Verbete
Mojtahed
Mojtahed · mujtahid (مجتهد), "aquele que se esforça"
Mojtahed é o jurista islâmico que atingiu a qualificação para exercer o ijtihad — o raciocínio jurídico independente diante das fontes do direito —, em vez de seguir doutrina já estabelecida (taqlid).
Em 1945, no livro Kashf al-asrar, publicado anonimamente e concluído em quarenta e oito dias, Khomeini esboçou pela primeira vez a doutrina da autoridade do mojtahed sobre a comunidade, e concedeu que ela era matéria controversa "desde o primeiro dia"1. A proposta de 1945 era mais estreita do que a que prevaleceria depois: uma assembleia de mojtaheds piedosos deveria ser criada para "escolher um governante justo" que não violasse as leis de Deus — "não para exercer o governo ela mesma"1.
Vinte e cinco anos depois, em doze aulas ministradas em Najaf entre 27 de janeiro e 8 de fevereiro de 1970, publicadas como Hukumat-i Islami, Khomeini sustentou algo mais categórico: não uma assembleia de mojtaheds, mas um único jurista justo (faqih adil) deveria governar o Estado diretamente12. O que Khomeini fez, entre 1945 e 1970, foi estender o alcance da autoridade jurídica: de uma assembleia de mojtaheds que escolhe um governante justo para um mojtahed único que governa ele mesmo1.
A qualificação de mojtahed voltou a ser o critério decisivo na crise constitucional de 1989: numa carta de 9 de maio de 1988, Khomeini recomendou que se abandonasse a exigência de o líder ser marja-i taqlid — a mais alta patente do clero xiita — e que bastasse o reconhecimento como mojtahed-e adel (jurista justo) pela Assembleia de Peritos2. Ali Khamenei, eleito Líder Supremo em junho de 1989, não tinha ijtihad reconhecido em nível de grande aiatolá — era apenas Hojjat al-Islam; segundo o cientista político Eric Lob, seu posto foi "elevado da noite para o dia" a grande aiatolá depois da escolha3.
No próprio xiismo duodecimano, a qualificação de mojtahed depende do método que o jurista aceita como fonte. A corrente usuli, majoritária, aceita o raciocínio racional ('aql) como quarta fonte formal do direito, ao lado do Alcorão, da Sunna e do ijma; a corrente akhbari, minoritária, rejeita esse raciocínio formal e também o qiyas, apoiando-se apenas em texto revelado e nas tradições dos Imames4.
Não confundir com: taqlid, o oposto — seguir doutrina estabelecida em vez de exercer ijtihad; quem segue taqlid não precisa ser mojtahed; marja, o mojtahed de mais alta patente, especificamente escolhido por leigos como referência — nem todo mojtahed é marja; faqih, termo funcional próximo — "jurista" —, mas é o que a doutrina wilayat al-faqih usa para designar quem deve governar; mojtahed enfatiza o grau de qualificação, não o cargo político.
Leia mais: Wilayat al-faqih: a doutrina que sustenta a República Islâmica, e a disputa que ela nunca venceu
Fontes
Fontes
Hamid Algar, "KHOMEINI i. Life," Encyclopaedia Iranica, 14 de dezembro de 2020. https://iranicaonline.org/articles/khomeini-i (abre em nova aba) · 🟢 · citações traduzidas do inglês.
↩Saïd Amir Arjomand, "Constitution of the Islamic Republic," Encyclopaedia Iranica, vol. VI, fasc. 2, pp. 150–158. https://iranicaonline.org/articles/constitution-of-the-islamic-republic (abre em nova aba) · 🟢
↩Eric Lob, "How does Iran go about selecting a new supreme leader, and who is in the running?", The Conversation / FIU News, 2024. https://theconversation.com/how-does-iran-go-about-selecting-a-new-supreme-leader-and-who-is-in-the-running-277249 (abre em nova aba) · 🟢 · autor é professor associado de Ciência Política e Relações Internacionais na Florida International University.
↩Seyyed Hossein Nasr, Hamid Dabashi e Seyyed Vali Reza Nasr (eds.), Expectation of the Millennium: Shi'ism in History, SUNY Press, 1989, pp. 203, 280–281, 313 · 🟢 — sustenta que a corrente akhbari rejeita razão e consenso como fontes autônomas e proíbe o ijtihad.
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