Verbete
Diya
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Diya · diya (دية), "indenização por sangue"
Diya é a indenização em dinheiro que a doutrina penal islâmica clássica oferece como uma das três opções dentro do qisas, ao lado da execução e do perdão, paga pelo agressor ou por sua família à vítima de lesão corporal ou aos herdeiros de vítima de homicídio1.
A alternativa ao talião
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O qisas, a retaliação por homicídio ou lesão corporal, é "direito do homem": a vítima ou seus herdeiros podem escolher entre exigir a execução, perdoar ou aceitar a diya1. Essa possibilidade de perdão separa o qisas, e a diya que faz parte dele, dos hudud, os crimes de "direito de Deus" que nenhuma parte privada pode perdoar ou comprar1. Na doutrina de ahkam al-bughat, sobre rebelião armada, até a diya fica suspensa, assim como hudud e qisas, mas com condições. Segundo o estudo de Sadia Tabassum sobre os juristas clássicos, o rebelde só fica livre de pagar se o grupo já tinha força própria (mana'a) e agia com base numa interpretação religiosa (ta'wil), e só pelo dano causado durante o combate. O que foi feito fora do combate continua sendo cobrado2.
Como o Código Penal Islâmico do Irã fixa o valor
O código de 2013 trata homicídio e lesão corporal como qisas, e a diya é uma das três saídas, ao lado da execução e do perdão3. Mas, no texto iraniano, o valor da diya muda por sexo e por religião. O artigo 550 diz que "a diya pelo homicídio de uma mulher será a metade da de um homem"4. O artigo 560 mostra que a igualdade só vale para lesões pequenas: "a diya de mulher e homem, em relação a órgãos do corpo e suas funções, até o teto de um terço da diya integral de homem, será a mesma; e, caso seja um terço ou mais, a diya da mulher será reduzida à metade"4.
Em 2 de julho de 2019, o Supremo Tribunal iraniano determinou que o Fundo de Lesões Corporais passasse a cobrir, de forma consistente, a diferença entre a diya paga a uma vítima mulher e o teto fixado para um homem. O fundo é financiado por prêmios de seguro, taxas judiciárias e multas de trânsito. O valor de base pago pelo próprio agressor, porém, continua sendo metade da diya de um homem, como manda o artigo 550; o Conselho de Guardiões se recusou a anular esse dispositivo, citando fundamento teológico islâmico. A decisão não revogou a desigualdade: criou uma compensação pública por cima dela. Mesmo assim, costuma ser descrita, de forma imprecisa, como se tivesse "igualado" a diya5.
O artigo 554, invocando um "decreto de governo do Líder", determina que a diya de crime contra minorias religiosas reconhecidas pela Constituição (zoroastristas, judeus e cristãos) seja igual à de um muçulmano46. Essa equiparação não alcança os bahá'ís, que a Constituição não reconhece como minoria religiosa6. O artigo 382 exige que a família de uma vítima mulher muçulmana pague ao agressor, antes da execução do talião, metade da diya integral de um homem, mas só se o agressor também for muçulmano; se não for, o talião se aplica sem esse pagamento prévio4. O artigo 301 isenta de talião o pai e o avô paterno da vítima. Segundo Farshid Rafougaran, eles respondem, em vez disso, por diya e por pena discricionária7.
Não confundir com: qisas, a retaliação da qual a diya é uma das três saídas possíveis, e não uma categoria à parte; hudud, os crimes de pena fixa que nenhuma diya substitui; ta'zir, a pena discricionária que se aplica, no Irã, junto com a diya, a quem fica isento de talião, como o pai ou o avô paterno da vítima.
Leia mais: Hudud: os crimes, as penas e a prova · Código Penal Islâmico do Irã
Fontes
Fontes
Rudolph Peters, Crime and Punishment in Islamic Law: Theory and Practice from the Sixteenth to the Twenty-First Century, Cambridge University Press, 2005, cap. 2 "The classical doctrine" (pp. 6–68). Paginação confirmada por busca indexada do Google Livros, não por leitura corrida; cotejo com exemplar físico recomendado antes da publicação final. 🟢
↩Sadia Tabassum, "Combatants, not bandits: the status of rebels in Islamic law", International Review of the Red Cross, vol. 93, nº 881, 2011 — https://international-review.icrc.org/sites/default/files/irrc-881-tabassum.pdf (abre em nova aba) · periódico acadêmico/institucional do CICV, revisado por pares; publicado em IRRC v. 93, n. 881 ("Conflict in Afghanistan II"), março de 2011, pp. 121–139, DOI 10.1017/S1816383111000117. 🟢 · lido na íntegra (cópia do PDF do CICV no web.archive.org) · o corpo e a nota 23 dizem que os juristas não aplicam aos rebeldes as regras de hudud, qisas, diya, arsh e daman; as notas 51 e 55 detalham as condições: a isenção vale para o dano causado durante o combate, depois que os rebeldes têm mana'a e desde que tenham ta'wil (na escola shafi'i, al-Shirazi dá a opinião preferida como "não há compensação" durante a guerra e compensação obrigatória fora dela); a ruptura com o crime comum (hiraba) também está no artigo. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026. ⚠️ Fonte única para as condições da isenção dos rebeldes (força própria, interpretação religiosa e dano causado durante o combate): procuramos outras fontes para essa informação, mas só esta a registra. Ao contrário do resto do texto, ela não foi confirmada por fontes independentes.
↩Human Rights Watch, "Codifying Repression: An Assessment of Iran's New Penal Code", 28 de agosto de 2012 — https://www.hrw.org/report/2012/08/28/codifying-repression/assessment-irans-new-penal-code (abre em nova aba) · 🟢 — lido diretamente.
↩Legal Deputy to the Judiciary of the Islamic Republic of Iran, "Islamic Penal Code — The Islamic Republic of Iran" (tradução para o inglês por Mohsen Mir Mohammad Sadeghi, tradutor certificado do Judiciário), 2016, publicado via UNODC Sherloc — https://sherloc.unodc.org/cld/uploads/res/islamic-penal-code_html/Islamic_Penal_Code.pdf (abre em nova aba) · 🟢 — tradução do próprio Estado iraniano, 728 artigos, lida diretamente.
↩Center for Human Rights in Iran (CHRI), "Blood Money Paid for a Woman in Iran Is Still Half That Paid for a Man, Despite New Ruling", 2 de agosto de 2019 — https://iranhumanrights.org/2019/08/blood-money-paid-for-a-woman-in-iran-is-still-half-that-paid-for-a-man-despite-new-ruling/ (abre em nova aba) · 🟢 — lido diretamente.
↩Constitute Project, "Iran's Constitution of 1979 with Amendments through 1989" — https://www.constituteproject.org/constitution/Iran_1989 (abre em nova aba) · 🟢 — lido diretamente; texto integral da Constituição, inclusive o artigo que reconhece zoroastristas, judeus e cristãos como minorias religiosas, sem incluir os bahá'ís.
↩Peace-Mark, Farshid Rafougaran, "An overview of Article 301 of the Islamic Penal Code and the concept of discrimination in punishment", 29 de outubro de 2017 — https://www.peace-mark.org/en/articles/78-7-en/ (abre em nova aba) · 🟡 — organização de direitos humanos, autor crítico não identificado como jurista formal.
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