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Islamismo político e radicalismoRevisado em 7 de setembro de 2026

Os ideólogos do islamismo: quem escreveu as doutrinas, e o que as separa

O islamismo contemporâneo não sai direto do Alcorão: são teorias políticas do século XX, com autores conhecidos. Hassan al-Banna organizou o Islã como sistema de massas. Sayyid Qutb pôs as próprias sociedades muçulmanas na mira de uma crítica revolucionária. Khomeini formulou a única dessas doutrinas que tomou um Estado. Azzam fez da jihad um dever individual. Bin Laden e Zawahiri voltaram o alvo para o Ocidente. Al-Baghdadi declarou um califado com território. Não formam corrente única: divergem em método e em teologia, e quase todos foram contestados dentro da tradição que reivindicavam.

Close de um Alcorão aberto sobre mesa de madeira com livros e caneta Photo by Rahmi Aksöz

Os ideólogos do islamismo: quem escreveu as doutrinas, e o que as separa

Resumo

Livros religiosos islâmicos organizados em estante de madeira, capas com escrita árabe Photo by Defrinomaasy

O islamismo é a ideologia política que defende um Estado e uma lei regidos pelo Islã. Ele se distingue da religião e também do jihadismo armado, que persegue esse mesmo projeto pela violência[já citado no artigo-irmão, ver Islã, islamismo e jihadismo]. E não é uma doutrina única nem antiga. É um conjunto de teorias formuladas no século XX por autores identificáveis: Hassan al-Banna (Egito, 1906–1949), Abul A'la Maududi (Índia/Paquistão, 1903–1979), Sayyid Qutb (Egito, 1906–1966), Ruhollah Khomeini (Irã, 1902–1989), Abdullah Azzam (Palestina/Afeganistão, 1941–1989), Osama bin Laden (Arábia Saudita, 1957–2011), Ayman al-Zawahiri (Egito, 1951–2022), Abu Musab al-Zarqawi (Jordânia, 1966–2006) e Abu Bakr al-Baghdadi (Iraque, 1971–2019). Cada um respondeu a uma crise política concreta e acrescentou ao repertório algo que não existia antes. Eles não formam uma corrente contínua. Divergem entre si tanto quanto convergem, e quase todos foram contestados, dentro da própria tradição que reivindicavam, por críticos com nome. O argumento deste artigo, desenvolvido na última seção, é que tratá-los como uma linhagem única é o erro mais fácil e mais grave que se pode cometer sobre o tema.


Hassan al-Banna (1906–1949): o Islã como sistema total e a organização de massas

Manuscrito antigo com escrita árabe aberto, páginas envelhecidas elegantes Photo by Burcubyzt_85

Al-Banna tinha 22 anos e era professor primário quando fundou a Irmandade Muçulmana (al-Ikhwan al-Muslimun), em março de 1928, em Ismailia, no delta do Suez, com seis operários do Canal12. O pano de fundo é o colapso do Império Otomano e a abolição do califado pela Assembleia turca em 1924. A literatura consultada aponta esse evento, de forma consistente, como o gatilho imediato do projeto de al-Banna1.

Al-Banna não deixou um tratado sistemático. O que ele produziu foram mais de 2.000 artigos, cartas e discursos ao longo da vida2. A ideia central é que o Islã não é "religião" no sentido estreito que o Ocidente dá à palavra, e sim nizam shamil (sistema abrangente): um sistema que organiza espiritualidade, política, economia e justiça social, sem separar essas esferas12. Uma frase muito atribuída a um discurso de 1939 resume a tese: "o Islã não é apenas credo religioso... é sistema abrangente que visa aniquilar todos os sistemas tirânicos e maus do mundo". Não conferimos essa formulação numa transcrição primária nesta apuração, então ela fica aqui como frase amplamente atribuída, não como citação fechada2.

A novidade de al-Banna não está na teologia: ele não formula um conceito jurídico novo, como fariam Maududi e Khomeini. Está na organização. A Irmandade foi o primeiro movimento a transformar "o Islã como sistema total" numa organização de massas com hierarquia, células, disciplina, obras sociais paralelas ao Estado (escolas, clínicas, mesquitas) e um plano de tomar a sociedade aos poucos, "de baixo para cima", antes de mirar o Estado12.

A ambiguidade de al-Banna sobre a violência está documentada; não é hipótese. Nos anos 1940 ele autorizou um braço clandestino, o "Aparato Secreto", voltado a ações contra o domínio britânico no Egito e contra a presença judaica na Palestina2.

Em dezembro de 1948, um membro da Irmandade assassinou o primeiro-ministro egípcio Mahmud al-Nuqrashi Pasha, que tinha acabado de dissolver a organização por decreto. Al-Banna divulgou um comunicado condenando o crime. A literatura consultada atribui a ele a afirmação de que o terrorismo não seria aceitável para o Islã, mas não conferimos essa frase em registro primário nesta apuração1.

Menos de dois meses depois, em 12 de fevereiro de 1949, ele mesmo foi morto a tiros no Cairo, enquanto esperava um táxi. A autoria é atribuída ao serviço secreto egípcio ou à Guarda de Ferro do rei Faruk, como retaliação. A literatura consultada não aponta processo judicial conclusivo12.

O que al-Banna não formulou: takfir contra sociedades muçulmanas (isso viria décadas depois, com Qutb, de dentro da própria Irmandade que al-Banna fundou) nem uma teoria sistemática de Estado islâmico constitucional comparável à de Maududi.

A herança institucional de al-Banna é hoje um espectro amplo: partidos eleitorais, o Hamas palestino (fundado em 1987 como seu braço palestino) e ramos proscritos como organização terrorista por vários países. O quadro completo, país por país, está no artigo Islã, islamismo e jihadismo, e este texto não o repete[já citado no artigo-irmão].

Abul A'la Maududi (1903–1979): a soberania de Deus como categoria política

Mesa de trabalho com máquina de escrever, livros abertos e papéis amassados Photo by Tima Miroshnichenko

Maududi teve educação islâmica desde criança, primeiro em casa, com Alcorão e hadith, e depois na madrassa deobandi Dar ul-Ulum. A partir dos 17 anos, trabalhou como editor de jornal9. Escreveu na Índia sob domínio britânico, com a Partição se aproximando, e respondia a três coisas ao mesmo tempo: o colonialismo, o nacionalismo secular do Congresso e a perspectiva de um Islã minoritário num futuro Estado indiano de maioria hindu9. Fundou a Jamaat-e-Islami em 26 de agosto de 1941, em Lahore, com 75 pessoas[já citado no artigo-irmão].

As obras centrais são Jihad in Islam (panfleto/palestra, 1939) e The Islamic Law and Constitution (coletânea, edição de 1960)9.

A novidade é a tese de que a hakimiyya (soberania) pertence só a Deus. Qualquer legislação humana que não derive estritamente da Sharia usurpa essa soberania e é, portanto, ilegítima por definição9. Não encontramos, nesta apuração, fonte citável para avaliar até que ponto esse conceito já existia como categoria política central na tradição jurídica islâmica pré-moderna. Registramos a lacuna em vez de afirmar isso sem lastro admissível. ⚠️ SEM FONTE.

Segundo a literatura consultada, Maududi também cunhou o termo "teodemocracia": um Estado que segue a Sharia por inteiro, governado pela comunidade dos crentes dentro dos limites que a lei divina permite. Não seria teocracia clerical (o sunismo não tem clero formal) nem democracia secular. Não encontramos, nesta apuração, fonte citável específica para essa cunhagem além de um mediador de busca que este site não cita como fonte. Por isso ela fica registrada como amplamente atribuída a Maududi na literatura, sem confirmação nossa em fonte primária ou acadêmica. ⚠️ SEM FONTE.

A literatura sobre o tema descreve uma relação direta entre os dois autores: dois conceitos centrais de Marcos no Caminho, de Qutb, al-'ubudiyya (submissão) e al-hakimiyya (soberania), teriam sido herdados de Maududi. Não conseguimos confirmar essa relação em texto acadêmico primário nesta apuração. Tentamos acessar os estudos de referência sobre o tema (William Shepard, John Calvert) e recebemos erro de acesso; a única base disponível foi um mediador de busca que este site não cita como fonte. Por isso tratamos a relação Maududi–Qutb como afirmação recorrente na literatura secundária, não como fato estabelecido por nós. Pelo mesmo motivo, não confirmamos se o próprio Maududi chegou a aplicar o termo jahiliyya às sociedades muçulmanas da sua época. Esse ponto é central para saber se, nesse aspecto, Qutb radicaliza Maududi ou rompe com ele, e não construímos hipótese sobre isso. ⚠️ SEM FONTE.

Ao contrário de Qutb, Maududi trabalhou dentro do sistema político formal e fundou a Jamaat-e-Islami como partido registrado[já citado no artigo-irmão]. Não encontramos, nesta apuração, fonte citável (fora de um mediador de busca que este site não cita como fonte) para o histórico eleitoral específico do partido, com o número de cadeiras em cada eleição, nem para sua liderança atual. Registramos a lacuna em vez de reproduzir dados que não conseguimos confirmar de forma independente. Maududi nunca formulou doutrina de jihad ofensiva individual nem de takfir sistemático contra outros muçulmanos. ⚠️ SEM FONTE.

Maududi também foi contestado dentro da tradição que ajudou a fundar. A crítica mais citada na literatura que encontramos é a de Javed Ahmad Ghamidi, hoje um reformista de peso, já citado no artigo Jihad: os sentidos do termo. A leitura atribuída a ele é que a obrigação islâmica central é a submissão a Deus ('ibada), e não o estabelecimento de uma ordem política islâmica. É o inverso da tese central de Maududi, para quem política e religião são inseparáveis. Não encontramos, nesta apuração, fonte citável (fora de um mediador de busca que este site não cita como fonte) para os detalhes biográficos dessa ruptura: quanto tempo Ghamidi foi discípulo de Maududi, a data e as circunstâncias exatas da saída da Jamaat-e-Islami e qualquer declaração pessoal de Ghamidi sobre Maududi. Esses detalhes ficam registrados como lacuna, não como fato estabelecido nesta apuração. ⚠️ SEM FONTE.

Sayyid Qutb (1906–1966): as sociedades muçulmanas como jahiliyya

Biblioteca espaçosa com estantes altas de madeira cheias de livros Photo by Ahmet Polat

Qutb era crítico literário e funcionário do Ministério da Educação do Egito quando passou dois anos nos Estados Unidos, entre 1948 e 1950, em Washington D.C. e em Greeley, no Colorado. A literatura trata essa temporada como radicalizadora, pelo choque cultural e pelo que ele via como materialismo e racismo americanos7. Entrou na Irmandade Muçulmana ao voltar ao Egito, em 1950. Foi preso pela primeira vez em 1953, por três meses. Depois da tentativa de assassinato de Nasser em 1954, atribuída à Irmandade, passou a maior parte da década seguinte na prisão, onde escreveu suas obras mais influentes7.

Duas obras concentram a novidade. A primeira é Fi Zilal al-Qur'an ("À Sombra do Alcorão"), um comentário corânico monumental, escrito em sua maior parte na prisão a partir de 1954. A segunda é Ma'alim fi al-Tariq ("Marcos no Caminho"), de 1964, um manifesto curto que saiu da prisão contrabandeado em trechos antes da publicação oficial e que a literatura descreve como um dos textos mais influentes em árabe do último meio século[já citado no artigo-irmão].

Qutb argumenta que a comunidade muçulmana "está extinta há alguns séculos" e que as sociedades contemporâneas, inclusive as de maioria muçulmana e inclusive o Egito de Nasser, vivem em jahiliyya: a mesma ignorância pré-islâmica da Arábia antes de Maomé[já citado no artigo-irmão]. Só a restauração da hakimiyya resolveria isso. A saída, para Qutb, é uma tali'a (vanguarda) de muçulmanos "verdadeiros", que se separam moralmente da sociedade jahili ao redor e trabalham para transformá-la. A literatura nota que esse vocabulário tem a mesma estrutura da vanguarda revolucionária leninista, ainda que Qutb o apoie em categorias islâmicas[já citado no artigo-irmão].

Este é o ponto mais fácil de errar sobre Qutb. A leitura mais documentada, que já sustenta o artigo Takfir: quando um muçulmano é declarado infiel, é que ele não declara takfir explícito contra indivíduos muçulmanos específicos. Ele condena como jahili sociedades e sistemas inteiros. Isso fica logicamente ao lado do takfir individual, mas não é a mesma operação jurídica. Foram seus sucessores (Shukri Mustafa e o grupo Takfir wal-Hijra, Abd al-Salam Faraj) que transformaram essa condenação geral da sociedade em takfir explícito contra governantes e indivíduos com nome[já citado no artigo-irmão].

A refutação mais citada na literatura que reunimos vem de dentro da própria Irmandade Muçulmana. Atribui-se a Hassan al-Hudaybi, Guia Geral da organização depois de al-Banna, o livro Du'ah la Qudah ("Pregadores, Não Juízes"), escrito na prisão e publicado postumamente em 1977. A tese central é que cometer um pecado que mereça punição não torna o pecador apóstata: o julgamento sobre a fé de alguém caberia só a Deus, e a shahada (profissão de fé) bastaria sozinha para ser muçulmano. A leitura mais citada, atribuída aos acadêmicos Emmanuel Sivan e Gilles Kepel, é que a obra refuta diretamente a doutrina de takfir de Qutb. A historiadora Barbara Zollner teria notado, com mais cautela, que Hudaybi pode ter mirado uma facção radical marginal da Irmandade, e não Qutb pelo nome.

Não conseguimos confirmar esse conteúdo em fonte citável nesta apuração. A única base disponível foi um mediador de busca que este site não cita como fonte, e não encontramos a tempo leitura direta de Sivan, Kepel ou Zollner. Registramos a existência da obra e as leituras acadêmicas atribuídas a ela como amplamente citadas, não como fato que verificamos por conta própria. Al-Azhar, a mais alta instituição de ensino sunita, nunca endossou a leitura de Qutb, mas não encontramos, nesta apuração, declaração formal e datada da instituição especificamente contra Marcos no Caminho. ⚠️ SEM FONTE.

Ruhollah Khomeini (1902–1989): o clero no poder, contra séculos de quietismo xiita

Khomeini era clérigo xiita duodecimano. Ganhou projeção como opositor da monarquia Pahlavi a partir de 1963, quando protestou contra a "Revolução Branca" do Xá, e foi exilado em 1964: primeiro na Turquia, depois em Najaf, no Iraque, onde ficou até 1978.

A obra é Hokumat-e Eslami: Velayat-e Faqih ("Governo Islâmico: o governo do jurista"), uma série de palestras dadas em Najaf entre 21 de janeiro e 8 de fevereiro de 1970. Um aluno as transcreveu, e elas foram publicadas em Beirute, com aprovação de Khomeini, no outono do mesmo ano. Depois circularam clandestinamente no Irã10.

A novidade é o wilayat al-faqih (governo do jurista). Segundo a doutrina duodecimana, o Décimo Segundo Imã está em ocultação desde o século IX. Na ausência dele, sustenta Khomeini, o jurista islâmico mais qualificado (faqih) deve governar o Estado diretamente. Não se trata só de orientação moral ou supervisão judicial, como a tradição permitia, mas do próprio poder executivo, legislativo e judiciário[já citado no verbete de wilayat al-faqih em GLOSSARIO-BASE.md]. Isso rompe com o quietismo que historicamente dominou o clero xiita de Najaf: a posição de que os ulemás devem ficar longe do poder político direto, hoje representada pelo grande aiatolá Ali al-Sistani[já citado no artigo-irmão].

O que Khomeini não formulou: segundo o que o artigo Jihad: os sentidos do termo já reuniu, o wilayat al-faqih amplia a autoridade do faqih principalmente sobre a jihad defensiva. A jihad ofensiva continua suspensa durante a ocultação do Imã, segundo o consenso histórico da própria jurisprudência xiita. Isso corrige um mito recorrente: a doutrina não devolveu à República Islâmica uma prerrogativa de guerra expansiva em nome da fé.

Quase todos os grandes aiatolás discordaram de Khomeini25, e há caso documentado de punição por discordar: o de Shariatmadari, contado abaixo. O grande aiatolá Abol-Qasem al-Khoei, a maior autoridade de Najaf na época, rejeitou o wilayat al-faqih2425. Segundo o Tony Blair Institute, chegou a chamar a doutrina de blasfema24.

O grande aiatolá Mohammad Kazem Shariatmadari, um dos marja al-taqlid (autoridades de referência para imitação jurídica) mais influentes do Irã, defendia duas ideias: o clero deveria aconselhar, e não governar, e a república deveria ser mais democrática do que a de Khomeini2629. As duas contradizem diretamente o modelo teocrático de Khomeini.

Ele se recusou a apoiar a tomada da embaixada americana em Teerã, ocupada em 4 de novembro de 19792829. Também se opôs à Constituição de 1979, montada sobre a doutrina de Khomeini, e chegou a emitir uma fatwa contra ela262728. Seus seguidores se levantaram em Tabriz; a revolta foi esmagada, e o partido que ele apoiava acabou dissolvido2627.

Em 1982, Shariatmadari foi acusado de cumplicidade num plano de golpe contra Khomeini. Negou, mas foi posto em prisão domiciliar e, num fato sem precedente na história xiita, perdeu seus títulos religiosos26. Em 2 de maio de 1982, a TV estatal exibiu uma "confissão" dele; depois gravaram outra, em que ele admitia ter apoiado e financiado o golpe. Ficou preso em casa, sem contato com ninguém, até morrer, em abril de 1986. O corpo foi levado em segredo para Qom e enterrado à noite, contra o que ele pedia no testamento27.

O wilayat al-faqih é a única vertente do islamismo do século XX que tomou um Estado e o manteve continuamente desde então: é a base dos artigos 5º e 107 e seguintes da Constituição da República Islâmica do Irã, de 1979. O Hezbollah libanês reconhece formalmente a doutrina; nenhum outro Estado de maioria xiita a adota[já citado no verbete de wilayat al-faqih].

Abdullah Azzam (1941–1989): a jihad como dever de cada muçulmano

Azzam era doutor em direito islâmico pela al-Azhar e professor na Universidade Rei Abdulaziz, em Jidá, onde, segundo a literatura, foi um dos professores de Osama bin Laden. Em 1980 mudou-se para Peshawar, no Paquistão, para se dedicar a mobilizar voluntários árabes para a jihad afegã contra a ocupação soviética, que durou de 1979 a 1989[já citado no artigo-irmão].

As obras são Defence of the Muslim Lands: The First Obligation After Iman ("Defesa das Terras Muçulmanas: a Primeira Obrigação Depois da Fé"), de 1984, e Join the Caravan ("Junte-se à Caravana"), de 1987[já citado no artigo-irmão].

A novidade é o fard al-'ayn. Diante da invasão soviética, a jihad deixa de ser fard al-kifaya (obrigação coletiva: se uma parte suficiente da comunidade a cumpre, o resto fica dispensado) e passa a ser obrigação individual e permanente de todo muçulmano capaz, homem ou mulher. Isso rompe de forma explícita com a doutrina clássica das quatro escolas sunitas, que tratava essa conversão como exceção ligada a uma invasão territorial imediata, e não como regra permanente e internacionalizada[já citado no artigo-irmão]. É a matriz doutrinária direta do jihadismo transnacional, que fez do "combatente estrangeiro" uma categoria.

O que separa Azzam de bin Laden e Zawahiri é justamente o que ele não disse. Azzam rejeitava de forma explícita o takfir amplo. Para ele, a prioridade era defender terras muçulmanas invadidas e unir a comunidade, e o takfir só serviria para criar fitna (divisão) dentro dela12. Atribui-se a ele a ideia de que a falta de formação religiosa formal explicava por que jovens combatentes praticavam violência expansiva a partir de leituras incorretas. Também lhe é atribuída, numa fonte única encontrada nesta apuração, a frase de que esses jovens "por falta de conhecimento, são simplesmente jovens com muito zelo, e seus corações foram feitos para seguir seus próprios desejos"12. Mais tarde, bin Laden preferiu a linha de Zawahiri à linha de compromisso de Azzam. Zawahiri aceitava takfir contra funcionários de governo, forças de segurança, colaboradores e a totalidade dos muçulmanos xiitas12. Azzam também não formulou nem, pelo que apuramos, endossou a virada do "inimigo próximo" (regimes árabes) para o "inimigo distante" (Estados Unidos e Ocidente). Essa é uma novidade posterior, atribuída a bin Laden e Zawahiri já depois da morte dele.

Em 24 de novembro de 1989, Azzam e dois filhos foram mortos por uma bomba detonada quando o carro dele se aproximava de uma mesquita em Peshawar, a caminho da oração de sexta-feira13. Nenhum grupo assumiu a autoria, e as fontes que reunimos não chegam a uma conclusão sobre quem cometeu o atentado.

Diferentes analistas levantaram uma lista de suspeitos. Entre os serviços de inteligência, os da Jordânia, de Israel (Mossad), dos Estados Unidos, da União Soviética (KGB), do Afeganistão e do Paquistão (ISI). Entre os indivíduos, o próprio Ayman al-Zawahiri, líderes de milícias afegãs rivais e Osama bin Laden, então vice de Azzam. A literatura que reunimos não apresenta evidência que distinga qualquer um desses nomes dos demais13. Não temos, nesta apuração, base para apontar um deles como mais provável do que os outros. Oficialmente, o caso continua sem solução.

Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri: do inimigo próximo ao inimigo distante

Bin Laden, filho de um magnata saudita da construção civil, estudou economia na Universidade Rei Abdulaziz entre 1976 e 1979, onde, segundo a literatura, foi aluno de Azzam14. Foi para a fronteira entre Afeganistão e Paquistão logo depois da invasão soviética de dezembro de 1979, recrutou combatentes árabes ao lado de Azzam e financiou o Maktab al-Khidamat (Escritório de Serviços), fundado em 1984, com cerca de US$ 25 mil por mês em 198614. Zawahiri, médico cirurgião formado no Cairo, entrou na Jihad Islâmica Egípcia em 1973. Depois do assassinato de Sadat, em 1981, foi julgado, sem condenação por participação direta, e cumpriu três anos por posse ilegal de armas. Conheceu bin Laden no Paquistão em 1987, quando tratava feridos da guerra afegã15.

Bin Laden, Zawahiri e Azzam fundaram a Al-Qaeda em agosto de 1988, em Peshawar1415. A Jihad Islâmica Egípcia se fundiu formalmente à Al-Qaeda em junho de 200115. A novidade central atribuída à dupla, já depois da morte de Azzam, é a troca do "inimigo próximo" (os regimes árabes considerados apóstatas) pelo "inimigo distante" (os Estados Unidos e seus aliados). A tese: atacar diretamente a superpotência que sustenta os regimes árabes seria mais eficaz do que insistir em revoluções internas contra esses regimes, que tinham fracassado.

Duas declarações formalizam essa virada. Em 23 de agosto de 1996, bin Laden publica a "Declaração de Guerra contra os Americanos que Ocupam a Terra dos Dois Lugares Sagrados", no jornal londrino Al-Quds Al-Arabi, pedindo a expulsão das forças militares dos EUA da Península Arábica1416. Em 23 de fevereiro de 1998, o texto "Jihad Contra Judeus e Cruzados: Declaração da Frente Islâmica Mundial" declara "dever individual" de todo muçulmano matar americanos e seus aliados, civis e militares, onde for possível. Cinco pessoas o assinam: bin Laden; Zawahiri, identificado como "amir do Grupo Jihad no Egito"; Abu-Yasir Rifa'i Ahmad Taha, do Grupo Islâmico egípcio; o xeque Mir Hamzah, "secretário do Jamiat-ul-Ulema-e-Pakistan"; e Fazlur Rahman, "amir do Movimento Jihad em Bangladesh"1617.

Dos cinco signatários, dois têm biografia documentada nas fontes que reunimos, e nenhum dos dois tinha credencial reconhecida de jurista islâmico: bin Laden se formou em economia, Zawahiri em medicina18. Não encontramos, nesta apuração, formação religiosa formal atribuída aos outros três (Abu-Yasir Rifa'i Ahmad Taha, o xeque Mir Hamzah e Fazlur Rahman). Isso não permite afirmar que eles a tinham, nem estender a eles, com a mesma segurança, a ausência de credencial.

Ao arquivar o documento de 1998, a própria Federation of American Scientists o descreve como um texto que "purports to be" (pretende ser) uma decisão religiosa, uma fatwa. Essa formulação já indica, na fonte primária, que o estatuto do documento é contestado17. É um ponto central: a doutrina que mais moldou o terrorismo transnacional do fim do século XX não tem, na origem, a autoridade jurídico-religiosa que a palavra "fatwa" reivindica. Essa leitura é inferência nossa, feita a partir dos dados biográficos disponíveis e da fonte primária. Ela junta a falta de credencial jurídica reconhecida nos dois signatários com biografia documentada e a caracterização da própria FAS para concluir que o documento só é fatwa no nome. Não é conclusão fechada de terceiros que tenhamos encontrado18.

A refutação mais forte veio de dentro do próprio movimento e está associada a Sayyid Imam al-Sharif, conhecido como "Dr. Fadl". Ele foi colega de Zawahiri na faculdade de medicina do Cairo nos anos 1970, foi recrutado por ele em 1977 e escreveu al-'Umda fi I'dad al-'Udda ("O Guia Essencial para a Preparação", Peshawar, 1988), um dos textos mais usados nos campos de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão. A literatura que consultamos atribui a ele um rompimento público com o campo jihadista, feito a partir da prisão no Egito e formalizado num documento de novembro e dezembro de 2007: Wathiqat Tarshid Al-'Aml Al-Jihadi fi Misr w'Al-'Alam ("Documento de Racionalização da Jihad no Egito e no Mundo"). O texto saiu em partes nos jornais Al-Jarida (Kuwait) e Al-Masri Al-Yawm (Egito). Nele, Dr. Fadl criticaria a Al-Qaeda diretamente e argumentaria que a maior parte do terrorismo praticado pelo movimento viola o próprio direito islâmico.

A fonte de referência para esse episódio é uma reportagem da revista The New Yorker que não conseguimos acessar diretamente nesta apuração. O que tivemos foi um mediador de busca que este site não cita como fonte. Por isso registramos o episódio como amplamente relatado na literatura secundária, não como fato que verificamos por conta própria em texto primário. Segundo a mesma literatura, Zawahiri teria respondido com um documento de quase 200 páginas, publicado na internet em março de 2008. Teria sido a primeira vez que a liderança da Al-Qaeda respondeu formalmente a uma dissidência interna desse porte. ⚠️ PRECISA DE PESQUISA: acessar diretamente Lawrence Wright, "The Rebellion Within: An Al Qaeda Mastermind Questions Terrorism", The New Yorker, 2 de junho de 2008.

Bin Laden foi morto em 2 de maio de 2011, numa operação da Marinha dos Estados Unidos em Abbottabad, no Paquistão. O corpo foi sepultado no mar em 24 horas, segundo ritual islâmico14. Zawahiri, que assumiu a liderança da Al-Qaeda depois da morte de bin Laden, foi morto num ataque de drone da CIA em 31 de julho de 2022, no bairro de Sherpoor, em Cabul. Segundo o governo dos EUA, ele estava hospedado numa casa de segurança ligada à rede Haqqani, e não houve baixas civis relatadas15.

Abu Musab al-Zarqawi e Abu Bakr al-Baghdadi: o takfir como estratégia de guerra e o califado como território

Zarqawi fundou a Al-Qaeda no Iraque em outubro de 2004 e se proclamou seu emir. Essa organização viria a ser a predecessora direta do Estado Islâmico (EI, ex-ISIS, também chamado Daesh)20. Numa carta interceptada em janeiro de 2004 e divulgada pela Coalition Provisional Authority em 11 e 12 de fevereiro do mesmo ano, ele propõe abertamente usar o takfir contra xiitas como tática deliberada de guerra sectária. O artigo Takfir trata disso em detalhe, e este texto não repete[já citado no artigo-irmão]. Zarqawi chamava publicamente os xiitas de "povo de traição e covardia" e dizia que eles representavam um perigo "maior" do que os americanos20. Foi ele quem introduziu as decapitações filmadas de reféns como tática de propaganda, a partir da execução de Nicholas Berg, em maio de 200420.

Zawahiri respondeu numa carta de 9 de julho de 2005, capturada e traduzida pelo Combating Terrorism Center de West Point. Nela, questiona as táticas de Zarqawi (os ataques contra xiitas, as decapitações filmadas) porque prejudicavam o apoio popular ao projeto da Al-Qaeda. A discordância é estratégica, sobre imagem pública. Não é uma rejeição de princípio ao takfir contra xiitas[já citado no artigo-irmão, ver Takfir].

A ruptura formal veio depois da morte de Zarqawi: em fevereiro de 2014, Zawahiri declarou publicamente que a Al-Qaeda "não tem conexão" com o grupo de Abu Bakr al-Baghdadi[já citado no artigo-irmão].

Baghdadi nasceu Ibrahim Awwad Ibrahim al-Badri. Fez mestrado na Universidade Islâmica Saddam, concluído em 1999, e depois se matriculou no doutorado da mesma instituição, em recitação corânica. As fontes que reunimos não confirmam que ele o tenha concluído21. Foi detido pelos EUA em Camp Bucca. As fontes divergem sobre o período exato e situam sua passagem por lá entre 2004 e, segundo alguns relatos, até 200921. A partir de abril de 2010, liderou o que viria a ser o Estado Islâmico do Iraque21.

Declarou o califado em 29 de junho de 2014 e apareceu em público na Grande Mesquita de Mossul em 5 de julho do mesmo ano. Usou o takfir sistemático contra xiitas e sunitas dissidentes como instrumento de expansão territorial, e não só como retórica[já citado no artigo-irmão]. Morreu em 26 ou 27 de outubro de 2019, num ataque das forças dos EUA em Barisha, na província síria de Idlib, ao detonar um colete suicida numa passagem subterrânea. A morte foi confirmada por análise de DNA21.

A recusa a essa linhagem, vinda de dentro da tradição, já está documentada em profundidade no artigo Takfir. A Mensagem de Amã (2004–2005), a Nova Declaração de Mardin (2010) e a carta aberta a Baghdadi assinada por mais de cem clérigos e acadêmicos muçulmanos, em 2014, são as três formalizações institucionais mais citadas da rejeição, pela autoridade religiosa majoritária sunita e xiita, ao que o EI praticava em nome do Islã[já citado no artigo-irmão]. A ruptura mais forte, porém, veio de dentro do próprio campo jihadista: a Hazimiyya, corrente que levou o takfir do EI tão longe que atingiu a própria liderança do grupo, e que foi reprimida internamente com prisões, interrogatórios e execuções[já citado no artigo-irmão].

O que separa os nove

Tratar esses autores como uma corrente contínua é o erro mais fácil e mais grave que se pode cometer neste tema. Quatro linhas de fratura mostram por quê.

A primeira é o método político. Al-Banna e Maududi trabalharam dentro da política formal, com organização de massas e disputa de eleições. Maududi fundou um partido, a Jamaat-e-Islami. Al-Banna não fundou partido, mas se candidatou ao parlamento egípcio: em 1942 retirou a candidatura, com a de outros membros da Irmandade, num acordo com o governo do Wafd2223. Qutb rompeu com esse caminho depois da prisão e declarou a própria sociedade muçulmana em jahiliyya.

A segunda é a divisão entre sunismo e xiismo, com acusações mútuas de heresia. Khomeini é xiita duodecimano; os outros oito autores tratados neste artigo são sunitas ou de formação sunita. Parte da tradição sunita, sobretudo a salafista, considera o xiismo em si heterodoxo, ou pior. O EI chegou a tratar xiitas como alvo de takfir sistemático, como vimos acima. Não existe frente unida entre o islamismo sunita e o xiismo revolucionário. No caso extremo, o que existe é extermínio mútuo declarado.

A terceira opõe Azzam a bin Laden e Zawahiri. Azzam se opôs ao takfir amplo e foi assassinado antes de ver no que se tornaria a doutrina que ajudou a fundar. Bin Laden e Zawahiri adotaram justamente a linha que ele rejeitava.

A quarta opõe a Al-Qaeda ao EI. Os dois grupos se excomungam desde a ruptura formal de fevereiro de 2014, e jihadistas ligados à Al-Qaeda chamaram o EI de kharijita, o pior insulto doutrinário disponível dentro do próprio campo, pelo excesso de takfir que praticava[já citado no artigo-irmão]. Tratar o EI como "mais radical" e a Al-Qaeda como "moderada" simplifica demais. Os dois nascem da mesma matriz doutrinária (takfir somado ao fard al-'ayn) e divergem sobre método e alvo, não sobre princípio.

Além disso, quase todos foram contestados dentro da tradição que reivindicavam, por críticos com nome, e com graus de confirmação diferentes nas fontes que reunimos. Al-Khoei rejeitou o wilayat al-faqih2425, e Shariatmadari pagou a oposição a Khomeini com prisão domiciliar até a morte2627; Zawahiri questionou por carta as táticas de Zarqawi; mais de cem clérigos assinaram uma carta pública contra Baghdadi em 2014[já citado no artigo-irmão]. As críticas de Hudaybi a Qutb, de Ghamidi a Maududi e de Dr. Fadl à Al-Qaeda são amplamente relatadas na literatura secundária que encontramos. Mas não conseguimos confirmá-las nesta apuração em fonte citável, fora de um mediador de busca que este site não cita como fonte. Ficam registradas como atribuição recorrente, não como fato que verificamos por conta própria. Não há, entre esses nove nomes, um consenso interno que os sustente.

O elo brasileiro que não encontramos

Não encontramos, nesta apuração, ligação brasileira direta e documentável com nenhum dos autores tratados aqui: nenhuma obra traduzida e debatida institucionalmente no Brasil, nenhum processo judicial que tenha tratado da doutrina de algum deles pelo nome, nenhuma entidade muçulmana brasileira com posição pública registrada sobre Qutb, Maududi, Khomeini ou os demais. Isso é coerente com o que já registramos no artigo Islã, islamismo e jihadismo: não há partido, movimento ou frente islamista organizada em atividade no Brasil. O único caso de jihadismo documentado judicialmente no país, a Operação Hashtag, de 2016, envolveu radicalização individual on-line, e não filiação por via institucional identificável a alguma das correntes descritas aqui[já citado no artigo-irmão]. O que existe, de forma indireta, é a bibliografia acadêmica brasileira geral sobre islamismo e radicalização. Nela não encontramos estudo monográfico sobre nenhum desses autores em particular. Registramos a lacuna e não construímos hipótese a partir dela.

Leia antes

Leia depois

  • Irmandade Muçulmana (pauta própria) — história e ramos em detalhe; aqui al-Banna entra só pelo que escreveu.
  • Wilayat al-faqih (Pilar 4, pauta própria) — o mérito da doutrina e sua aplicação constitucional no Irã.
  • Perfis de grupos: Al-Qaeda, Estado Islâmico, Jamaat-e-Islami, Hamas (pautas próprias).
  • Pós-islamismo — o refluxo do projeto cuja construção este artigo narra.

Fatos assinalados "[já citado no artigo-irmão]" foram apurados e referenciados, com aparato de fontes próprio, nos artigos Islã, islamismo e jihadismo, Jihad: os sentidos do termo e Takfir, e não são repetidos aqui.

Fontes

  1. Counter Extremism Project, "Hassan al-Banna". https://www.counterextremism.com/extremists/hassan-al-banna (abre em nova aba) · 🟡 ONG de pesquisa sobre extremismo, linha editorial declarada · 🔍 não lido em texto acadêmico primário. Sustenta apenas fatos de baixo risco (fundação, contexto); nenhuma citação literal de al-Banna é atribuída a esta fonte.

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  2. Counter Extremism Project, "Hassan al-Banna". https://www.counterextremism.com/extremists/hassan-al-banna (abre em nova aba) · 🟡.

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  3. Counter Extremism Project, "Sayyid Qutb". https://www.counterextremism.com/extremists/sayyid-qutb (abre em nova aba) · 🟡.

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  4. Counter Extremism Project, "Abul Ala Maududi". https://www.counterextremism.com/extremists/abul-ala-maududi (abre em nova aba) · 🟡. Sustenta sozinha as afirmações centrais sobre contexto biográfico (educação em casa em Alcorão e hadith, depois a madrassa deobandi Dar ul-Ulum), obras e a tese da hakimiyya.

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  5. Al-Islam.org (Imam Al-Khoei Foundation e outras instituições xiitas), "Islamic Government (The Book)" e páginas relacionadas sobre as palestras de Khomeini em Najaf (jan.–fev. 1970). https://al-islam.org/islamic-government-governance-jurist-sayyid-ruhullah-musawi-khomeini/islamic-government-book (abre em nova aba) · 🟢 documento primário hospedado por instituição xiita, viés confessional declarado · sustenta só a origem e a data das palestras.

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  6. Combating Terrorism Center, West Point — Shane Drennan, "Constructing Takfir: From 'Abdullah 'Azzam to Djamel Zitouni". https://ctc.westpoint.edu/constructing-takfir-from-abdullah-azzam-to-djamel-zitouni/ (abre em nova aba) · 🟢 lido diretamente · ⚠️ fonte única para a citação atribuída a Azzam sobre "jovens com muito zelo".

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  7. TIME, "Who Killed Abdullah Azzam?" (TIME's Annual Journey: 1989). https://content.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,1902809_1902810_1905173-2,00.html (abre em nova aba) · 🟢 revista mainstream · corroborado por síntese de busca convergente citando Combating Terrorism Center e Brookings.

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  8. Counter Extremism Project, "Osama bin Laden". https://www.counterextremism.com/extremists/osama-bin-laden (abre em nova aba) · 🟡.

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  9. Counter Extremism Project, "Ayman al-Zawahiri". https://www.counterextremism.com/extremists/ayman-al-zawahiri (abre em nova aba) · 🟡.

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  10. EBSCO Research Starters, síntese sobre "Osama Bin Laden Declares Jihad Against Jews and Crusaders" · 🟡 agregador editorial, corroborado por F14 e F17.

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  11. Federation of American Scientists (FAS), Intelligence Resource Program, "Jihad Against Jews and Crusaders: World Islamic Front Statement", 23 de fevereiro de 1998. https://irp.fas.org/world/para/docs/980223-fatwa.htm (abre em nova aba) · 🟢 documento primário, lido diretamente — inclui a lista completa dos cinco signatários e suas afiliações.

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  12. Inferência da redação, sustentada por F17 (a própria descrição da FAS, "purports to be a religious ruling") combinada com as biografias de F14 (economia) e F15 (medicina); nenhuma fonte específica afirma isso como conclusão fechada de terceiros. Restrita aos dois signatários com biografia documentada (bin Laden, Zawahiri), não aos cinco.

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  13. Counter Extremism Project, "Abu Musab al-Zarqawi". https://www.counterextremism.com/extremists/abu-musab-al-zarqawi (abre em nova aba) · 🟡.

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  14. Counter Extremism Project, "Abu Bakr al-Baghdadi". https://www.counterextremism.com/extremists/abu-bakr-al-baghdadi (abre em nova aba) · 🟡. Segundo a fonte, a especialização em recitação corânica pertence ao doutorado (não concluído), não ao mestrado de 1999; as datas de Camp Bucca (2004–2009) divergem entre relatos e não são tratadas aqui como intervalo certo.

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  15. Ammar Fayed, "Is the crackdown on the Muslim Brotherhood pushing the group toward violence?", série Rethinking Political Islam, Brookings Institution, março de 2016. https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2016/07/Ammar-Fayed-RPI-Response-English-FINAL.pdf (abre em nova aba) · 🟡 texto de pesquisador ligado à própria Irmandade, publicado pela Brookings · sustenta que al-Banna e outros dezesseis membros retiraram as candidaturas às eleições parlamentares de 1942 em troca de mais liberdade para as atividades do grupo. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  16. "Hassan Al-Banna: A Profile from the Archives", Jadaliyya, 15 de junho de 2014, perfil publicado originalmente em árabe no jornal Assafir (trad. Mazen Hakeem). https://www.jadaliyya.com/Details/30826 (abre em nova aba) · 🟡 · sustenta que o primeiro-ministro al-Nahhas pediu a al-Banna que não concorresse, e que ele aceitou em troca de liberdade para a associação. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  17. Kasra Aarabi, "What Is Velayat-e Faqih?", Tony Blair Institute for Global Change, 20 de março de 2019. https://institute.global/insights/geopolitics-and-security/what-velayat-e-faqih (abre em nova aba) · 🟡 instituto de política com linha declarada · sustenta que, antes de 1979, a doutrina tinha pouco apoio no clero xiita e que al-Khoei chegou a denunciá-la como blasfema; não dá data dessa denúncia. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026, na cópia do web.archive.org (o site recusou a leitura automatizada).

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  18. Michael Bonner, "The Cognitive Dissonance of the Islamic Republic", New Lines Magazine, 19 de dezembro de 2022. https://newlinesmag.com/argument/the-cognitive-dissonance-of-the-islamic-republic/ (abre em nova aba) · 🟡 revista de análise, texto assinado por historiador · sustenta que a doutrina foi rejeitada por quase todos os colegas de Khomeini e que al-Khoei a rejeitou por completo. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  19. Encyclopaedia Britannica, "Mohammad Kazem Shariat-Madari". https://www.britannica.com/biography/Mohammad-Kazem-Shariat-Madari (abre em nova aba) · 🟢 · sustenta a desconfiança dele em relação a clérigos no governo, a preferência por uma república mais democrática, a oposição à Constituição de 1979, a revolta de Tabriz e a dissolução do partido, e a acusação de 1982, com prisão domiciliar e perda dos títulos religiosos, "fato único na história xiita". Lida diretamente em 23 de setembro de 2026, na cópia do web.archive.org (o site recusou a leitura automatizada).

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  20. Center for Human Rights in Iran, "A Brief History of 'House Arrests' and Detentions in 'Safe Houses'", 6 de março de 2011. https://iranhumanrights.org/2011/03/history-of-house-arrests/ (abre em nova aba) · 🟡 ONG de direitos humanos · sustenta a oposição ao art. 110 da Constituição, os protestos em Tabriz em dezembro de 1979 e janeiro de 1980, a "confissão" exibida em 2 de maio de 1982 e a segunda gravação, o isolamento até a morte em abril de 1986 e o enterro secreto em Qom. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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  21. Mohsen M. Milani, "Hostage Crisis", Encyclopaedia Iranica, vol. XII, fasc. 5, pp. 522–535, 2004 (atualizado em 2013). https://www.iranicaonline.org/articles/hostage-crisis/ (abre em nova aba) · 🟢 obra de referência acadêmica · sustenta que Shariatmadari se recusou a aprovar a tomada da embaixada, ocupada em 4 de novembro de 1979, e que emitiu uma fatwa contra a Constituição. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026, na cópia do web.archive.org (o site bloqueia leitura automatizada).

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  22. Ayaan Karan, "Ayatollah Shariatmadari and the Lost Alternative to Khomeini", Providence, 4 de agosto de 2025. https://providencemag.com/2025/08/ayatollah-shariatmadari-and-the-lost-alternative-to-khomeini/ (abre em nova aba) · 🟡 revista de política externa com linha cristã declarada · sustenta que ele queria clérigos como conselheiros, não governantes, e que condenou a tomada de reféns na embaixada. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.

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