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Verbete

Ulemá

Estudantes de hijab assistindo a uma aula em sala, com expressões atentas. Photo by MD Photography Ulemá · ʿulamāʾ (علماء), "os que sabem"

Ulemá é o conjunto dos letrados religiosos do Islã (juristas, teólogos, professores), a quem tradicionalmente cabe interpretar as fontes e formar consenso sobre a doutrina.

No fiqh xiita duodecimano, a tradição associava ao Imã várias atribuições: jihad, divisão de despojos de guerra, direção da oração de sexta-feira, judicatura, aplicação de penas, coleta de zakat e de khums. Com a ocultação do Décimo Segundo Imã, o único que os duodecimanos creem oculto, entendeu-se que essas atribuições ficavam suspensas. Boa parte delas passou aos ulemás aos poucos, ao longo de séculos, mas até Khomeini nunca houve acordo sobre a chefia geral do Estado1.

Na República Islâmica do Irã, a posição do ulemá muda de um órgão para outro. Os 88 assentos da Assembleia de Peritos, o colegiado de clérigos que elege o Líder Supremo e pode destituí-lo, são ocupados por clérigos eleitos pelo povo para mandatos de oito anos2. Já os seis membros religiosos do Conselho de Guardiões não são eleitos: o Líder os nomeia diretamente2. Há ainda um tribunal separado só para julgar membros do clero, o Tribunal Especial do Clero (Dadgah-e Vizheh-ye Ruhaniyat). Ele foi criado por ordem de Khomeini em 24 de maio de 1979, antes mesmo da ratificação da Constituição, e responde diretamente ao Líder, não ao chefe do Judiciário comum3.

A ideia de que os assuntos da comunidade cabem a todos os juristas qualificados em conjunto, e não a um só, teve defensores de peso no próprio debate constitucional de 1979. Muhammad Kazim Shariatmadari e Mahmud Taleqani defenderam essa posição contra a concentração de autoridade que a wilayat al-faqih propunha1.

Não confundir com: mufti, jurista habilitado especificamente para emitir fatwas, um tipo de ulemá ligado sobretudo à tradição sunita; aiatolá, título dos ulemás xiitas duodecimanos de mais alta patente, que vem ao fim de uma carreira acadêmica formal; mojtahed, o ulemá que alcançou a qualificação para exercer ijtihad; marja, o mojtahed ou aiatolá que leigos escolhem livremente como referência de taqlid.

Leia mais: Wilayat al-faqih: a doutrina que sustenta a República Islâmica, e a disputa que ela nunca venceu · Quem decide no Irã — o Líder Supremo, o Conselho de Guardiões e o filtro antes do voto

Fontes

Um homem muçulmano estuda o Alcorão com atenção, demonstrando devoção e reflexão espiritual. Photo by Murad Khan

Fontes

  1. İsmail Safa Üstün, "VELÂYET-i FAKĪH," TDV İslâm Ansiklopedisi, 2013. https://islamansiklopedisi.org.tr/velayet-i-fakih (abre em nova aba) · 🟢 — o debate parte da ideia de que, com a ocultação do décimo segundo imã ("on ikinci imamın gaybetiyle"), atribuições como jihad, divisão de despojos, oração de sexta-feira, judicatura, penas, zakat e khums ficaram suspensas. Relida diretamente em 23 de setembro de 2026.

    ↩
  2. The Constitution of The Islamic Republic of Iran — General Text (Approved on 1979, Amended on 1989), Iran Data Portal, Moynihan Institute of Global Affairs, Syracuse University. https://irandataportal.syr.edu/wp-content/uploads/constitution-english-1368.pdf (abre em nova aba) · 🟢

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  3. Majid Mohammadi, "Special Court for the Clergy: Raison d'être, Development, Structure and Function," Iran Human Rights Documentation Center, agosto de 2010, New Haven, Connecticut. https://www.iranhrdc.org/en/wp-content/uploads/pdf_en/LegalCom/Special_Court_for_the_Clergy_854451794.pdf (abre em nova aba) · 🟡 lido integralmente; o IHRDC é organização de documentação e advocacia de direitos humanos, declaradamente voltada a "promover responsabilização" no Irã; conteúdo usado com atribuição nominal.

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