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Islã no OcidenteRevisado em 16 de setembro de 2026

Islamofobia no Ocidente: ataques, discriminação e a disputa sobre a definição do termo

"Islamofobia" é a hostilidade, a discriminação e a violência contra muçulmanos por causa da religião, da etnia ou da origem que se atribui a eles. Entre 2013 e 2020, seis atentados armados contra muçulmanos ou mesquitas no Ocidente tiveram desfecho judicial documentado: cinco terminaram em condenação; no sexto, em Hanau, o autor se matou e a promotoria alemã classificou o ataque como de extrema direita. Levantamentos oficiais da União Europeia, do Reino Unido e da França documentam discriminação sistemática em emprego, moradia e segurança pública.

Rua movimentada no centro de Poznań com prédios históricos e multidão Photo by Jakub Zerdzicki "Islamofobia" é a hostilidade, a discriminação e a violência contra muçulmanos, ou contra quem é visto como muçulmano, por causa da religião, da etnia ou da origem que se atribui à pessoa. Há registro judicial, policial e estatístico disso, do atentado de Christchurch às pesquisas de discriminação da União Europeia12. Entre 2013 e 2020, seis atentados armados contra muçulmanos ou locais de culto muçulmanos no Ocidente tiveram desfecho judicial documentado. Em cinco, houve condenação. No sexto, em Hanau, o autor morreu antes do julgamento e a promotoria alemã classificou o ataque como motivado por extrema direita. O mais letal foi o das mesquitas de Christchurch, na Nova Zelândia, em 2019, com 51 mortos1. Levantamentos oficiais da União Europeia, do Reino Unido e da França, cada um com sua metodologia, documentam discriminação sistemática em emprego, moradia e segurança pública234. O próprio termo continua em disputa. O Reino Unido, o país que mais debateu formalmente uma definição, passou de 1997 a 2025 sem adotar nenhuma. Em 2025, adotou outra fórmula, "hostilidade antimuçulmana", sem força de lei5.

Uma definição em disputa

Quatro integrantes de equipe diversa unem os punhos em gesto de união Photo by Julia M Cameron

Não existe uma definição de islamofobia aceita por todos. O relatório do Runnymede Trust, de 1997, foi o primeiro documento de peso a popularizar o termo no Reino Unido. Em linhas gerais, ele definia islamofobia como uma forma curta de falar de medo ou hostilidade ao Islã, estendidos à maioria dos muçulmanos6. Em 2018, o grupo parlamentar multipartidário sobre muçulmanos britânicos (APPG on British Muslims) propôs outra formulação: islamofobia como um tipo de racismo, com raiz na etnicidade e não na religião, dirigido a expressões de identidade muçulmana real ou percebida7.

O governo britânico nunca adotou a definição da APPG, nem sob os conservadores, nem sob os trabalhistas até a virada de 2025. O motivo alegado é a liberdade de expressão: o receio declarado é que a fórmula trate como discurso de ódio a crítica legítima ao Islã como religião ou ideologia8. Em 2025, um grupo de trabalho presidido pelo jurista Dominic Grieve recomendou abandonar o próprio termo "Islamophobia" e adotar "hostilidade/ódio antimuçulmano", definido por atos concretos: crime, violência, vandalismo, assédio, intimidação, estereótipos prejudiciais e racialização de muçulmanos. Segundo a página oficial do governo britânico, essa definição não estatutária já está em vigor5.

Não tomamos partido nessa disputa. Registramos as posições e o que cada uma tenta resolver. A proposta da APPG tenta captar um fato prático: para quem discrimina, religião e etnia percebida costumam ser a mesma coisa. A Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA) documenta exatamente essa mistura2. A recusa britânica tenta preservar espaço para a crítica religiosa sem que ela seja tratada como ódio. O cientista político Fred Halliday chegou a propor "anti-muslimism" como termo mais preciso. Para ele, o alvo da hostilidade de hoje não é o Islã como fé, e sim os muçulmanos como grupo de pessoas9. Nenhuma das três formulações (Runnymede, APPG, Halliday) tem hoje status oficial em qualquer país consultado.

Seis atentados com desfecho judicial

Multidão reunida em celebração ao ar livre com balões e bandeiras Photo by Artem Kulinych

Nenhuma fonte judicial ou policial reúne todos os ataques a muçulmanos no Ocidente. Juntamos aqui seis casos, verificados um a um, cada um com desfecho judicial documentado: sentença em cinco deles; em Hanau, o autor morreu antes do julgamento. A lista não é completa e não substitui o dado agregado de crime de ódio (ver abaixo).

Caso Data Local Vítimas Autor Desfecho judicial
Mesquitas de Christchurch 15 mar. 2019 Al Noor Mosque e Linwood Islamic Centre, Nova Zelândia 51 mortos, 40 tentativas de homicídio Brenton Tarrant Prisão perpétua sem condicional — primeira vez na história do país; condenado por terrorismo, homicídio e tentativa de homicídio110
Centro Cultural Islâmico de Quebec 29 jan. 2017 Quebec City, Canadá 6 mortos Alexandre Bissonnette Perpétua, inicialmente 40 anos sem condicional (2019), reduzida a 25 anos em recurso (2020) por a corte considerar inconstitucional a soma de penas consecutivas11
Finsbury Park Mosque 19 jun. 2017 Londres, Reino Unido 1 morto (Makram Ali, 51 anos), 12 feridos Darren Osborne Condenado por assassinato e tentativa de assassinato; mínimo de 43 anos antes de condicional12
Assassinato de Mohammed Saleem e bombas em mesquitas jun.–jul. 2013 Birmingham e West Midlands, Reino Unido 1 morto (Mohammed Saleem, 82 anos); sem vítimas em três bombas amadoras Pavlo Lapshyn Perpétua, mínimo de 40 anos, por assassinato e atentados a bomba1338
Mesquita Al-Noor de Bærum 10 ago. 2019 Bærum, Noruega Nenhum morto na mesquita (dois fiéis, Muhammad Rafiq e Mohammad Iqbal, dominaram o atirador4950); a irmã por afinidade do autor (stesøster), Johanne Zhangjia Ihle-Hansen, de 17 anos, foi morta antes do ataque47 Philip Manshaus Em 2020, 21 anos de custódia prorrogável ("forvaring"), com mínimo de 14 anos — a pena mais dura aplicada na Noruega até então43. O caso foi reaberto, e em outubro de 2025 o tribunal de Oslo o condenou a 21 anos de prisão comum, sem forvaring; ele não recorreu4748. A corte de 2020 identificou inspiração em Christchurch e no atentado de El Paso14
Hanau 19 fev. 2020 Hanau, Alemanha 9 mortos em dois bares de shisha, além da mãe do autor; autor suicidou-se Tobias Rathjen Sem julgamento — o autor morreu; a promotoria federal classificou o caso como ataque de motivação racista de extrema direita, com manifesto1516

Nenhum dos seis autores é do campo do islamismo ou do jihadismo, a ideologia que defende o Estado regido pela lei islâmica e sua vertente armada. Em quatro dos seis casos, uma fonte judicial ou policial própria classifica de forma explícita a motivação como ligada à extrema direita e ao supremacismo branco. A promotoria federal alemã classificou Hanau como ataque de motivação racista de extrema direita1516. A corte norueguesa registrou que o autor do ataque de Bærum se disse inspirado por Christchurch e por El Paso, dois atentados também atribuídos a supremacismo branco14. Na sentença, a juíza Annika Lindström concluiu que ele se radicalizou a partir de 2017 em sites de conteúdo de extrema direita, convencido de que era preciso "proteger a raça branca"4344. Na sentença de Christchurch (sentencing remarks), o juiz da Corte Superior da Nova Zelândia disse a Tarrant: "You were attracted to and adopted the views of far right white supremacists" (você foi atraído e adotou as visões de supremacistas brancos de extrema direita), e classificou o crime como ato terrorista e crime de ódio35. No caso de Lapshyn, o juiz Sweeney, do Old Bailey, atribuiu os crimes a "extreme white supremacy views and racial hatred" (visões extremas de supremacia branca e ódio racial)38.

No quinto caso, o de Osborne, a classificação de "extrema direita" é confirmada por duas reportagens que citam a juíza e a promotoria britânicas. A CBS News registrou que, segundo a juíza Cheema-Grubb, a mente de Osborne tinha sido "poisoned" (envenenada) por ideias de extrema direita36. A promotora Sue Hemming, da Crown Prosecution Service, atribuiu o ataque a "hatred of Muslims" (ódio a muçulmanos)37. A CBS News, cobrindo o mesmo processo, escreveu que Osborne tinha sido radicalizado por propaganda online de extrema direita e islamofóbica; essa descrição é da reportagem, não uma citação direta da promotoria36. Nenhuma das duas fontes usa para Osborne o termo mais específico "supremacista branco", e não o estendemos a ele sem fonte própria para isso.

Bissonnette é o único dos seis em que nem a Justiça nem a polícia aplicaram formalmente o rótulo de extrema direita ou de supremacismo branco. Em fevereiro de 2017, num depoimento a um comitê do Senado canadense, o então comissário da Real Polícia Montada do Canadá (RCMP), Bob Paulson, chamou-o de "criminal extremist" (extremista criminoso), uma categoria mais vaga que, segundo um artigo acadêmico revisado por pares, a polícia canadense usa quando não reúne a prova de motivação política ou ideológica que o Código Penal do país exige para uma acusação formal de terrorismo3942. Na sentença, o juiz François Huot falou em "ódio visceral" e "ato gratuito de fanatismo" contra imigrantes muçulmanos, e em racismo, mas não em extrema direita nem em supremacismo branco40. Bissonnette nunca foi acusado de terrorismo nem de crime de ódio. O mesmo artigo acadêmico vê essa falta de enquadramento como um padrão do sistema canadense no processamento do extremismo de direita entre 2001 e 2019, e não como algo particular do caso42. Há ainda um dado circunstancial, que não é classificação oficial: nos meses anteriores ao ataque, Bissonnette consultou 201 vezes sites sobre Dylann Roof, o supremacista branco que matou nove pessoas negras numa igreja em Charleston, nos Estados Unidos, em 201541.

Entre Bærum, Christchurch e El Paso há uma cadeia de referências cruzadas. Ela segue uma lógica de inspiração mútua comparável à que existe entre atentados jihadistas, mas sem a coordenação organizacional, o financiamento e a reivindicação formal que caracterizam as redes jihadistas.

Hanau pede um cuidado de enquadramento que os outros cinco casos não pedem. O alvo não foi uma mesquita: o ataque aconteceu em dois bares de shisha. E nem todas as vítimas eram muçulmanas praticantes identificáveis como tais; a maioria tinha origem curda, turca ou outra origem migrante16. Tratamos Hanau como um dos atentados de extrema direita mais letais da Alemanha desde 1945. O mais letal continua sendo a bomba na Oktoberfest de Munique, em 1980, que matou 12 visitantes e o próprio autor; em julho de 2020, a promotoria federal alemã concluiu que ele agiu por motivo de extrema direita4546. Tratamos Hanau também como parte do mesmo espectro de violência etno-racista que produz ataques inequivocamente antimuçulmanos. Não o tratamos como equivalente direto de Christchurch.

Não tratamos esses seis casos como prova de uma tendência de longo prazo. Cada um tem data, desfecho e números exatos. A noção de escala e de evolução no tempo vem de outro dado, o registro agregado de crime de ódio, tratado a seguir, que está sujeito a subnotificação e a mudanças de metodologia.

Vigilância do Estado: a polícia de Nova York e o registro pós-11 de Setembro

Documento com impressão digital em pasta aberta Photo by cottonbro studio

Além dos ataques individuais, há política de Estado documentada por decisão judicial. Entre 2003 e 2014, a Demographics Unit do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) infiltrou agentes pagos em mesquitas, associações de estudantes, cafés e até um casamento de muçulmanos nova-iorquinos. A investigação da Associated Press que revelou o programa, em 2011–2012, ganhou o Pulitzer de Reportagem Investigativa em 201234. A ação Raza v. City of New York terminou num acordo em 2016, revisado em 2017, que proíbe investigação baseada em raça, religião ou etnia e cria um representante civil de fiscalização17. Sob juramento, o subchefe de inteligência da NYPD, Thomas Galati, declarou que nunca obteve uma única pista de investigação a partir dos relatórios da unidade18.

Entre 2002 e 2011, o programa federal NSEERS ("registro especial") exigiu o registro obrigatório de homens de 16 anos ou mais de 25 países. Desses países, 24 eram de maioria muçulmana ou árabe; a exceção era a Coreia do Norte. Cerca de 80.000 a 85.000 homens se registraram, cerca de 13.000 entraram em processo de deportação, e nenhuma condenação por terrorismo foi atribuída ao programa. O governo Obama tirou os 25 países da lista em 2011, e o programa foi formalmente revogado em dezembro de 201619.

Discriminação no emprego, na moradia e na segurança pública

A pesquisa "Being Muslim in the EU", da FRA, é o levantamento europeu mais recente sobre o tema. Foi feita entre outubro de 2021 e outubro de 2022, com 9.604 respondentes muçulmanos em 13 países, e publicada em outubro de 20242. Os principais resultados:

  • Discriminação racial nos cinco anos anteriores à pesquisa: 47% em 2022, ante 39% em 2016. As maiores taxas por país: Áustria 71%, Alemanha 68%, Finlândia 63%.
  • Discriminação ao procurar emprego: 39% (31% em 2016); no local de trabalho: 35% (23% em 2016).
  • Discriminação em moradia (não conseguiu comprar ou alugar): 35% (22% em 2016); entre pessoas muçulmanas com deficiência: 46%.
  • Mulheres com vestimenta religiosa visível sofrem mais discriminação ao procurar emprego: 45%, ante 31% entre as que não usam, chegando a 58% entre jovens de 16 a 24 anos. É o único recorte por vestimenta que a pesquisa publica.
  • Assédio racial: 27% nos cinco anos anteriores. Entre quem foi parado pela polícia no ano anterior, 49% descreveram a abordagem como perfilamento racial.
  • Evasão escolar precoce: 30% entre os entrevistados muçulmanos, ante 9,6% na população geral da União Europeia.

A coleta terminou em outubro de 2022, antes do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e da guerra em Gaza. Por isso não capta o período posterior2.

No Reino Unido, o Home Office registrou 10.484 crimes de ódio religiosos no ano encerrado em março de 2024, alta de 25% sobre o ano anterior. Os crimes de ódio contra muçulmanos somaram 3.866, ante 3.432 no ano anterior: alta de 13%. Eles foram 38% dos crimes de ódio religioso em que a polícia anotou a religião visada, informação que aparece em 10.056 dos 10.484 casos. Como um mesmo crime pode visar mais de uma religião, as fatias não somam 100%. A categoria "religioso" também inclui judeus, sikhs, cristãos e outros grupos; não se limita a muçulmanos3. O próprio Home Office avisa, em nota oficial, que hoje os números registrados pela polícia não dão tendências confiáveis de crime de ódio: desde 2014, mudanças nos procedimentos de registro dificultam separar aumento real de melhoria administrativa3.

Na França, a CNCDH, órgão consultivo oficial e relator nacional independente desde 1990, registrou 242 fatos "antimusulmans" em 2023, alta de 29% sobre 2022, segundo dado da Direction nationale du renseignement territorial4. No mesmo relatório, os fatos antissemitas somaram 1.676, alta de 284%. A diferença de tamanho entre os dois picos está no próprio relatório oficial francês. No barômetro da CNCDH, o índice de tolerância aos muçulmanos caiu para 57 pontos (numa escala de 0 a 100) em 2023, ante 59 em 2022. Segundo o relatório, foi a segunda queda anual seguida, depois de anos de alta contínua4.

A CNCDH traz ainda um dado que contraria a ideia de que a hostilidade ao Islã reflete um compromisso maior com valores liberais. No barômetro francês, as pessoas classificadas como "muito" ou "bastante" islamófobas são, estatisticamente, menos apegadas à laicidade, menos propensas a defender os direitos das mulheres e mais propensas a condenar a homossexualidade do que as pessoas pouco ou nada islamófobas4.

Em 2010, Adida, Laitin e Valfort publicaram na PNAS um teste de correspondência feito na França. O teste comparou currículos fictícios idênticos, exceto pela religião sinalizada. Uma candidata de origem senegalesa com nome muçulmano (Khadija Diouf) foi chamada para entrevista em 8% das vezes; uma candidata idêntica com nome cristão (Marie Diouf), em 21%. A primeira teve 2,5 vezes menos chance de ser chamada20. Os próprios autores apontam uma limitação: na França, senegaleses são vistos como "muçulmanos menos autênticos" que magrebinos, então o resultado deve ser lido como piso, e não como teto, da discriminação real20. Um teste de correspondência do próprio governo francês, em 2022, encontrou um padrão parecido na função pública para candidatos com sobrenome de origem magrebina. Esse teste não separa religião de etnia, mas reforça o padrão4.

Os números medem menos do que parecem

Todos os sistemas de registro consultados (FBI, Home Office, DNRT francesa) reconhecem, no próprio relatório, que dependem de denúncia voluntária e incompleta. Tratamos todo número absoluto aqui como piso, nunca como teto. Os quatro países cujos números nacionais citamos aqui (França, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil) medem de formas diferentes, e os números não se comparam linha a linha. Por isso evitamos qualquer soma ou frase do tipo "islamofobia cresce no Ocidente" apoiada em fontes de metodologias incompatíveis.

A CNCDH mostra o tamanho da subnotificação. Uma pesquisa de vitimização citada pelo próprio órgão estima em cerca de 1 milhão por ano as pessoas que, na França, dizem ter sido vítimas de pelo menos um ato de caráter racista, antissemita ou xenófobo. É muito mais que os cerca de 8.500 crimes e delitos racistas que a polícia de fato registrou em 2023. Dos 6.607 casos triados pelo Ministério Público em 2022, só 1.606 (24%) chegaram a processo nos tribunais4.

Nos Estados Unidos, o FBI registrou 236 incidentes de viés antimuçulmano em 2023, ante 158 em 2022, alta de 49%. O pico histórico da série continua sendo 2001, com 481 incidentes, logo depois dos ataques de 11 de setembro. O segundo maior foi 2016, ano eleitoral, com 307. O total de crimes de ódio nos Estados Unidos em 2023 chegou a 11.862, o maior número desde que o FBI começou a compilar a série, em 199221.

O Council on American-Islamic Relations (CAIR), organização de defesa dos direitos civis de muçulmanos nos Estados Unidos, não é órgão oficial nem judicial. Seus números medem queixas recebidas pela própria entidade, não crimes apurados por autoridade. Mesmo assim, indicam tendência: 8.061 queixas em 2023, recorde nos 30 anos de história da organização e alta de 56% sobre 2022; 8.658 em 2024, novo recorde, com a discriminação no emprego, pela primeira vez, como o tipo de queixa mais registrado22.

Quando o rótulo é usado contra um crítico: o caso Nawaz

O termo "islamofobia" também tem um histórico documentado de erro no sentido oposto: rotular como extremista antimuçulmano quem faz crítica reformista ao Islã. Em outubro de 2016, o Southern Poverty Law Center (SPLC), organização americana de defesa de direitos civis, incluiu Maajid Nawaz e a Quilliam Foundation, que ele fundou, num "Field Guide to Anti-Muslim Extremists". Depois de ser ameaçado com uma ação judicial, o SPLC retirou a lista, pediu desculpas publicamente e pagou US$ 3,375 milhões num acordo com Nawaz e a Quilliam Foundation, anunciado em junho de 20182324. Entre os exemplos que reunimos, é o mais concreto e verificável da tensão entre criticar a doutrina islâmica e ser rotulado de islamofóbico por isso.

Damos o mesmo peso factual aos dois fenômenos, a discriminação real contra muçulmanos e o uso do rótulo para calar crítica legítima, e não tratamos um como contraponto que anula ou suaviza o outro. Os dados da FRA, do Home Office e da CNCDH mostram violência e discriminação mensuráveis contra pessoas por serem, ou parecerem, muçulmanas234. O caso SPLC x Nawaz mostra que o mesmo rótulo pode ser aplicado, de forma errada, a um reformista muçulmano. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo.

Islamofobia no Brasil: casos documentados e falta de estatística oficial

No Brasil, há registro judicial recente de aplicação da Lei 7.716/89 a discurso antimuçulmano. Em 12 de março de 2026, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou o RHC 219.028. O réu, acusado de praticar e incitar discriminação contra comunidades islâmicas em redes sociais, pedia a suspensão condicional do processo. O Ministério Público recusou o benefício, e o STJ negou o habeas corpus por unanimidade, aplicando à discriminação religiosa o mesmo raciocínio usado num precedente sobre racismo26. Entre os casos reunidos aqui, é a evidência mais forte de que o Judiciário brasileiro já trata a islamofobia como espécie do gênero que a Lei 7.716/89 pune.

Em 12 de fevereiro de 2026, em Foz do Iguaçu (PR), um homem de 33 anos agrediu com socos duas mulheres muçulmanas dentro de um shopping e arrancou o hijab delas. Uma era libanesa, de 40 anos; a outra, síria, de 48. Ele foi preso em flagrante por lesão corporal e por crime equiparado a racismo, com pena de 2 a 5 anos. A polícia identificou que o agressor tinha histórico desde 2018, incluindo a invasão de uma cerimônia numa mesquita da mesma cidade27. Em dezembro de 2023, em Mogi das Cruzes (SP), uma mulher muçulmana de 35 anos foi agredida por uma vizinha depois de uma desavença entre os filhos. A agressora tentou arrancar o hijab dela e quebrou seu terço islâmico (masbaha). O boletim de ocorrência registrou lesão corporal2829.

Dois casos de vandalismo contra mesquitas têm força de prova desigual. Em março de 2016, a Mesquita do Centro Islâmico do Brasil, em Brasília, teve livros sagrados e móveis destruídos durante a primeira oração do dia. A Fambras (Federação das Associações Muçulmanas do Brasil) repudiou o fato em nota, que não menciona registro policial30. Em novembro de 2021, a Mesquita Imam Ali, em Ponta Grossa (PR), teve um exemplar do Alcorão queimado e paredes sujas. O relato vem de um único blog local, e não localizamos confirmação de registro policial nem apuração de veículo de imprensa estabelecido31.

A pesquisa acadêmica mais recente e específica sobre o tema no Brasil é de Francirosy Campos Barbosa, da USP (FFCLRP), com coleta entre janeiro e março de 2026. Foram entrevistadas 328 mulheres muçulmanas de todo o país, com participação maior do Sul e do Sudeste. Das entrevistadas, 92,2% acreditam que mulheres muçulmanas sofrem discriminação no Brasil e 80,4% dizem ter sofrido preconceito pessoalmente. A forma mais comum relatada é a agressão verbal; violência física e institucional também aparecem. Do total, 82,3% são brasileiras convertidas, 12,2% muçulmanas de nascimento no Brasil, 1,5% estrangeiras e 0,9% estrangeiras convertidas. Essas fatias somam 96,9%, e a divulgação da pesquisa não diz a que grupo pertencem os 3,1% restantes. A amostra não é probabilística e a pesquisa não é um censo, mas é o levantamento acadêmico brasileiro mais robusto que localizamos sobre o tema32.

Desde outubro de 2023, circulam no Brasil números de alta de 900% a 1.000% nas denúncias de islamofobia e antissemitismo, atribuídos à Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e à Confederação Israelita do Brasil (Conib). Eles se referem ao primeiro mês depois de 7 de outubro daquele ano33. São dados dos canais de denúncia das próprias entidades, não estatística oficial, e partem de uma base de comparação pequena: cerca de 30 a 40 casos por mês antes do pico. Um aumento percentual grande sobre uma base pequena continua sendo, em números absolutos, um número pequeno. Tratamos esses percentuais como indicador de tendência relatado pelas próprias entidades, nunca como fato consolidado equivalente aos dados oficiais europeus33.

O Brasil não tem um levantamento oficial equivalente ao da FRA, do Home Office ou da CNCDH. Nenhum órgão do Estado brasileiro mede, de forma sistemática e recorrente, crimes de ódio por motivação religiosa com a mesma robustez de método. Essa lacuna já é um dado sobre o estado da informação no país, e não a preenchemos com estimativas de terceiros sem a devida qualificação.

Leia antes

Leia depois

Fontes

Fontes

  1. Royal Commission of Inquiry into the Terrorist Attack on Christchurch Mosques — página oficial via NZ Police. https://www.police.govt.nz/about-us/investigations-and-reviews/commissions-inquiry/royal-commission-inquiry-terrorist-attack-christchurch-masjidain (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  2. FRA (Agência dos Direitos Fundamentais da UE), "Being Muslim in the EU", comunicado de imprensa, Viena, 24 out. 2024. https://fra.europa.eu/sites/default/files/fra_uploads/pr-2024-being-muslim-in-the-eu_en.pdf (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  3. Home Office (Reino Unido), "Hate crime, England and Wales, year ending March 2024". https://www.gov.uk/government/statistics/hate-crime-england-and-wales-year-ending-march-2024/hate-crime-england-and-wales-year-ending-march-2024 (abre em nova aba) · 🟢 — 10.484 crimes religiosos, 3.866 contra muçulmanos, "almost 2 in 5 (38%)"; religião visada informada em 10.056 casos (96%), com mais de uma religião possível por crime. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

    ↩
  4. CNCDH, "Rapport 2023 sur la lutte contre le racisme, l'antisémitisme et la xénophobie — Les Essentiels", jun. 2024. https://www.cncdh.fr/sites/default/files/2024-06/CNCDH_Les_Essentiels_Rapport_Racisme_2023_0.pdf (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  5. GOV.UK, "Working Group on Anti-Muslim Hatred/Islamophobia Definition". https://www.gov.uk/government/groups/working-group-on-anti-muslim-hatredislamophobia-definition (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  6. Runnymede Trust, "Islamophobia: A Challenge for Us All", 1997. https://www.runnymedetrust.org/publications/islamophobia-a-challenge-for-us-all (abre em nova aba) · 🟢 lançamento e ano; 🔍 a redação exata da definição não foi confirmada por leitura direta do relatório

    ↩
  7. Middle East Eye, cobertura da definição proposta pelo APPG on British Muslims. https://www.middleeasteye.net/news/uk-plans-new-body-advise-islamophobia-definition (abre em nova aba) · 🟡 veículo com ponto de vista declarado, per docs/FONTES.md §3 · 🔍 não lida diretamente nesta pesquisa, conteúdo reconstruído por busca

    ↩
  8. Hyphen Online, "What's happening with the UK Islamophobia definition?", 17 dez. 2025. https://hyphenonline.com/2025/12/17/islamophobia-definition-uk-anti-muslim-hate-racism-hatred/ (abre em nova aba) · 🟡 veículo focado em pautas muçulmanas, cruzado com a página oficial do governo (F5)

    ↩
  9. LSE Research Online, "Islamophobia reconsidered" (Fred Halliday). http://eprints.lse.ac.uk/39179/ (abre em nova aba) · 🔍 localizado por busca, não lido diretamente

    ↩
  10. NPR, "New Zealand's Christchurch Mosque Shooter Sentenced To Life Without Parole", 27 ago. 2020. https://www.npr.org/2020/08/27/906539369/new-zealands-christchurch-mosque-shooter-sentenced-to-life-without-parole (abre em nova aba) · 🔍 não lida diretamente

    ↩
  11. CBC News, cobertura da sentença de Alexandre Bissonnette. https://www.cbc.ca/news/canada/montreal/alexandre-bissonnette-sentence-quebec-city-mosque-shooting-1.4973655 (abre em nova aba) · 🔍 não lida diretamente

    ↩
  12. CNN, "Darren Osborne: Finsbury Park attacker gets life sentence". https://www.cnn.com/2018/02/02/europe/finsbury-park-attacker-intl/index.html (abre em nova aba) · 🔍 não lida diretamente

    ↩
  13. Al Jazeera, "UK jails Ukrainian over anti-Muslim attacks" (caso Lapshyn). https://www.aljazeera.com/news/2013/10/25/uk-jails-ukrainian-over-anti-muslim-attacks (abre em nova aba) · 🟡/🔍 não lida diretamente

    ↩
  14. Euronews, "Philip Manshaus: Norway mosque shooter given 21-year prison sentence". https://www.euronews.com/my-europe/2020/06/11/philip-manshaus-norway-mosque-shooter-given-21-year-prison-sentence (abre em nova aba) · 🔍 não lida diretamente

    ↩
  15. CNN (edition.cnn.com), "Hanau shooting: 9 killed at two shisha bars in Germany in suspected far-right attack". https://edition.cnn.com/2020/02/19/europe/hanau-germany-shootings-intl/index.html (abre em nova aba) · 🔍 não lida diretamente

    ↩
  16. Combating Terrorism Center (West Point), "The Hanau Terrorist Attack: How Race Hate and Conspiracy Theories Are Fueling Global Far-Right Violence". https://ctc.westpoint.edu/hanau-terrorist-attack-race-hate-conspiracy-theories-fueling-global-far-right-violence/ (abre em nova aba) · 🔍 não lida diretamente, análise especializada em contraterrorismo

    ↩
  17. Courthouse News Service, "Landmark NYPD Settlement on Muslim Spying". https://www.courthousenews.com/landmark-nypd-settlement-on-muslim-spying/ (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  18. NBC News, cobertura do depoimento de Thomas Galati (NYPD) sobre a Demographics Unit. https://www.nbcnews.com/id/wbna48744725 (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  19. Migration Policy Institute, "DHS Announces End to Controversial Post-9/11 Immigrant Registration and Tracking Program". https://www.migrationpolicy.org/article/dhs-announces-end-controversial-post-911-immigrant-registration-and-tracking-program (abre em nova aba) · 🔍 tentativa de leitura direta retornou HTTP 403

    ↩
  20. Adida, C. L.; Laitin, D. D.; Valfort, M.-A., "Identifying barriers to Muslim integration in France". PNAS 107(52), 22 nov. 2010. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3012481 (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  21. Departamento de Justiça dos EUA (DOJ/CRS), "2023 hate crime statistics". https://www.justice.gov/crs/news/2023-hate-crime-statistics (abre em nova aba) · 🔍 majoritariamente via síntese de busca

    ↩
  22. Council on American-Islamic Relations (CAIR), press releases 2024–2025 sobre relatórios anuais de direitos civis. https://www.cair.com/press_releases/ (abre em nova aba) · 🟡 organização de defesa, dado de autodeclaração

    ↩
  23. Newsweek, "SPLC Apologizes to Falsely Labeled Foundation". https://www.newsweek.com/splc-nawaz-million-apologizes-981879 (abre em nova aba) · 🔍 não lida diretamente

    ↩
  24. The Daily Beast, "It's Not Easy to Fight Extremists if You're Called One: Why the SPLC Had to Pay Maajid Nawaz $3.375 Million". https://www.thedailybeast.com/its-not-easy-to-fight-extremists-if-youre-called-one-why-the-sclc-had-to-pay-maajid-nawaz-dollar3375-million/ (abre em nova aba) · 🔍 não lida diretamente; texto usado nesta checagem para confirmar a data de outubro de 2016 da publicação do SPLC

    ↩
  25. ConJur (Consultor Jurídico), "Não cabe suspensão condicional de processo em caso de islamofobia" (STJ, RHC 219.028), 12 mar. 2026. https://www.conjur.com.br/2026-mar-12/nao-cabe-suspensao-condicional-de-processo-em-caso-de-islamofobia/ (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  26. CNN Brasil, "Homem é preso após agredir duas mulheres muçulmanas em shopping no PR", 12 fev. 2026. https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/homem-e-preso-apos-agredir-duas-mulheres-muculmanas-em-shopping-no-pr/ (abre em nova aba) · 🟢

    ↩
  27. Agência Brasil (EBC), "Em Mogi das Cruzes, muçulmana é alvo de agressões e xingamentos", 20 dez. 2023. https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-12/em-mogi-das-cruzes-muculmana-e-alvo-de-agressoes-e-xingamentos (abre em nova aba) · 🟢 Creative Commons

    ↩
  28. Revista Fórum, "Mulher muçulmana é agredida em SP após ser chamada de 'terrorista'", 20 dez. 2023. https://revistaforum.com.br/brasil/2023/12/20/video-mulher-muulmana-agredida-em-sp-apos-ser-chamada-de-terrorista-149806.html (abre em nova aba) · 🔍 não lida diretamente

    ↩
  29. Fambras (Federação das Associações Muçulmanas do Brasil), "Nota de repúdio ao vandalismo contra Mesquita em Brasília", 24 mar. 2016. https://www.canalfambras.org.br/nota-de-repudio-ao-vandalismo-contra-mesquita-em-brasilia/ (abre em nova aba) · 🟡 fonte da própria comunidade, sem registro policial mencionado na nota

    ↩
  30. Blog do Esmael Morais, "Islamofobia: Mesquita é alvo de invasão e tem Alcorão queimado em Ponta Grossa (PR)", 27 nov. 2021. https://www.esmaelmorais.com.br/islamofobia-mesquita-e-alvo-de-invasao-e-tem-alcorao-queimado-em-ponta-grossa-pr/ (abre em nova aba) · 🟡 fonte frágil, sem confirmação policial localizada. ⚠️ Fonte única: procuramos outras fontes para esta informação, mas só esta a registra. Ao contrário do resto do texto, ela não foi confirmada por fontes independentes.

    ↩
  31. Jornal da USP, "Islamofobia persiste e se espalha por diferentes esferas da vida de mulheres muçulmanas no Brasil" (pesquisa de Francirosy Campos Barbosa, FFCLRP-USP). https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/islamofobia-persiste-e-se-espalha-por-diferentes-esferas-da-vida-de-mulheres-muculmanas-no-brasil/ (abre em nova aba) · 🟢 — Sofhia Camargo, 17 de abril de 2026; as quatro fatias por origem (82,3%, 12,2%, 1,5%, 0,9%) somam 96,9%, e o texto não explica o restante. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

    ↩
  32. Agência Lupa, "Lente #113: Antissemitismo e islamofobia disparam no Brasil". https://agencialupa.substack.com/p/13722700_lente-113 (abre em nova aba) · 🟢 checagem profissional; os percentuais de 900%–1.000% são atribuídos a ANAJI/Conib, não apurados pela própria Lupa

    ↩
  33. Pulitzer Prizes, "Matt Apuzzo, Adam Goldman, Eileen Sullivan and Chris Hawley — 2012, Investigative Reporting". https://www.pulitzer.org/winners/matt-apuzzo-adam-goldman-eileen-sullivan-and-chris-hawley (abre em nova aba) · 🟢 — nota própria para a frase sobre o Pulitzer, separada de 17 (que cobre apenas o acordo judicial)

    ↩
  34. Sentencing remarks de Mander J, R v Tarrant [2020] NZHC 2192, Corte Superior de Christchurch, 27 ago. 2020. https://www.courtsofnz.govt.nz/assets/cases/R-v-Tarrant-sentencing-remarks-20200827.pdf (abre em nova aba) · 🟢 documento judicial oficial, lido na íntegra

    ↩
  35. CBS News, "Darren Osborne sentenced for attack on Muslims in London". https://www.cbsnews.com/news/darren-osborne-sentenced-london-finsbury-park-mosque-attack-muslims/ (abre em nova aba) · 🟢 lida diretamente

    ↩
  36. Al Jazeera, "Finsbury Park attacker Darren Osborne jailed for life", 3 fev. 2018. https://www.aljazeera.com/news/2018/2/3/finsbury-park-attacker-darren-osborne-jailed-for-life (abre em nova aba) · 🟡 per docs/FONTES.md §3 (mídia estatal do Catar), mas a informação usada aqui é uma citação direta e verificável da Crown Prosecution Service — lida diretamente

    ↩
  37. IBTimes UK, "Pavlo Lapshyn to Serve 40 Years for anti-Muslim Murder and Mosque Bomb Attacks". https://www.ibtimes.co.uk/pavlo-lapshyn-jailed-murder-mosque-attacks-racist-516997 (abre em nova aba) · 🟢 lida diretamente, cita o juiz do Old Bailey (Ewan Palmer, 25 de outubro de 2013; o juiz Sweeney fala em "extreme white supremacy views and racial hatred"; relida em 23 de setembro de 2026)

    ↩
  38. The Globe and Mail, "Quebec mosque shooter was a 'criminal extremist': RCMP Commissioner". https://www.theglobeandmail.com/news/politics/quebec-city-mosque-shooter-was-a-criminal-extremist-rcmp-commissioner/article33920071/ (abre em nova aba) · 🟢 lida diretamente

    ↩
  39. The Globe and Mail, "Quebec mosque gunman Alexandre Bissonnette sentenced to life in prison, with no chance of parole for 40 years". https://www.theglobeandmail.com/canada/article-quebec-city-mosque-killer-bissonnette-sentenced-to-life-no-parole-for/ (abre em nova aba) · 🟢 lida diretamente; a sentença original (R c Bissonnette, 2019 QCCS 354) não foi lida diretamente — acesso via CanLII retornou HTTP 403 em duas tentativas

    ↩
  40. Radio-Canada, "Alexandre Bissonnette s'intéressait à Roof et à Lépine avant la tuerie de Québec". https://ici.radio-canada.ca/nouvelle/1093744/alexandre-bissonnette-dylann-roof-marc-lepine-tuerie-grande-mosquee-quebec (abre em nova aba) · 🟢 lida diretamente, serviço público canadense

    ↩
  41. Michael Nesbitt, "Violent crime, hate speech or terrorism? How Canada views and prosecutes far-right extremism (2001–2019)", International Journal of Human Rights, 2021. https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1473779521991557 (abre em nova aba) · 🔍 resumo e descrição do argumento consultados via SAGE Journals e SSRN; texto completo não lido diretamente (SSRN retornou HTTP 403)

    ↩
  42. Mina Ridder-Nielsen Janssen e Ralf Lofstad, Dagbladet, "Fikk historisk streng straff", 11 de junho de 2020. https://www.dagbladet.no/nyheter/fikk-historisk-streng-straff/72555802 (abre em nova aba) · 🟢 — reproduz a leitura da sentença de Asker og Bærum tingrett pela juíza Annika Lindström: radicalização a partir de 2017 em sites de conteúdo de extrema direita, convicção de que era preciso "proteger a raça branca", assassinato da irmã por afinidade (stesøsteren), motivado pela etnia dela. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

    ↩
  43. Harald S. Klungtveit (Filter Nyheter), Transit Magasin, "Tror Manshaus fortsatt er farlig i 2040: Sju viktige punkter fra dommen", 13 de junho de 2020. https://www.transitmag.no/2020/06/13/tror-manshaus-fortsatt-er-farlig-i-2040-sju-viktige-punkter-fra-dommen/ (abre em nova aba) · 🟡 — resume a sentença, que descreve o conteúdo consumido pelo autor como "høyreekstremt" e suas posições como ancoradas em "etnonasjonalisme", e classifica o ataque à mesquita como terrorismo. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

    ↩
  44. Bundeszentrale für politische Bildung (bpb), "26.09.1980: Rechtsextremer Anschlag auf das Oktoberfest", 22 de setembro de 2020. https://www.bpb.de/kurz-knapp/hintergrund-aktuell/315909/26-09-1980-rechtsextremer-anschlag-auf-das-oktoberfest/ (abre em nova aba) · 🟢 órgão federal alemão — 12 visitantes e o autor mortos, 221 feridos; "o atentado terrorista mais sangrento da história da República Federal"; conclusão da promotoria federal, em 2020, de motivo de extrema direita. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

    ↩
  45. Bundesarchiv, "Das Oktoberfestattentat 1980". https://www.bundesarchiv.de/themen-entdecken/online-entdecken/themenbeitraege/das-oktoberfestattentat-1980/ (abre em nova aba) · 🟢 arquivo federal alemão — 13 mortos no total, mais de 200 feridos; reclassificação do caso como de extrema direita pela promotoria federal em julho de 2020. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

    ↩
  46. VG / NTB, "Ny dom for Philip Manshaus: 21 års fengsel – ikke forvaring", 29 de outubro de 2025. https://www.vg.no/nyheter/i/OoLdWE/philip-manshaus-doemmes-til-fengsel-i-21-aar (abre em nova aba) · 🟢 — a vítima de 10 de agosto de 2019 foi a stesøster de Manshaus, Johanne Zhangjia Ihle-Hansen, de 17 anos; sentença de 2020: 21 anos de forvaring com mínimo de 14; caso reaberto em 2024 após nova perícia psiquiátrica; o Oslo tingrett o considerou imputável e o condenou, por unanimidade, a 21 anos de prisão, sem forvaring. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

    ↩
  47. VG / NTB, "Philip Manshaus anker ikke dommen på 21 års fengsel", 14 de novembro de 2025. https://www.vg.no/nyheter/i/qPKo90/philip-manshaus-anker-ikke-dommen-paa-21-aars-fengsel (abre em nova aba) · 🟢 — a defesa anuncia que Manshaus não recorre da sentença de 21 anos de prisão. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  48. Trond Lepperød, Nettavisen, "77-åringen var med og overmannet terroristen: – Han kom for å drepe", 11 de maio de 2020. https://www.nettavisen.no/nyheter/77-aringen-var-med-og-overmannet-terroristen-han-kom-for-a-drepe/s/12-95-3423966209 (abre em nova aba) · 🟡 — relato dos dois fiéis que dominaram Manshaus: Muhammad Rafiq, de 66 anos em 2020, que o segurou no chão, e Mohammad Iqbal, de 77, que lhe tirou uma das armas e o golpeou com ela. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  49. NTB, Dagsavisen, "Rafiq og Iqbal hedret med Medaljen for edel dåd etter moské-angrepet i Bærum", 24 de junho de 2020. https://www.dagsavisen.no/nyheter/innenriks/2020/06/24/rafiq-og-iqbal-hedret-med-medaljen-for-edel-dad-etter-moske-angrepet-i-baerum/ (abre em nova aba) · 🟢 — Rafiq recebeu a medalha por ato nobre em ouro e Iqbal em prata; o esforço de Iqbal foi "avgjørende" para dominar o autor. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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