IrãRevisado em 9 de setembro de 2026
Proxies do Irã: o que Teerã criou, financiou, armou — e o que não comanda
"Proxy" cobre quatro relações diferentes: um órgão do próprio Estado iraniano (a Força Quds), um grupo criado por Teerã (Hezbollah), movimentos que já existiam e passaram a receber patrocínio (houthis, milícias iraquianas) e uma aliança tática entre correntes doutrinárias diferentes (Hamas, sunita). Financiar, armar e treinar não é o mesmo que comandar. A distância muda de grupo para grupo, e a evidência para cada um é desigual.
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Proxies do Irã: o que Teerã criou, financiou, armou — e o que não comanda
"Proxy" é a etiqueta que imprensa e governos usam para relações muito diferentes entre si, que vão de um ramo das próprias forças armadas iranianas até uma aliança política entre movimentos de matrizes religiosas distintas. Numa ponta está a Força Quds, unidade de operações externas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Ela não é proxy de ninguém: é o Estado iraniano agindo fora de suas fronteiras. Em seguida vem o Hezbollah libanês, criado por instrutores do IRGC em 1982. Depois, movimentos armados que já existiam antes de qualquer apoio iraniano, como os houthis do Iêmen e parte das milícias xiitas do Iraque. Eles passaram a receber dinheiro, armas e treinamento, mas isso não prova comando operacional. Por fim, o Hamas, movimento sunita nascido da Irmandade Muçulmana palestina. Sua aliança com o Irã xiita é política, não doutrinária, e já se rompeu uma vez, por causa da Síria. Tratar essas quatro relações como uma coisa só é o erro mais comum da cobertura sobre o tema, e também o mais interessado6.
Antes de tudo, as datas
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O Irã entrou em guerra em 28 de fevereiro de 2026. Nesse dia, um bombardeio conjunto dos Estados Unidos e de Israel (a operação que os Estados Unidos batizaram de "Operation Epic Fury") matou o então Líder Supremo, Ali Khamenei, e dezenas de altos funcionários iranianos. Segundo a Britannica, foram quase 900 investidas nas primeiras doze horas1.
A guerra não foi contínua nem uniforme. Houve um primeiro cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, incluindo Israel, em 7 e 8 de abril de 2026. Em 4 de maio, a operação americana "Project Freedom" passou a escoltar navios pelo Estreito de Ormuz, com confrontos letais e um ataque iraniano à infraestrutura de petróleo dos Emirados Árabes Unidos. Em 5 de maio, a Epic Fury foi dada por concluída: o então presidente americano, Donald Trump, anunciou uma pausa "diante de grande progresso", e o Irã criou a Persian Gulf Strait Authority, com protocolos de trânsito e cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. Em junho, as partes chegaram a um memorando de entendimento, que não encerrou o conflito. Em 6 e 7 de julho, três navios comerciais foram atacados, e em 7 de julho Trump declarou encerrado o cessar-fogo1. Quando lemos a Britannica, em 9 de setembro de 2026, ela registrava o conflito como em curso ("28 de fevereiro de 2026 até o presente"). Não sabemos o que aconteceu depois disso.
No domingo, 8 de março de 2026, a Assembleia de Especialistas escolheu Mojtaba Khamenei, filho do Líder morto, como sucessor. A Assembleia tem 88 assentos e é o órgão encarregado de escolher o Líder Supremo; explicamos como ela funciona em A estrutura de poder do Irã. O comunicado da própria Assembleia descreveu os votos como "fortes", e o anúncio veio depois de sinais de racha entre autoridades iranianas59. A televisão estatal iraniana leu o comunicado na madrugada de segunda-feira, 9 de março, em Teerã. O despacho da Associated Press sobre o episódio tem data de 8 de março, no fuso do leste dos Estados Unidos. As duas datas descrevem o mesmo evento, visto de fusos diferentes592. Mojtaba Khamenei tinha 56 anos, era um clérigo de patente intermediária e nunca tinha ocupado cargo formal de governo2.
Michelle Grisé, da RAND Corporation, escreveu em 10 de março de 2026, dez dias depois do início da guerra, que a escolha do filho do Líder morto "representa uma contradição direta com um dos princípios fundadores da República Islâmica: a rejeição da dinastia Pahlavi e do sistema de sucessão hereditária". A observação é dela, não uma conclusão nossa3.
Nossas fontes param em datas diferentes. A cronologia da guerra, pela Britannica, vai até 7 de julho de 2026. O comando da Força Quds está confirmado até 12 de agosto de 2026, pela Al Jazeera. A análise mais recente que temos sobre a situação geral da rede de aliados armados do Irã é a da RAND, de 10 de março de 2026: um retrato de dez dias depois do início da guerra, não da situação atual. Por isso, toda afirmação sobre capacidade, comando ou controle territorial neste texto traz a data da fonte na própria frase.
Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o regime também enfrentou um levante interno, duramente reprimido. Os números de mortos variam muito conforme a fonte. A organização Iran Human Rights registrou, em 14 de janeiro de 2026, ao menos 3.428 manifestantes mortos em dezoito dias de protestos e explicou o método: informações de fontes dentro do Ministério da Saúde iraniano sobre o período de 8 a 12 de janeiro5. A rádio pública americana NPR, em 27 de janeiro de 2026, citou ativistas e falou em ao menos 6.126 mortos4. O levante é tema de outro texto desta cobertura. Aqui ele aparece só como o pano de fundo interno em que a guerra e a sucessão de 2026 aconteceram.
Uma etiqueta, quatro relações
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A ideia de que "proxy" é uma categoria única não se sustenta diante da literatura mais recente e menos partidária sobre o tema. O Middle East Institute (MEI) resume assim: "Teerã tem graus variados de ascendência sobre esses grupos, e enquanto alguns, como o Hezbollah no Líbano, coordenam-se de perto com seus patronos iranianos, outros são aliados de conveniência que limitam a cooperação às áreas em que seus interesses se sobrepõem, como os houthis do Iêmen"6. O instituto britânico Chatham House7, o Stimson Center8 e um artigo acadêmico publicado no The Conversation por duas pesquisadoras, Sara Harmouch, da American University, e Nakissa Jahanbani, da Academia Militar de West Point9, vão na mesma direção: falam em graus de autonomia, não numa categoria só. Esse é o vocabulário do próprio campo, não uma leitura nossa.
O MEI também traz o dado que mais deveria orientar a leitura deste texto: "Depois da guerra (Irã-Iraque de 1980–88) e ao longo dos anos 1990, a política externa iraniana foi flexível quando necessário, em vez de subordinada a princípios ideológicos ou religiosos. O Irã apoiou a Armênia cristã contra o Azerbaijão, também um país xiita, e colaborou com uma série de grupos sunitas, incluindo a Aliança do Norte", coalizão multiétnica de milícias afegãs que combatiam o Talibã6. Ou seja, o patrocínio a grupos armados é política de Estado, calculada por interesse, e não consequência de uma irmandade religiosa xiita. E quem diz isso é um instituto de Washington sem simpatia declarada por Teerã.
Este texto usa uma escala de quatro degraus. O primeiro é um instrumento do próprio Estado iraniano: a Força Quds, que não é proxy de ninguém, e sim um ramo da Guarda Revolucionária. O segundo é um grupo criado por Teerã: o Hezbollah, o caso mais documentado. O terceiro reúne movimentos que já existiam e passaram a receber patrocínio: os houthis e parte das milícias iraquianas. O quarto é uma aliança tática entre matrizes doutrinárias diferentes: o Hamas, sunita, e a Jihad Islâmica Palestina (PIJ), também sunita, embora mais próxima de Teerã que o Hamas.
Dentro de cada degrau, há uma distinção que pesa mais que o próprio degrau: financiar, armar ou treinar não é o mesmo que comandar. Quando a evidência que reunimos sustenta comando operacional, dizemos isso e citamos a fonte. Quando sustenta só patrocínio, falamos só em patrocínio, sem preencher a diferença com adjetivos.
O próprio regime iraniano nega a categoria inteira. Em 22 de dezembro de 2024, o então Líder Supremo Ali Khamenei declarou: "A República Islâmica não tem forças proxy. O Iêmen luta por causa de sua fé; o Hezbollah luta porque sua fé lhe dá força para lutar; Hamas e Jihad lutam porque suas crenças os compelem a isso". E completou: "se um dia quisermos agir, não vamos precisar de nenhuma força proxy"10. Registramos essa fala como a posição oficial de Teerã, não como fato. A mesma reportagem aponta a contradição entre essa fala e décadas de financiamento, armamento e treinamento documentados dos grupos que citamos adiante.
Aplicamos aqui um teste simples. Se trocássemos o Irã por um Estado que financiasse milícias religiosas cristãs em países vizinhos, a crítica ao patrocínio estatal de milícias armadas continuaria de pé. É uma crítica de princípio, dirigida à política de Estado. Não se dirige à fé de quem compõe esses grupos nem aos povos dos países onde eles atuam.
A Força Quds: o próprio Estado, não um proxy
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A Força Quds é um ramo do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), responsável pelas operações externas do Irã. A atuação no exterior existe desde 1982, quando um contingente do IRGC foi enviado ao Líbano depois da invasão israelense. A unidade virou uma diretoria própria dentro do IRGC no início dos anos 199011. No papel, ela está dentro do IRGC. Na prática, seu comandante responde em última instância ao Líder Supremo, por uma cadeia de comando paralela à hierarquia militar regular12. Desde 8 de março de 2026, o Líder Supremo é Mojtaba Khamenei5923.
Em abril de 2019, o Departamento de Estado dos Estados Unidos designou o IRGC inteiro, incluindo a Força Quds, como organização terrorista estrangeira. Foi a primeira vez que o governo americano deu essa designação a parte das forças armadas de um governo estrangeiro13.
Qassem Soleimani comandou a Força Quds por cerca de duas décadas, até ser morto por um ataque de drone dos Estados Unidos perto do Aeroporto de Bagdá, em 3 de janeiro de 202014. No mesmo dia, foi substituído por seu vice, Esmail Ghaani15. Essa morte não virou tudo de uma vez. O MEI descreve continuidade na estrutura sob Ghaani, e a estratégia de "unidade de frentes" montada por Soleimani continuou até ser desfeita por outros fatores: a queda de Assad, em dezembro de 2024, e a guerra de 2026, não a troca de comando em si6.
O comandante do IRGC, Mohammad Pakpour, foi morto no primeiro dia dos ataques, 28 de fevereiro de 2026. Em março, já em guerra, foi substituído por Ahmad Vahidi, que tinha comandado a própria Força Quds entre 1988 e 199716. No mesmo período, circulou a notícia, não confirmada oficialmente, de que Ghaani teria sido detido sob acusação de espionar para Israel. Tratamos isso como rumor, não como fato, porque o governo iraniano não confirmou17. A fonte confirmada mais recente que temos sobre o comando da Força Quds é de 12 de agosto de 2026. Nela, a Al Jazeera mostra Ghaani em atividade, em visita a Bagdá para negociar com o Marco de Coordenação xiita iraquiano o desarmamento de milícias: "Teerã enviou uma mensagem via Qaani […] nenhuma entrega de armas das facções no momento presente", segundo uma fonte anônima do próprio Marco de Coordenação18.
Hezbollah: criado pelo Irã, hoje três coisas ao mesmo tempo
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Depois da invasão israelense do Líbano em 1982, o IRGC mandou cerca de 1.500 instrutores e assessores ao Vale do Bekaa, no leste do país19. Segundo o MEI, "operativos da Força Quds foram ao país para exportar a Revolução Islâmica e construir uma organização islamista xiita capaz de lutar contra Israel"6. O Council on Foreign Relations (CFR) confirma que o IRGC "forneceu fundos e treinamento à milícia nascente" depois de 198220. Entre os casos que reunimos, é o de criação mais bem documentado.
O resultado, o Hezbollah, é três coisas ao mesmo tempo. Quem conta só uma delas está fazendo propaganda, para um lado ou para o outro.
Primeiro, uma milícia. Em 2000, depois de anos de resistência do grupo, o exército israelense saiu unilateralmente do sul do Líbano, e o Hezbollah se apresentou como "a única força árabe a enfrentar competentemente os israelenses em batalha". Em 2006, uma nova guerra terminou sem vitória israelense decisiva, e o Hezbollah também chamou isso de vitória6.
Segundo, um partido com assentos no Parlamento. O Hezbollah entrou no Parlamento libanês em 1992, com oito cadeiras eleitas, e ocupa cargos no gabinete desde 200520.
Nas eleições de maio de 2022, manteve 13 das 128 cadeiras do Parlamento, segundo o CFR20. A Al Jazeera, sobre a mesma eleição, contou 15 cadeiras só para o partido. Registramos a diferença sem arbitrar; talvez venha de formas diferentes de contar os aliados21. Nessa eleição, a coalizão liderada pelo grupo perdeu a maioria que tinha desde 2018, caindo de 71 para 61 assentos21. Um levantamento do MEI de meados de 2025, antes da guerra de 2026, põe o Hezbollah e seus aliados em 62 das 128 cadeiras. Isso sugere uma recuperação entre 2022 e 2025, mas não conseguimos confirmar o número com uma segunda fonte eleitoral direta6.
Terceiro, uma rede de serviços sociais. Pela Jihad al-Bina ("a Jihad da Construção", fundada nos anos 1980), o Hezbollah mantém hospitais, escolas, centros culturais e clínicas no sul do Líbano e no Vale do Bekaa. Um levantamento citado pelo Amit Terrorism and Intelligence Research Institute (antigo Meir Amit Intelligence and Terrorism Information Center), instituto israelense ligado a veteranos da inteligência e com viés declarado, fala em três hospitais, doze centros de saúde, vinte postos de enfermagem e vinte clínicas odontológicas. A rede seria tão grande que o grupo chegou a ser convidado a assumir a operação de hospitais do governo na região22. Só essa fonte, de viés declarado, registra esses números; procuramos outras e não achamos. Já a existência da rede é confirmada por duas fontes distintas, CFR e MEI206.
O grupo também adere à wilayat al-faqih (governo do jurista), a doutrina que dá ao jurista islâmico mais qualificado a tutela do Estado, explicada em A wilayat al-faqih. O manifesto fundador do Hezbollah, de 1985, já trazia o juramento de fidelidade ao Líder Supremo do Irã20.
Em junho de 2016, o então secretário-geral Hassan Nasrallah confirmou em público, pela primeira vez, o financiamento iraniano: "Somos abertos sobre o fato de que o orçamento do Hezbollah, sua renda, suas despesas, tudo que ele come e bebe, suas armas e foguetes, vêm da República Islâmica do Irã". A mesma reportagem registra que partes significativas do orçamento do grupo vêm de outras fontes, como tráfico de drogas, negócios e doações236. Compare com a fala de Ali Khamenei, de 22 de dezembro de 2024, citada acima, negando que o Irã tenha "forças proxy". O patrono nega e o beneficiário confirma.
Em julho de 2026, o Hezbollah enviou uma carta de fidelidade ao novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, concedendo a ele "a plena legitimidade religiosa conferida pela doutrina da wilayat al-faqih". Na visão do grupo, a autoridade dele não difere da de Khomeini ou da do falecido Ali Khamenei24. A adesão aparece documentada em dois momentos: 1985 e 2026. A fala de Nasrallah em 2016 é outra coisa: confirma o dinheiro iraniano, não a doutrina. O registro de 2026 tem a base mais frágil, porque as duas fontes que tratam da carta são de origem israelense e não encontramos confirmação independente.
Em setembro de 2024, Israel matou Nasrallah e fez uma operação de dois dias em que milhares de membros do Hezbollah foram mortos ou feridos por explosões de pagers e rádios. Em resposta, o grupo lançou centenas de mísseis não guiados contra o norte de Israel. O saldo foi de pelo menos 100 mortes israelenses e de represálias que mataram mais de 4.000 pessoas no Líbano6.
Um cessar-fogo no fim de novembro de 2024 incluía cláusulas sobre o desarmamento do Hezbollah. Em agosto de 2025, o governo libanês propôs um cronograma para pôr todas as armas sob controle do Estado até o fim daquele ano. Washington aplaudiu, o grupo rejeitou, e seus apoiadores foram às ruas protestar6.
Com a guerra de 2026, o Hezbollah atacou Israel em 2 de março, em resposta à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e à morte de Ali Khamenei. Desde então há guerra no Líbano, com cessar-fogo de fato desde 16 de abril de 2026 e ocupação israelense de partes do sul do país25. A Britannica registra que mais de um sexto da população libanesa foi deslocada depois que a guerra reacendeu o confronto entre Israel e o Hezbollah. É o número que mais mostra quem paga essa conta1. A reportagem da Bloomberg, de 22 de junho de 2026, é a fonte mais recente que temos sobre a situação militar do Hezbollah. O que mudou depois dessa data não está aqui.
Milícias iraquianas: da fatwa de Sistani ao salário do Tesouro
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O rótulo "milícias iraquianas pró-Irã" junta grupos com origem, lealdade e grau de controle completamente diferentes, e é justamente isso que importa. A Organização Badr foi formada nos anos 1980 por exilados iraquianos xiitas que viviam no Irã e eram leais ao Líder Supremo. Está mais perto do modelo "criado por Teerã" do que do modelo "preexistente"6. Já o Kata'ib Hezbollah e o Asa'ib Ahl al-Haq surgiram depois da invasão americana de 2003, a partir de grupos iraquianos que já existiam e passaram a receber do IRGC muito armamento, treinamento e dinheiro, sob supervisão pessoal de Soleimani626.
As Forças de Mobilização Popular (em árabe, Hashd al-Shaabi) são uma coalizão formada em 2014 para combater o Estado Islâmico, depois de uma fatwa do grande aiatolá Ali al-Sistani que convocava voluntários6. O governo iraquiano reconheceu a coalizão formalmente como força auxiliar das forças armadas, o que lhe deu legitimidade e salário para os combatentes1. A Britannica deixa claro o que cabe nessa sigla: "milícias xiitas apoiadas pelo Irã, milícias xiitas que se opõem à intervenção iraniana no Iraque, e milícias que representam as comunidades sunita, cristã e yazidi"1. Muitos desses voluntários não têm vínculo com Teerã. As milícias que predominam dentro da coalizão são, sim, apoiadas pelo Irã: Kata'ib Hezbollah, Organização Badr, Asa'ib Ahl al-Haq1. Mas chamar o PMF inteiro de proxy do Irã é erro factual, porque a mesma coalizão abriga grupos contrários à influência iraniana e milícias de outras confissões religiosas.
A entrada dessa coalizão no Estado tem data. Em 22 de fevereiro de 2016, o então primeiro-ministro Haidar al-Abadi assinou a Ordem de Gabinete nº 91, que estabeleceu as Forças de Mobilização Popular como "uma formação militar independente e parte das forças armadas iraquianas"26. Em 26 de novembro de 2016, o Parlamento iraquiano aprovou uma lei que formalizou esse estatuto, com 208 votos a favor e boicote de parlamentares sunitas. O presidente Fuad Masum sancionou a lei em 19 de dezembro de 201627. Segundo o resumo do texto feito pela Library of Congress, que lemos em 10 de setembro de 2026, a lei diz o seguinte: a Mobilização Popular é uma organização independente, com personalidade jurídica, integrante das forças armadas iraquianas e subordinada diretamente ao comandante-geral das forças armadas; está sujeita a toda a legislação militar em vigor, menos nos requisitos de idade e escolaridade; seus membros têm de se desligar de qualquer organização política, partidária ou social e não podem ter atividade política; e o comandante só é nomeado com aprovação do Parlamento28. A garantia de salários e pensões equivalentes aos do Exército e da polícia regulares vem das fontes secundárias que usamos, não desse resumo do texto legal27. Há uma divergência de data que registramos sem arbitrar: a Library of Congress data a Ordem nº 91 de 2 de fevereiro de 2016, e não de 22 de fevereiro, como aparece nas outras fontes que usamos2628.
Uma milícia que passa a receber salário do Tesouro iraquiano já não é "proxy do Irã" no mesmo sentido de antes, mas também não fica independente de Teerã. O MEI descreve o resultado como "um grupo guarda-chuva que nominalmente responde ao primeiro-ministro iraquiano, mas cujos componentes, em sua maioria, operam sob direção de Teerã"6. Duas iniciativas recentes puxam em direções opostas, e essa tensão é o próprio retrato da situação atual do PMF. De um lado, tramita desde 2025 uma lei para transformar a estrutura de comissão temporária em braço permanente do Estado. O governo Sudani aprovou o projeto em fevereiro daquele ano, e o Parlamento o examinou em julho de 2025, segundo o MEI6. Travado por disputas internas e pressão dos Estados Unidos, o projeto chegou à leitura final em 16 de julho de 2026, mas ainda não teve votação final. No fim de agosto de 2026, o governo do primeiro-ministro Ali al-Zaidi, no cargo desde 14 de maio de 2026 e indicado pelo bloco xiita pró-Teerã, preparava uma versão revisada do projeto2930. De outro lado, sob pressão dos Estados Unidos, o próprio Ali al-Zaidi determinou em 2026 que as milícias passassem à autoridade direta do Estado, segundo a Britannica1. Tornar a coalizão um braço permanente do Estado e, ao mesmo tempo, pôr suas milícias sob comando estatal direto são movimentos difíceis de conciliar. Essa é a informação mais recente que temos sobre a situação legal dessas forças.
Houthis: um movimento zaidita que o Irã passou a armar
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Os houthis, ou Ansar Allah (em árabe, "auxiliares" ou "partidários de Deus", nome que não deve ser confundido com o do Hezbollah, "Hizb Allah", Partido de Deus), seguem o zaidismo. É um ramo do xiismo que reconhece só os cinco primeiros sucessores de Maomé, e não os doze do ramo duodecimano, dominante no Irã. O Council on Foreign Relations e a National Public Radio concordam: "os houthis não praticam o xiismo 'duodecimano' predominante no Irã, embora tenham reportadamente incorporado crenças duodecimanas à sua interpretação do zaidismo"31. A revista acadêmica MERIP tem um artigo inteiro sobre "como os houthis se tornaram 'xiitas'" no discurso público, um rótulo que veio depois do próprio movimento32. Não são "xiitas do Irã": são um movimento zaidita que se aproximou do Irã quando já existia. A diferença completa entre zaidismo e xiismo duodecimano está em Ramos do Islã.
O movimento fazia ofensivas militares contra o governo iemenita desde 2004 e lutava contra a Arábia Saudita desde 2009, antes de qualquer apoio iraniano relevante6. Especialistas divergem sobre quando esse apoio começou. Alguns estimam que a ajuda militar iraniana começou já em 2009; a maioria concorda que, por volta de 2014, ano em que tomaram a capital, Sanaa, os houthis já recebiam armas do Irã33. O MEI descreve os houthis como "aliados de conveniência" do Irã, que só cooperam onde os interesses coincidem, um vínculo mais frouxo que a coordenação próxima que o instituto atribui ao Hezbollah6. Em outro trecho, é mais direto: "muitos acadêmicos apontam que o Irã tem pouco controle sobre a tomada de decisão do grupo; outros vão além e chamam o movimento houthi de parceiro voluntário do regime iraniano, não exatamente um proxy"6. Nas fontes que reunimos, não há base para afirmar um grau de controle iraniano sobre os houthis. Há base só para descrever o fluxo de armas e o padrão de coordenação tática, como os ataques no Mar Vermelho e a pressão sobre a Arábia Saudita.
A guerra de 2026 trouxe um episódio que põe essa autonomia à prova. Em 28 de março, os houthis lançaram mísseis e drones contra Israel e abriram uma nova frente no conflito. Fizeram isso apesar de terem chegado a um cessar-fogo com os Estados Unidos, em 2025, sobre os ataques no Mar Vermelho, e sem que estivesse claro, até ali, se aceitariam o confronto direto com Israel1. Isso indica autonomia, não comando: a decisão de entrar na guerra partiu do próprio movimento, contra um cessar-fogo que ele já tinha com Washington. No fim de março, autoridades da Guarda Revolucionária sugeriram que o Irã poderia pressionar os houthis a fechar o estreito de Bab el-Mandeb1. Sugerir pressão não é dar ordem, e não encontramos fonte que mostre os houthis atendendo a esse pedido.
Hamas e Jihad Islâmica Palestina: aliança tática, não doutrinária
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O Hamas nasceu em dezembro de 1987, em Gaza, como braço da Irmandade Muçulmana palestina. A Irmandade se reuniu na Faixa e decidiu criar uma organização voltada, antes de tudo, para a luta contra a ocupação israelense. O comunicado de 11 de dezembro de 1987 tornou público o nome Hamas, sigla de Harakat al-Muqawama al-Islamiyya ("Movimento de Resistência Islâmica")34. O artigo 2º da carta de 1988, numa tradução inglesa do original árabe publicada pelo Avalon Project, definia o grupo como "uma das alas da Irmandade Muçulmana na Palestina"6134. A matriz doutrinária completa está em Irmandade Muçulmana. O Hamas é sunita, de matriz diferente da xiita duodecimana do Irã, e sua aliança com Teerã é política, não doutrinária.
Essa aliança já se rompeu uma vez, e sabemos quando. As relações entre Hamas e Irã pioraram a partir de 2012, quando o chefe do bureau político do Hamas, Khaled Meshaal, deixou Damasco depois de se recusar a apoiar a posição do regime sírio e do Irã sobre a "revolução síria". Em resposta, o regime de Assad fechou os escritórios do Hamas na Síria naquele ano, e o grupo levou sua sede para o Catar e a Turquia35. O Irã, por sua vez, cortou o financiamento ao Hamas por causa dessa posição, "demonstrando os limites da influência do Irã sobre o grupo", nas palavras do MEI6. A reconciliação começou a se firmar em 2017. No fim de agosto daquele ano, Yahya Sinwar, eleito chefe do bureau político do Hamas em Gaza em fevereiro de 2017, declarou que as relações entre Hamas e Irã, tensas desde a guerra na Síria, estavam restauradas, e as chamou de "excelentes"35. O MEI confirma a mesma cronologia6. Com essas datas, confirmadas por duas fontes, cai a ideia de que a aliança Irã-Hamas é automática ou incondicional: ela se rompeu por uma divergência política concreta e só voltou quando os interesses se alinharam de novo.
A Jihad Islâmica Palestina (PIJ) é outro caso: sua relação com Teerã é mais próxima e mais antiga. O grupo não rompeu com o Irã por causa da Síria. Ao contrário do Hamas, manteve sua base em Damasco e as relações com o regime de Assad35. Seus fundadores adotaram os princípios de jihad e luta armada do próprio Aiatolá Khomeini. Isso ajudou a criar uma relação próxima com Teerã desde que o grupo se mudou para o Líbano, no fim dos anos 1980, e passou a cultivar parceria com o Hezbollah e o IRGC, que lhe deram treinamento e armas36. O Irã cortou o financiamento à PIJ em 2015, depois que o grupo se recusou a denunciar a intervenção saudita na guerra civil do Iêmen, e o restabeleceu integralmente em meados de 2016, após reuniões entre líderes da PIJ e autoridades iranianas6. Em doutrina, Hamas e PIJ são ambos sunitas. A diferença está na intensidade e na continuidade da relação com Teerã: a PIJ nunca deixou de operar a partir de Damasco, e o Hamas deixou.
Sobre o dinheiro: em relatório de 2020, o Departamento de Estado dos Estados Unidos estimou que o Irã dava mais de US$ 100 milhões por ano a Hamas e PIJ, somados36. O MEI cita uma ordem de grandeza parecida, mas fala em "até US$ 100 milhões" por ano só para o Hamas, "em armas, treinamento e dinheiro"6. As duas leituras da mesma cifra-base divergem no alcance, e registramos isso sem arbitrar. O próprio MEI, porém, ressalva que o Hamas, "como organização independente, é financiado primariamente por fontes não iranianas, incluindo fundos redirecionados de instituições de caridade de fachada, a tributação de áreas sob seu controle e a ajuda do Catar a Gaza"6. Todas as cifras desta seção vêm do governo dos Estados Unidos ou de institutos americanos de política externa. Não encontramos confirmação independente do lado palestino ou iraniano.
Sobre 7 de outubro de 2023: Teerã negou envolvimento direto no ataque liderado pelo Hamas contra Israel, e a inteligência americana corroborou essa versão, segundo o MEI. Mas centenas de militantes tinham treinado no Irã nas semanas anteriores, e Teerã não suspendeu o apoio aos grupos armados palestinos nem antes nem depois do ataque6. Treinar militantes e não cortar o apoio não é o mesmo que ordenar o ataque. Não encontramos fonte que sustente comando operacional iraniano sobre a decisão de 7 de outubro.
É aqui que a diferença entre patrocínio e comando fica mais clara em toda a rede. Marzia Giambertoni, da RAND Corporation, escreveu em 10 de março de 2026: "os proxies do Irã estão lutando guerras diferentes, unidos pelo patrocínio de Teerã mas divergindo em capacidade e autonomia. […] o Hamas está lutando uma guerra diferente — sobrevivência organizacional e negociação de desarmamento —, com o papel do Irã reduzível a um habilitador histórico, mais do que comando em tempo real"3. O MEI, de Washington, chega à mesma leitura alguns parágrafos acima, quando diz que o Hamas é "financiado primariamente por fontes não iranianas" e quando aponta os limites de influência mostrados pela ruptura de 2012. A RAND, também americana, chega lá por outro caminho. São duas fontes independentes com a mesma conclusão, o que fortalece cada uma delas. E, como vêm de instituições do lado americano do debate, a separação entre patrocínio e comando não pode ser lida como indulgência nossa.
Síria: um capítulo encerrado
A Síria não era um proxy, e sim um Estado aliado, e a relação mudou. A parceria com Teerã está congelada desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 202437. O novo governo de transição, liderado por Ahmed al-Sharaa e ainda sem mandato eleitoral confirmado, manteve distância formal da guerra de 2026: em abril daquele ano, al-Sharaa declarou que "a Síria permanecerá fora do conflito"38.
Quanto o Irã investiu na Síria de Assad é assunto de estimativas, não de números fechados. "Especialistas" citados pela Rádio Free Europe/Rádio Liberty (financiada pelo governo dos Estados Unidos) falam em até US$ 50 bilhões ao longo de cerca de treze anos, entre 2011 e 2024, sem explicar o método37. O MEI fala em mais de US$ 30 bilhões que o regime deposto devia ao Irã até dezembro de 2024, e usa "reportadamente", ressalva da própria fonte que mantemos6. Segundo o MEI, essa mesma assistência custou caro à imagem do Hezbollah: transformou o grupo, "aos olhos de muitos no Oriente Médio, do que expulsou os israelenses ao que esmagou as aspirações do povo sírio"6. Tratamos a Síria como um capítulo encerrado da rede de aliados armados do Irã, não como membro atual.
O dinheiro e as armas: quase sempre só um lado conta
Quase todos os números de financiamento e armamento que circulam na cobertura sobre o tema vêm do governo dos Estados Unidos (Tesouro, Departamento de Estado) ou de institutos de política externa americanos e israelenses. A única confirmação vinda de dentro do próprio eixo é a fala de Nasrallah, em 2016, sobre o orçamento do Hezbollah, citada acima. Para nenhum dos números abaixo encontramos estimativa independente de fonte iraniana, libanesa, iraquiana ou iemenita que não seja alinhada aos Estados Unidos ou a Israel.
O Departamento de Estado americano estima em cerca de US$ 700 milhões por ano o financiamento iraniano ao Hezbollah. O número é de 2018/2020 e foi reafirmado em agosto de 2026. Equivale a cerca de 70% da receita do grupo, segundo estimativa do Tesouro dos Estados Unidos de 2018 que reportagens posteriores continuam citando39. Uma autoridade anônima do Tesouro americano, citada pela Fox News, falou em cerca de US$ 1 bilhão contrabandeado para o Hezbollah só em 2026, até agosto. É um número de fonte única, sem metodologia publicada40.
Para Iraque, Síria e Iêmen somados, o MEI cita mais de US$ 16 bilhões entre 2012 e 2020, "segundo o governo dos Estados Unidos", sem dizer qual órgão do governo americano é a origem6.
Para Hamas e PIJ somados, mais de US$ 100 milhões por ano, segundo o Departamento de Estado em 202036.
Para os houthis, entre US$ 100 e 300 milhões por ano, numa estimativa citada pelo MEI e não atribuída a um órgão específico. É uma fração da receita anual total do grupo, somadas todas as fontes, estimada em cerca de US$ 1,8 bilhão6.
Um número segue outra lógica: as Forças de Mobilização Popular custam ao Iraque cerca de US$ 3,4 bilhões por ano, segundo o orçamento do próprio governo iraquiano6. Esse dinheiro não é iraniano. É o custo fiscal de incorporar essas forças ao Estado, pago pelo Tesouro do Iraque, e não deve ser somado ao patrocínio direto do Irã.
Não somamos esses números num "total do Irã". Nenhuma fonte que reunimos sustenta esse total, e cada número vem de um grupo, um período e um método diferentes.
O que o Irã ganha com essa estrutura
Segundo o MEI, o Irã segue uma estratégia de defesa avançada: usa grupos armados no exterior para impedir que a guerra chegue ao solo iraniano e aproveita a negação plausível para não ser arrastado a um conflito direto. É uma lição da guerra Irã-Iraque, de 1980 a 19886. Analistas da RAND descrevem essa doutrina como apoiada na profundidade dos aliados, que absorvem as ameaças antes que cheguem ao território persa. Em 10 de março de 2026, avaliaram que ela "está atingindo seus limites" depois dos golpes recentes sofridos pela rede3. Randa Slim, do Stimson Center, escreveu em 2 de março de 2026, dois dias depois do início da guerra, que a rede estava "já em desordem antes da morte de Khamenei". Ela aponta que "a perda da Síria como corredor terrestre com o Líbano" cria "uma lacuna logística que nenhuma nova ordem política em Teerã tem chance de superar"8. Essas análises são dos autores citados, não conclusões nossas.
A mesma peça da RAND traz um contraponto que merece o mesmo peso. Shira Efron lembra que o establishment de segurança israelense há muito vê o Irã como "a cabeça da serpente", e seus aliados como a cauda. Mas, diz ela, "é possível levar essa analogia longe demais": mesmo que os Estados Unidos e Israel conseguissem mudar o regime no Irã ou "decapitar" essa cabeça, "os proxies do Irã ainda existiriam", porque "grupos como Hezbollah, Hamas e os houthis estão profundamente enraizados em suas respectivas sociedades", ainda que, sem seu principal patrocinador, "possam se tornar menos virulentos"3. As duas partes da leitura da RAND convivem: a rede depende de Teerã e existiria sem Teerã, só que de outro jeito.
Outros especialistas da mesma peça acrescentam detalhes, sempre com data e autor. Kyle A. Kilian observa que Israel deu prioridade à remoção do Hezbollah, "o proxy mais capaz do Irã em seu 'Eixo da Resistência'", que já tinha perdido a maior parte de sua cúpula antes do conflito atual. Sobre as milícias xiitas iraquianas e os houthis, escreve que "podem apresentar uma ameaça viável, mas carecem da capacidade e da organização para apresentar uma frente unida sem apoio direto de seu patrocinador iraniano"3. Karen Sudkamp escreve que "o papel defensivo e de dissuasão dos proxies do Irã entrou em colapso sob pressão consistente e de anos", que as milícias iraquianas estão fracionadas e que "o 'Eixo da Resistência' foi eficaz em distrair os adversários do Irã — até deixar de ser"3. Sudkamp também relata que autoridades do Catar prenderam integrantes de uma célula adormecida iraniana no início de março de 2026. Só essa fonte relata o fato, sem confirmação de outra, e é assim que o registramos3.
Quem paga a conta
Libaneses, iraquianos e iemenitas não escolheram essa estrutura, e em cada um dos três países há oposição interna documentada a esses grupos.
No Iraque, o movimento de protesto "Tishreen" ("outubro", em árabe) tomou o país a partir de 1º de outubro de 2019. Eram jovens sem filiação política que pediam empregos, serviços básicos e o fim da corrupção e do sistema de cotas em vigor desde a invasão de 200341. Forças de segurança iraquianas e milícias apoiadas pelo Irã usaram força letal contra os manifestantes, com cerca de 600 mortos e mais de 20.000 feridos. Ativistas foram alvo de uma onda de assassinatos e sequestros em Bagdá, Basra, Nasiriyah e Najaf, atribuída principalmente a milícias apoiadas pelo Irã41. No fim de agosto de 2026, o líder da milícia Badr, Hadi al-Amiri, disse num evento que "a resistência enfrentou com coragem a sedição de Tishreen e preservou o Estado e o sistema político" (tradução própria). Não é uma confissão de mortes, mas foi lida por ativistas como justificativa da violência. Um advogado apresentou queixa à Promotoria na província de Wasit pedindo que Al-Amiri seja chamado a depor. Até a data das reportagens, nenhum alto responsável tinha sido condenado pelas mortes4262.
No Líbano, o "levante de outubro" (al-thawra) também começou em outubro de 2019. Em 29 de outubro, centenas de apoiadores do Amal e do Hezbollah atacaram com pedras e barras de metal manifestantes pacíficos que bloqueavam a rodovia Ring, no centro de Beirute, e puseram fogo em parte de um acampamento de protesto na cidade43. A Human Rights Watch documentou ao menos seis casos em que forças de segurança não protegeram manifestantes pacíficos de ataques de homens armados com paus, pedras e barras de metal, além de episódios em Nabatieh, no sul do país. Houve novos confrontos em novembro de 201943. Os libaneses não formam um bloco a favor ou contra o Hezbollah: há confronto de rua documentado entre cidadãos libaneses e apoiadores do grupo.
No Iêmen, segundo a Freedom House, os houthis reprimiram duramente a dissidência política nas áreas que controlam desde 2015 e formaram comitês para supervisionar a burocracia do Estado. Organizações de direitos humanos os acusam de negar liberdade de expressão e de associação, de prisões arbitrárias e de desaparecimentos forçados44. O Conselho de Transição do Sul (STC), movimento separatista formado em 11 de maio de 2017, se opõe aos houthis e, historicamente, também ao governo reconhecido internacionalmente, e pressiona por mais autonomia ou pela separação do sul do país44. Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em novembro de 2021, projetava que a guerra no Iêmen teria matado 377.000 pessoas até o fim daquele ano. Desse total, 60% por causas indiretas, como fome e doenças evitáveis, e 70% das vítimas seriam crianças com menos de cinco anos45. O número é de 2021, quase cinco anos antes desta pesquisa, e não inclui o custo humano de conflitos posteriores, como a guerra de 2026. Não encontramos atualização mais recente. Nas fontes que reunimos, a oposição civil ao domínio houthi aparece documentada de forma mais esparsa do que no Iraque e no Líbano. Isso pode refletir o controle mais fechado da informação nas áreas dominadas pelo grupo, mas não conseguimos confirmar essa hipótese com o que reunimos.
"Terrorista", segundo quem
Designar um grupo como organização terrorista é um ato de Estado, não uma descrição neutra. Por isso dizemos sempre quem designou, quando, e se a designação separa o braço político do braço armado.
Os Estados Unidos designaram o Hezbollah como organização terrorista estrangeira (FTO) em 8 de outubro de 1997 e como "terrorista global especialmente designado" (SDGT) em 31 de outubro de 2001. Trataram o grupo como uma entidade só, sem separar braço político e braço militar46. O Hamas é FTO para os Estados Unidos desde outubro de 199747. O IRGC, incluindo a Força Quds, foi designado FTO em abril de 2019. Nesse caso, a distinção entre político e militar não se aplica, porque se trata da força armada de um Estado, não de um movimento13. Os houthis (Ansarallah) foram designados FTO em janeiro de 2021. O governo Biden revogou a designação em fevereiro daquele ano, por preocupação humanitária com o Iêmen, e ela foi restabelecida por ordem executiva em 22 de janeiro de 2025, com efeito em 4 de março de 202548.
A União Europeia lista como terrorista só o "braço militar" do Hezbollah, por decisão de 22 de julho de 2013, tomada depois de um atentado em Burgas, na Bulgária, em 2012. Entre as designações reunidas aqui, é a única que separa expressamente braço político e braço militar49. O Hamas está na lista da UE desde 2003, foi retirado dela por decisão judicial em 2018 e teve as restrições restabelecidas em 202147. O Reino Unido baniu o Hezbollah inteiro em 1º de março de 2019; antes, a proibição cobria só o braço militar50. A Alemanha baniu o grupo inteiro e confiscou seus bens em 30 de abril de 20206051. O Bahrein foi o primeiro país árabe a banir o Hezbollah inteiro, em 9 de abril de 201352. A Liga Árabe designou o grupo como organização terrorista em 11 de março de 2016, em votação não unânime: Líbano e Iraque votaram contra52. O Conselho de Cooperação do Golfo fez designação parecida em 2 de março de 2016, citando "incitação na Síria, no Iêmen e no Iraque"52.
O Brasil não designou o Hezbollah nem o Hamas como organizações terroristas. Em 2019, sob o governo Bolsonaro, o Itamaraty declarou que o país "segue as determinações dos comitês de sanções do Conselho de Segurança da ONU e, portanto, não considera o Hezbollah como grupo terrorista"55. A Lei nº 13.260/2016, que tipifica o terrorismo no Brasil, não prevê lista própria independente de reconhecimento prévio pelo Conselho de Segurança da ONU58. Não encontramos decreto ou declaração posterior que mude essa posição.
O Brasil na equação
A conexão financeira do Hezbollah na Tríplice Fronteira já é tratada em Terrorismo no Brasil: a Tríplice Fronteira, e não a repetimos aqui. Em 2023, a Polícia Federal fez a Operação Trapiche contra suspeitos de ligação com o Hezbollah. Prendeu dois homens e cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, sob suspeita de que planejavam ataques a prédios das comunidades judaica e israelense no Brasil, incluindo sinagogas53. O dinheiro rastreado passou por contrabando de cigarros eletrônicos, empresas de fachada e uma estrutura de lavagem de cerca de R$ 1 bilhão, antes de chegar a carteiras de criptomoeda já sinalizadas por especialistas em financiamento do terrorismo54.
Durante a guerra de 2026, o Itamaraty se pronunciou sobre os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Pediu "máxima contenção" e afirmou que os ataques ocorreram "em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz"56. Em 9 de abril de 2026, exigiu o fim imediato da nova ofensiva israelense no Líbano e a retirada completa das tropas israelenses57. São posições sobre a guerra, não sobre a designação de organizações, e não tiramos de uma conclusões sobre a outra.
Leia antes
- A estrutura de poder do Irã — para entender a quem a Força Quds responde e o que mudou com a sucessão de março de 2026. Pressupomos esse conteúdo aqui.
- A wilayat al-faqih — a doutrina que o Hezbollah declara seguir.
- Ramos do Islã — a distinção entre zaidismo e xiismo duodecimano.
- Irmandade Muçulmana — a origem doutrinária do Hamas.
Leia depois
- Terrorismo no Brasil: a Tríplice Fronteira — a cobertura completa da presença financeira do Hezbollah no Brasil, não repetida aqui.
- A Revolução Iraniana de 1979 — o contexto da fundação do IRGC e da doutrina exportadora da revolução.
- Minorias no Irã — contraponto sobre como o Irã trata minorias dentro de suas próprias fronteiras.
Fontes
Fontes
Britannica, verbete "2026 Iran War", lido integralmente em 9 de setembro de 2026. https://www.britannica.com/event/2026-Iran-war (abre em nova aba) · 🟡 · enciclopédia terciária editada profissionalmente — admissível por
↩docs/FONTES.md§8 (que veta apenas enciclopédias colaborativas e geradas por IA, não a Britannica); lida diretamente, não por resumo de busca; não serve como fonte única para afirmação contestável de outra natureza.Al Jazeera, "World reacts to appointment of Mojtaba Khamenei as Iran's supreme leader", 9 de março de 2026. https://www.aljazeera.com/news/2026/3/9/world-reacts-to-appointment-of-mojtaba-khamenei-as-irans-supreme-leader (abre em nova aba) · 🟡 · veículo estatal do Catar, linha simpática à Irmandade Muçulmana; usada aqui só para data e fato de nomeação, corroborada por AP/PBS (nota 59).
↩RAND Corporation, "War in Iran: Q&A with RAND Experts", 10 de março de 2026, nove especialistas respondendo separadamente, cada resposta assinada (Marzia Giambertoni, Shira Efron, Kyle A. Kilian, Karen Sudkamp, Michelle Grisé, entre outros). https://www.rand.org/pubs/commentary/2026/03/war-in-iran-qa-with-rand-experts.html (abre em nova aba) · 🟡 · centro de pesquisa historicamente ligado ao aparato de defesa dos Estados Unidos; entra nomeada, com o nome de cada especialista, porque as respostas divergem entre si.
↩NPR, "At least 6,126 people killed in Iran's crackdown on nationwide protests, activists say", 27 de janeiro de 2026. https://www.npr.org/2026/01/27/nx-s1-5689793/6-126-iran-crackdown-protests-death-toll (abre em nova aba) · 🟢 · rádio pública americana, independência editorial reconhecida.
↩Iran Human Rights (IHRNGO), "At Least 3.428 Protesters Killed in Iran; Serious Risk of Protester Executions", 14 de janeiro de 2026. https://iranhr.net/en/articles/8529/ (abre em nova aba) · 🟡 · organização de direitos humanos com sede na diáspora e posição declarada contra a República Islâmica; método declarado (fontes dentro do Ministério da Saúde iraniano).
↩Middle East Institute (MEI), "The Axis of Resistance" (backgrounder), última atualização em 6 de janeiro de 2026, escrito por Noah Rudin com contribuição dos pesquisadores sêniores Alex Vatanka e Fadi Nicholas Nassar; PDF lido integralmente em 9 de setembro de 2026. https://mei.edu/wp-content/uploads/2026/01/Axis-of-Resistance_Backgrounder_2025.pdf (abre em nova aba) · 🟡 · instituto de política externa em Washington que, segundo reportagens (Truthout, Responsible Statecraft, Influence Watch), recebeu doações não divulgadas de governos do Golfo, entre elas US$ 20 milhões dos Emirados Árabes Unidos em 2017; usado como fonte de fatos verificáveis e cronologia, com atribuição sempre explícita no corpo, nunca como fonte única para afirmação contestável.
↩Chatham House, "The fall of Assad has exposed the extent of the damage to Iran's axis of resistance", dezembro de 2024. https://www.chathamhouse.org/2024/12/fall-assad-has-exposed-extent-damage-irans-axis-resistance (abre em nova aba) · 🟢 · instituto de relações internacionais do Reino Unido, financiamento diversificado.
↩Stimson Center, Randa Slim, "After Khamenei: Regional Reckoning and the Future of Iran's Proxy Networks", 2 de março de 2026. https://www.stimson.org/2026/after-khamenei-regional-reckoning-and-future-of-irans-proxy-networks/ (abre em nova aba) · 🟢 · instituto de política externa americano, sem financiamento do Golfo identificado nesta pesquisa.
↩The Conversation, Sara Harmouch (American University) e Nakissa Jahanbani (Academia Militar de West Point), "How much influence does Iran have over its proxy 'Axis of Resistance'?", 23 de janeiro de 2024. https://theconversation.com/how-much-influence-does-iran-have-over-its-proxy-axis-of-resistance-hezbollah-hamas-and-the-houthis-221269 (abre em nova aba) · 🟢 · plataforma de jornalismo acadêmico, autoria identificada.
↩VOA (Voice of America) / Times of Israel, citando fala do Aiatolá Ali Khamenei em reunião com "elogiadores religiosos", 22 de dezembro de 2024. https://www.voanews.com/a/ayatollah-khamenei-falsely-denies-existence-of-iran-s-proxy-military-forces/7918697.html (abre em nova aba) · 🟡 · financiado pelo governo dos Estados Unidos (USAGM); usado para registrar citação direta atribuída, não como fato objetivo.
↩Britannica, verbete "Quds Force", consultado em 9 de setembro de 2026. https://www.britannica.com/topic/Quds-Force (abre em nova aba) · 🔍 · enciclopédia profissional; conteúdo reconstruído via resumo de busca.
↩Geopolitical Monitor / United Against Nuclear Iran (UANI), sobre estrutura de comando da Força Quds, consultado em 9 de setembro de 2026. https://www.geopoliticalmonitor.com/inside-the-quds-force-how-irans-foreign-intelligence-service-actually-works/ (abre em nova aba) · 🟡 · UANI é organização de advocacy contrária ao programa nuclear iraniano; usada para descrição estrutural corroborada por Britannica e CFR.
↩Departamento de Estado dos Estados Unidos, "Designation of the Islamic Revolutionary Guard Corps", abril de 2019. https://2017-2021.state.gov/designation-of-the-islamic-revolutionary-guard-corps/ (abre em nova aba) · 🟢 · fonte primária oficial, ato de Estado.
↩Congressional Research Service (via congress.gov), "U.S. Killing of Qasem Soleimani: Frequently Asked Questions", relatório R46148. https://www.congress.gov/crs_external_products/R/PDF/R46148/R46148.6.pdf (abre em nova aba) · 🟢 · serviço de pesquisa não partidário do Congresso dos Estados Unidos.
↩Al Jazeera, cobertura da nomeação de Esmail Ghaani em 3 de janeiro de 2020, cruzada com Times of Israel. https://www.timesofisrael.com/who-is-esmail-ghaani-the-successor-to-slain-iranian-general-soleimani/ (abre em nova aba) · 🟡 · ver a nota 2 (Al Jazeera) e imprensa israelense de espectro editorial próprio (Times of Israel).
↩Al Jazeera, "Who is Ahmad Vahidi, the IRGC's new commander?", 6 de março de 2026. https://www.aljazeera.com/news/2026/3/6/who-is-ahmad-vahidi-the-irgcs-new-commander (abre em nova aba) · 🟡 · ver a nota 2.
↩The National (Abu Dhabi Media), "The commander who keeps surviving: Mystery deepens around Iran's Qaani and the spy question", 4 de março de 2026. https://www.thenationalnews.com/news/mena/2026/03/04/the-commander-who-keeps-surviving-mystery-deepens-around-irans-qaani-and-the-spy-question/ (abre em nova aba) · 🟡 · veículo em língua inglesa ligado ao governo dos Emirados Árabes Unidos; usado apenas para registrar rumor não confirmado, não sua veracidade.
↩Al Jazeera, "Top Iranian commander visited Iraq to discuss disarmament plan: Source", 12 de agosto de 2026. https://www.aljazeera.com/news/2026/8/12/top-iranian-commander-visited-iraq-to-discuss-disarmament-plan-source (abre em nova aba) · 🟡 · ver a nota 2; citação atribuída a fonte anônima do Marco de Coordenação xiita iraquiano.
↩PBS News, "What is Hezbollah? What to know about its origins, structure and history", consultado em 9 de setembro de 2026. https://www.pbs.org/newshour/world/what-is-hezbollah-what-to-know-about-its-origins-structure-and-history (abre em nova aba) · 🟢 · rádio/TV pública americana.
↩Council on Foreign Relations, "What Is Hezbollah?" (backgrounder), publicado em 22 de janeiro de 2020, última atualização em 17 de abril de 2026. https://www.cfr.org/backgrounders/what-hezbollah (abre em nova aba) · 🟢 · instituto de política externa não partidário.
↩Al Jazeera, "Lebanon's pro-Hezbollah bloc loses parliamentary majority", 17 de maio de 2022. https://www.aljazeera.com/news/2022/5/17/pro-hezbollah-bloc-loses-lebanese-parliamentary-majority (abre em nova aba) · 🟡 · ver a nota 2.
↩The Amit Terrorism and Intelligence Research Institute (antigo Meir Amit Intelligence and Terrorism Information Center, ITIC; nome atual e antigo confirmados na página "About Us", https://www.terrorism-info.org.il/en/about/ (abre em nova aba), lida diretamente em 23 de setembro de 2026), "Jihad al-Bina Association in Lebanon", consultado em 9 de setembro de 2026. https://www.terrorism-info.org.il/en/jihad-al-bina-association-lebanon-hezbollah-social-foundation-engaged-construction-social-projects-among-shiite-community-major-component-hezbollahs-civilian-infr/ (abre em nova aba) · 🟡 · centro de pesquisa israelense ligado a veteranos dos serviços de inteligência. ⚠️ Fonte única para os dados quantitativos da rede de serviços: procuramos outras fontes para essa informação, mas só esta a registra. Ao contrário do resto do texto, ela não foi confirmada por fontes independentes.
↩Reportagem citando declaração pública de Hassan Nasrallah, junho de 2016, reproduzida pelo MEI — ver a nota 6 para o viés declarado da fonte secundária que registra a citação.
↩Jerusalem Post (opinião) e Misgav Institute for National Security and Zionist Strategy, sobre a carta de fidelidade do Hezbollah a Mojtaba Khamenei, julho de 2026. https://www.jpost.com/opinion/article-906315 (abre em nova aba) · 🟡 · imprensa israelense, artigo de opinião; o fato da carta em si é corroborado pelo Misgav Institute, também israelense e de viés declarado — segunda fonte verdadeiramente independente não localizada nesta pesquisa.
↩Bloomberg, "Israel-Hezbollah Conflict Complicates Efforts to End Iran War", 22 de junho de 2026. https://www.bloomberg.com/news/articles/2026-06-22/israel-hezbollah-conflict-complicates-efforts-to-end-iran-war (abre em nova aba) · 🟢 · agência/imprensa financeira internacional, padrão profissional.
↩FDD's Long War Journal, "Iraq's prime minister establishes Popular Mobilization Forces as a permanent 'independent military formation'", julho de 2016. https://www.longwarjournal.org/archives/2016/07/iraqs-prime-minister-establishes-popular-mobilization-front-as-a-permanent-independent-military-formation.php (abre em nova aba) · 🟡 · projeto da Foundation for Defense of Democracies, think tank de linha dura anti-Irã sediado em Washington; rastreamento factual em geral respeitado.
↩Al Arabiya English, "Legalizing Iraq's Shiite mobilization forces", 29 de novembro de 2016. https://english.alarabiya.net/views/news/middle-east/2016/11/29/Legalizing-Iraq-s-Shiite-mobilization-forces (abre em nova aba) · 🔴 · veículo estatal/alinhado ao governo saudita; usado apenas para confirmar data e número de votos, corroborado por RFE/RL e Kurdistan24 na mesma busca, nunca como fonte única.
↩Library of Congress, Global Legal Monitor, "Iraq: Legislating the Status of the Popular Mobilization Forces", por Issam Saliba, 7 de dezembro de 2016. https://www.loc.gov/item/global-legal-monitor/2016-12-07/iraq-legislating-the-status-of-the-popular-mobilization-forces/ (abre em nova aba) · 🟢 — lido integralmente em 10 de setembro de 2026. Sustenta, no texto: a aprovação da lei em 26 de novembro de 2016; a definição da Mobilização Popular como organização independente com personalidade jurídica, parte das forças armadas e subordinada diretamente ao comandante-geral (art. 1.1); a sujeição a toda a legislação militar em vigor salvo os requisitos de idade e escolaridade (art. 1.2.1); a exigência de desligamento de toda organização política, partidária e social e a proibição de atividade política (art. 1.2.5); a nomeação do comandante mediante aprovação do Parlamento (art. 2); e a substituição da Ordem nº 91, que a Library of Congress data de 2 de fevereiro de 2016.
↩The National (Abu Dhabi Media), "Iraq PMF law risks entrenching Iran-backed militias as parallel force", 23 de agosto de 2026. https://www.thenationalnews.com/news/mena/2026/08/23/iraq-pmf-law-risks-entrenching-iran-backed-militias-as-parallel-force/ (abre em nova aba) · 🟡 · ver a nota 17.
↩Al Jazeera, "Iraqi president names Shia bloc candidate Ali al-Zaidi as PM-designate", 27 de abril de 2026, e FDD, "U.S. Signals Approval of New Iraqi Prime Minister-Designate Selected by Pro-Tehran Bloc", 30 de abril de 2026. https://www.aljazeera.com/news/2026/4/27/iraqi-president-names-shia-bloc-candidate-ali-al-zaidi-as-pm-designate (abre em nova aba) · 🟡 (Al Jazeera) e 🟡 (FDD, ver a nota 26).
↩Council on Foreign Relations, "Iran's Support of the Houthis: What to Know", consultado em 9 de setembro de 2026, conteúdo cruzado com NPR. https://www.cfr.org/articles/irans-support-houthis-what-know (abre em nova aba) · 🟢 · instituto de política externa não partidário; a própria página traduz Ansar Allah como "Supporters of God" ("partidários/auxiliares de Deus").
↩MERIP (Middle East Research and Information Project), "How the Houthis Became 'Shi'a'", consultado em 9 de setembro de 2026. https://www.merip.org/2018/01/how-the-houthis-became-shia/ (abre em nova aba) · 🟢 · publicação acadêmica-adjacente sem fins lucrativos.
↩FDD's Long War Journal, conteúdo sobre início do apoio iraniano aos houthis, consultado em 9 de setembro de 2026. https://www.longwarjournal.org (abre em nova aba) · 🔍 · página específica não localizada — o endereço registrado é o domínio da publicação, sem caminho a uma matéria; ver a nota 26 para o viés declarado da FDD.
↩Britannica, verbete "Hamas", cruzado com Bitter Winter, "The Origins of Hamas: 1987, Hamas Is Founded", consultado em 9 de setembro de 2026. https://www.britannica.com/topic/Hamas (abre em nova aba) · 🔍 (Britannica) · Bitter Winter, publicação sobre liberdade religiosa e novos movimentos, usada para datas factuais corroboradas por Britannica e Encyclopedia.com.
↩Times of Israel, "A decade after split, Hamas and Syria said in talks to renew ties", e Gulf News, "Beleaguered Hamas struggles to mend damaged Iran ties", ambos consultados em 9 de setembro de 2026. https://www.timesofisrael.com/a-decade-after-split-hamas-and-syria-said-in-talks-to-renew-ties/ (abre em nova aba) · 🟡 (Times of Israel) e 🔴/🟡 (Gulf News) · usados em conjunto, nunca isoladamente, para as datas de ruptura (2012) e declaração de Sinwar (agosto de 2017).
↩Reportagem citando o Departamento de Estado dos Estados Unidos (2020) sobre financiamento a Hamas e PIJ, cruzada com Wilson Center, "Iran, Hamas & Palestinian Islamic Jihad". https://chinafellowship.wilsoncenter.org/article/iran-hamas-and-palestinian-islamic-jihad (abre em nova aba) · 🟢 (Wilson Center, instituto criado por lei do Congresso dos Estados Unidos, com atribuição).
↩RFE/RL (Rádio Free Europe/Rádio Liberty), "One Year After Assad's Fall: Iran's Strategic Collapse In Syria", consultado em 9 de setembro de 2026. https://www.rferl.org/a/iran-syria-anniversary-assad-fall-sharaa-hts/33616352.html (abre em nova aba) · 🟡 · financiado pelo governo dos Estados Unidos (USAGM), linha editorial declaradamente crítica a regimes autoritários; usado para datas e cifra de investimento, atribuída a "especialistas" no próprio texto.
↩Chatham House, "Syrian President al-Sharaa on Iran war: 'Syria will remain outside conflict'", abril de 2026. https://www.chathamhouse.org/2026/04/syrian-president-al-sharaa-iran-war-syria-will-remain-outside-conflict (abre em nova aba) · 🟢 · ver a nota 7.
↩The National (Abu Dhabi Media), "US re-designates Hezbollah as terrorist group and unveils new sanctions", 20 de agosto de 2026. https://www.thenationalnews.com/news/us/2026/08/20/us-re-designates-hezbollah-as-terrorist-group-and-unveils-new-sanctions/ (abre em nova aba) · 🟡 · ver a nota 17.
↩Fox News, citando autoridade do Tesouro dos Estados Unidos não nomeada na reportagem, sobre contrabando de recursos ao Hezbollah em 2026. https://www.foxnews.com/politics/iran-smuggled-1b-hezbollah-year-despite-us-sanctions-treasury-official-says.amp (abre em nova aba) · 🟡 · imprensa americana de linha editorial conservadora; citação de autoridade anônima, sem documento primário publicado — fonte única para a cifra de US$ 1 bilhão em 2026.
↩Amnesty International, "Iraq: Six years since Tishreen protests, activists persecuted and freedom of expression in peril", outubro de 2025. https://www.amnesty.org/en/latest/news/2025/10/iraq-six-years-since-tishreen-protests-activists-persecuted-freedoms-in-peril/ (abre em nova aba) · 🟢.
↩The National (Abu Dhabi Media), "Seven years after 600 died in pro-reform protests, Iraq seeks answers from militia leader", 3 de setembro de 2026. https://www.thenationalnews.com/news/mena/2026/09/03/seven-years-after-600-died-in-pro-reform-protests-iraq-seeks-answers-from-militia-leader/ (abre em nova aba) · 🟡 · ver a nota 17 — sustenta o saldo de cerca de 600 mortos e mais de 20.000 feridos, a fala de Al-Amiri elogiando "a resistência" por enfrentar a "sedição" de Tishreen, a queixa apresentada em Wasit e a ausência de condenação de altos responsáveis; a reportagem não traz admissão de mortes. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
↩Human Rights Watch, "Lebanon: Protect Protesters from Attacks", 8 de novembro de 2019. https://www.hrw.org/news/2019/11/08/lebanon-protect-protesters-attacks (abre em nova aba) · 🟢.
↩Freedom House, "Yemen: Freedom in the World 2025 Country Report", consultado em 9 de setembro de 2026. https://freedomhouse.org/country/yemen/freedom-world/2025 (abre em nova aba) · 🟢 · financiada majoritariamente por verbas do governo dos Estados Unidos, metodologia pública.
↩France 24 / International Center for Transitional Justice (ICTJ), citando relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), "Yemen war will have killed 377.000 by year's end", 23 de novembro de 2021. https://www.france24.com/en/live-news/20211123-yemen-war-will-have-killed-377-000-by-year-s-end-un (abre em nova aba) · 🟢 · agência de notícias com participação estatal francesa; relatório de origem é da ONU — dado de 2021, sem atualização localizada.
↩FinCEN / National Counterterrorism Center dos Estados Unidos, referência à designação original do Hezbollah como FTO em 8 de outubro de 1997. https://www.fincen.gov/system/files/shared/FinCEN-Alert-Hizballah-Alert-508C.pdf (abre em nova aba) · 🟢 · documento de agência federal dos Estados Unidos.
↩Congressional Research Service (via Congress.gov), sobre a cronologia da designação do Hamas pelos Estados Unidos (1997) e pela União Europeia (2003/2018/2021), consultado em 9 de setembro de 2026. https://www.congress.gov/crs_external_products/IF/HTML/IF12549.web.html (abre em nova aba) · 🟢.
↩Departamento de Estado dos Estados Unidos, "Designation of Ansarallah as a Foreign Terrorist Organization", 4 de março de 2025, e Casa Branca, "Fact Sheet: President Donald J. Trump Re-designates the Houthis as a Foreign Terrorist Organization", 22 de janeiro de 2025. https://www.state.gov/designation-of-ansarallah-as-a-foreign-terrorist-organization (abre em nova aba) · 🟢 · fontes primárias oficiais.
↩CNN, "EU putting Hezbollah military wing on terror list", 22 de julho de 2013, cruzado com Jewish Telegraphic Agency da mesma data. https://www.cnn.com/2013/07/22/world/europe/hezbollah-eu/index.html (abre em nova aba) · 🟢.
↩Al Jazeera, "UK to ban Lebanon's 'terrorist' Hezbollah's political wing", 25 de fevereiro de 2019, e Times of Israel, "UK adds entire Hezbollah movement to terror blacklist and freezes its assets". https://www.aljazeera.com/news/2019/2/25/uk-to-ban-lebanons-terrorist-hezbollahs-political-wing (abre em nova aba) · 🟡 · ver a nota 2; citação direta atribuída ao então ministro do Interior britânico, Sajid Javid, corroborada por Times of Israel.
↩The Meir Amit Intelligence and Terrorism Information Center (hoje Amit Terrorism and Intelligence Research Institute), "Germany outlaws Hezbollah, joining other countries which designated it as a terrorist organization", 2020. https://www.terrorism-info.org.il/en/germany-outlaws-hezbollah-joining-countries-designated-terrorist-organization/ (abre em nova aba) · 🟡 · ver a nota 22; corroboração secundária — a referência primária para data e fato é a nota 60.
↩Wilson Center, "GCC and Arab League Declare Hezbollah a Terrorist Organization", 2016. https://www.wilsoncenter.org/article/gcc-and-arab-league-declare-hezbollah-terrorist-organization (abre em nova aba) · 🟢.
↩A Referência, "Polícia Federal realiza operação contra seguidores do Hezbollah em Minas Gerais", sobre a Operação Trapiche (2023). https://areferencia.com/americas/policia-federal-realiza-operacao-contra-seguidores-do-hezbollah-em-minas-gerais/ (abre em nova aba) · 🟡 · veículo brasileiro de menor porte; conteúdo corroborado por outras matérias de imprensa brasileira (InfoMoney, Terra, CNN Brasil).
↩A Referência (ver a nota 53), cruzada com CNN Brasil, "Recompensa de R$ 60 mi dos EUA: entenda presença do Hezbollah no Brasil". https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/recompensa-de-r-60-mi-dos-eua-entenda-presenca-do-hezbollah-no-brasil/ (abre em nova aba) · 🟢.
↩Gazeta do Povo, "Itamaraty de Bolsonaro segue ONU e não classifica Hezbollah como grupo terrorista", 31 de julho de 2019. https://www.gazetadopovo.com.br/republica/itamaraty-bolsonaro-hezbollah-grupo-terrorista/ (abre em nova aba) · 🟢 · imprensa brasileira, linha editorial de centro-direita reconhecida; citação direta atribuída ao Itamaraty.
↩CNN Brasil (blog de Gustavo Uribe), "Brasil condena ataques de Israel e EUA contra Irã e pede 'máxima contenção'", 2026. https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/gustavo-uribe/politica/brasil-condena-ataques-de-israel-e-eua-contra-ira-e-pede-maxima-contencao/ (abre em nova aba) · 🟢 · conteúdo acessado via resumo de busca — data exata da nota do Itamaraty com verificação pendente.
↩ND+ (ndmais.com.br), "Brasil sobe o tom contra Israel e exige fim imediato de ataques no Líbano", 9 de abril de 2026. https://ndmais.com.br/politica/ofensiva-de-israel-no-libano-brasil-exige-retirada/ (abre em nova aba) · 🟡 · imprensa regional brasileira (Santa Catarina); conteúdo acessado via resumo de busca.
↩Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016 (Lei Antiterrorismo brasileira). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13260.htm (abre em nova aba) · 🟢 · texto oficial, Planalto.
↩Associated Press (via PBS NewsHour), "Iran names Mojtaba Khamenei successor to the late supreme leader", por Jon Gambrell, Sam Metz, Kareem Chehayeb e Samy Magdy, 8 de março de 2026, 14h09 EDT (atualizado 18h51 EDT). https://www.pbs.org/newshour/world/iranian-state-tv-says-mojtaba-khamenei-son-of-late-supreme-leader-has-been-named-his-successor (abre em nova aba) — URL conferida com HTTP 200 em 9 de setembro de 2026. 🟢 · despacho de agência internacional (Associated Press), veiculado por emissora pública americana; fonte primária jornalística do anúncio da sucessão, com citação direta do comunicado da Assembleia de Especialistas.
↩Bundesministerium des Innern (Ministério do Interior da Alemanha), "Ban on activities of terrorist organization Hezbollah in Germany", 30 de abril de 2020. https://www.bmi.bund.de/SharedDocs/pressemitteilungen/EN/2020/04/ban-of-hizb-allah-activities.html (abre em nova aba) · 🟢 · fonte primária oficial do governo alemão; referência primária para a data e o fato da proscrição; a nota 51 serve só como corroboração adicional.
↩Avalon Project, Yale Law School, "Hamas Covenant 1988: The Covenant of the Islamic Resistance Movement", 18 de agosto de 1988. https://avalon.law.yale.edu/20th_century/hamas.asp (abre em nova aba) · 🟢 · documento primário, lido integralmente em 9 de setembro de 2026; tradução inglesa publicada pelo Avalon Project a partir do original árabe.
↩Asharq Al-Awsat, "Public Anger, Lawsuits Mount Against Badr Chief Hadi al-Amiri in Iraq", 3 de setembro de 2026. https://english.aawsat.com/arab-world/5314130-public-anger-lawsuits-mount-against-badr-chief-hadi-al-amiri-iraq (abre em nova aba) · 🟡 · jornal de propriedade saudita — sustenta a frase de Al-Amiri sobre a "sedição de Tishreen", a queixa do advogado Hazem Mazen al-Badri à Promotoria de Wasit e o saldo de mais de 600 mortos e 20.000 feridos. Lida diretamente em 23 de setembro de 2026.
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