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Sufismo

Sufismo Photo by Soner Arkan Sufismo · taṣawwuf (تصوف)

Sufismo é a dimensão mística e devocional do Islã, que existe dentro do sunismo e do xiismo, e não como um ramo separado deles1.

O que separa o sufismo do misticismo em geral

Interior ricamente decorado de uma mesquita em Isparta, na Turquia, evidenciando elegância arquitetônica. Photo by Konevi

Para a TDV İslâm Ansiklopedisi, o tasavvuf se diferencia do misticismo em geral pela prática ativa sob orientação de um guia (xeique ou murshid), com cadeias de transmissão (silsila) que remontam ao Profeta, e por ter etiqueta, ritual e recitações próprias de uma via (tariqa)1.

Sunita e xiita ao mesmo tempo

A maioria das ordens sufis que historicamente seguiram de perto as regras da Sharia tem origem sunita, mas algumas nasceram em regiões xiitas: a Safawiyya e a Ni'matullahiyya foram se tornando xiitas com o tempo, e o mesmo aconteceu com partes da Kubrawiyya, nos ramos Dhahabiyya e Nurbakhshiyya1. Como o sufismo pertence aos dois lados, não dá para tratá-lo como um terceiro ramo no mesmo nível do sunismo e do xiismo.

A hostilidade do salafismo e do wahhabismo

O sufismo tem história própria, que inclui fases militantes em certos períodos e lugares, e não deve ser tratado como sinônimo de "Islã pacífico". Um exemplo é a Sanusiyya, ordem sufi nascida no século XIX, que liderou a resistência armada à ocupação italiana da Líbia entre 1911 e 1933910. Seu comandante mais conhecido, Omar al-Mukhtar, lutou até ser capturado e executado pelos italianos em setembro de 19319.

No sentido oposto, a hostilidade contra o sufismo está bem documentada. Para salafistas e wahhabitas, venerar santos e mausoléus é idolatria (shirk), e essa doutrina tem efeito prático. Em Timbuctu, no Mali, em 2012, combatentes do Ansar Dine, grupo ligado à Al-Qaeda, destruíram mausoléus classificados como Patrimônio Mundial da UNESCO. Segundo reportagem da France 24 e publicação do Getty Institute, 14 dos 16 mausoléus de santos inscritos na lista foram completamente destruídos e três mesquitas ficaram gravemente danificadas23. O grupo proibiu visitas aos túmulos por considerá-las prática idólatra. Em janeiro de 2013, ao fugir da cidade diante do avanço das tropas francesas e malinesas, os ocupantes ainda queimaram ou levaram 4.203 manuscritos do Instituto Ahmed Baba1112.

Em 24 de novembro de 2017, no Sinai, no Egito, um ataque à mesquita sufi de al-Rawda, da ordem Jaririya, matou pelo menos 235 pessoas, segundo o primeiro balanço da Human Rights Watch. Balanços consolidados chegaram a 305–311 mortos; é o atentado mais mortal da história moderna do Egito45. Em 16 de fevereiro de 2017, um atentado suicida no santuário sufi de Lal Shahbaz Qalandar, na cidade paquistanesa de Sehwan, durante o ritual noturno dhamaal, matou entre 83 (segundo o Dawn) e 88 pessoas (segundo o Dunya News) e deixou mais de 250 feridos. O Estado Islâmico reivindicou o ataque678.

Não confundir com: sunismo e xiismo, os dois ramos dentro dos quais o sufismo existe como dimensão devocional, e não um terceiro ramo ao lado deles; salafismo e wahhabismo, correntes que rejeitam como idolatria a veneração de santos e mausoléus e que, em suas vertentes jihadistas, atacaram alvos sufis.

Leia mais: Os ramos do Islã: de onde vêm as divisões e o que separa cada um

Fontes

Fontes

  1. TDV İslâm Ansiklopedisi, "TASAVVUF". https://islamansiklopedisi.org.tr/tasavvuf (abre em nova aba) · 🟢 lido diretamente.

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  2. France 24, "Ansar Dine Islamists destroy mausoleums in Timbuktu" (30 de junho de 2012). https://www.france24.com/en/20120630-ansar-dine-islamists-destroy-mausoleums-timbuktu-tuaregs-mnla-aqim-qaeda-sidi-mahmoud (abre em nova aba) · 🟢 serviço público internacional francês.

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  3. Getty Institute, "Cultural Heritage at Risk in Mali: The Destruction of Timbuktu's Mausoleums of Saints". https://www.getty.edu/publications/cultural-heritage-mass-atrocities/part-2/14-assomo/ (abre em nova aba) · 🟢 publicação de instituição acadêmica/museológica de referência.

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  4. Human Rights Watch, "Egypt: Sinai Attack Inflicts Horrendous Civilian Toll" (24 de novembro de 2017). https://www.hrw.org/news/2017/11/24/egypt-sinai-attack-inflicts-horrendous-civilian-toll (abre em nova aba) · 🟢.

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  5. NBC News, "Egypt mosque attack: Death toll rises, officials say militants brandished ISIS flag". https://www.nbcnews.com/storyline/isis-terror/egypt-reels-death-toll-rises-mosque-attack-which-militants-brandished-n823871 (abre em nova aba) · 🟢.

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  6. Dawn.com, "Death toll from attack at Lal Shahbaz Qalandar shrine climbs to 83". https://www.dawn.com/news/1315329 (abre em nova aba) · 🟢 jornal paquistanês de referência.

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  7. Dunya News, "Death toll in attack on Lal Shahbaz Qalandar shrine rises to 88". https://dunyanews.tv/en/Pakistan/375509-Death-toll-in-attack-on-Lal-Shahbaz-Qalandar-shrin (abre em nova aba) · 🟢.

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  8. Al Jazeera, "Blast hits Pakistan's Lal Shahbaz Qalandar Sufi shrine" (17 de fevereiro de 2017). https://www.aljazeera.com/news/2017/2/17/blast-hits-pakistans-lal-shahbaz-qalandar-sufi-shrine (abre em nova aba) · 🟡 viés declarado em docs/FONTES.md (financiamento estatal catari); usada aqui apenas para corroborar a reivindicação de autoria do Estado Islâmico.

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  9. Ahmet Kavas, "SENÛSİYYE", TDV İslâm Ansiklopedisi. https://islamansiklopedisi.org.tr/senusiyye (abre em nova aba) · 🟢 — define a Senûsiyye como ordem sufi (tarikat) atribuída a Muhammad ibn Ali al-Sanusi (m. 1859); registra a luta de Omar al-Mukhtar contra os italianos até sua captura e execução em setembro de 1931. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  10. Rachel Simon, "Sanusi Order", Encyclopedia of the Modern Middle East and North Africa, via Encyclopedia.com. https://www.encyclopedia.com/humanities/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/sanusi-order (abre em nova aba) · 🟢 — ordem que combinava ortodoxia e sufismo; "a key factor in the resistance to Italian rule (1911–1933)". Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  11. UNESCO World Heritage Centre, notícia sobre a conferência de Bamako a respeito dos manuscritos do Mali, 30 de janeiro de 2015. https://whc.unesco.org/en/news/1228 (abre em nova aba) · 🟢 — os insurgentes queimaram ou roubaram 4.203 manuscritos do Instituto Ahmed Baba durante a ocupação de 2012–2013; cerca de 90% dos manuscritos de Timbuctu foram salvos pela população. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  12. Carley Petesch e Krista Larson (Associated Press), "Islamists burn ancient manuscripts in Mali's Timbuktu", Christian Science Monitor, 28 de janeiro de 2013. https://www.csmonitor.com/World/Latest-News-Wires/2013/0128/Islamists-burn-ancient-manuscripts-in-Mali-s-Timbuktu (abre em nova aba) · 🟢 — segundo o prefeito de Timbuctu, os islamistas incendiaram o Instituto Ahmed Baba antes de fugir da cidade, com tropas francesas e malinesas se aproximando. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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