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Verbete

Imã

Imã · imām (إمام), "aquele que está à frente"

No sunismo, imã é quem lidera a oração e a comunidade local: uma função que qualquer adulto qualificado pode exercer, não um sacerdócio — coerente com a ausência, no sunismo, de instituição central ou corpo que imponha um único conjunto de ensinamentos12. No xiismo duodecimano, Imã (maiúscula, padrão da casa) é outra coisa: um título teológico, o do sucessor infalível e divinamente designado de Maomé.

No xiismo duodecimano: a linha dos doze e a ocultação

A doutrina central do xiismo duodecimano é o imamato: a liderança da comunidade cabe exclusivamente aos descendentes de Ali por Fátima, começando por Ali e passando por linha designada até o décimo segundo Imã, Muhammad al-Mahdi, que a doutrina sustenta ter entrado em ocultação (ghayba) no século IX3. A ocultação se divide em duas fases: a menor, do ano 260/874 ao 329/941, com quatro representantes sucessivos do Imã na terra; e a maior, cuja duração, segundo a doutrina, só Deus conhece3.

É essa ausência do Imã que sustenta a doutrina do wilayat al-faqih ("tutela do jurista"), formulada por Khomeini: wilaya é termo técnico do fiqh — a autoridade de dispor sobre os assuntos de outrem —, e a comunidade sem Imã está, nessa leitura, na posição do menor sem tutor; o jurista qualificado ocupa o lugar do tutor4. É doutrina de uma corrente do xiismo duodecimano, não de seu conjunto: segundo o jornalista Mohamad Bazzi, "o modelo de domínio absoluto do clero que prevalece hoje no Irã é apenas uma entre várias doutrinas concorrentes dentro do clero xiita", e "a escola teológica dominante em Najaf rejeita o modelo de Khomeini até hoje"5. Desenvolvemos essa disputa em Wilayat al-faqih: a tutela do jurista.

No ismaelismo: um Imã vivo, ou um Imã oculto por vigário

O ismaelismo se divide, ele mesmo, sobre o que é um Imã. Os nizaritas sustentam um Imã vivo e fisicamente presente (hazir imam) — papel historicamente ocupado pela linhagem do Aga Khan6. Karim Aga Khan, 49º Imã, morreu; seu filho, Rahim Aga Khan, sucedeu-o em 4 de fevereiro de 2025 como Aga Khan V, o 50º Imã hereditário dos muçulmanos xiitas ismaelitas7. Já o musta'lismo tayyibi sustenta que seu 21º Imã, al-Tayyib, entrou em ocultação física (satr), representado por um vigário (da'i mutlaq)8.

No zaidismo: sem linha fixa nem infalibilidade

O zaidismo rejeita a infalibilidade do imã — diferença central com o duodecimanismo — e sustenta que qualquer descendente qualificado de Ali, não uma linha fixa e designada, pode ser imã, associado à doutrina do khuruj (rebelião legítima contra governante injusto)9.

Não confundir com: aiatolá, título dos mais altos juristas do xiismo duodecimano — concedido ao fim de carreira acadêmica formal, não herdado nem designado como o Imã; "líder supremo", cargo político do Irã fundado na doutrina do wilayat al-faqih, não sinônimo de Imã oculto; califado, instituição política sunita de sucessão a Maomé, distinta do imamato xiita.

Leia mais: Os ramos do Islã: de onde vêm as divisões e o que separa cada um · Wilayat al-faqih: a tutela do jurista

Fontes

Fontes

  1. TDV İslâm Ansiklopedisi, "EHL-i SÜNNET", Yusuf Şevki Yavuz, 1994. https://islamansiklopedisi.org.tr/ehl-i-sunnet (abre em nova aba) · 🟢 lido diretamente.

  2. Carnegie Endowment for International Peace, "Leading From Everywhere: The History of Centralized Islamic Religious Authority". https://carnegieendowment.org/posts/2015/06/leading-from-everywhere-the-history-of-centralized-islamic-religious-authority (abre em nova aba) · 🟢 think tank de política externa estabelecido, artigo analítico.

  3. Encyclopaedia Iranica, "ESCHATOLOGY iii. Imami Shiʿism", M. A. Amir-Moezzi, vol. VIII/6, pp. 575-581. https://www.iranicaonline.org/articles/eschatology-iii/ (abre em nova aba) · 🔍 reaproveitada de outro dossiê do site; não relida diretamente nesta apuração — paráfrase, sem citação literal.

  4. İsmail Safa Üstün, "VELÂYET-i FAKĪH", TDV İslâm Ansiklopedisi, 2013. https://islamansiklopedisi.org.tr/velayet-i-fakih (abre em nova aba) · 🟢 fonte-espinha do artigo Wilayat al-faqih deste acervo.

  5. Mohamad Bazzi, "The Sistani Factor," Boston Review, 12 de agosto de 2014. https://www.bostonreview.net/articles/mohamad-bazzi-sistani-factor-isis-shiism-iraq/ (abre em nova aba) · 🟢 ensaio jornalístico de veículo de opinião, não fonte acadêmica; autor é professor de jornalismo na New York University e foi chefe da sucursal do Newsday no Oriente Médio.

  6. Encyclopaedia Iranica, "ISMAʿILISM", vol. XIV, fasc. 2, pp. 172-195, publicado em 15 de dezembro de 2007, atualizado em 5 de abril de 2012. https://iranicaonline.org/articles/ismailism (abre em nova aba) · 🟢 lido diretamente. Entrada do tipo headword, sem autor único assinado.

  7. Aga Khan Development Network, "Our Chair". https://www.akdn.org/our-chair (abre em nova aba) · 🟢 lido diretamente; fonte institucional.

  8. Encyclopaedia Iranica, "ISMAʿILISM xvi. Modern Ismaʿili Communities" / "xvii. The Imamate in Ismaʿilism". https://www.iranicaonline.org/articles/ismailism-xvi-modern-ismaili-communities/ (abre em nova aba) · 🔍 não aberto diretamente nesta apuração — paráfrase, sem citação literal.

  9. Fontes convergentes sobre doutrina zaidita e a relação com o Irã (Wilson Center, Sana'a Center, Oasis Center), nenhuma lida por inteiro nesta apuração. 🔍 ⚠️ fonte não catalogada em docs/FONTES.md — paráfrase, sem citação literal; recomendamos ancorar este ponto numa fonte única, lida diretamente, antes de nova publicação sobre o tema.

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