdeira de Mossadegh, teve em Karim Sanjabi sua figura mais visível no governo provisório. Ele foi ministro das Relações Exteriores entre 11 de fevereiro e 1º de abril de 1979. Não achamos em fonte lida diretamente nem o motivo declarado da saída dele, depois de menos de dois meses, nem confirmação própria dessas datas, que reunimos por síntese de busca16. A Frente Nacional Democrática, do mesmo campo nacionalista, organizou em junho de 1979 uma conferência das nacionalidades iranianas que pedia autonomia para curdos e outras minorias e liberdade de imprensa. Essa informação também vem de síntese de busca, sem leitura direta de fonte própria16.

O Movimento pela Liberdade do Irã foi fundado em maio de 1961 por Mehdi Bazargan, pelo aiatolá Mahmud Taleqani e por Yadollah Sahabi. De orientação islâmico-modernista e constitucionalista, trabalhou com a rede de Khomeini na organização dos protestos de 1978-1979 e deu ao governo provisório o seu primeiro-ministro5. Queria uma república islâmica de conteúdo democrático. Na disputa pela nova Constituição, segundo o historiador Ervand Abrahamian, Bazargan e seus apoiadores, muçulmanos leigos e liberais, queriam um texto no modelo da Quinta República francesa de De Gaulle. Nas palavras dele, "imaginavam uma república que seria islâmica no nome, mas democrática no conteúdo"4614.

O Tudeh, partido comunista pró-Moscou liderado por Noureddin Kianouri, apoiou Khomeini por tática. Via nele uma força progressista naquele momento e esperava que, mais adiante, ele cedesse lugar a forças mais próximas do programa do partido. Essa descrição vem de síntese de busca, sem fonte acadêmica nomeada que a sustente diretamente16.

O Fedaiyan-e Khalq era uma guerrilha marxista fundada em abril de 1971, inspirada em Mao, Ho Chi Minh e Che Guevara. O ataque armado tido como marco da sua origem veio dois meses antes da fundação, em fevereiro de 1971, contra um posto de gendarmaria em Siahkal. Ele foi descrito por Ervand Abrahamian como o catalisador do movimento revolucionário iraniano mais amplo435. No 1º de Maio de 1979, um comício sob a bandeira da organização reuniu meio milhão de pessoas em Teerã. O próprio verbete da Encyclopaedia Iranica atribui esse número a outro autor, Alaolmolki; é citação de segunda mão dentro da fonte35.

O Mojahedin-e Khalq, guerrilha que misturava elementos de Islã e marxismo, tinha uma base social que uma resenha acadêmica que consultamos descreve como "predominantemente formada pela jovem intelligentsia, sobretudo filhos da classe média tradicional"11.

Poder duplo: o governo que Bazargan chamou de "faca sem lâmina"

Paisagem montanhosa árida sob céu nublado em Teerã Photo by nima gerivani

Ao lado do governo oficial de Bazargan funcionava um conjunto de instituições revolucionárias, "com impunidade e fora da jurisdição dele", segundo o historiador Mohsen Milani: tribunais revolucionários (dadgahha-ye enqelab), comitês revolucionários de bairro (komitaha-ye enqelab, ou komitehs) e a Guarda Revolucionária (Sepah-e pasdaran, o IRGC), criada por decreto de Khomeini em 5 de maio de 1979241. O projeto de Bazargan era um Irã com sistema presidencial democrático, em que o clero xiita teria papel de supervisão dos assuntos de Estado24.

O próprio Bazargan resumiu seu governo numa frase citada por Milani: "uma faca sem lâmina" ("a knife without a blade")24. Em 15 de março de 1979, o vice-primeiro-ministro e porta-voz do governo, Abbas Amir-Entezam, mostrou na prática o que isso queria dizer: "Eu não sei, e o primeiro-ministro também não sabe ao certo, quantos prisioneiros há na prisão de Qasr. Não sabemos quais são as condições porque não encontramos meio de entrar"25. Amir-Entezam, que o mesmo governo escolheu como interlocutor com os Estados Unidos, seria preso mais tarde2425.

Foi nesse quadro que Khalkhali, à frente do tribunal da escola Rafah desde 1º de fevereiro, condenou à morte Amir-Abbas Hoveyda, primeiro-ministro do xá entre 1965 e 1977. Hoveyda foi executado na prisão de Qasr em 7 de abril de 19793925. A Anistia Internacional reproduziu o indiciamento completo. Entre as acusações estavam "corrupção na terra, guerra contra Deus, contra o povo de Deus e contra o representante do Imã", "participação em ameaças e terrorismo contra pessoas justas... e limitação de suas liberdades ao prender jornalistas e exercer censura sobre a imprensa e os livros", "relato falso por meio de jornais escolhidos a dedo", ter fundado o partido único Rastakhiz e ocupado sua primeira secretaria-geral, e filiação à maçonaria25. O jornal Ettela'at de 8 de abril de 1979, citado pela Anistia, registrou o que o promotor disse ao réu: "Este tribunal não está julgando o senhor. Está julgando o sistema. O sistema do qual o senhor é representante, executor. Nesse sistema as pessoas não eram levadas em conta. O país estava completamente sob influência estrangeira. A SAVAK levava nossos jovens e combatentes para serem torturados e trucidados. O senhor era, resumindo, favorável a esse sistema?"25. Em 20 de agosto de 1979, quatro meses e treze dias depois de executar o homem acusado de censurar a imprensa, o mesmo aparato revolucionário mandaria fechar jornais de oposição. É o assunto da próxima seção.

A repressão começa antes da Constituição

Foto em preto e branco de protesto com cartazes contra a Guerra do Vietnã Photo by David Henry

Em 20 de agosto de 1979, o procurador revolucionário de Teerã, aiatolá Qomi, mandou fechar 22 jornais de oposição. A Anistia Internacional, num relatório de fevereiro de 1980 sobre o período até 14 de setembro de 1979, diz ter "ouvido" que ao todo 26 publicações foram mandadas encerrar naquele momento. O Guardian, de Londres, noticiou em 10 de setembro de 1979 que 27 jornais tinham sido fechados em agosto25. Não escolhemos um número: os três vêm de fontes diferentes, e a pequena diferença entre eles também é informação. Fred Halliday, professor da London School of Economics que viajou pelo país naquele mesmo agosto, confirma o fechamento de forma independente. Dias depois de o chefe da rádio e televisão estatal, Sadegh Qotbzadeh, atacar a oposição de esquerda, "o proeminente jornal democrático Ayandegan é fechado, e em uma semana todos os jornais e escritórios de esquerda do país foram fechados"37. O Abdorrahman Boroumand Center, terceira fonte independente, registra o fechamento de "22 publicações de grupos de oposição" naquele mesmo agosto36.

No Curdistão, os curdos apoiaram a revolução no começo, esperando mais autonomia. Como as demandas não foram atendidas, teria começado, a partir de meados de março de 1979, um levante armado. Essa informação vem de síntese de busca, sem leitura direta de fonte própria16. As fontes divergem sobre a data exata de uma fatwa de jihad de Khomeini contra os curdos: 17 de agosto, segundo a ONG curda Hengaw, que cita um relatório da Anistia de 2008 que não lemos diretamente18; ou 18 de agosto, segundo o Council on Foreign Relations17. Fontes secundárias ligam essa fatwa à leitura de um versículo do Alcorão sobre combater quem se rebela contra a autoridade legítima. Não conferimos essa ligação com uma tradução própria e por isso não a citamos literalmente18.

Entre 20 e 28 de agosto de 1979, tribunais revolucionários itinerantes chefiados por Khalkhali fizeram execuções sumárias em massa no Curdistão. Em Paveh (20-21 de agosto), 9 fuzilados, mais 7 em Kermanshah; em Marivan (25-26 de agosto), 9 executados; em Sanandaj (27-28 de agosto), 11 executados "após poucas horas de investigação"7. Fontes da época falam em "até 80" execuções entre 18 de agosto e 3 de setembro. Por volta de 24 de agosto, uma estimativa falava em 600 mortos no total, sem separar combatentes de civis7. A Anistia acrescenta detalhes. O Partido Democrático do Curdistão (KDP) foi proibido sob acusação de separatismo, e Khomeini encarregou Khalkhali de julgar os envolvidos. Em 22 de agosto, Khomeini ofereceu perdão aos rebeldes em troca de rendição, e 31 membros do KDP tinham sido executados desde o domingo anterior. Até 28 de agosto, estimava-se um total de 61 execuções ordenadas por Khalkhali, e um relato posterior fala em 68. Em 10 de setembro, Khomeini foi citado chamando os dois líderes curdos, Sheikh Hosseini e Abdul Rahman Ghassemlou, de "traidores" que deveriam ser executados25.

A Anistia documenta os dois lados do confronto. Rebeldes curdos também executaram: quatro guardas revolucionários foram mortos em Mahabad em 27 de agosto, em retaliação à execução de nove curdos em Marivan; a Rádio Irã noticiou 15 ou 16 execuções feitas pelo KDP em 5 de setembro; o KDP declarou que executaria um guarda para cada curdo executado pelos tribunais; e um médico julgado em Saqqez alegou ter sido pressionado pelo KDP e pelos Fedaiyan, sob ameaça de morte25. A própria Anistia declara o limite do que apurou: "não foi capaz de reunir mais detalhes sobre pessoas executadas no Curdistão"25. A cifra de "cerca de 10 mil" curdos mortos na Guerra do Curdistão de 1979-1983 circula atribuída pela Hengaw a um relatório da Anistia de 2008 que não lemos diretamente. Registramos o número como estimativa de origem frágil, não como fato sustentado por duas fontes18.

Há também um dado que complica qualquer narrativa simples. Em 18 de outubro de 1979, Khomeini ordenou restrições às execuções e mandou que os tribunais seguissem a prática islâmica. Bem antes, em 6 de abril, o Guardian já noticiara que tribunais fora de Teerã tinham sido autorizados a continuar os julgamentos, mas com as execuções proibidas. A própria Anistia diz que não consegue datar com precisão o início dessa pausa e a situa entre 14 e 17 de março25. Entre os executados nesses meses havia membros da SAVAK e policiais condenados por atirar em manifestantes contra o xá. Ao mesmo tempo, houve pessoas executadas ou açoitadas por adultério, tráfico de heroína e "especulação" comercial25. O novo Estado julgava os crimes do antigo regime e, no mesmo período, já aplicava penas de um código religioso. A obrigação de julgamento justo não nasceu com o novo regime nem morreu com o antigo: o Irã havia ratificado o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos em 24 de junho de 1975, ainda sob o xá36.

A Anistia Internacional sustenta boa parte dos números de execução, prisão e repressão deste artigo. Os dois relatórios usados aqui são de fevereiro de 1980 e de dezembro de 1981. A antropóloga Homa Hoodfar, presa em Teerã em 2016 sob acusação de "flertar com o feminismo", escreveu em 2018 que, nos anos 1980, a Anistia "recusou-se a fazer campanha por ativistas de gênero presas e torturadas, insistindo que não eram ativistas políticas", e que por isso as deixava fora de seu mandato. É uma afirmação de Hoodfar, num artigo de opinião, sem fonte própria citada, e não a confirmamos em segunda fonte44. Isso não invalida os números de execuções, que a própria Anistia apresenta como piso, não como teto, e com metodologia declarada. Registramos a crítica porque nos apoiamos na Anistia muitas vezes neste texto, e nossa regra é não usar fonte pela metade.

Mulheres: o 8 de março de volta e um direito revogado por decreto

Bandeira nacional do Irã tremulando ao vento Photo by Engin Akyurt

Em 8 de março de 1979, o Irã comemorou o Dia Internacional da Mulher pela primeira vez em mais de cinquenta anos. O xá havia proibido a data e posto no lugar dela o aniversário da proibição do véu em público imposta por seu pai em 8 de janeiro de 1936 (a mesma proibição tratada em Como a dinastia Pahlavi caiu e abriu caminho para a teocracia iraniana). Segundo a historiadora Negar Mottahedeh, professora na Duke University, em Whisper Tapes: Kate Millett in Iran (Stanford University Press, 2019), foi a revolução que devolveu a data42.

Na véspera, 7 de março, Khomeini decretou que as mulheres deveriam usar hijab para entrar em repartições públicas e locais de trabalho. Não era em qualquer lugar; a obrigatoriedade geral veio depois, como se vê adiante. Segundo a reconstrução da CBC Radio Ideas, feita a partir de entrevistas com participantes, ele disse que elas não entrassem "nuas" no local de trabalho43.

Em poucas horas, o 8 de março de 1979 virou o primeiro protesto de rua contra o novo poder. As fontes divergem sobre o que veio antes desse protesto. Para Mottahedeh e para Haideh Daragahi, participante e então professora de literatura na Universidade de Teerã, que ajudou a organizar uma das comemorações, havia uma celebração planejada, com oradoras internacionais convidadas ("pela primeira vez na história iraniana", nas palavras de Daragahi43), que se transformou em protesto. Já a antropóloga Homa Hoodfar, também testemunha do período, descreve um protesto espontâneo que "coincidentemente" caiu no dia 8, "um dia não costumeiramente marcado ou notado no Irã"44. Registramos as duas versões, com autoria, sem escolher uma.

A escritora feminista americana Kate Millett chegou a Teerã em 7 de março de 1979, convidada por ativistas iranianas para discursar no evento. Foi a única oradora internacional convidada que de fato veio, viajando com a jornalista canadense Sophie Keir42. Para Mottahedeh, a celebração do 8 de março era ela mesma "um símbolo de uma revolução que as mulheres haviam lutado e vencido, lado a lado com homens, contra um xá autocrático" (tradução nossa)42. Isso converge com o que os historiadores Janet Afary e Kevin Anderson registram, segundo nossa leitura direta da introdução do artigo deles: o protesto reuniu "mulheres e meninas iranianas urbanas e seus apoiadores homens"27. Mottahedeh também aponta o limite da própria testemunha: Millett não falava persa e era "estranha aos instintos das mulheres iranianas ao seu redor" (tradução nossa)42.

Os números que circulam sobre esse episódio divergem. Nenhuma fonte com autoria identificável sustenta a cifra mais repetida na internet em inglês, "mais de 100 mil". Encontramos essa cifra em duas páginas sem processo editorial acadêmico aparente, e nenhuma delas diz de onde tirou o número; por isso não a usamos4041. Niloufar Nematollahi, autora do artigo e coeditora do projeto de arquivo yearzero1979.org, cita o jornal iraniano da época Ayandegan e dá "15 mil a 20 mil" manifestantes ao todo26. O próprio yearzero1979.org, montado em torno do material filmado em 1979 pelo coletivo feminista francês des femmes, dá números por dia: 3 mil mulheres num estádio coberto em 8 de março, 5 mil ocupando o átrio do Ministério da Justiça em 10 de março e 50 mil na maior marcha de rua, em 12 de março (não em 8 de março)29. Afary e Anderson dão "ao menos 50 mil" como o pico da semana27. A pesquisadora Nahid Siamdoust fala em "dezenas de milhares" ao longo de seis dias28. Para o próprio dia 8, os números também se afastam: 3 mil no estádio coberto, segundo o yearzero1979.org, e "dezenas de milhares" diante do gabinete do primeiro-ministro, segundo a reconstrução da CBC Radio Ideas, tratada logo abaixo; podem ser lugares diferentes do mesmo dia2943. Com base nessas fontes nomeadas, nossa leitura é que o número muda muito conforme o dia e o lugar, de 3 mil a 50 mil. O pico de cerca de 50 mil aparece em duas fontes: Afary e Anderson e o yearzero1979.org. Não são duas linhas de todo independentes, porque o yearzero1979.org é editado pela própria Nematollahi, que no artigo dela dá um total menor. Segundo Nematollahi26 e, de forma independente, a monografia de Mottahedeh42, os protestos duraram seis dias seguidos.

Na manhã de 8 de março, dezenas de milhares de mulheres se reuniram em Teerã diante do gabinete do primeiro-ministro, e outras três mil protestaram em Qom, onde Khomeini morava, segundo a reconstrução da CBC Radio Ideas43. Estavam lá ativistas de direitos das mulheres e profissionais, como enfermeiras e servidoras públicas com medo de perder o emprego. As manifestantes foram atacadas por contramanifestantes com facas, pedras, tijolos e cacos de vidro43. Poucos dias depois, segundo a mesma reconstrução, o aiatolá Mahmud Taleqani retratou as declarações de Khomeini43.

O Fedaiyan-e Khalq formou um cordão de proteção em volta das manifestantes e depois retirou o apoio, com receio de enfraquecer a revolução. É o mesmo padrão que Milani descreve para a coalizão mais ampla: a esquerda contribuindo para a própria derrota2724. A palavra de ordem registrada por Afary e Anderson foi: "No amanhecer da liberdade, não temos liberdade" (tradução nossa)27.

Sobre a cronologia do véu obrigatório depois desses dias, há duas reconstruções que não conseguimos conciliar. Segundo a CBC/Ziaee, o Sindicato Nacional das Mulheres, fundado em 1979, passou a apoiar mulheres ameaçadas de demissão por recusarem o véu; em julho de 1980, centenas de mulheres protestaram de novo, diante do gabinete presidencial, contra uma tentativa de voltar a tornar o véu obrigatório; e em 1981 o véu passou a ser obrigatório para todas as mulheres acima de nove anos43. Segundo Nematollahi e Siamdoust, os protestos de março de 1979 barraram a lei do hijab obrigatório por cerca de três anos. Quando a lei entrou em vigor, por volta de 1982, veio uma violência de gênero crescente: invasões de domicílio, prisões e execuções de organizadoras, exílio forçado. Em 1983, o hijab foi imposto a todas as mulheres a partir da puberdade2628. Registramos as duas cronologias, com autoria, sem escolher uma.

Um fato legal, que pode ser verificado, pesa mais do que qualquer contagem de manifestantes. Depois do referendo de março, ao declarar formalmente o Irã uma república islâmica em 1º de abril de 1979, Khomeini anulou a Lei de Proteção à Família (1967, emendada em 1975), que garantia direitos às mulheres no casamento. A informação é da historiadora Janet Afary, que também registra que os komitehs patrulhavam as ruas impondo códigos islâmicos de roupa e comportamento e aplicando justiça sumária15. Três dias depois do protesto de 8 de março, carregar um documento já era arriscado. O Ettela'at de 13 de março de 1979 relatou que, num incidente de 11 de março, uma pessoa pega com uma declaração publicada pelo Comitê pelos Direitos das Mulheres ouviu de membros de um komiteh local que aquilo era "perigoso"25.

Na manhã de 18 de março de 1979, dez dias depois do começo dos protestos, o governo provisório mandou expulsar Kate Millett. Ela foi deportada no dia seguinte, sem acusações registradas, segundo Mottahedeh42. É o mesmo governo que, segundo Amir-Entezam, não sabia nem quantos prisioneiros havia na prisão de Qasr (ver a seção sobre o poder duplo).

O referendo de 30 e 31 de março: o que estava na cédula e o que não estava

Câmera fotográfica vintage cercada por fotografias em preto e branco Photo by Wolfgang Vrede

O referendo de 30 e 31 de março de 1979 aprovou por esmagadora maioria a criação de uma República Islâmica. A Frente Nacional Democrática e a facção Minoria do Fedaiyan-e Khalq boicotaram a votação3. A Al Jazeera, que usamos com a ressalva de ser mídia estatal do Catar, registrou que "os iranianos permaneciam divididos sobre o que queriam para o futuro" e que o resultado era, mesmo naquela altura, "longe de ser conclusão inevitável". A formulação é da reportagem, não nossa3.

Sobre o que estava escrito na cédula, temos duas descrições que não conseguimos conciliar. Hamid Algar, na Encyclopaedia Iranica, escreve que foi "um voto simples de sim ou não, embora um espaço tenha sido reservado na cédula para sugerir uma alternativa", como "República Islâmica Democrática" ou mesmo monarquia. Segundo ele, Khomeini, antes da votação, equiparou em público essa alternativa à monarquia. Algar atribui essa mensagem às obras reunidas de Khomeini (Sahifa-ye Emam, vol. VI, que remetem a Davani, vol. X, pp. 300-301; a referência completa está na nota da fonte 39; não lemos esses textos)39. Três outras fontes descrevem uma cédula de duas metades destacáveis: "sim" (ari) impresso em verde e "não" (na) em vermelho, que o eleitor destacava e depositava. São um jornal da diáspora monarquista, uma agência ligada ao establishment clerical de Qom e, de forma independente das duas, The Economist, numa reportagem de 7 de abril de 1979, uma semana depois do referendo. Nenhuma das três menciona espaço para escrever uma alternativa323331. As duas descrições não são necessariamente incompatíveis, mas nenhuma fonte que consultamos afirma as duas coisas juntas, e não temos a imagem da cédula. Registramos as duas versões, com autoria, sem escolher uma. O fato central vale para as duas: Khomeini havia desqualificado em público, antes da votação, a alternativa a "sim" ou "não". E, segundo The Economist (só essa fonte registra este detalhe; procuramos outras e não achamos), a escolha era feita "à vista dos mulás e outros guardiões da revolução que operavam as seções eleitorais"31. O aiatolá Shariatmadari objetou, segundo o Boroumand Center, que o referendo "limitava os eleitores a aprovar ou rejeitar a República Islâmica", "uma forma de governo ainda não definida"36. É essa a leitura que sustentamos como central: o problema não estava só na redação literal da cédula, e sim na escolha binária sobre um termo que ninguém definia.

Sobre o percentual de aprovação, há duas cifras oficiais, de dois momentos diferentes, e não escolhemos uma delas como "a" oficial. Em 4 de abril de 1979, Ahmad Nurbakhsh, chefe do comitê central do referendo no Ministério do Interior, anunciou 99,31% de aprovação (20.147.055 votos "sim" de 20.288.021 participantes), segundo um portal iraniano de linha reformista que consultamos34. O preâmbulo da Constituição de 1979 registra 98,2%, cifra que a Encyclopaedia Iranica também reproduz, com a data do referendo convertida do calendário iraniano (10-11 Farvardin de 1358)23. A mesma cifra volta décadas depois numa agência ligada ao establishment clerical, atribuída de forma vaga a "centros de documentação da Revolução Islâmica". Os números absolutos dessa agência (20.054.834 "sim" de 20.422.438 votantes) batem com 98,2%, mas não com os números absolutos da fonte reformista. São duas contagens diferentes, e não a mesma contagem arredondada de dois jeitos33. A mudança entre as duas cifras oficiais já diz algo sobre como o Estado conta a própria fundação.

Há ainda uma armadilha de conta a evitar. O Boroumand Center registra que Lahuti relatou cerca de 40% de comparecimento na eleição da Assembleia de Especialistas, em agosto, "uma queda acentuada em relação às estatísticas oficiais de 98% de participação no referendo de março anterior"36. Esses 98% são de comparecimento, e não os 98,2% de aprovação do preâmbulo da Constituição. São grandezas diferentes que por acaso têm praticamente o mesmo número, e não devem ser somadas nem trocadas. Para o comparecimento na eleição de agosto há uma segunda cifra, que tratamos ao lado desta na próxima seção, sem escolher uma.

A Assembleia de Especialistas: a constituinte prometida virou outra coisa

Carro clássico dos anos 1970 em Teerã, no Irã, foto de longa exposição Photo by Ahmad jafari

A promessa de 5 de fevereiro, uma assembleia constituinte eleita para redigir a nova constituição, não se cumpriu como prometido, e o processo que tomou o lugar dela está documentado com nome de autor. Na primavera de 1979, o gabinete de Bazargan e o Conselho da Revolução prepararam um anteprojeto de constituição parecido em vários pontos com o texto de 1907. Ele previa um Conselho de Guardiões de cinco mojtaheds (juristas habilitados à interpretação jurídica independente), eleitos pelo Majles (o parlamento iraniano) a partir de lista fornecida pelas fontes de emulação, e seis juristas não clericais23. Segundo o historiador Said Amir Arjomand, "Khomeini estava, segundo relatos, preparado, em junho de 1979, a aceitar esse anteprojeto com apenas alterações mínimas". Khomeini chegou a propor pular a assembleia constituinte prometida e submeter o anteprojeto direto a referendo23. Foram os modernistas Bazargan e Bani-Sadr, que só em janeiro de 1980 seria eleito presidente, que insistiram em que uma assembleia eleita aprovasse o texto antes, e ficou decidido eleger essa assembleia em 3 de agosto. A leitura é de Arjomand, não nossa: foram os liberais que exigiram a assembleia eleita, e foi essa mesma assembleia que enterrou o anteprojeto deles23.

Os debates públicos sobre o anteprojeto alarmaram Khomeini, que passou a insistir que só clérigos revisassem o texto "de uma perspectiva islâmica"23. Beheshti propôs, no lugar da constituinte prometida, uma "assembleia de peritos", ideia inspirada em Mohammad-Baqer al-Sadr, e convenceu Khomeini a aceitá-la. Khomeini levou Montazeri a se candidatar, e ele virou o primeiro presidente da Assembleia, com Beheshti como vice-presidente23. A eleição foi em 3 e 4 de agosto de 1979: 73 assentos, 55 ocupados por mojtaheds, comparecimento de 51,71% (10.784.932 de 20.857.391 eleitores aptos) e 428 candidatos registrados, segundo o Iran Data Portal6. O Boroumand Center confirma, de forma independente, a descrição da assembleia ("no lugar da constituinte maior e mais representativa")36, mas não o número. O mesmo relatório atribui a Lahuti outra cifra para a mesma eleição, cerca de 40% de comparecimento, já citada na seção anterior36. Não escolhemos entre as duas. A do Iran Data Portal é estatística eleitoral compilada, com números absolutos; a de Lahuti é uma declaração política feita numa entrevista de dezembro de 1979. Registramos as duas lado a lado, como fizemos com os 99,31% e os 98,2% do referendo.

Na quadragésima sessão, em 9 de outubro de 1979, Montazeri definiu o objetivo maior da constituição: eliminar a dualidade tradicional entre autoridade política e religiosa23. Em 7 de novembro, a Assembleia rejeitou um artigo que exigia que o líder e os membros do conselho de liderança fossem cidadãos iranianos residentes no Irã23. Os trabalhos terminaram em meados de novembro, e o texto foi ratificado em referendo em 2 e 3 de dezembro de 197923. Arjomand resume essa sequência numa frase: "a Assembleia de Especialistas havia alterado o anteprojeto submetido pelo governo Bazargan além do reconhecível" (tradução nossa)23. A constituinte eleita prometida em 5 de fevereiro nunca existiu. No lugar dela veio uma assembleia dominada pelo clero, eleita para redigir um texto que consagrou a autoridade de um só jurista.

Tabriz, dezembro de 1979: a última oposição de massa veio do próprio clero

O episódio mais esquecido de todo o processo aconteceu em dezembro de 1979 e partiu do próprio clero xiita, não da esquerda nem dos liberais. O PRM, formado com a bênção de Shariatmadari para combater o partido único, convocou greve geral em Tabriz para 6 de dezembro de 197936. Naquela noite, o governador, o procurador dos tribunais revolucionários e o representante local de Khomeini tinham sumido de seus gabinetes, substituídos por comitês pró-Shariatmadari. As forças regulares se recolheram aos quartéis, e houve manifestações de apoio a Shariatmadari vindas do Exército, da Gendarmaria, da Polícia e da Força Aérea em Tabriz. As bases aéreas de Tabriz e Orumieh, onde pilotos já tinham desobedecido ordens de ajudar a esmagar a revolta no Curdistão, recusaram pouso a um avião que se acreditava levar tropas do governo36. Hassan Shariatmadari, filho do aiatolá, conta que numa reunião entre os dois Khomeini teria ameaçado bombardear Tabriz, "como havia feito para esmagar a agitação no Curdistão semanas antes". Quem conta é o filho, e registramos isso como atribuição em dois níveis, não como fato estabelecido36.

O Tudeh condenou a revolta de Tabriz como uma trama imperialista para enfraquecer o movimento anti-imperialista em favor dos interesses americanos. Era o mesmo Tudeh que havia apoiado a candidatura de Sadegh Khalkhali à Assembleia de Especialistas, elogiando sua "coragem sem paralelo"36. É o mesmo Khalkhali que, segundo a Anistia, ordenou execuções sumárias no Curdistão em agosto de 1979 e que havia condenado Hoveyda à morte em abril. O partido comunista elogiou o homem que mandava fuzilar. A mesma fonte mostra também o contrário: a seção local dos Fedaiyan em Tabriz apoiou no início o movimento de Shariatmadari. Não havia "a esquerda" como bloco único, e não tratamos nenhuma das partes como heroína; eram organizações com nome e conduta próprios36.

Sob pressão de Khomeini, que chamava o PRM de invenção estrangeira, e de clérigos de Qom, Shariatmadari declarou em 6 de janeiro de 1980 que, se o partido continuasse a operar, "não seria de modo algum aprovado por mim"36. Depois foi isolado, posto em prisão domiciliar e teve seu estabelecimento religioso confiscado, sob acusações sem julgamento. Morreu em 1986, ainda em prisão domiciliar36. Segundo o Boroumand Center, o texto do referendo constitucional de 2 e 3 de dezembro foi "às pressas redigido" e "às pressas posto em votação", enquanto todo o espectro político pedia prazo para debate e a maioria dos partidos seculares chamava ao boicote. Shariatmadari boicotou, opondo-se abertamente à wilayat al-faqih e ao poder de veto do Conselho de Guardiões sobre o parlamento36. As autoridades alegaram 75% de comparecimento, a mesma cifra registrada pelo Brookings1. O correspondente do Le Monde relatou ruas vazias em Teerã e filas curtas em duas mesquitas de bairros pobres do sul da cidade, onde se esperava comparecimento alto; no Baluchistão, o governador considerou "um sucesso" um comparecimento de 5%36. No trimestre seguinte a 2 de agosto de 1979, as execuções registradas no próprio banco de dados do Boroumand subiram 45%: de 244 (3 de maio a 2 de agosto) para 354 (2 de agosto a 2 de novembro)36.

A crise dos reféns e a queda do governo provisório

Em 3 de novembro de 1979, o assessor de Segurança Nacional americano Zbigniew Brzezinski se reuniu em público com Bazargan e com o chanceler Ebrahim Yazdi em Argel, durante as comemorações do 25º aniversário da revolução argelina. O encontro, sugerido por Bruce Laingen, encarregado de negócios americano em Teerã, foi televisionado e virou manchete no mundo todo12. Segundo o National Security Archive, o encontro alimentou entre os estudantes que ocupariam a embaixada o medo de uma operação de mudança de regime nos moldes de 1953, medo que o próprio documento chama de "grosseiramente exagerado"12. Em 4 de novembro, estudantes que se diziam "Seguidores da Linha do Imã" tomaram a embaixada americana em Teerã e fizeram reféns: 66 pessoas, segundo Janet Afary1215. (Um verbete da Encyclopaedia Iranica sobre os Fedaiyan dá 3 de novembro para a tomada. Usamos 4 de novembro, confirmado de forma independente pelo National Security Archive e por Milani, e citamos aquele verbete só pelo que ele documenta sobre a adesão política do Fedaiyan, não pela data35.)

A facção Maioria do Fedaiyan-e Khalq apresentou a tomada da embaixada como sinal do caráter anti-imperialista de Khomeini e se aproximou da posição do Tudeh35. Numa entrevista de novembro de 1979, publicada primeiro no jornal ateniense Elevtherotipia e traduzida pelo MERIP em março de 1980, Kianouri, do Tudeh, defendeu a tomada como "ação anti-imperialista" e disse buscar "uma frente de cooperação entre todas as forças anti-imperialistas", incluindo a liderança do "campo muçulmano" sob Khomeini. Mas admitiu que nunca teve contato pessoal direto com o próprio Khomeini, só com assessores8. Bazargan condenou a tomada como violação do direito internacional. Dois dias depois do início da crise, em 6 de novembro, renunciou, atribuindo a renúncia às "intervenções das instituições revolucionárias". Isso, escreve Milani, "no vernáculo tortuoso da época era referência inequívoca ao aiatolá Khomeini"24. Com a renúncia, o Irã "virtualmente não tinha governo visível" e era conduzido pelo Conselho da Revolução e pelas instituições revolucionárias24. "Khomeini e a coalizão de seus seguidores conservadores e de esquerda", escreve Milani, "minaram metodicamente Bazargan"; depois de forçá-lo a renunciar, voltaram-se para Bani-Sadr24. Membros da Frente Nacional secular e do Movimento pela Liberdade, que juntos tinham dominado o governo provisório, foram proibidos de ocupar cargos públicos e de disputar eleições24.

Em 14 de novembro, os Estados Unidos congelaram ativos do governo iraniano e do Banco Central. Em 19 e 20 de novembro, o Irã soltou por decisão própria 13 reféns, mulheres e afro-americanos1. A ruptura internacional do novo Estado, porém, veio logo no início, não depois. Uma semana depois do fim do governo Bakhtiar, meses antes da crise dos reféns, Yasser Arafat chegou a Teerã sem aviso e foi recebido com um abraço por Khomeini; foi o primeiro dignitário estrangeiro a visitar o país depois da revolução. As relações com Israel foram rompidas na hora, e o prédio da missão israelense foi entregue à OLP39. Em 9 de agosto de 1979, Khomeini recomendou que a última sexta-feira do Ramadã fosse observada como Dia de Jerusalém (Ruz-e Qods), em protesto contra Israel39. O tema é mais amplo e pede um artigo próprio sobre a política externa iraniana.

A eliminação, um a um

Em 25 de janeiro de 1980, Bani-Sadr foi eleito o primeiro presidente da República Islâmica1. Em janeiro de 1980, o PRM foi formalmente banido; não conseguimos confirmar esse detalhe em fonte lida diretamente. Em 22 de setembro de 1980, o Iraque invadiu o Irã e começou a guerra de oito anos1. Em 21 de junho de 1981, depois de semanas de articulação, o Majles votou o impeachment de Bani-Sadr. Ele fugiu para a França e fundou, com Massoud Rajavi, do Mojahedin-e Khalq, o Conselho Nacional de Resistência do Irã; também não confirmamos esse detalhe em fonte lida diretamente. Em 28 de junho de 1981, uma bomba na sede do Partido Republicano Islâmico, em Teerã, matou pelo menos 70 dirigentes, entre eles Beheshti. A autoria foi atribuída ao Mojahedin-e Khalq4. O PRI sobreviveu ao atentado. A Constituição que a Assembleia de Especialistas de 1979, com Beheshti na vice-presidência, tinha redigido estava em vigor desde dezembro daquele ano23.

A repressão de junho de 1981 a março de 1982 é a mais bem documentada e a que menos cabe num único número. A Anistia Internacional, em relatório de 13 de dezembro de 1981, registra "mais de 3.200" execuções desde a revolução. O próprio documento diz que a cifra é um piso, não uma estimativa central: "baseada em relatos que se tornaram conhecidos fora do Irã, deve ser considerada um mínimo. Fontes da oposição dizem que o total é muito maior"10. O mesmo relatório faz uma comparação: "em 1980, houve 1.229 execuções conhecidas em 29 países ao redor do mundo; 709 delas foram no Irã"10. Nos três meses e meio a partir de 20 de junho de 1981, ocorreram no Irã "mais de 1.600 execuções conhecidas", e num único fim de semana, de 18 a 20 de setembro de 1981, "mais de 300 pessoas foram sabidamente executadas"10. Eric Hooglund, num artigo do MERIP de 1984 que lemos diretamente, estima "cerca de 7 mil" mortos durante a revolta armada do Mojahedin em 1981-19824. Mansour Farhang, numa resenha de 1990 do livro de Ervand Abrahamian sobre o grupo, atribui ao autor a cifra de "12.250" dissidentes políticos executados em quatro anos, três quartos deles do Mojahedin ou simpatizantes. Não lemos o livro de Abrahamian, só a resenha que o cita11. Nenhuma dessas quatro cifras é "a" cifra. São recortes diferentes (execuções totais, execuções durante a revolta armada, execuções atribuídas na maior parte ao Mojahedin) de períodos que se sobrepõem em parte, e por isso as apresentamos como um mapa, não como um número só.

Segundo a Anistia, os executados não eram só opositores políticos e integrantes de minorias étnicas ou religiosas, entre elas bahá'ís. Havia também condenados por crimes comuns, como tráfico de drogas e roubo, e por delitos sexuais, como adultério e prostituição: várias centenas de condenados por drogas em 1980 e mais de 200 em 198110. Um caso com data: em 20 de setembro de 1981, segundo anúncio da rádio de Teerã, duas pessoas "com a intenção de manifestar-se nas ruas de Teerã" foram presas às 16h, levadas a Evin, condenadas à morte às 20h e executadas10. O procurador-geral revolucionário, Musavi Tabrizi, disse em entrevista à rádio de Teerã em 18 de setembro de 1981 que membros capturados de grupos de oposição violenta não seriam mantidos presos nem alimentados por meses "desperdiçando os fundos do tesouro": seriam julgados na rua10.

O Tudeh foi destruído em etapas. Em fevereiro de 1983, Kianouri e "mais de duas dezenas" de outros dirigentes foram presos; em maio, confessaram publicamente na televisão que eram espiões soviéticos. Mais de 1.000 outros membros foram presos, e o partido foi dissolvido. Um julgamento em massa de 101 dirigentes aconteceu entre dezembro de 1983 e janeiro de 198494. O Fedaiyan-e Khalq estava dividido desde 1979 entre a facção Maioria, que "emprestou seu apoio incondicional ao Estado", e a Minoria, que rompeu formalmente em maio de 1981 depois de ser impedida de publicar suas posições no jornal Kar. A Minoria foi atingida pela repressão de junho de 1981: perdeu "centenas de apoiadores" e foi empurrada para a região da rebelião curda35. As prisões e confissões do Tudeh em fevereiro de 1983 "desiludiram a Maioria quanto à própria política ingênua, mas já era tarde". As ondas de prisão seguintes atingiram as facções que restavam do Fedaiyan. A maioria dos líderes deixou o país até a primavera de 1983, e os da facção Maioria pediram asilo na URSS e foram instalados em Tashkent35. O Mojahedin-e Khalq, segundo a resenha de Farhang, foi responsável, entre 1981 e meados de 1983, por quase 200 assassinatos de dirigentes da República Islâmica e mais de 500 mortes de guardas revolucionários. Por volta de meados de 1983, perdeu "capacidade de cometer atos violentos", sob a repressão à qual a mesma fonte, citando o livro de Abrahamian, atribui as 12.250 execuções políticas já mencionadas11.

O testemunho de Halliday, de agosto de 1979, mostra a coalizão já se desfazendo por dentro meses antes de qualquer uma dessas datas. Em Rasht, um cartaz mostrava a revolução islâmica esmagando "seus dois inimigos: a bandeira dos Estados Unidos e a foice e o martelo". Era o novo poder se definindo contra os dois, num momento em que a esquerda ainda se via como aliada37. Nas mesmas ruas circulava uma palavra de ordem da esquerda contra o governo provisório, "morte a Bazargan", o que confirma por testemunho o que Milani descreve como o ataque da esquerda ao reformismo de Bazargan3724. Em Siahkal, onde começou em 1971 a luta armada dos Fedaiyan, Halliday escreveu que "quase não há sinal de Khomeini": as únicas faixas na rua eram do Mojahedin e do Fedaiyan37. Em Lahijan, os dois grupos tinham escritórios grandes na rua principal, e o hospital local tinha sido rebatizado com o nome de Mossadegh37. Halliday também registrou o dia a dia sob o novo poder. A Guarda Islâmica apontou armas para uma mulher de biquíni numa piscina e, quando ela se recusou a sair, esvaziou a piscina. Um dono de café mandava viajantes estacionarem meio quilômetro adiante e comerem atrás de uma cortina para escapar da Guarda, "não importa que o Alcorão permita que viajantes comam durante o Ramadã". A observação de que a imposição ia além da própria norma religiosa é do próprio Halliday37. O general Nasseri, chefe da SAVAK de 1965 a 1978, foi executado em fevereiro de 197937.

A historiadora Janet Afary, na Encyclopaedia Britannica, resume o mecanismo central de toda essa eliminação: "através da tomada da embaixada, os apoiadores de Khomeini puderam reivindicar ser tão 'anti-imperialistas' quanto a esquerda política. Isso lhes deu, em última instância, a capacidade de suprimir a maioria dos opositores de esquerda e moderados do regime" (tradução nossa)15. Milani e o verbete de Vahabzadeh chegam a algo parecido por caminhos independentes: a esquerda ajudando, com seus próprios atos, a fortalecer quem a eliminaria depois. Mas cada fonte diz o que diz, e não juntamos as três numa afirmação sem autor. É tese de Afary, corroborada, não um fato estabelecido por nós2435. Afary também escreve que "a violência e a brutalidade frequentemente excederam as que haviam ocorrido sob o xá". De novo, é tese da autora, não constatação nossa15. Segundo a mesma fonte, Bazargan e Bani-Sadr foram "progressivamente afastados do poder" por conservadores que questionavam seu zelo revolucionário15.

Como os historiadores explicam o desfecho

Por que a corrente clerical venceu as outras forças da coalizão? Reunimos leituras com autor nomeado. Nenhuma delas sustenta, com essas palavras e atribuição própria, nem "a revolução foi sequestrada" nem "a vitória clerical era inevitável". Nossa regra continua valendo: mostramos os fatos, e quem conclui é o leitor.

A historiadora Naghmeh Sohrabi, da Brandeis University, num artigo de 2021 que lemos na íntegra, examina como uma série de textos escritos durante o processo revolucionário, e não depois, moldou uma narrativa acadêmica que, segundo ela, "permanece em circulação até hoje"38. Para o verão de 1979, ela descreve um país "ainda nos estertores de um levante revolucionário de múltiplos fios e múltiplas vozes, que só lentamente começava a se desagregar no que se tornaria uma luta de poder sangrenta" (tradução nossa)38. Sohrabi analisa o próprio Halliday, cuja contribuição, escreve ela, "demonstra os limites de uma erudição de inflexão ideológica": ele lia o movimento como quase marxista e reduzia a "forças pró-Khomeini" uma identidade islâmica que só reconheceria mais tarde38. Por isso usamos Halliday pelo que ele viu, e Sohrabi pelo que ele não conseguia ver. Não descartamos a fonte por causa da crítica, e não a citamos como se o enquadramento dela fosse neutro3738. Sohrabi também resume, de segunda mão, a tese clássica de Ervand Abrahamian em "Structural Causes of the Iranian Revolution" (MERIP, maio de 1980)38: a revolução se explicaria por uma contradição entre o desenvolvimento socioeconômico do país e o atraso de suas instituições políticas. É Abrahamian na síntese de Sohrabi38.

O sociólogo Charles Kurzman, numa obra que não lemos diretamente (só a conhecemos por síntese de resenhas e descrições), examina cinco explicações concorrentes para o sucesso da revolução. Considera cada uma valiosa, mas falha, e propõe uma leitura que ressalta o caráter confuso, instável e imprevisível do momento. Contesta de propósito qualquer explicação que faça o desfecho clerical parecer inevitável em retrospecto19. É a mesma tese antideterminista de Sohrabi, por outro caminho. Sohrabi nós lemos diretamente; Kurzman, não.

Said Amir Arjomand, em The Turban for the Crown (1988), obra que não lemos diretamente (e que é distinta do verbete da Encyclopaedia Iranica do mesmo autor, usado muitas vezes neste artigo), divide em fases o período de fevereiro de 1979 a dezembro de 1982. Segundo síntese que consultamos, essa divisão já fala em tomada clerical do poder em novembro de 1979, fim do poder duplo e eliminação da oposição. É uma leitura que trata a vitória clerical como processo político deliberado e feito em etapas, não automático21. Misagh Parsa, em Social Origins of the Iranian Revolution (1989), também não lido diretamente, dá uma explicação estrutural. Segundo a síntese que consultamos, o poder foi para o clero, e não para uma intelligentsia, porque a mesquita funcionou como espaço seguro de mobilização coletiva, e outros grupos não tinham estrutura equivalente20. Ervand Abrahamian escreve que Bazargan e seus apoiadores, na disputa pela Constituição de 1979, imaginavam uma república "islâmica no nome, mas democrática no conteúdo". A formulação apoia o que argumentamos aqui, que o desfecho não estava dado46. Val Moghadam, num artigo de 1987 na New Left Review que lemos em parte, atribui a derrota da esquerda iraniana a dois erros específicos: "negligência da questão da democracia" e "subestimação do poder do clero islâmico", que culminaram na "derrota retumbante" da "mini-guerra civil de 1981-1983"22.

O que não apuramos

Não encontramos nesta apuração nenhuma ligação brasileira documentável para o período de fevereiro a dezembro de 1979: nem reação diplomática do Itamaraty, nem cobertura de imprensa brasileira da época, nem posição do governo Figueiredo, que tomou posse em 15 de março de 1979. A tese de doutorado de Andrew Patrick Traumann sobre relações Brasil-Irã (1979-1985), na Universidade Federal do Paraná, continuou inacessível, com o mesmo timeout de servidor já registrado no artigo anterior desta série. O único material acadêmico brasileiro que encontramos e lemos diretamente é de relações internacionais, não de história diplomática bilateral; além dele, há uma matéria da CNN Brasil sem ângulo Brasil próprio1413. Também não encontramos, sobre árabes do Cuzistão ou turcomanos do Gorgan em 1979, material equivalente ao que reunimos sobre os curdos. A redação exata da cédula do referendo de março continua sem fonte que a reproduza a partir de documento primário. O mais perto disso são as duas descrições, não conciliadas, tratadas acima.

Leia antes

Leia depois

  • Wilayat al-faqih: a doutrina que sustenta a República Islâmica, e a disputa que ela nunca venceu — a doutrina que mostramos aqui operando desde 5 de fevereiro de 1979, sem repetir a disputa jurídica de mil anos por trás dela.
  • A estrutura de poder da República Islâmica (Líder Supremo, Conselho de Guardiões, Assembleia de Peritos, Majles, Judiciário, Guarda Revolucionária) — ainda não publicado nesta série.
  • Mulheres no Irã pós-1979 (ainda não publicado nesta série).
  • Minorias religiosas no Irã (ainda não publicado nesta série).

Fontes

  1. Brookings Institution, "The Iranian Revolution: A Timeline of Events." https://www.brookings.edu/articles/the-iranian-revolution-a-timeline-of-events/ (abre em nova aba) · 🟢 · página institucional sem autoria individual creditada.

    ↩
  2. Gross, Samantha. "What Iran's 1979 revolution meant for US and global oil markets." Brookings Institution, 5 de março de 2019. https://www.brookings.edu/articles/what-irans-1979-revolution-meant-for-us-and-global-oil-markets/ (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  3. "Iran's referendum and the transformation to the Islamic Republic." Al Jazeera, 30 de março de 2019. https://www.aljazeera.com/features/2019/3/30/irans-referendum-and-the-transformation-to-the-islamic-republic (abre em nova aba) · 🟡 · mídia estatal do Catar; usado com atribuição do viés.

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  4. Hooglund, Eric. "The Gulf War and the Islamic Republic." MERIP Reports, 7 de julho de 1984. https://www.merip.org/1984/07/the-gulf-war-and-the-islamic-republic/ (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  5. Yavari, Neguin (atualizado por Eric Hooglund). "Freedom Movement (Nezhat-e Azadi Iran)." Encyclopedia of the Modern Middle East and North Africa, via Encyclopedia.com. https://www.encyclopedia.com/humanities/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/freedom-movement-nezhat-e-azadi-iran (abre em nova aba) · 🟢

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  6. "The 1979 Assembly of Experts for the Drafting of the Constitution Election." Iran Data Portal, Moynihan Institute of Global Affairs, Syracuse University. https://irandataportal.syr.edu/the-1979-assembly-of-experts-for-the-drafting-of-the-constitution-election/ (abre em nova aba) · 🟢

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  7. "Haunted Memories: The Islamic Republic's Executions of Kurds in 1979." Iran Human Rights Documentation Center. https://iranhrdc.org/haunted-memories-the-islamic-republics-executions-of-kurds-in-1979/ (abre em nova aba) · 🟢 · ONG de documentação de direitos humanos com sede nos EUA, metodologia baseada em reportagens de época e relatos de familiares.

    ↩
  8. "Interview with Tudeh's Kianuri." MERIP Reports, 10 de março de 1980 (entrevista original publicada em Elevtherotipia, Atenas, 27-28 de novembro de 1979). https://www.merip.org/1980/03/interview-with-tudehs-kianuri/ (abre em nova aba) · 🟢

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  9. "Iranian crackdown deals communist party a heavy blow." The Christian Science Monitor, 22 de julho de 1983. https://www.csmonitor.com/1983/0722/072246.html (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  10. Anistia Internacional. Documento AI Index MDE 13/12/81, 13 de dezembro de 1981, sobre a onda de execuções a partir de junho de 1981. https://www.iranrights.org/library/document/144 (abre em nova aba) · 🟢 · lido na íntegra; o mesmo texto circula também catalogado no Abdorrahman Boroumand Center — é a mesma fonte, não duas, e citamos como tal.

    ↩
  11. Farhang, Mansour. Resenha de Ervand Abrahamian, Radical Islam: The Iranian Mojahedin. MERIP Reports, 8 de março de 1990. https://www.merip.org/1990/03/abrahamian-radical-islam-the-iranian-mojahedin/ (abre em nova aba) · 🟢 quanto à resenha, lida diretamente · 🔍 quanto às cifras atribuídas ao livro de Abrahamian, que não lemos diretamente.

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  12. National Security Archive. "1979 Iran Hostage Crisis Recalled." 4 de novembro de 2019. https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/iran/2019-11-04/1979-iran-hostage-crisis-recalled (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  13. "Como foi a Revolução de 1979 que instituiu regime dos aiatolás no Irã." CNN Brasil, 18 de junho de 2025, atualizado em 13 de janeiro de 2026. https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/como-foi-a-revolucao-de-1979-que-instituiu-regime-dos-aiatolas-no-ira/ (abre em nova aba) · 🟢 · imprensa brasileira mainstream, sem ângulo Brasil próprio.

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  14. Ferreira, Túlio Sérgio Henriques; Galvão, Pamella Noemi Rodrigues. "O Irã do Aiatolá Khomeini: uma batalha antiocidental sob a égide de Deus?" Revista Mescla (Universidade Federal de Ouro Preto). https://periodicos.ufop.br/mescla/article/download/4814/3700 (abre em nova aba) · 🟢 · lido na íntegra; artigo acadêmico brasileiro. A citação de Abrahamian (2008, p.162) é tradução dos próprios autores — segunda mão em relação ao livro original.

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  15. Afary, Janet. "Iranian Revolution — Aftermath." Encyclopaedia Britannica, atualizado em 27 de julho de 2026. https://www.britannica.com/event/Iranian-Revolution/Aftermath (abre em nova aba) · 🟢 · verbete assinado pela historiadora Janet Afary, professora de estudos feministas na UC Santa Barbara, com checagem editorial da Britannica; não se enquadra no veto a enciclopédias coletivas ou geradas por IA.

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  16. Nota de pesquisa — não é fonte nomeada. Reúne, sob uma só marcação, quatro afirmações desta apuração obtidas por síntese de busca, sem autoria acadêmica identificada nem leitura direta de fonte primária: a estratégia do Tudeh sob Kianouri de apoio tático a Khomeini (revista mais adiante à luz da entrevista de Kianouri lida diretamente em 8); o mandato e a saída de Karim Sanjabi do Ministério das Relações Exteriores; a conferência das nacionalidades organizada pela Frente Nacional Democrática em junho de 1979; e o início do levante armado curdo em meados de março de 1979. 🔍

    ↩
  17. Ariav, Hagit; Ferragamo, Mariel. "The Kurds' Long Struggle With Statelessness." Council on Foreign Relations, atualizado em 7 de dezembro de 2022. https://www.cfr.org/articles/kurds-long-struggle-statelessness (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  18. "The Kurdish Massacre of 1979 in Iran: A Call for International Justice and Recognition." Hengaw Organization for Human Rights. https://hengaw.net/en/news/archive/61212 (abre em nova aba) · 🟡 · ONG curda-iraniana; a cifra de "~10 mil mortos" e a fatwa de jihad são atribuídas por ela a um relatório da Anistia Internacional de 2008 que não lemos diretamente — citação de segunda mão dentro de fonte já classificada com ressalva.

    ↩
  19. Kurzman, Charles. The Unthinkable Revolution in Iran. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2004. Conteúdo obtido por síntese de busca sobre resenhas e descrições do livro, não por leitura direta · 🔍

    ↩
  20. Parsa, Misagh. Social Origins of the Iranian Revolution. New Brunswick, NJ: Rutgers University Press, 1989. Conteúdo obtido por síntese de busca · 🔍

    ↩
  21. Arjomand, Said Amir. The Turban for the Crown: The Islamic Revolution in Iran. Nova York: Oxford University Press, 1988. Sumário e descrição de capítulos obtidos por síntese de busca, não por leitura direta · 🔍 · não confundir com o artigo do mesmo autor na Encyclopaedia Iranica, citado por leitura direta em 23.

    ↩
  22. Moghadam, Val. "Socialism or Anti-Imperialism? The Left and Revolution in Iran." New Left Review I/166, novembro-dezembro de 1987. https://newleftreview.org/issues/i166/articles/val-moghadam-socialism-or-anti-imperialism-the-left-and-revolution-in-iran.pdf (abre em nova aba) · 🟢 · lido parcialmente; o trecho usado vem da introdução do artigo.

    ↩
  23. Arjomand, Said Amir. "Constitution of the Islamic Republic." Encyclopaedia Iranica, vol. VI, fasc. 2, pp. 150-158, publicado em 15 de dezembro de 1992, atualizado em 30 de junho de 2016. https://iranicaonline.org/articles/constitution-of-the-islamic-republic (abre em nova aba) · 🟢 · lido na íntegra; fonte central para a sequência do anteprojeto constitucional, a Assembleia de Especialistas e o percentual de 98,2%.

    ↩
  24. Milani, Mohsen M. "Hostage Crisis." Encyclopaedia Iranica, vol. XII, fasc. 5, pp. 522-535, publicado em 15 de dezembro de 2004, atualizado em 11 de junho de 2013. https://iranicaonline.org/articles/hostage-crisis (abre em nova aba) · 🟢 · lido na íntegra; autor é professor de política na University of South Florida.

    ↩
  25. Anistia Internacional. Law and Human Rights in the Islamic Republic of Iran. AI Index MDE 13/03/80, fevereiro de 1980. https://www.amnesty.org/en/wp-content/uploads/2021/06/mde130031980en.pdf (abre em nova aba) · 🟢 · PDF lido na íntegra, com missão em Teerã de 12 de abril a 1º de maio de 1979, cobrindo o período até 14 de setembro de 1979 e 899 casos julgados por tribunais revolucionários; citações literais conferidas contra o PDF (o indiciamento de Hoveyda, incluindo a fala do promotor; o depoimento de Amir-Entezam; a frase da Anistia sobre o limite do que apurou no Curdistão; o incidente de 11 de março); o restante do relatório, em paráfrase.

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  26. Nematollahi, Niloufar. "Those Who Tell You What to Wear Today Will Tell You What to Think Tomorrow: Revisiting International Women's Day 1979 in Iran." e-flux Notes, 6 de março de 2026. https://www.e-flux.com/notes/6783463/those-who-tell-you-what-to-wear-today-will-tell-you-what-to-think-tomorrow-revisiting-international-women-s-day-1979-in-iran (abre em nova aba) · 🟢

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  27. Afary, Janet; Anderson, Kevin B. "Woman, Life, Freedom: The Origins of the Uprising in Iran." Dissent Magazine, inverno de 2023. Trecho de abertura lido via https://www.dissentmagazine.org/online_articles/women-life-freedom-iran-uprising-origins/ (abre em nova aba) · 🟢 quanto ao trecho lido (a introdução, com www.) · texto integral não acessado.

    ↩
  28. Siamdoust, Nahid. "Woman, Life, Liberty: A Slogan One Hundred Years in the Making." New Lines Magazine, 4 de outubro de 2022. https://newlinesmag.com/argument/woman-life-liberty-a-slogan-one-hundred-years-in-the-making/ (abre em nova aba) · 🟢

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  29. yearzero1979.org — projeto de arquivo do material filmado em março de 1979 pelo coletivo feminista francês des femmes (Claudine Mulard, Sylvina Boissonnas, Sylviane Rey, Michelle Muller), iniciado por Katayoon Barzegar, editado por Niloufar Nematollahi e Jose Morales. https://yearzero1979.org/story-of-year-zero/ (abre em nova aba) e https://yearzero1979.org/ (abre em nova aba) · 🟢 · autopublicado pelas próprias cineastas testemunhas; as duas páginas do site divergem entre si sobre a data final do protesto (13 ou 15 de março).

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  30. "Iranian People Vote for an Islamic Republic." The Economist, 7 de abril de 1979, via Encyclopedia.com. https://www.encyclopedia.com/politics/legal-and-political-magazines/iranian-people-vote-islamic-republic (abre em nova aba) · 🟢 · cobertura de época, uma semana após o referendo, sem autoria individual creditada. ⚠️ Fonte única para a escolha feita "à vista dos mulás e outros guardiões da revolução": procuramos outras fontes para essa informação, mas só esta a registra. Ao contrário do resto do texto, ela não foi confirmada por fontes independentes.

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  31. Jalali, Bahman. Artigo sobre o referendo de 1979. Kayhan London, 31 de março de 2016. https://kayhan.london/1395/01/12/39125/ (abre em nova aba) · 🟡 · imprensa da diáspora monarquista/antirregime; usado com atribuição do viés.

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  32. "ناگفته‌هایی از روز جمهوری اسلامی" ("Histórias não contadas do Dia da República Islâmica"). Hawzah News Agency, 2 de março de 2025. https://www.hawzahnews.com/news/1244664/ (abre em nova aba) · 🔴 · agência ligada ao establishment clerical/seminarista da República Islâmica; usada apenas como corroboração cruzada, nunca como fonte isolada de fato contestável.

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  33. "نتایج جالب رفراندوم جمهوری اسلامی در فروردین ۵۸..." Khabaronline, 31 de março de 2024, atribuindo os números a declaração de Ahmad Nurbakhsh (Ministério do Interior) de 4 de abril de 1979. https://www.khabaronline.ir/news/1889707/ (abre em nova aba) · 🟡 · portal privado iraniano de linha reformista, sujeito à censura do Estado.

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  34. Vahabzadeh, Peyman. "FADĀʾIĀN-E ḴALQ." Encyclopaedia Iranica, publicado em 7 de dezembro de 2015, atualizado em 30 de março de 2016. https://iranicaonline.org/articles/fadaian-e-khalq (abre em nova aba) · 🟢 · lido na íntegra; a data de 3 de novembro de 1979 dada por este verbete para a tomada da embaixada diverge de 12 e 24, que dão 4 de novembro — citamos este verbete apenas pela adesão política do Fedaiyan, não pela data.

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  35. Abdorrahman Boroumand Center. "The Clash of the Ayatollahs." 11 de fevereiro de 2022. https://www.iranrights.org/library/document/3906 (abre em nova aba) · 🟡→🟢 · organização fundada pela família de um opositor assassinado, parte interessada; usada porque o relatório é densamente notado contra imprensa contemporânea (Ettelaat, Kayhan, AP, New York Times, Le Monde) e declara sua metodologia. Registra tanto a cifra de comparecimento de Lahuti (~40%, em entrevista de dezembro de 1979) quanto, de forma independente, a descrição da Assembleia de Especialistas corroborada por 6 — não o número desta.

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  36. Halliday, Fred. "Letter from Gilan." MERIP Reports nº 86, 10 de março de 1980, sobre viagem feita durante o Ramadã do verão de 1979. https://www.merip.org/letter-from-gilan/ (abre em nova aba) · 🟢 · lido na íntegra; autor era professor na London School of Economics.

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  37. Sohrabi, Naghmeh. "MERIP's First Decade of Iran Coverage: From Political Challenge to Revolution." MERIP, novembro de 2021. https://merip.org/2021/11/merips-first-decade-of-iran-coverage-from-political-challenge-to-revolution/ (abre em nova aba) · 🟢 · lido na íntegra; autora é professora de história do Oriente Médio e diretora de pesquisa do Crown Center for Middle East Studies, Brandeis University.

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  38. Algar, Hamid. "KHOMEINI i. Life." Encyclopaedia Iranica, 14 de dezembro de 2020. https://iranicaonline.org/articles/khomeini-i (abre em nova aba) · 🟢 · lido na íntegra; tradutor e principal divulgador acadêmico de Khomeini em língua inglesa, verbete simpático ao biografado — usado aqui para cronologia, nomes e citações de fontes primárias que o próprio Algar reproduz, não para juízos de valor dele. Contém um erro de data ("29 de fevereiro de 1979", data inexistente) que não reproduzimos. A mensagem de Khomeini sobre a cédula do referendo é atribuída por Algar às obras reunidas de Khomeini, Ṣaḥifa-ye Emām, vol. VI, que por sua vez remetem a Davāni, vol. X, pp. 300-301 — textos que não lemos diretamente.

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  39. Rare Historical Photos. "Women Protesting Forced Hijab Days After the Iranian Revolution: Photos from 1979." Atualizado em 6 de novembro de 2025. https://rarehistoricalphotos.com/women-protesting-hijab-1979/ (abre em nova aba) · sem classificação em docs/FONTES.md · site de curadoria de fotos, sem processo editorial acadêmico aparente e sem citar fonte para os números que reproduz; usado apenas para explicar por que não adotamos a cifra de "100 mil".

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  40. My Stealthy Freedom. "Women Protesting Forced Hijab (1979)." 25 de abril de 2019. https://www.mystealthyfreedom.org/women-protesting-forced-hijab-1979/ (abre em nova aba) · 🟡 · plataforma de ativismo antirregime, não instituição de pesquisa; mesma função de 40.

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  41. Mottahedeh, Negar. Whisper Tapes: Kate Millett in Iran. Stanford University Press, 2019. Excerto oficial, "Overture". https://www.sup.org/books/middle-east-studies/whisper-tapes/excerpt/overture (abre em nova aba) · 🟢 · lido diretamente; autora é professora na Duke University; citações conferidas contra o HTML da editora, autorizadas entre aspas com atribuição a Mottahedeh. A nota 1 da autora, sobre a fonte do decreto do véu de 1936, não foi lida por esta apuração.

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  42. Ziaee, Donya. "Iran's 1979 women's uprising, and what it teaches us today." CBC Radio Ideas, 5 de outubro de 2022. https://www.cbc.ca/radio/ideas/iran-women-protests-1979-revolution-1.6605982 (abre em nova aba) · 🟢 · lida diretamente; reportagem assinada, emissora pública canadense, construída sobre entrevistas com participantes nomeadas (Haideh Daragahi, Minoo Jalali) feitas para um documentário de março de 2019; atribuída às pessoas nomeadas, não à emissora.

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  43. Hoodfar, Homa. "Iranian women risk arrest — 'Daughters of the Revolution'." Maclean's, 7 de março de 2018. https://www.macleans.ca/news/world/iranian-women-risk-arrest-daughters-of-the-revolution/ (abre em nova aba) · 🟡 · lida diretamente; artigo de opinião de testemunha-especialista (professora emérita de antropologia, Concordia University; presa em Teerã em março de 2016, acusada de "flertar com o feminismo").

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  44. Sajid Rizvi, "A firing squad executed former Iranian Foreign Minister Sadegh Ghotbzadeh…", United Press International, 16 de setembro de 1982. https://www.upi.com/Archives/1982/09/16/A-firing-squad-executed-former-Iranian-Foreign-Minister-Sadegh/9625400996800/ (abre em nova aba) · e A. D. Horne, "Iran Executes Ghotbzadeh, Who Sought to Negotiate on Hostage", The Washington Post, 17 de setembro de 1982. https://www.washingtonpost.com/archive/politics/1982/09/17/iran-executes-ghotbzadeh-who-sought-to-negotiate-on-hostage/71db7860-2c0f-4c10-b489-6e9f8cbe4769/ (abre em nova aba) · 🟢 duas agências/jornais independentes — sustentam o fuzilamento em Teerã na noite de quarta-feira, 15 de setembro de 1982, e a condenação por conspirar para matar Khomeini e derrubar o regime. UPI lida diretamente; Washington Post lido na cópia do web.archive.org (o site recusou a leitura automatizada). Lidas em 23 de setembro de 2026.

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  45. Ervand Abrahamian, A History of Modern Iran, Cambridge University Press, 2008 (ed. revista e atualizada, 2018), cap. 6, "The Islamic Republic", seção "The Islamic Constitution (1979)". https://doi.org/10.1017/9781108182348 (abre em nova aba) · 🟢 obra acadêmica de referência — sustenta que o conflito constitucional opôs Khomeini e seus discípulos, decididos a institucionalizar a velayat-e faqih, a Bazargan e seus apoiadores muçulmanos leigos e liberais, que queriam uma constituição no modelo da Quinta República de De Gaulle e "envisaged a republic that would be Islamic in name but democratic in content" (tradução nossa no corpo). Lida diretamente em 23 de setembro de 2026 no texto integral da edição revista; a busca de texto integral mostra a frase idêntica na primeira edição (p. 162, página que 14 cita).

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