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Verbete

Jihad

jihad · jihād (جهاد), "esforço"

Jihad é um termo com espectro de sentidos, do esforço ético e espiritual do fiel comum à guerra religiosamente sancionada; não tem tradução única, e "guerra santa" — a mais comum na imprensa ocidental — corresponde apenas a um desses sentidos, e não ao mais frequente na vida cotidiana da maioria dos muçulmanos.

Na doutrina clássica

No direito islâmico clássico, a jihad militar era atividade regulada: exigia autoridade legítima para ser declarada, distinguia combatentes de não combatentes e admitia trégua. A doutrina a dividia em defensiva e ofensiva. A tradição majoritária tratava a jihad ofensiva como obrigação coletiva da comunidade — fard al-kifaya —, não de cada indivíduo, circunstancial e sujeita a quem detivesse autoridade legítima.

A reinterpretação do século XX

Sayyid Qutb, no livro Ma'alim fi al-Tariq ("Marcos", 1964)12, escrito na prisão sob o regime de Gamal Abdel Nasser, argumentou que sociedades contemporâneas — inclusive as de maioria muçulmana — vivem em jahiliyya (a ignorância pré-islâmica) e que só a soberania de Deus na lei resolve essa condição; é o texto que fornece boa parte do vocabulário que jihadistas posteriores usam para declarar governos muçulmanos alvos legítimos12.

Abdullah Azzam, em Defesa das Terras Muçulmanas (1984) e Junte-se à Caravana (1987)1, foi além: diante da invasão soviética do Afeganistão, em 19791, defendeu que a jihad se tornara fard al-'ayn — obrigação individual de todo muçulmano capaz —, ruptura com a doutrina clássica, que a trata, no caso ofensivo, como coletiva1. É a matriz doutrinária direta do jihadismo transnacional de Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri1.

Essa reformulação — jihad permanente, sem as restrições clássicas de autoridade legítima, distinção de não combatentes e possibilidade de trégua — é o sentido que domina o debate público ocidental sobre a palavra. É a leitura de um movimento específico do século XX, não a doutrina majoritária da tradição islâmica.

Não confundir com: jihadismo, a ideologia política que adotou essa leitura da jihad como programa de violência armada — jihad é o termo doutrinário mais amplo; jihadismo é a corrente moderna que se apropriou de um dos seus sentidos. Ver também takfir, a lógica que os grupos jihadistas combinam com essa leitura da jihad para declarar seus alvos, e fard al-'ayn, a categoria jurídica específica que Azzam invocou.

Leia mais: Islã, islamismo e jihadismo: por que não são graus de uma mesma escala

Fontes

Fontes

  1. Roy, Olivier. Globalized Islam: The Search for a New Ummah. Columbia University Press, 2004. https://cup.columbia.edu/book/globalized-islam/9780231134996/ (abre em nova aba) · 🟢

  2. Tibi, Bassam. Islamism and Islam. Yale University Press, 2012. https://yalebooks.yale.edu/book/9780300159981/islamism-and-islam/ (abre em nova aba) · 🟢

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