Islamismo político e radicalismoRevisado em 7 de setembro de 2026
Vítimas muçulmanas do jihadismo: o que os dados mostram
A maioria das vítimas do jihadismo é muçulmana. Mas a cifra mais citada para provar isso (82–97%, de 2011) mede um recorte de cinco anos e, até onde apuramos, não foi recalculada desde então. Dados independentes confirmam que as mortes se concentram em países de maioria muçulmana, com o epicentro saindo do Iraque e do Afeganistão e indo para o Sahel. Explicamos de onde vem cada número e por que somá-los seria erro.
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Vítimas muçulmanas do jihadismo: o que os dados mostram
A maioria das vítimas do jihadismo é muçulmana. A cifra mais citada para provar isso, de 82% a 97%, vem de um único relatório do governo dos Estados Unidos, publicado uma vez, em 2011, sobre um recorte de cinco anos. Não encontramos indício de que ela tenha sido recalculada desde então. Outros dados, que não dependem dessa cifra, confirmam que as mortes se concentram em países de maioria muçulmana: sobretudo o Global Terrorism Database e o Global Terrorism Index, com o ACLED e o UCDP usados aqui para mostrar o que cada contagem mede e o que não mede. O centro da violência saiu do Iraque e do Afeganistão e foi para o Sahel, que hoje responde por mais da metade das mortes no mundo. Neste texto, mostramos de onde vem cada número, por que as bases não devem ser somadas e por que os dados não sustentam nem a tese de "guerra do Islã contra o Ocidente" nem a tese inversa.
A cifra que mais circula sobre o tema (entre 82% e 97% das vítimas do terrorismo jihadista seriam muçulmanas) vem de uma fonte só: o National Counterterrorism Center dos Estados Unidos (NCTC). O órgão a publicou uma vez, em 2011, sobre os cinco anos de 2007 a 2011, período dominado pela guerra sectária no Iraque1. Nesta apuração, não encontramos registro de que algum órgão do governo americano tenha recalculado essa proporção desde então12.
Isso não quer dizer que o número seja falso. Quer dizer que ele mede menos do que parece quando é repetido. Ele não acompanha o jihadismo ao longo de quinze anos: é o retrato de um período específico, no auge da violência mais sectária do conflito iraquiano. Mas o padrão que essa cifra tenta descrever não depende dela. Contagens de eventos independentes, feitas por instituições diferentes em anos diferentes, confirmam de forma consistente que a esmagadora maioria das mortes por terrorismo jihadista acontece em países de maioria muçulmana35.
A cifra de 2011: o que ela mediu e por que ainda é citada como atual
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O trecho exato do relatório, na seção "Victims of Attacks", diz: "In cases where the religious affiliation of terrorism casualties could be determined, Muslims suffered between 82 and 97 percent of terrorism-related fatalities over the past five years." Em tradução: nos casos em que a filiação religiosa das vítimas de terrorismo pôde ser determinada, muçulmanos sofreram entre 82% e 97% das mortes relacionadas a terrorismo nos cinco anos anteriores1. A própria frase traz duas restrições, que costumam sumir quando ela é repetida: "nos casos em que pôde ser determinada" (ou seja, uma parte das mortes, não o total) e "nos cinco anos anteriores" (um período fixo, não uma média histórica).
O mesmo relatório registra 12.533 mortes por terrorismo no mundo em 20111. Duas fontes secundárias, que concordam entre si, dizem que cerca de 70% delas foram atribuídas a extremistas sunitas. Não conseguimos confirmar esse número lendo a tabela primária, então ele fica com a ressalva 🔍, não como fato fechado1.
Por que esse período dá um limite superior tão alto (97%)? Em outro trecho, o próprio relatório reconhece que é difícil separar terrorismo de outras formas de violência justamente no Iraque e no Afeganistão, os dois países que mais pesavam no período1. Entre 2007 e 2011, a Al-Qaeda no Iraque fazia uma campanha sistemática contra a população xiita, tema tratado em detalhe no artigo sobre takfir. Uma carta interceptada, atribuída a Abu Musab al-Zarqawi e datada de janeiro de 2004, propõe de forma explícita atacar xiitas para provocar uma guerra sectária. Esse é o pano de fundo estatístico do relatório de 2011. Ele não é uma medição neutra e representativa do jihadismo em geral. É o retrato de um momento em que estava em curso uma campanha deliberada contra uma minoria religiosa dentro do próprio Islã.
Nesta apuração, procuramos os anexos estatísticos dos relatórios anuais dos anos seguintes (quando o anexo deixou de ser feito pelo NCTC e passou ao consórcio acadêmico START) e não encontramos a mesma métrica de filiação religiosa das vítimas34. Só que não conseguimos ler o texto completo desses anexos de forma estável, então isto fica como verificação pendente, não como ausência confirmada34 🔍. Se ficar confirmado que a métrica nunca foi recalculada, o fato de ela continuar circulando como se fosse atual já é parte da história que contamos aqui. Isso inclui material do próprio site: o verbete de jihadismo cita o período, mas não registra que a métrica nunca foi recalculada desde então. Um número de um único recorte de cinco anos virou, de tanto ser repetido, um número que parece medir o jihadismo inteiro.
O padrão que se sustenta sem essa cifra
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A tese central deste artigo não depende do número do NCTC. Ela se apoia, de forma independente, em bases de dados que medem outra coisa: não a filiação religiosa das vítimas, mas o lugar onde elas morrem.
O Global Terrorism Database (GTD), mantido pela Universidade de Maryland, registrou 34.676 mortes por terrorismo no mundo em 2016. O Oriente Médio e o Norte da África concentraram 55% delas; a Europa Ocidental, 0,7% (238 mortes)3. É um dado de geografia, não de religião das vítimas. Mas, como a esmagadora maioria da população dessa região é muçulmana, a conclusão é a mesma: quem morre está, sobretudo, em países muçulmanos.
O Global Terrorism Index (GTI), do Institute for Economics & Peace, mostra o mesmo padrão em anos mais recentes, com metodologia própria. Em 2023 foram 8.352 mortes por terrorismo no mundo, 22% a mais que no ano anterior. O Sahel Central passou o Oriente Médio como epicentro, com quase metade das mortes globais (47%). Segundo a edição 2024 do índice (dados de 2023), os quatro grupos mais letais responderam juntos por mais de 75% das mortes atribuídas a um grupo identificado: o Estado Islâmico (EI, ex-ISIS, também chamado Daesh) e seus afiliados, o Hamas, o JNIM e o al-Shabaab5.
Em 2024, as mortes caíram 13%, para 7.555. Parte dessa queda é efeito da contagem: o total de 2023 tinha sido inflado pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro daquele ano, que o índice inclui no total global de "terrorismo". Essa mistura de categorias (jihadismo salafista e conflito israelo-palestino) é um limite do próprio índice, e não um detalhe a esconder6.
Em 2025, as mortes caíram mais 28%, para 5.582, o menor nível desde 2007. Entre outros fatores, o recuo veio da queda de 45% nas mortes em Burkina Faso naquele ano, embora o mesmo relatório mostre alta nas mortes ligadas ao terrorismo no Ocidente71035. Mesmo assim, o Sahel continuou respondendo por mais da metade do total global7.
São duas métricas diferentes, de instituições diferentes, em anos diferentes. Elas não se somam, mas apontam na mesma direção: o jihadismo mata, na maioria, muçulmanos (NCTC, com a ressalva de período já feita) e mata sobretudo em países de maioria muçulmana (GTD, GTI). O achado central deste artigo se apoia nessa convergência, e não na força de uma cifra isolada.
Quatro bases, quatro definições: por que não somar os totais
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Quatro instituições produzem os números mais citados sobre terrorismo no mundo, e cada uma, por definição, mede uma coisa diferente. Cada uma inclui e exclui tipos diferentes de violência, então somar os totais dá um número sem sentido.
O GTD (START, Universidade de Maryland) conta ataques de atores subnacionais que cumprem pelo menos dois de três critérios: ter finalidade política, econômica, religiosa ou social; ter a intenção de coagir ou intimidar um público além da vítima imediata; e ocorrer fora do contexto de guerra legítima entre exércitos4. Segundo a página da própria base, a cobertura vai de 1970 a 2020, e o START não anuncia ali dados mais recentes. Para baixar os dados, é preciso preencher um formulário com nome, instituição e uso pretendido41.
O GTI (Institute for Economics & Peace) é um índice composto: incidentes, mortes, feridos e reféns, com média ponderada de cinco anos. Ele não usa mais o GTD como fonte primária de dados. Nas edições mais recentes, usa o "Terrorism Tracker", produzido pela Dragonfly, empresa privada de inteligência de risco5. Essa troca de fornecedor ajuda a explicar por que números do GTI de anos diferentes nem sempre são estritamente comparáveis com as séries anteriores baseadas no GTD. Não é só uma questão de metodologia declarada: houve uma quebra na fonte primária.
O ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project) não define terrorismo por ideologia nem por designação oficial, mas por tática. Um grupo passa a ser tratado como praticante de violência qualificável como terrorista quando ultrapassa certa taxa de violência contra civis e realiza pelo menos 50 eventos por ano1112. O ACLED é usado por organismos como a ONU e o Banco Mundial, e detalha cada país mais do que as outras três bases. Por isso é a fonte mais adequada para casos nacionais, como o da Nigéria, tratado adiante. Mas isso não o torna comparável, número a número, com os totais globais das outras bases.
O UCDP (Uppsala Conflict Data Program) mede algo ainda mais amplo: violência organizada. A categoria inclui conflito armado baseado em Estado (com pelo menos 25 mortes em combate por ano), conflito não estatal e violência unilateral contra civis. "Terrorismo" não é uma categoria central para ele1314. Em 2024, o UCDP registrou cerca de 160 mil mortes em violência organizada no mundo, incluindo cerca de 76 mil mortes em combate na Ucrânia e cerca de 26 mil mortes em Gaza e no Líbano, 94% delas de civis ou de pessoas de identidade desconhecida14.
Perto das 7.555 mortes que o GTI conta para o mesmo ano de 2024, a diferença passa de vinte vezes. Nenhuma das duas bases errou: a diferença está na definição. O UCDP conta guerra convencional entre exércitos (Ucrânia, Sudão), que o GTD e o GTI excluem por definição, porque ela não é feita de atos de um "ator subnacional" contra um "não combatente" fora do contexto de guerra legítima.
Uma quinta contagem, de outra origem
Há também uma quinta contagem, de origem diferente das quatro acima. Um levantamento da Fondapol, think tank francês de centro-direita, soma pelo menos 33.769 ataques classificados como islamistas entre 1979 e 2019, com pelo menos 167.096 mortos, 91,2% deles identificados como muçulmanos31. Registramos essa contagem indicando a origem político-institucional declarada da fonte. Pela mesma regra, ela também não deve ser somada a nenhuma das quatro bases acima: o período é outro, a definição de "ataque islamista" é outra e o método de classificar a religião das vítimas também é outro.
Daí vem a regra que vale para o artigo inteiro: nunca somar números de bases diferentes, e nunca tratar um total específico (de um país, de um grupo, de um ano) como se fosse o mesmo que o total global de outra base. Isso não é excesso de zelo. É o que separa um artigo de dados de um artigo que usa dados como decoração.
A virada para o Sahel: o dado mais importante e menos noticiado
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Se um número resume a mudança mais relevante deste tema na última geração, é este: em 2007, o Sahel respondia por cerca de 1% das mortes por terrorismo no mundo. Em 2022, já respondia por 43%, mais do que Oriente Médio/Norte da África e Sul da Ásia somados89.
Em 2023, passou o Oriente Médio e virou, sozinho, o epicentro, com quase metade das mortes globais: 47% na edição de 2024 do índice, 48% na conta revista da edição seguinte56. Em 2024, passou da metade e chegou a 51%, com mortes na região dez vezes maiores que em 20196. Em 2025, mesmo com a queda global de 28% nas mortes por terrorismo, o Sahel continuou respondendo por mais da metade do total mundial7.
Nos dados de 2022, Burkina Faso passou a ser, pela primeira vez, o país mais atingido pelo terrorismo no mundo, à frente do Afeganistão, que ocupava essa posição havia quatro anos seguidos8. Naquele ano, Mali e Burkina Faso somaram 73% das mortes do Sahel e 52% das de toda a África Subsaariana8. Em 2024, o Níger teve o maior aumento percentual do mundo nas estatísticas de terrorismo: alta de 94%, para cerca de 930 ocorrências. As fontes consultadas nesta apuração não deixam claro se esse número se refere a ataques ou a mortos, e registramos a dúvida em vez de escolher uma leitura 🔍6. Segundo a edição de 2024 do índice, as mortes por terrorismo no Sahel subiram 2.860% desde 2007, o primeiro ano da série5.
Neste artigo, não usamos números de mortes por país tirados diretamente do relatório do NCTC de 2011. Três tentativas de extração automática do PDF primário deram valores diferentes entre si para a mesma tabela, sinal de que a extração não é confiável linha a linha nesta apuração. Por isso os números da tabela por país do NCTC ficam de fora. Usamos só os agregados do próprio relatório (total global de mortes e faixa de vítimas muçulmanas) e os números de geografia do GTD e do GTI, que têm procedência mais estável.
Quem morre: cinco casos, seis pontos diferentes
Os números agregados escondem pessoas. Os casos abaixo não são um catálogo: cada um mostra um ponto específico sobre como o jihadismo escolhe seus alvos dentro do próprio campo muçulmano.
Al-Rawda, Sinai, Egito, 24 de novembro de 2017. Uma mesquita da ordem sufi Jaririya foi atacada durante a oração de sexta-feira. O primeiro balanço, da Human Rights Watch, registrou pelo menos 235 mortos. Os balanços consolidados nos dias seguintes, que coincidem em várias fontes de imprensa, chegaram a 305–311 mortos, mais de 120 feridos e 27 crianças entre os mortos1516. É o atentado mais mortal da história moderna do Egito. O Estado Islâmico nunca reivindicou formalmente o ataque. A atribuição à sua filial "Província do Sinai" vem de testemunhas que reconheceram a bandeira negra levada pelos atacantes e da avaliação do governo egípcio, não de um comunicado oficial1516. O caso mostra duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, que o sufismo, dimensão mística praticada por muçulmanos sunitas e xiitas, é alvo frequente do jihadismo salafista, que o trata como desvio. Segundo, que nem todo atentado atribuído a um grupo tem reivindicação formal por trás.
Mogadíscio, Somália, 14 de outubro de 2017. Dois caminhões-bomba, um deles detonado perto de um posto de combustível no distrito de Hodan. O comitê de investigação somali fixou o balanço final em mais de 500 mortos (o número mais citado é 512) e cerca de 300 feridos1718. É o atentado mais mortal da história da Somália e o segundo mais mortal de toda a história da África em ataques a bomba. O governo somali atribuiu o ataque ao al-Shabaab. Nesta apuração, não encontramos comunicado formal do grupo assumindo a autoria17. O caso mostra, num único ataque, um número de vítimas civis muito maior que o de qualquer atentado jihadista no Ocidente na última década, e que recebeu, em proporção, muito menos cobertura internacional. Voltamos a esse ponto adiante.
Quetta, Paquistão, janeiro–fevereiro de 2013. Em pouco mais de um mês, dois atentados a bomba atingiram a comunidade hazara xiita da cidade. Em 10 de janeiro, uma bomba num clube de sinuca frequentado por hazaras matou 96 pessoas e feriu pelo menos 150. Em 17 de fevereiro, uma segunda bomba em Hazara Town matou pelo menos 84 e feriu mais de 1602022. Os dois ataques foram reivindicados pelo Lashkar-e-Jhangvi (LeJ), grupo sectário paquistanês dedicado a atacar xiitas. Quem ataca aqui não são "muçulmanos" em geral: é um grupo com nome e com um projeto declarado. Segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Paquistão, entre janeiro de 2012 e dezembro de 2017 pelo menos 509 hazaras foram mortos e 627 feridos em ataques direcionados, só na região de Quetta36. Organizações de direitos das minorias estimam mais de 2.000 hazaras mortos desde 1999, uma soma histórica cuja divisão ano a ano não confirmamos nesta apuração21.
Hazaras de Cabul, Afeganistão, 2021–2022. No Afeganistão, o padrão contra a mesma etnia e o mesmo ramo do Islã se repete, com outro grupo. Em 8 de maio de 2021, três explosões na Escola Sayed al-Shuhada, no bairro hazara xiita de Dashte Barchi, mataram pelo menos 85 pessoas, entre elas 42 meninas e 28 mulheres19. Em 30 de setembro de 2022, um ataque suicida ao centro educacional Kaaj, no mesmo bairro, matou 53 pessoas e feriu 110. A maioria dos mortos eram meninas e moças que faziam um simulado do exame de entrada na universidade37. Nenhum grupo assumiu esse segundo ataque, embora afiliados do Estado Islâmico costumem atacar a minoria hazara3839. Segundo a Human Rights Watch, o Estado Islâmico-Khorasan (EI-K) assumiu pelo menos 17 ataques contra hazaras desde que o Talibã tomou Cabul, em agosto de 2021, com mais de 700 mortos e feridos40. O mecanismo doutrinário por trás desses ataques (como um grupo jihadista declara outro muçulmano alvo legítimo) está tratado em detalhe no artigo sobre takfir. Aqui registramos só a escala.
Nigéria: quando um grupo jihadista racha por causa de até onde matar. O Boko Haram se dividiu, em parte, por discordar sobre os limites do próprio takfir: o ISWAP depôs o líder histórico Abubakar Shekau porque ele declarava infiéis outros muçulmanos de forma ampla demais33. Pelo menos doze clérigos foram mortos no estado de Borno por homens armados em motocicletas. A maioria era de imãs idosos, e alguns foram apontados como alvo por criticarem publicamente o Boko Haram33. O caso já está detalhado no artigo sobre takfir, e não o repetimos aqui. O que importa para este artigo é que a própria disputa interna mostra que o grupo não trata "os muçulmanos" como um alvo uniforme: trata como alvo clérigos específicos, por posições específicas.
Não escolhemos esses cinco casos para montar um inventário de horror. Cada um mostra um mecanismo diferente: reivindicação ausente, escala desproporcional à cobertura recebida, um grupo sectário com nome, um grupo que sucede outro contra a mesma comunidade e uma cisão interna sobre os limites do próprio takfir.
A narrativa invertida, que tropeça nos mesmos dados
O erro de tratar o jihadismo como prova de que "os muçulmanos se matam entre si" tem um espelho quase perfeito, que ganhou força entre 2025 e 2026: a alegação de que cristãos estariam sendo vítimas de um "genocídio" orquestrado por muçulmanos na Nigéria.
O senador americano Ted Cruz e, depois, o presidente Donald Trump fizeram a acusação. Em 31 de outubro e 1º de novembro de 2025, o governo americano classificou a Nigéria como "País de Preocupação Particular" (Country of Particular Concern) e chegou a ameaçar uma ação militar29. A Nigéria contestou publicamente essa caracterização28.
Os próprios dados de monitoramento de conflito não sustentam a versão de um genocídio dirigido. Segundo o ACLED, entre janeiro de 2020 e setembro de 2025 houve 20.409 mortes em 11.862 ataques contra civis em todo o país. Na maior parte deles, não se identificou fator religioso como causa principal: a violência estava ligada antes a conflitos entre pastores e agricultores, a separatismo e à ação de bandos armados2627. Dentro desse total, 385 ataques em que a identidade cristã da vítima foi registrada como fator deixaram 317 mortos; 196 ataques com fator muçulmano registrado deixaram 417 mortos2627. Olajumoke Ayandele, da Universidade de Nova York, descreve os assassinatos em massa no país como "não direcionados a um grupo específico", o que não caracteriza genocídio conforme a definição da ONU30.
Uma ressalva de método vale para todo este bloco: os números exatos de 2020–2025 vêm de uma única fonte primária, o ACLED, por meio do mesmo analista (Ladd Serwat), citado por duas reportagens que bebem da mesma origem. Não são duas apurações independentes, embora tenham sido muito replicadas na imprensa internacional2627 ⚠️.
O ponto aqui não é a Nigéria em si. As duas narrativas, a de "guerra do Islã contra o Ocidente" e a inversa, de perseguição cristã orquestrada por muçulmanos, tropeçam nos mesmos dados de monitoramento de conflito quando eles são usados com rigor. Esses dados mostram a violência devastando as duas comunidades, em números absolutos próximos, dentro de um conflito muito mais amplo e menos religioso do que qualquer uma das duas narrativas sugere.
O que os números não dizem
Uma estatística forte sem qualificação é fácil de citar errado, e mais fácil ainda de descartar quando não se diz o que ela não mede. Por isso esta parte é tão necessária quanto os números.
A concentração geográfica das mortes não prova que o jihadismo seja "problema interno" do mundo muçulmano, do qual o Ocidente estaria isento de responsabilidade. O dado mede onde as pessoas morrem. Não mede financiamento transnacional, ideologia exportada ou redes de recrutamento que cruzam fronteiras. Onde as pessoas morrem e quem sustenta as condições para que elas morram são perguntas diferentes, e os dados reunidos aqui só respondem à primeira.
Os números não medem intenção. Um relatório de vítimas não distingue o grupo que mata muçulmanos por considerá-los apóstatas, o grupo que mata civis de qualquer fé porque estão no caminho de uma disputa territorial e o grupo que mata seletivamente clérigos por razões de controle político local. São mecanismos doutrinários e estratégicos diferentes, tratados com mais profundidade no artigo sobre takfir, e a contagem de mortes, sozinha, não resolve essa diferença.
A contagem é estruturalmente mais fraca justamente onde há mais mortes. Os países onde mais gente morre hoje (no Sahel, na Somália, em partes do Afeganistão sob o Talibã) são também os de Estado mais fraco e menor cobertura de imprensa. O próprio relatório do NCTC de 2011 reconhece, na seção de metodologia, que é difícil separar terrorismo de outras formas de violência justamente no Iraque e no Afeganistão, os países que mais pesavam naquele recorte1. Isso sugere que os números atuais do Sahel podem estar subestimados, e não inflados. Mas, nesta apuração, não encontramos nenhum estudo que meça o tamanho dessa subnotificação. Registramos o problema como ele é, qualitativo e sem percentual de ajuste confiável: ⚠️ SEM FONTE para qualquer cifra específica de subnotificação. Não inventamos uma para preencher a lacuna.
Este não é o tema da islamofobia no Ocidente. As vítimas de ataques islamofóbicos contra muçulmanos em países ocidentais são outra contagem, com autores, motivações e contextos diferentes dos casos reunidos aqui. É pauta própria deste site, ainda não publicada. Somar as duas contagens, ou tratá-las como a mesma coisa vista de lados opostos, seria um erro do mesmo tipo que este artigo quer corrigir, só que no sentido contrário.
Por que a cobertura é assimétrica
Um atentado no Ocidente costuma ter mais espaço na imprensa internacional do que um atentado muito mais mortal num país de maioria muçulmana. A diferença entre a cobertura de Mogadíscio, com mais de 500 mortos, e a de qualquer atentado europeu de escala muito menor ilustra esse padrão.
Isso não é só impressão: há literatura acadêmica que mede a diferença diretamente. Um estudo de Erin Kearns, Allison Betus e Anthony Lemieux, publicado na revista Justice Quarterly, analisou a cobertura de atentados nos Estados Unidos e concluiu que ataques cometidos por muçulmanos recebem, em média, 357% mais cobertura de imprensa do que ataques equivalentes cometidos por não muçulmanos2324. A própria universidade dos autores noticiou o resultado ao divulgar o estudo24, e o Our World in Data o resumiu em sua cobertura sobre desinformação e percepção pública do terrorismo25. Essa diferença de cobertura ajuda a explicar por que a ideia de que "terrorismo é, sobretudo, uma ameaça ao Ocidente" continua forte no debate público, embora os dados mostrem o contrário: a maior parte das mortes acontece, e sempre aconteceu no período medido, fora do Ocidente, contra populações majoritariamente muçulmanas.
O ângulo Brasil, e por que ele é fraco
Nesta apuração, não encontramos nenhuma ligação brasileira direta e documentável com o tema das vítimas do jihadismo. Nenhum cidadão brasileiro aparece como vítima nas bases ou nos casos consultados. Não há cobertura da imprensa brasileira com apuração própria sobre a proporção de vítimas muçulmanas do jihadismo, nem produção acadêmica brasileira específica sobre o tema.
O que mais se aproxima de uma ligação é institucional e geopolítico, não humano. O Observatório Militar da Praia Vermelha, ligado à Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, publicou uma análise sobre o avanço do jihadismo no Sahel, incluindo o Níger, como fator de instabilidade no que chama de "entorno estratégico" do Brasil. A análise aponta a queda de Muammar Gadafi na Líbia, em 2011, como catalisador da difusão de armas e combatentes para a região32. Não conseguimos ler esse conteúdo de forma estável nesta apuração (falha de certificado em duas tentativas), e por isso ele leva a ressalva 🔍32. É fonte oficial brasileira, mas o vínculo que ela estabelece é de segurança regional, não de vítimas, comércio ou comunidade, e não o apresentamos como mais do que isso.
Não construímos, a partir dessa ausência, nenhum cenário hipotético de risco para o Brasil. Vale aqui o mesmo cuidado editorial já registrado no artigo sobre takfir, para o tema irmão do mecanismo doutrinário: não haver conexão documentada não é convite para especular uma.
Leia antes
- Takfir: quando um muçulmano é declarado infiel — o mecanismo doutrinário que explica por que jihadistas podem tratar outro muçulmano como alvo legítimo. Assumimos esse mecanismo como conhecido e concentramos este texto em quantos e onde.
- Islã, islamismo e jihadismo: por que não são graus de uma mesma escala — já usa a cifra do NCTC 2011 e dados de GTD e GTI de passagem; aprofundamos aqui a procedência de cada número que aquele texto usa resumidamente.
- Jihad: os sentidos do termo — contexto sobre a reformulação jihadista da jihad como obrigação individual permanente, que explica por que há tantos grupos capazes de produzir os números aqui reunidos.
Leia depois
- Perfis de grupos: Estado Islâmico, Boko Haram, Al-Shabaab, Estado Islâmico-Khorasan (pautas próprias, ainda não publicadas).
- Islamofobia real no Ocidente (Pilar 7) — o tema espelhado que este artigo explicitamente não cobre.
- Perfis de país: Nigéria, Afeganistão, Paquistão, países do Sahel (formato próprio, fora da fila de artigos).
Fontes
Fontes
National Counterterrorism Center (EUA), 2011 Report on Terrorism, seções "Victims of Attacks" e de metodologia (p. 8). https://irp.fas.org/threat/nctc2011.pdf (abre em nova aba) · 🟢 fonte primária, com atribuição · lida em 23 de setembro de 2026 na cópia do web.archive.org (o servidor original devolveu arquivo vazio). Sustenta o total de 12.533 mortes em 2011, a faixa de 82% a 97% de vítimas muçulmanas e, na metodologia, que no Iraque e no Afeganistão é difícil separar terrorismo de outras formas de violência, como a sectária no Iraque, e que a base provavelmente subconta os ataques nesses dois países em 2011. Extração de PDF instável para os números de país (não usados neste artigo); proporção de 70% atribuída a extremistas sunitas não lida diretamente na tabela primária 🔍.
↩U.S. Department of State / NCTC, Country Reports on Terrorism 2011: National Counterterrorism Center: Annex of Statistical Information. https://2009-2017.state.gov/j/ct/rls/crt/2011/195555.htm (abre em nova aba) · 🟢 publicação oficial do anexo estatístico de 2011, que repete a frase sobre os 82% a 97% de vítimas muçulmanas nos cinco anos anteriores. O site original devolve HTTP 403; lida em 23 de setembro de 2026 na cópia do web.archive.org de 1º de abril de 2025.
↩START, Universidade de Maryland, Global Terrorism Database (GTD), dados de 2016 (já citados em
↩isla-islamismo-jihadismo.md): Oriente Médio e Norte da África concentraram 55% de 34.676 mortes globais por terrorismo; Europa Ocidental, 0,7% (238 mortes). https://www.start.umd.edu/data-tools/GTD (abre em nova aba) · 🟢 base acadêmica de referência.START, Universidade de Maryland, Global Terrorism Database — Codebook: Methodology, Inclusion Criteria, and Variables, agosto de 2021. https://www.start.umd.edu/sites/default/files/2024-10/Codebook.pdf (abre em nova aba) · 🟢 · sustenta os critérios de inclusão da base.
↩Institute for Economics & Peace, Global Terrorism Index 2024 (dados de 2023). https://www.economicsandpeace.org/wp-content/uploads/2024/02/GTI-2024-web-290224.pdf (abre em nova aba) · 🟢 · fonte de dados mudou de GTD para "Terrorism Tracker" (Dragonfly, empresa privada). Sustenta as 8.352 mortes de 2023 (alta de 22%), a fatia do Sahel de 47% ("just under four thousand deaths"), a alta de 2.860% nas mortes no Sahel desde 2007 e os quatro grupos mais letais (EI, Hamas, JNIM, al-Shabaab) com mais de 75% das mortes atribuídas a grupo identificado. PDF lido diretamente em 23 de setembro de 2026. Não usamos a página "Islamic State the deadliest terror group in 2024 as big four expands" (Vision of Humanity): é reescrita a cada edição do índice e, conferida em 07/09/2026, já mostrava dados de 2024, com outros quatro grupos (EI, JNIM, TTP, al-Shabaab) e outro total (4.204 mortes).
↩Institute for Economics & Peace, Global Terrorism Index 2025 (dados de 2024). https://www.visionofhumanity.org/wp-content/uploads/2025/03/Global-Terrorism-Index-2025.pdf (abre em nova aba) · 🟢 — sustenta as 7.555 mortes de 2024 (queda de 13%) e a fatia do Sahel de 51% em 2024, contra 48% em 2023. PDF lido diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩Institute for Economics & Peace, Global Terrorism Index 2026 (dados de 2025). https://www.visionofhumanity.org/wp-content/uploads/2026/03/Global-Terrorism-Index-2026-Report.pdf (abre em nova aba) · 🟢 · PDF não extraível diretamente nesta apuração; dados obtidos via cobertura secundária convergente (Africa Defense Forum, Hart International, Vision of Humanity).
↩Vision of Humanity (IEP), "Sahel dominates top 10 countries most impacted by terrorism". https://www.visionofhumanity.org/sahel-dominates-top-10-countries-most-impacted-by-terrorism/ (abre em nova aba) · 🟢.
↩Vision of Humanity (IEP), "Global Terrorism Index 2023 Key Findings in Five Charts". https://www.visionofhumanity.org/global-terrorism-index-2023-key-findings-in-5-charts/ (abre em nova aba) · 🟢.
↩Vision of Humanity (IEP), "Global terrorism falls to a decade low but Western fatalities surge". https://www.visionofhumanity.org/global-terrorism-falls-to-a-decade-low-but-western-fatalities-surge/ (abre em nova aba) · 🟢.
↩ACLED, "ACLED Codebook". https://acleddata.com/methodology/acled-codebook (abre em nova aba) · 🟢.
↩ACLED, "Conflict categories". https://acleddata.com/methodology/conflict-categories (abre em nova aba) · 🟢.
↩Uppsala Conflict Data Program / Uppsala University, "UCDP: record number of armed conflicts in the world", junho de 2024. https://www.uu.se/en/press/press-releases/2024/2024-06-03-ucdp-record-number-of-armed-conflicts-in-the-world (abre em nova aba) · 🟢.
↩Davies, S.; Pettersson, T.; Sollenberg, M.; Öberg, M., "Organized violence 1989–2024, and the challenges of identifying civilian victims", Journal of Peace Research, 62(4), 2025, pp. 1223–. https://academic.oup.com/jpr/article/62/4/1223/8324565 (abre em nova aba) · 🟢 periódico revisado por pares.
↩Human Rights Watch, "Egypt: Sinai Attack Inflicts Horrendous Civilian Toll", 24 de novembro de 2017. https://www.hrw.org/news/2017/11/24/egypt-sinai-attack-inflicts-horrendous-civilian-toll (abre em nova aba) · 🟢.
↩NBC News, "Egypt mosque attack: Death toll rises, officials say militants brandished ISIS flag". https://www.nbcnews.com/storyline/isis-terror/egypt-reels-death-toll-rises-mosque-attack-which-militants-brandished-n823871 (abre em nova aba) · 🟢.
↩NPR, "Mogadishu Truck Bomb's Death Toll Now Tops 500, Probe Committee Says", 2 de dezembro de 2017. https://www.npr.org/sections/thetwo-way/2017/12/02/567985077/mogadishu-truck-bombs-death-toll-now-tops-500-probe-committee-says (abre em nova aba) · 🟢.
↩VOA News, "Somalia Marks Anniversary of Deadliest Terror Attack". https://www.voanews.com/a/somalia-marks-anniversary-of-deadliest-terror-attack-/6270767.html (abre em nova aba) · 🟢 serviço público internacional.
↩Human Rights Watch, "Afghanistan: Surge in Islamic State Attacks on Shia", 25 de outubro de 2021. https://www.hrw.org/news/2021/10/25/afghanistan-surge-islamic-state-attacks-shia (abre em nova aba) · 🟢 · já usada em
↩takfir.md— sustenta as três explosões de 8 de maio de 2021 na Escola Sayed al-Shuhada, com pelo menos 85 mortos, entre eles 42 meninas e 28 mulheres. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.Human Rights Watch, "We Are the Walking Dead: Killings of Shia Hazara in Balochistan, Pakistan", 29 de junho de 2014. https://www.hrw.org/report/2014/06/29/we-are-walking-dead/killings-shia-hazara-balochistan-pakistan (abre em nova aba) · 🟢 · confirma diretamente que o segundo atentado de Quetta (Hazara Town) ocorreu em 17 de fevereiro de 2013, com pelo menos 84 mortos.
↩Minority Rights Group, "Shi'a and Hazaras in Pakistan". https://minorityrights.org/communities/shia-and-hazaras/ (abre em nova aba) · 🟢 ONG de referência em direitos de minorias.
↩Al Jazeera, "Scores dead in Pakistan sectarian attack", 17 de fevereiro de 2013; "Thousands protest Quetta sectarian attacks", 11 de janeiro de 2013. https://www.aljazeera.com/news/2013/2/17/scores-dead-in-pakistan-sectarian-attack (abre em nova aba) · 🟡 viés declarado em
↩docs/FONTES.md; fato factual corroborado por cobertura convergente de múltiplas fontes.Kearns, E.M.; Betus, A.E.; Lemieux, A.F., "Why Do Some Terrorist Attacks Receive More Media Attention Than Others?", Justice Quarterly, 36(6), 2019, pp. 985–1022. https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/07418825.2018.1524507 (abre em nova aba) · 🟢 periódico acadêmico revisado por pares.
↩Georgia State University News, "Terror Attacks By Muslims Get 357 Percent More Media Coverage Than Other Terror Attacks, Study Shows", 19 de fevereiro de 2019. https://news.gsu.edu/2019/02/19/terror-attacks-by-muslims-get-disproportionate-news-coverage/ (abre em nova aba) · 🟢 divulgação institucional do próprio estudo.
↩Our World in Data, "Why do some terrorist attacks receive more media attention than others?". https://ourworldindata.org/why-do-some-terrorist-attacks-receive-more-media-attention-than-others (abre em nova aba) · 🟢.
↩The Week, "The disputed claims about Christian genocide in Nigeria", novembro de 2025. https://theweek.com/world-news/mass-murder-of-christians-in-nigeria-genocide-claims (abre em nova aba) · 🟢 · números atribuídos à ACLED via o analista Ladd Serwat — mesma origem primária de [F27], não é segunda apuração independente ⚠️.
↩Yahoo News/AP, "A US senator claims 'Christian mass murder' is occurring in Nigeria. The data disagrees". https://www.yahoo.com/news/articles/us-senator-claims-christian-mass-041653375.html (abre em nova aba) · 🟢 agência · mesma ressalva de [F26].
↩Al Jazeera, "Nigeria pushes back on Trump's claims over Christian killings", 4 de novembro de 2025. https://www.aljazeera.com/news/2025/11/4/nigeria-pushes-back-on-trumps-claims-over-christian-killings (abre em nova aba) · 🟡 viés declarado.
↩Euronews, "Trump threatens Nigeria with military action amid claims of Christian persecution", 3 de novembro de 2025. https://www.euronews.com/2025/11/03/trump-threatens-nigeria-with-military-action-amid-claims-of-christian-persecution (abre em nova aba) · 🟢 serviço europeu.
↩Christian Science Monitor, "Trump says Nigeria's Christians are persecuted. The reality is more complex.", 10 de novembro de 2025. https://www.csmonitor.com/World/Africa/2025/1110/trump-nigeria-christian-genocide-boko-haram-fulani-violence (abre em nova aba) · 🟢.
↩Fondation pour l'innovation politique (Fondapol), "Islamists have killed 167,096 people since 1979 – most of them were Muslims", novembro de 2019, e a base de dados completa do estudo, "Les attentats islamistes dans le monde, 1979–2019". https://www.fondapol.org/en/in-media/islamists-have-killed-167096-people-since-1979-most-of-them-were-muslims/ (abre em nova aba) · https://data.fondapol.org/attentats-islamistes/les-attentats-islamistes-dans-le-monde-1979-2019/ (abre em nova aba) · 🟡 think tank francês de centro-direita — já usada em
↩takfir.md; os números de ataques (33.769) e o percentual de vítimas muçulmanas (91,2%) foram conferidos diretamente na base de dados do estudo; não deve ser somada às quatro bases da seção anterior.Observatório Militar da Praia Vermelha (OMPV) / ECEME, Exército Brasileiro, "O avanço do terrorismo no Níger: desafios à estabilidade no Sahel e implicações para o Brasil". https://ompv.eceme.eb.mil.br/areas-tematicas/conflitos-belicos-e-terrorismo/artigos/o-avanco-do-terrorismo-no-niger-desafios-a-estabilidade-no-sahel-e-implicacoes-para-o-brasil (abre em nova aba) · 🟢 fonte oficial brasileira · conteúdo não lido de forma estável (falha de certificado em duas tentativas); reconstruído via resumo de busca 🔍.
↩HumAngle Media, "Takfir: The Ideological Conflict That Divided Boko Haram". https://humanglemedia.com/takfir-the-ideological-conflict-that-divided-boko-haram/ (abre em nova aba) · 🟢 veículo nigeriano especializado, reputação estabelecida — já usada em
↩takfir.md; sustenta a deposição de Abubakar Shekau pelo ISWAP e o assassinato de ao menos doze clérigos no estado de Borno.U.S. Department of State, Country Reports on Terrorism 2013: Annex of Statistical Information (produzido por START, não mais pelo NCTC). https://2009-2017.state.gov/j/ct/rls/crt/2013/224831.htm (abre em nova aba) · 🔍 conteúdo não extraído de forma legível nesta apuração; usado apenas para sustentar que não localizamos repetição da métrica de filiação religiosa das vítimas em anos posteriores a 2011 — ausência não confirmada de forma definitiva.
↩Africa Defense Forum, "Terrorism Index Notes Fewer Attacks but Points to Entrenchment", abril de 2026. https://adf-magazine.com/2026/04/terrorism-index-notes-fewer-attacks-but-points-to-entrenchment/ (abre em nova aba) · 🟢 publicação especializada em segurança e defesa africana, não catalogada em
↩docs/FONTES.md— tratada como fonte especializada até avaliação formal · sustenta especificamente a queda de 45% nas mortes em Burkina Faso em 2025. Não contém o valor absoluto (−686 mortes) nem a caracterização "maior queda absoluta do mundo" — por isso o corpo do texto não usa esses dois elementos; ambos aparecem em cobertura secundária convergente (ASIS International, Hart International), sempre remetendo ao relatório primário [F7], mas não os citamos aqui até poder ancorá-los diretamente ao PDF do GTI 2026. A cobertura da Africanews (abr. 2026), conferida em 07/09/2026, confirma o padrão qualitativo do Sahel (queda geral, ainda "mais da metade" das mortes globais), mas não contém nenhum número específico de Burkina Faso.Dawn.com, "509 Hazaras killed in terror-related incidents during last five years in Quetta: NCHR report". https://www.dawn.com/news/1396273 (abre em nova aba) · 🟢 jornal paquistanês de referência, reportando relatório oficial da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Paquistão (NCHR) — sustenta a estatística de 509 mortos/627 feridos entre 2012 e 2017.
↩Sahar Fetrat e Fereshta Abbasi, Human Rights Watch, "In Afghanistan, Resistance Means Women", 12 de outubro de 2022. https://www.hrw.org/news/2022/10/12/afghanistan-resistance-means-women (abre em nova aba) · 🟢 — sustenta o ataque de 30 de setembro de 2022 ao centro educacional Kaaj, durante um simulado do exame de entrada na universidade, com 53 mortos, a maioria meninas e moças, e 110 feridos. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩UN News, "Afghanistan: UN condemns 'callous' suicide attack on education centre", 30 de setembro de 2022. https://news.un.org/en/story/2022/09/1129067 (abre em nova aba) · 🟢 — registra que nenhum grupo tinha assumido o ataque e que afiliados do Estado Islâmico costumam atacar a minoria hazara. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩Scholars at Risk, Academic Freedom Monitoring Project, "2022-09-30 Kaaj Educational Center". https://www.scholarsatrisk.org/report/2022-09-30-kaaj-educational-center/ (abre em nova aba) · 🟡 rede acadêmica de monitoramento — registra 53 mortos e 110 feridos e que nenhum grupo assumiu o ataque. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩Fereshta Abbasi, Human Rights Watch, "Afghanistan's Hazara Community Needs Protection", 13 de setembro de 2024. https://www.hrw.org/news/2024/09/13/afghanistans-hazara-community-needs-protection (abre em nova aba) · 🟢 — sustenta que, desde a tomada do poder pelo Talibã em agosto de 2021, o EI-K assumiu pelo menos 17 ataques contra hazaras, com mais de 700 mortos e feridos. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩START, Universidade de Maryland, "Global Terrorism Database (GTD)" e "Download the GTD". https://www.start.umd.edu/data-tools/GTD (abre em nova aba) · https://www.start.umd.edu/gtd-download (abre em nova aba) · 🟢 — sustenta a cobertura de 1970 a 2020 e o formulário (nome, instituição, contato, uso pretendido) exigido para baixar os dados. Lidas diretamente em 23 de setembro de 2026.
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